AERI3 — AERIS IND. E COM. DE EQUIP. PARA GER. DE ENG. S.A.
Cotação, indicadores e dados históricos de AERI3 (Ação). Dados B3/CVM atualizados.
- Preço atual
- R$ 2,02
- P/L
- -1,64
- P/VP
- 0,00
Setor
Máquinas, Equipamentos, Veículos e Peças
Desempenho recente
No período de 6m, AERI3 apresentou variação de -36,28% em 123 pregões. Dados de cotação da B3, sujeitos a defasagem.
Faixa de 52 semanas
Nas últimas 52 semanas, AERI3 oscilou entre R$ 2,00 a R$ 4,58. Média de R$ 3,03 no período. Dados B3, sujeitos a defasagem.
Indicadores Fundamentalistas
P/L: -1.64. P/VP: 0.00. Dados públicos B3/CVM, sujeitos a defasagem.
Indicadores Avançados
ROIC: -34,49%. ROA: -62,35%. Margem EBITDA: -73,49%. Margem bruta: -5,97%. Dívida líquida/Patrimônio: -2.23. Liquidez corrente: 0.69. LPA (lucro por ação): -R$ 1,23. VPA (valor patrimonial por ação): -R$ 1,09. PSR (preço/receita): 2.41. Free float: 3,83%. Último provento: R$ 0,02 por ação. Indicadores de rentabilidade (ROIC, ROA), valuation por valor da firma (EV/EBITDA, EV/EBIT), margens, endividamento e liquidez, a partir de dados públicos B3/CVM. São referências informativas — a interpretação cabe a cada investidor.
Variações por período
Variação de AERI3 em janelas recentes. Na semana: -3,35%. No mês: -9,82%. No ano: -38,97%. Fechamento anterior: R$ 2,03 (16/07/2026). Percentuais sobre preços de fechamento da B3, sujeitos a defasagem.
Últimos pregões
Fechamentos recentes de AERI3: 17/07/2026: R$ 2,02, volume de R$ 29.170,00; 16/07/2026: R$ 2,03, volume de R$ 36.795,00; 15/07/2026: R$ 2,03, volume de R$ 82.115,00; 14/07/2026: R$ 2,05, volume de R$ 49.529,00; 13/07/2026: R$ 2,06, volume de R$ 45.941,00. Dados de pregão da B3.
Histórico de proventos
AERI3 registra 2 proventos anunciados em 1 anos de cobertura. Anúncios mais recentes: 25/03/2022 — Dividendo de R$ 0,02 por ação. O histórico descreve anúncios passados e não projeta pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia.
Resultados financeiros recentes
Demonstrações trimestrais reportadas por AERI3 (CVM): 31/03/2026: receita líquida de R$ 105,6M, resultado líquido de -R$ 138.001.000,00, margem líquida de -130,67%, LPA de -R$ 0,18. 31/12/2025: receita líquida de R$ 746,0M, resultado líquido de -R$ 901.213.000,00, margem líquida de -120,81%, LPA de -R$ 1,18. 30/09/2025: receita líquida de R$ 631,5M, resultado líquido de -R$ 412.921.000,00, margem líquida de -65,39%, LPA de -R$ 0,54. 30/06/2025: receita líquida de R$ 452,5M, resultado líquido de -R$ 268.561.000,00, margem líquida de -59,35%, LPA de -R$ 0,35. Valores consolidados conforme reportado, sujeitos a reapresentação.
Patrimônio líquido e VPA
Patrimônio líquido de -R$ 836.456.000,00 na posição de 31/03/2026. VPA (valor patrimonial por ação): -R$ 1,09. Na posição de 31/12/2019, o patrimônio era de R$ 174,2M e o VPA era de R$ 0,23. Série contábil pública (CVM), sujeita a reapresentação.
Estrutura acionária
Composição do capital de AERI3: Total de ações emitidas: 766.213.456. Ordinárias (ON): 766.213.456 (100,00%). Ações em circulação: 29.312.345. Dados públicos CVM/B3.
Valores mobiliários listados
Códigos de negociação da companhia na B3: AERI3 (Ações Ordinárias, Novo Mercado). O segmento de listagem descreve o conjunto de regras de governança ao qual a companhia aderiu.
Movimentações de administradores e pessoas ligadas
Negociações com ações de AERI3 comunicadas por administradores, controladores e pessoas ligadas no período de 5 anos, conforme divulgação pública (CVM). Foram registradas 37 operações de compra e 156 operações de venda. Volume comprado: R$ 283.103,00. Volume vendido: R$ 25,2M. Saldo líquido do período: -R$ 24.881.036,90. Dado factual de transparência — não indica, por si só, perspectiva sobre o ativo.
Como interpretar os indicadores de uma ação
Os indicadores fundamentalistas descrevem aspectos diferentes de uma empresa e costumam ser lidos em conjunto, não isoladamente. Abaixo, o que cada grupo representa de forma factual.
Múltiplos de avaliação (P/L, P/VP, PSR)
Múltiplos relacionam o preço de mercado a uma medida contábil. O P/L (preço sobre lucro) compara a cotação ao lucro por ação; o P/VP (preço sobre valor patrimonial) compara ao patrimônio por ação; o PSR (preço sobre receita) compara à receita por ação. São referências de avaliação relativa — fazem mais sentido comparados entre empresas de um mesmo setor do que isoladamente, já que cada setor tem faixas típicas distintas.
Rentabilidade (ROE, ROIC, ROA)
Os indicadores de rentabilidade medem a eficiência da empresa em gerar resultado a partir do capital. O ROE relaciona o lucro ao patrimônio líquido; o ROIC relaciona o resultado operacional ao capital total investido (próprio e de terceiros); o ROA relaciona o lucro ao total de ativos. Valores mais altos indicam maior eficiência relativa, mas dependem do setor e da estrutura de capital.
Valor da firma e margens (EV/EBITDA, margens)
O EV/EBITDA compara o valor da firma (valor de mercado mais dívida líquida) ao EBITDA, uma medida de geração de caixa operacional; é usado para comparar empresas com diferentes níveis de endividamento. As margens (bruta, EBITDA, líquida) expressam quanto da receita se converte em resultado em cada etapa, descrevendo a lucratividade da operação.
Endividamento e liquidez
A dívida líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida; a dívida líquida sobre patrimônio relaciona o endividamento ao capital próprio. A liquidez corrente compara ativos e passivos de curto prazo. Esses indicadores descrevem a estrutura financeira e o risco associado ao endividamento.
Dividendos (DY e payout)
O Dividend Yield (DY) relaciona os proventos distribuídos nos últimos doze meses ao preço da ação, e o payout indica a parcela do lucro distribuída como proventos. Ambos descrevem o histórico de distribuição e não projetam pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia. A interpretação de todos esses indicadores cabe a cada investidor, conforme seus objetivos e tolerância a risco.
Sobre a Empresa
Exploração de negócio de construção e comercialização de pás de rotores para turbinas utilizadas na geração eólica de energia.
Identificação e registro
CNPJ: 12.528.708/0001-07. Código CVM: 25283. Situação do registro: Ativo. Constituída em 2010. Controle acionário: Privado. País de origem: Brasil. Site oficial: www.ri.aerisenergy.com.br. Dados cadastrais públicos da companhia (CVM/B3), sujeitos a atualização.
Eventos e Fatos Relevantes (CVM)
AERI3 registra 100 evento(s) e comunicado(s) ao mercado publicados via CVM nos últimos 5 anos. As categorias mais frequentes: Assembleia (61), Dados Econômico-Financeiros (26), Fato Relevante (13). Os documentos completos podem ser consultados nos canais oficiais.
A Aeris Energy (AERI3) é uma fabricante brasileira de pás de rotores para turbinas eólicas, fundada em 2010 e instalada em Caucaia (CE), junto ao Porto do Pecém. Atende grandes fabricantes globais de turbinas, como Vestas, GE Vernova, Nordex e WEG, e mantém braço de serviços de manutenção de pás. Listada no Novo Mercado da B3 desde 2020, com capital 100% em ações ordinárias e tag along integral, é uma tese cíclica ligada ao investimento em energia eólica no Brasil e no exterior.
Sobre AERIS IND. E COM. DE EQUIP. PARA GER. DE ENG. S.A.
A Aeris Indústria e Comércio de Equipamentos para Geração de Energia S.A., negociada na B3 sob o ticker AERI3, é uma fabricante brasileira de pás de rotores para turbinas eólicas — e não uma geradora de energia, distinção essencial para entender o papel do ativo: a companhia atua como elo industrial da cadeia de suprimentos da energia eólica, fornecendo o componente de maior complexidade aerodinâmica do aerogerador para as grandes montadoras globais de turbinas. Constituída em 17 de agosto de 2010, a Aeris instalou seu complexo fabril no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE), decisão estratégica que combina proximidade com o polo eólico do Nordeste brasileiro — região que concentra a maior parte da capacidade eólica instalada do país — e acesso direto ao Porto do Pecém, viabilizando a exportação de pás, peças de grande porte cujo custo logístico é determinante na competitividade.
A trajetória da companhia acompanha a maturação da indústria eólica nacional. Ao longo da década de 2010, a Aeris consolidou-se como a principal fabricante independente de pás eólicas do Brasil, ocupando espaço deixado pela retração de concorrentes históricos como a Tecsis e beneficiando-se das políticas de conteúdo local do BNDES (credenciamento FINAME), que incentivaram as montadoras globais a contratar produção doméstica de componentes. Seu portfólio de clientes incluiu, em diferentes ciclos, fabricantes de aerogeradores como Vestas, Nordex Acciona, GE, Siemens Gamesa e WEG — um modelo de negócios B2B baseado em contratos plurianuais de manufatura dedicada, em que linhas de produção são qualificadas para moldes e especificações proprietárias de cada cliente. Além da manufatura de pás novas, a companhia desenvolveu o segmento Aeris Service, voltado a serviços de manutenção, reparo e reforma de pás em campo e em fábrica, receita de natureza recorrente que aproveita a base instalada crescente de parques eólicos no país.
O marco de capital mais relevante foi o IPO em novembro de 2020, quando a Aeris abriu capital no Novo Mercado da B3 — segmento de mais alto padrão de governança, com exigência de 100% de ações ordinárias e tag along integral. A estrutura acionária reflete essa listagem: o capital é composto exclusivamente por ações ON (cerca de 766 milhões de ações), sem classes preferenciais. O controle é privado e concentrado nos acionistas fundadores, ligados à família Negrão, e o free float é bastante reduzido, na casa de 4% do capital — característica estrutural que se traduz em baixa liquidez do papel e ausência dos principais índices da bolsa, como o Ibovespa; após o IPO, o ativo chegou a compor carteiras de índices amplos e de small caps, presença que se tornou limitada com a redução do capital em circulação.
No posicionamento competitivo, a Aeris se diferencia dos pares por ser a única fabricante de pás eólicas de grande porte listada na bolsa brasileira e uma das poucas independentes do mundo — a maior parte da produção global de pás é verticalizada dentro das próprias montadoras (como a LM Wind Power, do grupo GE Vernova) ou concentrada em players internacionais como a TPI Composites. Sua estratégia declarada se apoia em três eixos: eficiência industrial em manufatura de compósitos (fibra de vidro, resinas e materiais de núcleo) com mão de obra intensiva e curva de aprendizado por linha; diversificação de receita via exportações, aproveitando a logística portuária do Pecém; e expansão dos serviços de operação e manutenção de pás, segmento menos cíclico que a fabricação. A companhia atravessou, a partir de meados da década de 2020, um ciclo severo de retração da demanda doméstica por novas turbinas — reflexo do excesso de oferta de energia, do curtailment no Nordeste e da escassez de leilões — que impôs reestruturação operacional e financeira, redimensionamento de linhas e renegociação de contratos, tornando a tese do ativo fortemente ligada à retomada do ciclo de investimentos eólicos no Brasil e à execução do seu plano de reequilíbrio.
Contexto de negocio e setor
A Aeris se insere na cadeia produtiva da energia eólica brasileira, um dos maiores mercados do mundo no setor: o Brasil ultrapassou a marca de 30 GW de capacidade eólica instalada, com a fonte respondendo por parcela expressiva da matriz elétrica nacional e forte concentração geográfica no Nordeste, onde os ventos alísios garantem fatores de capacidade entre os mais altos do planeta. A cadeia é composta por desenvolvedores e geradores de parques (Auren, Engie, Casa dos Ventos, Serena, entre outros), montadoras de aerogeradores (Vestas, Nordex Acciona, GE Vernova, WEG) e fornecedores de componentes — torres, naceles e pás, segmento em que a Aeris atua. Trata-se de elo industrial de capital intensivo e mão de obra numerosa, com barreiras de entrada relevantes: qualificação técnica junto às montadoras (processo que leva anos), domínio da manufatura de compósitos em peças de dezenas de metros, escala fabril, logística especializada para cargas superdimensionadas e proximidade portuária para exportação.
O marco regulatório que governa a demanda é o do setor elétrico: a ANEEL regula geração, transmissão e comercialização; a EPE planeja a expansão e organiza os leilões de energia nova do ambiente regulado (ACR); e o ONS opera o sistema — incluindo os cortes de geração (curtailment) que se tornaram variável central para a economicidade de novos parques no Nordeste. O ambiente de contratação livre (ACL), impulsionado pela abertura do mercado, e os projetos de hidrogênio verde e data centers passaram a disputar com os leilões o papel de vetor de demanda por novas turbinas. A Lei 15.097/2025, que criou o marco legal da eólica offshore, abre uma fronteira estrutural de longo prazo para fabricantes de pás de grande porte. No lado da oferta industrial, a política de conteúdo local do BNDES (credenciamento FINAME) historicamente ancorou a produção doméstica de componentes — mecanismo decisivo para a instalação de fábricas de pás no país.
O setor é cíclico e o canal de transmissão macro é claro. Juros elevados encarecem o financiamento dos parques eólicos (projetos de longo prazo, intensivos em CAPEX), reduzindo encomendas de turbinas e, por consequência, de pás; o ciclo econômico determina o crescimento da carga elétrica e a necessidade de capacidade nova; o excesso de oferta de energia e o curtailment deprimem preços de longo prazo e adiam decisões de investimento dos geradores. O câmbio atua em duas vias: deprecia custos em dólar de insumos importados (resinas epóxi e poliéster, fibra de vidro, fibra de carbono, materiais de núcleo como balsa e PET — commodities petroquímicas sensíveis ao petróleo), mas melhora a competitividade das exportações de pás embarcadas pelo Pecém, hedge natural parcial da receita. O ciclo de capital é típico de bens de capital sob encomenda: linhas dedicadas exigem investimento antecipado e contratos plurianuais take-or-pay ou com volumes mínimos, e a ociosidade em fases de baixa do ciclo pressiona margens de forma desproporcional.
No cenário competitivo, a produção global de pás é dominada por players verticalizados ou de grande escala — LM Wind Power (GE Vernova), TPI Composites e as fábricas próprias de Vestas, Nordex e Siemens Gamesa —, enquanto no Brasil a Aeris se consolidou como a principal capacidade fabril dedicada de pás após a retração da Tecsis, antiga líder nacional. A tendência estrutural do setor — turbinas cada vez maiores, com pás mais longas e repotenciação (repowering) de parques antigos — favorece quem domina engenharia de compósitos e serviços de manutenção, mas também encurta ciclos de produto e exige requalificação constante de moldes e linhas, mantendo elevada a régua de investimento para permanecer no jogo.
Como ler os indicadores deste ativo
Antes de tudo, um esclarecimento que muda toda a leitura dos indicadores: a Aeris Energy não é uma geradora de energia renovável, e sim uma indústria de bens de capital. Constituída em 2010, a companhia fabrica e comercializa pás de rotores para turbinas utilizadas na geração eólica, atendendo fabricantes globais de aerogeradores a partir de seu complexo industrial no Ceará. Isso significa que AERI3 deve ser analisada como uma manufatura de ciclo longo, e não como uma utility: comparações com geradoras de energia induzem a erro, pois essas empresas vivem de receita contratada de comercializacao de energia, enquanto a Aeris depende de carteira de pedidos, volume de produção e eficiência fabril.
Para esse perfil de negócio, a primeira camada de leitura está nas margens. A margem bruta revela se o preço contratado das pás cobre matéria-prima (resinas, fibras de vidro e de carbono) e custo de transformação; a margem EBITDA mostra se o volume produzido dilui os custos fixos de plantas intensivas em capital. Em fabricantes de componentes eólicos, margens são estruturalmente apertadas — um dígito alto de margem EBITDA já é considerado bom desempenho no setor global — e margens negativas sinalizam fábricas operando abaixo da escala mínima ou contratos deficitários.
A segunda camada é o balanço. A relação dívida líquida/EBITDA e a liquidez corrente indicam se a empresa atravessa o ciclo com fôlego próprio. Em períodos de prejuízo, vale acompanhar a evolução do patrimônio líquido trimestre a trimestre, pois prejuízos sucessivos corroem o capital próprio e podem torná-lo negativo — situação que distorce vários múltiplos clássicos.
Aqui mora a principal armadilha de interpretação para o iniciante: quando o patrimônio líquido é negativo, ROE, P/VP e VPA perdem o significado usual. Um ROE positivo e aparentemente alto pode resultar da divisão de prejuízo por patrimônio negativo (dois números negativos geram resultado positivo), o que é um artefato matemático, não rentabilidade real. Da mesma forma, P/L negativo indica apenas que a empresa acumulou prejuízo nos últimos doze meses — não que a ação esteja barata ou cara. Nesses casos, indicadores baseados em receita e em valor da firma, como PSR e EV/EBITDA (quando o EBITDA é positivo), tornam-se mais informativos que múltiplos de lucro e de patrimônio.
A leitura conjunta mais útil para o setor combina três eixos: carteira de pedidos e receita (a demanda existe?), margem bruta e margem EBITDA (a produção é rentável?) e alavancagem e liquidez (o balanço aguenta o ciclo?). Acrescente o ROIC confrontado com o custo de capital para avaliar se a expansão de capacidade criou ou consumiu valor. Na comparação com pares, o grupo correto são fabricantes de componentes eólicos listados no exterior, como a TPI Composites, e indústrias brasileiras de bens de capital, como a WEG — sempre lembrando que escala, mix de clientes e câmbio (parte relevante da receita vem de exportação) explicam boa parte das diferenças de múltiplos. Por fim, observe a estrutura acionária: o capital é composto exclusivamente por ações ordinárias e o free float é reduzido, o que limita a liquidez do papel e amplifica oscilações — um fator técnico, não fundamentalista, que afeta qualquer múltiplo calculado sobre o preço de tela.
Pontos de atencao
Concentração de receita em poucos clientes é o risco mais direto: a Aeris fabrica pás de rotores sob contratos de fornecimento com um grupo restrito de fabricantes de turbinas (OEMs), como Vestas, GE Vernova, Nordex e WEG. O cancelamento, a não renovação ou a repactuação de um único contrato pode retirar parcela relevante da receita, pois cada linha de produção é dedicada a um modelo específico de pá de um cliente.
O ciclo do setor eólico brasileiro é o risco estrutural central: o excesso de oferta de energia e os cortes de geração (curtailment) determinados pelo ONS a partir de 2023 desestimularam a contratação de novos parques, derrubando encomendas de turbinas e, por transmissão direta, os pedidos de pás. A reocupação da capacidade fabril da Aeris depende da retomada de leilões, PPAs corporativos e investimentos em transmissão.
A estrutura de capital exige atenção especial: a companhia reportou prejuízos expressivos e patrimônio líquido negativo em demonstrações financeiras recentes, situação que pressiona covenants, encarece o crédito e pode demandar aumento de capital ou renegociação de dívidas, com risco de diluição para o minoritário. Vale acompanhar as notas explicativas sobre continuidade operacional nos ITRs e DFPs arquivados na CVM.
O perfil de liquidez de curto prazo é apertado, com liquidez corrente abaixo de 1 em balanços recentes — obrigações de curto prazo superando ativos circulantes. Em uma indústria intensiva em capital de giro, com estoques de resinas, fibras e pás em produção, esse desequilíbrio amplia a dependência de linhas bancárias, adiantamentos de clientes e renegociações com fornecedores.
O free float é bastante reduzido — inferior a 5% das 766,2 milhões de ações ordinárias —, com controle concentrado na família fundadora Negrão. Isso resulta em baixa liquidez em bolsa, spreads maiores, volatilidade amplificada mesmo com volumes pequenos e dificuldade prática de montar ou desmontar posições relevantes sem impactar o preço do papel.
A exposição cambial atua nos dois sentidos: parte das comercializacao é destinada à exportação e precificada em dólar, enquanto insumos críticos — resinas epóxi, fibra de vidro, fibra de carbono e madeira balsa — são importados ou indexados a moedas fortes. Movimentos abruptos do real alteram margens e o custo de reposição de estoques, exigindo gestão ativa de hedge cambial pela companhia.
Há risco de disrupção tecnológica contínua: as plataformas de turbinas evoluem para pás cada vez maiores e mais leves, e cada nova geração exige investimento em moldes, ferramental e requalificação de processo. Se um OEM migrar de plataforma sem renovar a linha com a Aeris — ou internalizar a produção, como a GE Vernova faz com a LM Wind Power —, parte da capacidade instalada pode ficar ociosa.
A demanda final depende de política energética: leilões de energia regulada, regras de curtailment e de compensação aos geradores, o marco legal das eólicas offshore (Lei 15.097/2025) e incentivos setoriais definem o ritmo de novos parques. Mudanças regulatórias que atrasem a contratação de energia eólica reduzem encomendas de turbinas no Brasil, mercado central da companhia.
A produção é concentrada em um único complexo industrial em Caucaia (CE), próximo ao Porto do Pecém. A localização favorece exportação e a logística para os parques do Nordeste, mas cria concentração geográfica: eventos locais — climáticos, trabalhistas, de infraestrutura portuária ou de fornecimento de energia — podem afetar simultaneamente todas as linhas de produção.
Os riscos ESG são concretos para uma fabricante de compósitos: o processo produtivo usa resinas e produtos químicos que exigem controles rigorosos de saúde e segurança ocupacional, e pás descomissionadas ainda têm reciclagem limitada mundialmente, criando passivo ambiental potencial para a cadeia. Embora o produto sirva à transição energética, falhas de gestão ambiental podem gerar autuações e custos.
Trata-se de um negócio de bens de capital, intrinsecamente cíclico: as encomendas acompanham ondas de investimento em geração eólica, com vales prolongados entre ciclos. O precedente da Tecsis — fabricante brasileira de pás que definhou após perder contratos na década de 2010 — ilustra a severidade do risco quando a carteira de pedidos do setor seca por alguns anos.
Não há fluxo de dividendos a esperar no curto prazo: o último provento registrado foi pago em 2022 e, pela Lei das S.A., companhias com prejuízos acumulados e patrimônio líquido negativo ficam impedidas de distribuir resultados até recompor suas reservas. Na prática, AERI3 é uma tese de recuperação operacional do ciclo eólico, e não uma tese de renda recorrente.
Governanca e estrutura societaria
A Aeris Indústria e Comércio de Equipamentos para Geração de Energia S.A. é uma companhia de controle privado e perfil familiar: foi fundada em 2010 pela família Negrão, que permanece como acionista controladora e mantém presença ativa na gestão e no Conselho de Administração. Esse desenho concentrado tem implicações práticas para o investidor pessoa física — o free float é bastante reduzido (inferior a 5% do capital), o que limita a liquidez do papel em bolsa e reduz o peso dos minoritários em assembleias, ainda que o arcabouço de listagem ofereça proteções formais relevantes.
A companhia abriu capital em novembro de 2020 e listou suas ações diretamente no Novo Mercado da B3, o segmento de exigências mais elevadas de governança. Isso significa capital composto exclusivamente por ações ordinárias — são 766.213.456 ações ON, sem classe preferencial —, de modo que todo acionista tem direito a voto. A regra de tag along no Novo Mercado é de 100%: em eventual alienação do controle, o minoritário tem direito de vender suas ações pelo mesmo preço por ação pago ao controlador, proteção superior ao piso legal de 80% da Lei das S.A. O segmento também exige conselho de administração com membros independentes, comitê de auditoria, demonstrações financeiras auditadas e estruturas de compliance e divulgação compatíveis com as normas da CVM (registro de companhia aberta nº 25283, situação ativa).
A política de distribuição segue os moldes da Lei das S.A., com dividendo mínimo obrigatório calculado sobre o lucro líquido ajustado. Na prática, porém, a distribuição está suspensa pelo ciclo de resultados: o último provento em dinheiro registrado foi pago em 2022 e, desde então, a sequência de prejuízos e o patrimônio líquido negativo reportado em balanços recentes impedem legalmente novas distribuições até a recomposição das reservas. Esse é um ponto central de governança financeira a monitorar nos próximos exercícios, ao lado de eventuais operações de reforço de capital.
Entre os eventos corporativos relevantes da história recente estão o IPO de 2020 — realizado no auge do ciclo de expansão eólica brasileira —, a forte expansão de linhas de produção contratadas com OEMs globais nos anos seguintes e, a partir de 2023, a reestruturação operacional e financeira imposta pela retração do setor, com redução de capacidade, renegociação de contratos e de dívidas. Para acompanhar a governança em tempo real, o canal oficial é o site de relações com investidores (ri.aerisenergy.com.br) e os documentos arquivados na CVM, incluindo o Formulário de Referência, que detalha remuneração de administradores, fatores de risco e transações com partes relacionadas.
Panorama competitivo
A Aeris atua em um nicho industrial muito específico: a fabricação independente de pás de rotores para turbinas eólicas, vendidas diretamente aos fabricantes de turbinas (OEMs). No Brasil, ela se consolidou como a principal fabricante independente do segmento, ocupando o espaço deixado pela Tecsis — que dominou o mercado nacional de pás nos anos 2000 e definhou na década seguinte após perder contratos-chave. Seus clientes históricos incluem Vestas, GE Vernova, Nordex (grupo Nordex-Acciona), Siemens Gamesa e WEG, o que dá à companhia uma posição singular: seus clientes são, simultaneamente, seus potenciais concorrentes.
Isso porque o principal vetor competitivo global é a verticalização dos OEMs. A GE Vernova é dona da LM Wind Power, uma das maiores fabricantes de pás do mundo; Vestas e Siemens Gamesa mantêm fábricas próprias de pás em diversos países; e fabricantes chineses, em rápida expansão internacional, operam cadeias verticalizadas com custos agressivos. Entre os independentes globais, o concorrente mais comparável é a americana TPI Composites, que produz pás em plantas no México, na Turquia e na Índia para os mesmos OEMs. A decisão de cada OEM entre produzir internamente, importar ou contratar um independente local define, na prática, o tamanho do mercado endereçável da Aeris.
As vantagens competitivas da companhia são concretas, ainda que cíclicas. A primeira é logística: pás modernas ultrapassam 70 metros de comprimento e seu transporte rodoviário é caro e complexo, de modo que produzir perto da demanda importa — o complexo de Caucaia (CE) fica ao lado do Porto do Pecém, com acesso direto tanto aos parques eólicos do Nordeste, região que concentra a geração eólica brasileira, quanto à rota de exportação para Américas e Europa. A segunda é a barreira de qualificação: homologar uma fábrica de pás junto a um OEM exige anos de certificação de processo, qualidade e segurança, o que protege contratos vigentes contra entrantes. A terceira é o conteúdo local, relevante para financiamento via BNDES/Finame em projetos no Brasil. Há ainda o braço de serviços de manutenção e reparo de pás em campo, receita mais recorrente e menos cíclica que a manufatura.
As ameaças, por outro lado, são estruturais: a capacidade ociosa global do setor pressiona preços; a consolidação dos OEMs (fusões como Nordex-Acciona e Siemens-Gamesa) reduz o número de clientes potenciais e aumenta o poder de barganha deles; e a importação de pás asiáticas testa a vantagem logística local. A tendência de pás cada vez maiores também eleva o investimento por linha de produção, favorecendo quem tem escala global. O posicionamento da Aeris depende, portanto, de manter-se competitiva em custo e qualidade dentro de um mercado cuja demanda é decidida pelo ritmo de contratação de energia eólica no Brasil e no exterior.
Indicadores explicados
**P/L (Preço/Lucro).** O P/L negativo registra que a Aeris acumulou prejuízo por ação nos últimos doze meses, de modo que o múltiplo deixa de cumprir sua função usual de medir quantos anos de lucro o mercado paga pela ação. Um P/L abaixo de zero não indica ação descontada nem cara: indica apenas resultado líquido negativo no período. Para empresas nessa situação, a análise costuma migrar para múltiplos de receita, como o PSR, e para o acompanhamento da trajetória trimestral do resultado, observando se o prejuízo está se ampliando ou se reduzindo. Fórmula: Preço da ação / Lucro por ação dos últimos 12 meses Cálculo: P/L = 2,31 / (-1,2329) = -1,87 (dados de 10/06/2026)
**P/VP (Preço/Valor Patrimonial).** Com patrimônio líquido contábil negativo, o valor patrimonial por ação fica abaixo de zero e o P/VP perde a leitura tradicional de prêmio ou desconto sobre o patrimônio. O resultado negativo é um artefato aritmético: não significa que a ação vale menos que nada, e sim que os passivos da companhia superam seus ativos no balanço. Bases de dados frequentemente zeram o indicador nessa condição. Nesse cenário, o foco analítico se desloca para a capacidade de recomposição do patrimônio via resultados futuros ou eventuais aportes de capital. Fórmula: Preço da ação / Valor patrimonial por ação Cálculo: P/VP = 2,31 / (-1,09) = -2,12; a base de indicadores registra 0 por convenção quando o VPA é negativo (dados de 10/06/2026)
**DY (Dividend Yield).** Não há proventos distribuídos nos últimos doze meses, o que torna o dividend yield indisponível na data de referência. O último dividendo registrado na B3 data de março de 2022, refletindo que, desde então, os resultados negativos eliminaram a base legal de distribuição — pela Lei das S.A., dividendos pressupõem lucro ou reservas. Para uma indústria em fase de prejuízo e patrimônio líquido negativo, a ausência de proventos é consequência contábil direta, e o papel não se enquadra em estratégias orientadas a renda recorrente. Fórmula: Proventos por ação pagos nos últimos 12 meses / Preço da ação x 100 Cálculo: dado indisponivel na data de referencia
**ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido).** O ROE positivo e elevado é um artefato matemático clássico: divide-se um lucro líquido negativo por um patrimônio líquido também negativo, e dois sinais negativos produzem percentual positivo. Não há, portanto, rentabilidade real sobre o capital dos acionistas — há prejuízo sobre um patrimônio já consumido pelos resultados anteriores. Este é o exemplo mais didático de por que o ROE só tem leitura válida quando o patrimônio líquido é positivo; fora dessa condição, o indicador deve ser descartado da análise comparativa. Fórmula: Lucro líquido dos últimos 12 meses / Patrimônio líquido x 100 Cálculo: ROE = (LPA -1,2329 x 766.213.456 ações = R$ -944,66 milhões) / R$ -836,46 milhões = 112,94% (dados de 10/06/2026)
**ROIC (Retorno sobre Capital Investido).** O ROIC negativo indica que a operação consumiu valor sobre o capital total investido (próprio e de terceiros) no período, antes de qualquer efeito da estrutura de capital. Diferentemente do ROE, o ROIC não sofre o artefato do patrimônio negativo, por isso é a métrica de rentabilidade mais confiável para a Aeris neste momento: ela mostra que o problema é operacional, e não apenas contábil. Para uma fabricante de pás eólicas, ROIC negativo costuma refletir fábricas subutilizadas e contratos com margens insuficientes para remunerar o capital imobilizado. Fórmula: NOPAT (lucro operacional após impostos) / Capital investido x 100 Cálculo: ROIC = -34,49%, conforme reportado na base de indicadores; NOPAT e capital investido não são discriminados individualmente na fonte (dados de 10/06/2026)
**EV/EBITDA.** O múltiplo não é reportado na base na data de referência, o que é coerente com um EBITDA negativo no acumulado de doze meses: dividir o valor da firma por um denominador negativo produz resultado sem significado econômico, e os provedores de dados suprimem o indicador nessa condição. O EV/EBITDA voltará a ser uma régua útil de comparação com pares industriais apenas se a geração operacional de caixa retornar ao campo positivo; até lá, a comparação setorial tende a se apoiar em múltiplos de receita. Fórmula: (Valor de mercado + Dívida líquida) / EBITDA dos últimos 12 meses Cálculo: dado indisponivel na data de referencia
**Margem EBITDA.** Uma margem EBITDA profundamente negativa significa que, para cada real de receita líquida, a operação gerou a maior parte desse valor em resultado operacional negativo antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Em uma indústria cuja referência global é margem positiva de um dígito alto, esse patamar sinaliza produção muito abaixo da escala de equilíbrio das plantas, com custos fixos não diluídos pelo volume fabricado. A margem bruta também negativa no período reforça que o custo de produção superou o próprio preço de comercializacao das pás. Fórmula: EBITDA / Receita líquida x 100 Cálculo: Margem EBITDA = -73,49%, conforme reportado na base de indicadores; EBITDA e receita líquida de 12 meses não são discriminados individualmente na fonte (dados de 10/06/2026)
**Dívida líquida/EBITDA.** O indicador não é calculável na data de referência porque o EBITDA acumulado em doze meses é negativo, o que tornaria a razão matematicamente possível, porém sem leitura econômica — não faz sentido medir anos de geração de caixa para quitar dívida quando a geração é negativa. Nessa situação, credores e analistas passam a observar métricas alternativas de solvência, como liquidez corrente, cronograma de vencimentos e posição de caixa, além da relação entre dívida líquida e patrimônio, que também fica distorcida pelo patrimônio negativo. Fórmula: Dívida líquida / EBITDA dos últimos 12 meses Cálculo: dado indisponivel na data de referencia
**LPA (Lucro por Ação).** O LPA negativo consolida em uma única cifra o prejuízo dos últimos doze meses distribuído pelas 766.213.456 ações ordinárias da companhia. Como o capital da Aeris é composto exclusivamente por ações ON, não há ajustes por classes preferenciais no cálculo. O dado relevante para acompanhamento não é o valor isolado, e sim sua trajetória trimestral: a sequência de resultados líquidos negativos reportados no histórico recente é o que pressiona o patrimônio líquido e contamina os demais múltiplos baseados em lucro e em patrimônio. Fórmula: Lucro líquido dos últimos 12 meses / Número total de ações Cálculo: LPA = R$ -944,66 milhões / 766.213.456 ações = R$ -1,23 (a base registra -1,2329) (dados de 10/06/2026)
**VPA (Valor Patrimonial por Ação).** O VPA negativo expressa que o patrimônio líquido contábil da Aeris está abaixo de zero: os passivos registrados superam os ativos, resultado da sequência de prejuízos que consumiu o capital social aportado. Contabilmente, cada ação carrega uma fração de passivo a descoberto, e não de patrimônio. Essa condição não implica valor de mercado nulo — a ação segue precificada em bolsa —, mas inutiliza o P/VP e o ROE como réguas de análise e coloca a recomposição patrimonial, por resultados ou por capitalização, no centro do acompanhamento do papel. Fórmula: Patrimônio líquido / Número total de ações Cálculo: VPA = R$ -836.456.000 / 766.213.456 ações = R$ -1,09 (dados de 10/06/2026)
Perguntas Frequentes
Qual o preço atual de AERI3? A cotação mais recente de AERI3 é de R$ 2,02.
Em qual setor AERI3 está classificada? AERI3 pertence ao setor Máquinas, Equipamentos, Veículos e Peças na classificação da B3.
Qual o P/L de AERI3? O índice Preço/Lucro (P/L) de AERI3 é -1.64. Este indicador relaciona o preço da ação com o lucro por ação.
Quantas ações AERI3 possui emitidas? A companhia possui 766.213.456 ações emitidas, conforme dados públicos CVM/B3.
Qual o controle acionário de AERI3? O controle acionário registrado é do tipo Privado, conforme cadastro público da companhia.
O que a Aeris Energy (AERI3) faz exatamente? A Aeris é uma indústria: fabrica pás de rotores para turbinas de geração eólica e presta serviços de manutenção e reparo de pás. Ela não gera nem vende energia elétrica — seus clientes são os fabricantes de turbinas (OEMs), como Vestas, GE Vernova, Nordex e WEG, que montam as pás em aerogeradores instalados em parques eólicos no Brasil e no exterior. O registro na CVM descreve a atividade como construção e comercialização de pás de rotores para turbinas eólicas.
AERI3 é uma empresa de energia renovável como Auren ou Serena? Não no mesmo sentido. Auren (AURE3) e Serena são geradoras: vendem energia elétrica por contratos de longo prazo, com receita relativamente previsível. A Aeris é uma fabricante de bens de capital que fornece um componente (a pá) para a cadeia eólica. Sua receita depende de encomendas industriais, que são cíclicas e concentradas em poucos clientes. Na B3, ela é classificada no setor de Máquinas e Equipamentos, não no de Energia Elétrica.
Quem controla a Aeris Energy? O controle é privado e familiar, exercido pela família Negrão, fundadora da companhia em 2010. A consequência prática para o investidor é dupla: de um lado, alinhamento de longo prazo típico de empresas familiares; de outro, um free float muito reduzido — inferior a 5% das 766,2 milhões de ações ordinárias —, o que torna a liquidez do papel baixa e limita a influência dos minoritários nas assembleias, ainda que o Novo Mercado garanta proteções formais.
AERI3 paga dividendos? Atualmente não há distribuição. O último provento em dinheiro registrado foi pago em 2022. Desde então, a companhia acumulou prejuízos e passou a reportar patrimônio líquido negativo, e a Lei das S.A. impede a distribuição de dividendos enquanto houver prejuízos acumulados a absorver. Para quem busca renda recorrente, AERI3 não cumpre esse papel hoje; a eventual retomada de proventos dependeria de anos de lucros e da recomposição das reservas.
O que significa o patrimônio líquido negativo da Aeris? Patrimônio líquido negativo significa que as dívidas e obrigações da empresa superam o valor contábil de seus ativos — os prejuízos acumulados consumiram todo o capital dos acionistas. As consequências práticas incluem indicadores tradicionais distorcidos (P/VP e ROE perdem significado), restrição legal a dividendos e maior probabilidade de a companhia precisar de aumento de capital ou reestruturação de dívida, eventos que podem diluir o acionista minoritário.
Quem são os principais clientes da Aeris? A carteira histórica concentra-se em grandes fabricantes globais de turbinas eólicas: Vestas, GE Vernova, Nordex (grupo Nordex-Acciona), Siemens Gamesa e a brasileira WEG. Cada contrato dedica linhas de produção a um modelo específico de pá. Essa concentração é uma característica estrutural do negócio: a perda ou não renovação de um único cliente tem impacto desproporcional na receita, o que torna o acompanhamento dos anúncios de contratos essencial.
Quem são os concorrentes da Aeris Energy? Entre os independentes globais, o mais comparável é a americana TPI Composites, com fábricas no México, na Turquia e na Índia. A concorrência mais estrutural, porém, vem dos próprios clientes: a GE Vernova controla a LM Wind Power, e Vestas e Siemens Gamesa mantêm fábricas próprias de pás. Há ainda a expansão de fabricantes chineses verticalizados. No Brasil, a Aeris é a principal fabricante independente desde o declínio da Tecsis na década de 2010.
Em que segmento da B3 a AERI3 está listada e qual o tag along? A Aeris está listada no Novo Mercado, o segmento de governança mais exigente da B3, desde o IPO em novembro de 2020. O capital é composto apenas por ações ordinárias (todas com direito a voto) e o tag along é de 100%: se o controle for vendido, o minoritário tem direito de vender suas ações pelo mesmo preço por ação pago ao controlador. O segmento também exige conselheiros independentes, comitê de auditoria e padrões elevados de divulgação.
Quando foi o IPO da Aeris e em que contexto? O IPO ocorreu em novembro de 2020, no auge do ciclo de expansão da energia eólica no Brasil e do apetite global por teses de transição energética. Nos anos seguintes, a companhia expandiu linhas de produção contratadas com OEMs. A partir de 2023, porém, o setor eólico brasileiro entrou em forte retração — excesso de oferta de energia e cortes de geração (curtailment) — e a Aeris passou por reestruturação operacional e financeira, com redução de capacidade.
Onde fica a fábrica da Aeris e por que a localização importa? O complexo industrial fica em Caucaia (CE), junto ao Porto do Pecém. A localização é estratégica por dois motivos: pás modernas ultrapassam 70 metros e seu transporte terrestre é caro e complexo, então estar perto dos parques eólicos do Nordeste — região que concentra a geração eólica brasileira — reduz custos; e o acesso portuário direto viabiliza exportações. O reverso é a concentração geográfica: toda a produção depende de um único polo industrial.
Como o dólar afeta os resultados da Aeris? O câmbio atua nas duas pontas. Na receita, as exportações de pás são precificadas em dólar, então um real mais fraco tende a ajudar a competitividade externa. No custo, insumos críticos como resinas epóxi, fibra de vidro, fibra de carbono e madeira balsa são importados ou indexados a moedas fortes, encarecendo a produção quando o real se desvaloriza. O efeito líquido depende do mix entre mercado interno e externo em cada período e da política de hedge.
O que é curtailment e por que ele afeta uma fabricante de pás? Curtailment é o corte compulsório de geração determinado pelo ONS quando há mais energia disponível do que a rede consegue absorver ou transportar. Desde 2023, parques eólicos do Nordeste sofrem cortes relevantes, o que reduz a receita dos geradores e desestimula investimentos em novos parques. Menos parques novos significa menos encomendas de turbinas e, na ponta da cadeia, menos pedidos de pás — canal direto pelo qual o fenômeno atinge a Aeris.
AERI3 serve para uma carteira de renda passiva? Pelo perfil atual, não. A companhia não distribui proventos desde 2022 e está legalmente impedida de fazê-lo enquanto houver prejuízos acumulados e patrimônio líquido negativo. AERI3 se enquadra melhor como tese cíclica e de recuperação operacional, ligada à retomada das encomendas do setor eólico — um perfil de risco elevado, agravado pela baixa liquidez do papel. Cada investidor deve avaliar se esse perfil é compatível com seus objetivos e horizonte.
Como acompanhar os resultados e fatos relevantes da Aeris? Os canais oficiais são o site de relações com investidores (ri.aerisenergy.com.br) e os sistemas da CVM, onde a companhia mantém registro ativo sob o código 25283. Os documentos mais úteis são os ITRs trimestrais, a DFP anual, o Formulário de Referência (fatores de risco, remuneração, partes relacionadas) e os fatos relevantes sobre contratos com OEMs, reestruturações e operações de capital — eventos que costumam mover o papel mais que o resultado em si.
Atualização
Dados consultados em 19/07/2026 nas fontes públicas citadas. Cotações e indicadores estão sujeitos a defasagem conforme a periodicidade de cada fonte.
Ativos do mesmo setor
Outros ativos do setor Máquinas, Equipamentos, Veículos e Peças, para comparação:
Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.
