Organizesee

TUPY3 — TUPY S.A.

Cotação, indicadores e dados históricos de TUPY3 (Ação). Dados B3/CVM atualizados.

Preço atual
R$ 16,19
P/L
-2,91
P/VP
0,92

Setor

Siderurgia e Mineração

Desempenho recente

No período de 6m, TUPY3 apresentou variação de +40,17% em 123 pregões. Dados de cotação da B3, sujeitos a defasagem.

Faixa de 52 semanas

Nas últimas 52 semanas, TUPY3 oscilou entre R$ 10,59 a R$ 17,41. Média de R$ 13,51 no período. Dados B3, sujeitos a defasagem.

Indicadores Fundamentalistas

P/L: -2.91. P/VP: 0.92. ROE: -31,63%. Margem líquida: -4,08%. Valor de mercado: R$ 2,1B. Dados públicos B3/CVM, sujeitos a defasagem.

Indicadores Avançados

ROIC: -4,64%. ROA: -7,98%. EV/EBITDA: 59.57. Margem EBITDA: 0,74%. Margem bruta: 9,84%. Dívida líquida/Patrimônio: 0.89. Liquidez corrente: 2.24. LPA (lucro por ação): -R$ 5,56. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 17,58. PSR (preço/receita): 0.23. Free float: 98,84%. Último provento: R$ 1,39 por ação. Indicadores de rentabilidade (ROIC, ROA), valuation por valor da firma (EV/EBITDA, EV/EBIT), margens, endividamento e liquidez, a partir de dados públicos B3/CVM. São referências informativas — a interpretação cabe a cada investidor.

Variações por período

Variação de TUPY3 em janelas recentes. Na semana: +2,15%. No mês: +11,50%. No ano: +31,73%. Fechamento anterior: R$ 16,05 (16/07/2026). Percentuais sobre preços de fechamento da B3, sujeitos a defasagem.

Últimos pregões

Fechamentos recentes de TUPY3: 17/07/2026: R$ 16,19, volume de R$ 14,5M; 16/07/2026: R$ 16,05, volume de R$ 9,8M; 15/07/2026: R$ 15,93, volume de R$ 11,7M; 14/07/2026: R$ 16,05, volume de R$ 8,2M; 13/07/2026: R$ 15,66, volume de R$ 15,9M. Dados de pregão da B3.

Histórico de proventos

TUPY3 registra 78 proventos anunciados em 22 anos de cobertura. Anúncios mais recentes: 30/12/2024 — JCP de R$ 1,39 por ação; 29/05/2024 — Dividendo de R$ 0,15 por ação; 22/01/2024 — JCP de R$ 0,26 por ação; 25/10/2023 — JCP de R$ 0,26 por ação; 28/04/2023 — Dividendo de R$ 0,45 por ação; 28/04/2023 — JCP de R$ 0,29 por ação; 29/12/2022 — JCP de R$ 0,23 por ação; 31/10/2022 — JCP de R$ 0,22 por ação. O histórico descreve anúncios passados e não projeta pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia.

Resultados financeiros recentes

Demonstrações trimestrais reportadas por TUPY3 (CVM): 31/03/2026: receita líquida de R$ 2,3B, resultado líquido de -R$ 94.191.000,00, margem líquida de -4,08%, LPA de -R$ 0,71. 31/12/2025: receita líquida de R$ 9,7B, resultado líquido de -R$ 654.552.000,00, margem líquida de -6,75%, LPA de -R$ 4,94. 30/09/2025: receita líquida de R$ 7,5B, resultado líquido de -R$ 39.749.000,00, margem líquida de -0,53%, LPA de -R$ 0,30. 30/06/2025: receita líquida de R$ 5,1B, lucro líquido de R$ 23,9M, margem líquida de 0,47%, LPA de R$ 0,18. Valores consolidados conforme reportado, sujeitos a reapresentação.

Patrimônio líquido e VPA

Patrimônio líquido de R$ 2,3B na posição de 31/03/2026. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 17,58. Na posição de 30/06/2016, o patrimônio era de R$ 2,3B e o VPA era de R$ 17,15. Série contábil pública (CVM), sujeita a reapresentação.

Estrutura acionária

Composição do capital de TUPY3: Total de ações emitidas: 132.450.415. Ordinárias (ON): 132.450.415 (100,00%). Ações em circulação: 130.913.780. Dados públicos CVM/B3.

Valores mobiliários listados

Códigos de negociação da companhia na B3: TUPY3 (Ações Ordinárias, Novo Mercado). O segmento de listagem descreve o conjunto de regras de governança ao qual a companhia aderiu.

Movimentações de administradores e pessoas ligadas

Negociações com ações de TUPY3 comunicadas por administradores, controladores e pessoas ligadas no período de 5 anos, conforme divulgação pública (CVM). Foram registradas 2 operações de compra e 10 operações de venda. Volume comprado: R$ 242.850,00. Volume vendido: R$ 2,2M. Saldo líquido do período: -R$ 1.970.144,91. Dado factual de transparência — não indica, por si só, perspectiva sobre o ativo.

Como interpretar os indicadores de uma ação

Os indicadores fundamentalistas descrevem aspectos diferentes de uma empresa e costumam ser lidos em conjunto, não isoladamente. Abaixo, o que cada grupo representa de forma factual.

Múltiplos de avaliação (P/L, P/VP, PSR)

Múltiplos relacionam o preço de mercado a uma medida contábil. O P/L (preço sobre lucro) compara a cotação ao lucro por ação; o P/VP (preço sobre valor patrimonial) compara ao patrimônio por ação; o PSR (preço sobre receita) compara à receita por ação. São referências de avaliação relativa — fazem mais sentido comparados entre empresas de um mesmo setor do que isoladamente, já que cada setor tem faixas típicas distintas.

Rentabilidade (ROE, ROIC, ROA)

Os indicadores de rentabilidade medem a eficiência da empresa em gerar resultado a partir do capital. O ROE relaciona o lucro ao patrimônio líquido; o ROIC relaciona o resultado operacional ao capital total investido (próprio e de terceiros); o ROA relaciona o lucro ao total de ativos. Valores mais altos indicam maior eficiência relativa, mas dependem do setor e da estrutura de capital.

Valor da firma e margens (EV/EBITDA, margens)

O EV/EBITDA compara o valor da firma (valor de mercado mais dívida líquida) ao EBITDA, uma medida de geração de caixa operacional; é usado para comparar empresas com diferentes níveis de endividamento. As margens (bruta, EBITDA, líquida) expressam quanto da receita se converte em resultado em cada etapa, descrevendo a lucratividade da operação.

Endividamento e liquidez

A dívida líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida; a dívida líquida sobre patrimônio relaciona o endividamento ao capital próprio. A liquidez corrente compara ativos e passivos de curto prazo. Esses indicadores descrevem a estrutura financeira e o risco associado ao endividamento.

Dividendos (DY e payout)

O Dividend Yield (DY) relaciona os proventos distribuídos nos últimos doze meses ao preço da ação, e o payout indica a parcela do lucro distribuída como proventos. Ambos descrevem o histórico de distribuição e não projetam pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia. A interpretação de todos esses indicadores cabe a cada investidor, conforme seus objetivos e tolerância a risco.

Sobre a Empresa

Produtos fundidos para os setores de transporte de carga, infraestrutura, agricultura e geração de energia / conexões em ferro fundido para aplicações em redes hidráulicas e de gás / perfis

Identificação e registro

CNPJ: 84.683.374/0001-49. Código CVM: 6343. Situação do registro: Ativo. Constituída em 1938. Controle acionário: Privado. País de origem: Brasil. Site oficial: www.tupy.com.br. Dados cadastrais públicos da companhia (CVM/B3), sujeitos a atualização.

Eventos e Fatos Relevantes (CVM)

TUPY3 registra 100 evento(s) e comunicado(s) ao mercado publicados via CVM nos últimos 5 anos. As categorias mais frequentes: Assembleia (47), Dados Econômico-Financeiros (27), Fato Relevante (20). Os documentos completos podem ser consultados nos canais oficiais.

A Tupy S.A. (TUPY3) e a maior fundidora de ferro da America Latina para componentes de motores de veiculos pesados, com operacoes industriais no Brasil, Mexico e EUA. Fundada em 1938 em Joinville (SC), a empresa fornece blocos e cabecotes de motor, carcacas e conexoes de ferro fundido para montadoras globais como Cummins, Volkswagen e John Deere. Listada no Novo Mercado da B3, com free float de 98,84% e ausencia de controlador definido, a Tupy passa por ciclo de ajuste operacional com EBITDA pressionado, ao mesmo tempo em que investe em materiais avancados como o CGI para capturar valor na transicao energetica do transporte pesado.

Sobre TUPY S.A.

A Tupy S.A. (TUPY3) é uma das mais relevantes empresas de bens industriais da América Latina, com foco na fabricação de componentes estruturais de ferro fundido e ferro fundido com grafite vermicular (CGI) destinados aos setores automotivo de veículos pesados, agrícola, de máquinas para construção e geração de energia. Fundada em 15 de fevereiro de 1938 em Joinville (SC), a companhia construiu ao longo de mais de oito décadas uma trajetória de crescimento sustentado, passando de uma pequena fundição regional a um conglomerado industrial com presença em três países.

A operação produtiva da Tupy está distribuída entre unidades no Brasil (Joinville-SC e Betim-MG), no México (Saltillo e San Luis Potosí, incorporadas via aquisições nas décadas de 2000 e 2010) e nos Estados Unidos. Essa estrutura geográfica diversificada é um dos principais ativos intangíveis da empresa, pois aproxima a produção de montadoras globais como Mercedes-Benz, Volkswagen, Cummins, John Deere e Paccar, reduzindo custos logísticos e garantindo agilidade no atendimento. As plantas mexicanas, em especial, foram estratégicas para consolidar o relacionamento com fabricantes norte-americanos e europeus instalados na região do TLCAN/USMCA.

O portfólio de produtos da Tupy é centrado em blocos de motor, cabeçotes de motor, carcaças e outros componentes estruturais de alta complexidade técnica, fabricados predominantemente com ferro fundido cinzento (GJL), ferro fundido nodular (GJS) e CGI. Esses materiais combinam resistência mecânica, maleabilidade e custo-efetividade, sendo essenciais para motores diesel de veículos comerciais pesados — caminhões, ônibus, locomotivas — além de tratores, colheitadeiras, geradores e compressores. A empresa também produz conexões em ferro fundido para redes hidráulicas e de gás, diversificando a base de clientes.

Em termos de posicionamento setorial, a Tupy é líder absoluta na América Latina em fundição de ferro para blocos e cabeçotes de motores para veículos comerciais pesados, e uma das maiores fundições do mundo na categoria. Seu capital social é de R$ 1,433,653,000 (base 2025), com 132.450.415 ações ordinárias em circulação — a única classe existente —, o que garante uniformidade de direitos políticos aos acionistas. O free float de 98,84% é um dos mais elevados do setor industrial brasileiro, refletindo a ausência de controlador definido e o perfil aberto de governança.

A estratégia corporativa da Tupy é estruturada em três vetores: (i) liderança técnica em materiais avançados de fundição, incluindo investimentos em CGI e ligas especiais; (ii) expansão de capacidade produtiva nas américas por meio de M&A seletivos e expansões greenfield; e (iii) adaptação ao ciclo de transição energética, com desenvolvimento de componentes compatíveis com motores a biocombustível, GNV, etanol e plataformas híbridas. A empresa investe em P&D para elongar o ciclo de vida dos motores a combustão interna em versões mais limpas, segmento em que a fundição de CGI é insubstituível no horizonte dos próximos 15 anos.

Na B3, TUPY3 integra o Novo Mercado, o mais exigente segmento de listagem, o que impõe regras rígidas de transparência, voto igualitário, conselho com maioria independente e tag along de 100% para todas as ações. A ação compõe índices como IBrX-100 e IGCX (Índice de Governança Corporativa Diferenciada), reforçando sua relevância para investidores institucionais. O modelo de capital disperso, raro no setor industrial brasileiro, confere à Tupy características de empresa com governança fortemente orientada ao mercado, em contraste com concorrentes com estrutura familiar ou estatal.

A diversificação geográfica da receita é um diferencial competitivo estrutural: a companhia gera parcela relevante de seu faturamento em moeda estrangeira, principalmente dólares americanos e euros, o que mitiga riscos cambiais típicos de exportadoras brasileiras e cria um hedge natural parcial contra a volatilidade do BRL. Essa exposição internacional também amplia o acesso a crédito em condições mais favoráveis e permite participação em programas de financiamento de agências multilaterais.

No contexto dos bens industriais brasileiros, a Tupy ocupa uma posição singular: ao contrário de WEG (WEGE3), que migrou fortemente para motores elétricos e automação, ou Iochpe-Maxion (MYPK3), centrada em rodas e freios, a Tupy ocupa o nicho de alta barreira tecnológica em fundição de ferro de precisão para motores de combustão interna e alternativos — um mercado com demanda global estável no médio prazo, especialmente em mercados emergentes onde a eletrificação de frotas pesadas avança mais lentamente do que no segmento de veículos leves.

Contexto de negocio e setor

O setor de fundição de ferro no Brasil é altamente concentrado e de capital intensivo, com barreiras de entrada elevadas que incluem necessidade de altos investimentos em fornos de indução, sistemas de controle ambiental (filtros de mangas, ciclones, lavadores de gás), laboratórios metalúrgicos e certificações como IATF 16949 (qualidade automotiva) e ISO 14001 (gestão ambiental). Essas barreiras, somadas ao know-how técnico acumulado ao longo de décadas, criam um ambiente oligopolístico em que poucos players conseguem atender com consistência as exigências de OEMs globais.

A cadeia produtiva da fundição automotiva tem início na aquisição de sucata de ferro e ferro-gusa como matérias-primas primárias, passando pela fusão em fornos de indução elétrica, moldagem em areia (green sand ou cold box), vazamento, desmoldagem, jateamento, usinagem CNC de alta precisão e, por fim, inspeção dimensional e de integridade metalúrgica. Cada etapa envolve controles rigorosos de temperatura, composição química e microestrutura do metal. A Tupy opera em escala que permite negociar contratos de longo prazo (3 a 5 anos) com fornecedores de sucata e ferro-gusa, garantindo previsibilidade parcial de custos.

O segmento de veículos pesados — principal mercado da Tupy — é regulado pelo Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE), que impõe limites crescentes de emissão de NOx, material particulado e CO2. As normas P7 (equivalente Euro V) e P8 (Euro VI), já em vigor para ônibus e caminhões novos no Brasil, demandam motores com maior precisão de usinagem e componentes de fundição de geometria mais complexa — o que eleva o valor agregado por peça e favorece fabricantes como a Tupy. Na Europa e nos EUA, normas equivalentes (Euro 6d, EPA 2027) seguem a mesma trajetória.

A política industrial brasileira afeta diretamente o setor: o Programa Inova Veículos (BNDES/Finep), o Rota 2030 e os incentivos ao desenvolvimento de veículos eficientes influenciam os ciclos de investimento das montadoras e, por extensão, a demanda por componentes fundidos. Além disso, o Regime Automotivo Brasileiro estabelece requisitos de índice de nacionalização que beneficiam fornecedores locais como a Tupy. A estrutura tarifária de importação de peças e componentes — com alíquotas do TEC (Tarifa Externa Comum) no Mercosul — também confere proteção relativa ao setor.

No cenário competitivo global, a Tupy enfrenta concorrência de fundições europeias e asiáticas, especialmente chinesas, que oferecem preços agressivos mas enfrentam barreiras logísticas e de certificação para atuar em contratos de OEMs norte-americanos e europeus. Empresas como Nemak (México, controlada pela Alfa), Linamar (Canadá) e Georg Fischer (Suíça) são concorrentes diretas no mercado de componentes fundidos de alta precisão para o setor automotivo. A diferenciação da Tupy em relação a esses players se baseia na combinação de escala, expertise em CGI, presença produtiva na América do Norte e relacionamento de longo prazo com clientes.

A dinâmica de precificação no setor segue contratos de médio prazo com cláusulas de reajuste atreladas a índices de commodities (sucata de ferro, energia elétrica, minério) e ao câmbio quando relevante. Os contratos com OEMs geralmente incluem revisões anuais de preço e mecanismos de pass-through parcial de variações de custo, o que atenua — mas não elimina — a exposição a choques de matéria-prima. Em períodos de alta de sucata de ferro ou de energia elétrica (que representa parcela relevante do custo de fusão), a rentabilidade da Tupy pode ser pressionada antes da próxima revisão contratual.

A transição energética impõe ao setor desafios e oportunidades distintos conforme o segmento. Em veículos leves, a eletrificação acelera e reduz a demanda por blocos de motor a combustão no médio prazo. Em veículos pesados — caminhões de longa distância, ônibus, máquinas agrícolas e equipamentos de construção — o custo e as limitações de densidade energética das baterias atuais tornam improvável a eletrificação massiva antes de 2035-2040, especialmente em mercados emergentes. Biocombustíveis como o HVO (hidrotratado vegetal) e o etanol anidro, motores a GNL e GNC, e plataformas híbridas série tendem a manter a demanda por blocos e cabeçotes de ferro fundido nesse segmento por décadas. A Tupy tem posicionado esse argumento como tese de investimento estrutural em seus relatórios de RI.

No âmbito macroeconômico, os principais vetores de demanda para os produtos da Tupy são: (i) produção doméstica e exportação de veículos comerciais no Brasil, historicamente correlacionada ao crescimento do agronegócio e à renovação de frotas; (ii) ciclo de investimentos em infraestrutura nos EUA (Infrastructure Investment and Jobs Act de 2021 elevou demanda por máquinas pesadas); (iii) produção agrícola mundial, que impulsiona demanda por tratores e colheitadeiras; e (iv) crescimento industrial em economias emergentes. A taxa SELIC influencia indiretamente a demanda via custo de crédito para aquisição de máquinas e veículos, e diretamente via custo financeiro da própria Tupy sobre sua dívida.

Como ler os indicadores deste ativo

Analisar uma empresa de fundição e bens industriais como a Tupy S.A. (TUPY3) exige um conjunto de indicadores que reflitam tanto a eficiência operacional de suas plantas quanto a estrutura de capital necessária para sustentar um negócio intensivo em ativos fixos. Diferentemente de empresas de serviços ou tecnologia, fundições operam com ciclos longos de amortização de CAPEX, contratos plurianuais com OEMs e sensibilidade relevante ao preço de commodities metálicas e energia elétrica — fatores que precisam ser ponderados na leitura de cada métrica.

O Preço sobre Lucro (P/L) é o múltiplo de valuation mais disseminado, mas em empresas industriais cíclicas como a Tupy pode ser enganoso em momentos de perda líquida ou de lucro deprimido por fatores não recorrentes — como variações cambiais sobre dívida em moeda estrangeira, goodwill de aquisições ou reestruturações. Nesses casos, analistas costumam recorrer ao P/L normalizado ou ao EV/EBITDA, que elimina os efeitos da estrutura de capital e da política tributária.

O P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) mede a relação entre o valor de mercado e o patrimônio líquido contábil. Em empresas com ativos físicos relevantes — plantas industriais, máquinas, estoques —, o VPA (Valor Patrimonial por Ação) carrega informação real sobre o colateral dos negócios. Um P/VP abaixo de 1 pode indicar subavaliação relativa ao patrimônio contábil, mas também pode refletir retornos sobre o patrimônio persistentemente abaixo do custo de capital.

O ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) e o ROIC (Retorno sobre o Capital Investido) são métricas centrais de eficiência de alocação de capital. O ROIC é preferido por analistas de empresas industriais porque considera o capital total investido (dívida + equity), não apenas o patrimônio dos acionistas, capturando melhor a rentabilidade das operações em relação ao capital alocado. Um ROIC consistentemente acima do WACC (custo médio ponderado de capital) sinaliza geração de valor econômico; abaixo disso, destrói valor mesmo com resultados contábeis positivos.

O EV/EBITDA (Enterprise Value sobre EBITDA) é o principal múltiplo comparativo para empresas industriais, pois elimina os efeitos da estrutura de capital (juros), política fiscal (impostos) e de depreciação — relevante em empresas com diferentes idades e níveis de investimento em ativos. O EV (valor da empresa) soma o valor de mercado das ações ao endividamento líquido, representando o custo total de aquisição do negócio. O EBITDA representa a geração de caixa operacional antes de itens não caixa.

A Margem EBITDA indica que percentual da receita líquida se converte em geração operacional de caixa. Para o setor de fundição, margens entre 8% e 15% são típicas de operações saudáveis, refletindo os altos custos variáveis de matéria-prima (sucata de ferro, ferro-gusa, ligas) e os custos fixos significativos de energia e manutenção de plantas. Oscilações na margem EBITDA são sinais relevantes de mudanças no mix de produtos ou pressão de custos.

O indicador Dívida Líquida sobre EBITDA mensura em quantos anos de geração operacional de caixa a empresa conseguiria quitar toda a sua dívida líquida. Em empresas de bens de capital como a Tupy, alavancagem moderada é natural e esperada — projetos de expansão e aquisições são financiados com dívida de longo prazo. O nível de alavancagem precisa ser lido em conjunto com o custo da dívida e o perfil de vencimento: dívidas concentradas de curto prazo com EBITDA pressionado elevam o risco de refinanciamento.

O LPA (Lucro por Ação) e o VPA (Valor Patrimonial por Ação) são métricas por unidade de participação societária, essenciais para calcular P/L e P/VP. O DY (Dividend Yield) mede a remuneração direta ao acionista como percentual do preço da ação, sendo relevante para quem considera a ação como fonte de renda. Para a TUPY3, o DY precisa ser interpretado com cautela em períodos de resultado negativo, quando distribuições anteriores podem não se repetir no ciclo seguinte. Sobre dividendos de ações, a Lei 15.270/2025, em vigor a partir de 2026, instituiu retenção de 10% de Imposto de Renda sobre dividendos que superem R$ 50.000 por mês pagos a pessoa física por uma mesma empresa; valores abaixo desse limiar seguem sem retenção. JCP (Juros sobre Capital Próprio) mantém alíquota de 15% na fonte.

A Margem Bruta indica a eficiência da operação industrial descontados apenas os custos diretos de produção. Para a Tupy, ela reflete o spread entre o preço de comercializacao dos componentes fundidos e os custos de matéria-prima, energia e mão de obra fabril direta — sem incluir despesas comerciais, administrativas, financeiras ou de P&D. Uma margem bruta estável ou crescente sinaliza que ganhos de eficiência e poder de precificação superam a pressão de custos de insumos.

Pontos de atencao

A Tupy apresenta ciclo de resultado liquido negativo em 2025 e 1T2026, com LPA TTM de R$ -5,56 e ROE de -31,63%. O retorno a lucratividade depende de recuperacao de margens EBITDA, que atingiram 0,74%, nivel historicamente baixo. Investidores devem monitorar os resultados trimestrais como indicadores de inflexao do ciclo.

A empresa possui divida liquida equivalente a 0,89 vez o patrimonio liquido (R$ 2,329 bilhoes em marco/2026), o que aumenta a sensibilidade do resultado liquido a oscilacoes da taxa SELIC e do cambio sobre parcelas da divida indexadas em moeda estrangeira. O perfil de vencimento e o custo medio da divida sao variaveis criticas a monitorar.

A concentracao de receita em grandes montadoras globais (OEMs como Cummins, Volkswagen, Mercedes-Benz e John Deere) eleva o risco de renegociacao de contratos em ciclos de baixa da demanda automotiva. Perda ou reducao de um contrato relevante pode impactar significativamente o volume e a diluicao dos custos fixos das plantas.

A transicao energetica representa risco estrutural de medio prazo para o segmento de motores a combustao interna em veiculos leves, embora para veiculos pesados — foco da Tupy — a eletrificacao avance em ritmo mais lento, especialmente em mercados emergentes. A adaptacao do portfolio para motores a biocombustiveis e hibridos e um fator de resiliencia que a empresa tem investido em comunicar.

O custo de energia eletrica, insumo essencial para a fusao em fornos de inducao, representa parcela relevante do custo de producao e esta sujeito a volatilidade regulatoria e hidrologica no Brasil. Periodos de escassez hidrica como os vivenciados entre 2021 e 2022 podem elevar o custo de energia e comprimir margens brutas.

O preco de sucata de ferro e ferro-gusa, materias-primas primarias da Tupy, oscila conforme oferta global, exportacoes chinas e demanda de mercados como Europa e EUA. Contratos de fornecimento nao garantem fixacao total de precos, o que implica em exposicao parcial a choques de commodities metalicas antes das revisoes de preco contratuais com OEMs.

O free float de 98,84% e a ausencia de acionista controlador conferem ampla dispersao do poder de voto, o que pode dificultar decisoes estrategicas relevantes em situacoes de divergencia entre acionistas institucionais. Por outro lado, esse modelo favorece liquidez e governanca orientada ao mercado, alinhada ao Novo Mercado da B3.

A reducao do numero de acoes ordinarias em circulacao — de 144.177.500 (2023-2024) para 132.450.415 (2025) — indica que a empresa realizou recompra de acoes proprias no periodo, gerando reducao do capital em circulacao. Recompras podem sinalizar confianca da gestao no valor intrinseco, mas tambem reduzem o caixa disponivel para investimentos ou amortizacao de divida.

A variacao de -29,16% das acoes nos 12 meses ate junho de 2026 reflete o ciclo negativo de resultados e o reajuste de expectativas. A maxima de 52 semanas foi R$ 19,30 e a minima foi R$ 10,59, evidenciando alta volatilidade intraperiodo. Oscilacoes dessa magnitude sao comuns em acoes industriais ciclicas e exigem horizonte de investimento de medio a longo prazo.

A Tupy opera em jurisdicoes com regulamentacao ambiental rigorosa — CONAMA e IBAMA no Brasil, EPA nos EUA, SEMARNAT no Mexico — que impoem limites a emissoes atmosfericas de particulas, NOx e metais pesados tipicos da fundicao. Mudancas normativas ou autuacoes ambientais podem gerar passivos contingentes ou demandas de investimento em controle de emissoes.

O setor automotivo e altamente sensivel a politicas de estimulo ou restricao ao credito para aquisicao de veiculos e maquinas. Elevacao da taxa SELIC ou restricao de linhas como FINAME (BNDES) e LEASING reduz a demanda por caminhoes, tratores e equipamentos de construcao, impactando indiretamente o volume de pedidos para as plantas da Tupy.

A empresa tem historico de distribuicao de dividendos — com pagamentos em 2021, 2022, 2023 e 2024 —, mas o ciclo de resultado negativo e de gestao de alavancagem limita a capacidade de distribuicao no curto prazo. Sobre dividendos, a Lei 15.270/2025 introduziu retencao de 10% de IR para distribuicoes acima de R$ 50.000 mensais por empresa a partir de 2026; JCP mantem retencao de 15% na fonte.

Governanca e estrutura societaria

A Tupy S.A. esta listada no Novo Mercado da B3, o mais exigente nivel de governanca corporativa da bolsa brasileira, desde o inicio da vigencia desse segmento de listagem. A adesao ao Novo Mercado impoe obrigacoes que vao alem das exigidas pela Lei das S.A. e pela CVM, incluindo: emissao exclusiva de acoes ordinarias (sem acoes preferenciais, garantindo igualdade de voto entre todos os acionistas), conselho de administracao com minimo de cinco membros sendo ao menos 20% independentes, mandato maximo de dois anos com possibilidade de reeleicao, e divulgacao em ingles de ITR, DFP, fatos relevantes e comunicados ao mercado.

A estrutura acionaria da Tupy e caracterizada pela ausencia de controlador definido — um modelo incomum no setor industrial brasileiro, onde empresas familiares ou com participacao estatal ainda predominam. Com free float de 98,84% e 132.450.415 acoes ordinarias (unica classe existente), o poder de voto e amplamente disperso entre investidores institucionais nacionais e estrangeiros, fundos de pensao, gestoras de ativos e investidores de varejo. Essa configuracao foi construida ao longo das decadas de abertura de capital e posteriores ofertas publicas, consolidando a Tupy como referencia de empresa aberta no setor de bens industriais.

O Conselho de Administracao e o orgao maximo de deliberacao estrategica, eleito em Assembleia Geral por todos os acionistas. O estatuto social da Tupy exige maioria de conselheiros independentes, o que fortalece a supervisao imparcial da gestao executiva. O perfil do board combina experiencia em industria de manufatura, finanças corporativas, gestao de M&A e relacoes internacionais — capacidades alinhadas a complexidade operacional de uma fundidora com plantas em tres paises. O Comite de Auditoria e Risco assessora o conselho no monitoramento de controles internos, gestao de riscos e conformidade regulatoria.

A politica de dividendos da Tupy prevê distribuicao de pelo menos 25% do lucro liquido ajustado como dividendo minimo obrigatorio, conforme o estatuto social e a Lei das S.A. (Lei 6.404/1976). Em exercicios de resultado positivo, o conselho pode deliberar distribuicoes adicionais via dividendos complementares ou JCP. O historico inclui pagamentos em 2021 (R$ 0,1537/acao), 2022 (R$ 0,2249/acao + R$ 0,2554/acao), 2023 (tres pagamentos totalizando R$ 1,2313/acao) e 2024 (R$ 0,1535/acao), alem de R$ 1,3923/acao em janeiro de 2025. Sobre tributacao: a Lei 15.270/2025 institui retencao de 10% de IR sobre dividendos que superem R$ 50.000 mensais pagos por uma mesma empresa a pessoa fisica, a partir de 2026; valores inferiores a esse limiar seguem sem retencao. JCP tem retencao de 15% na fonte.

O tag along de 100% para acoes ordinarias garante que, em caso de alienacao de controle (mesmo que eventual, dada a estrutura dispersa), os demais acionistas possam vender suas acoes pelo mesmo preco pago ao bloco que transfere o controle. Essa protecao e mandatoria no Novo Mercado e representa uma garantia relevante em cenario de M&A hostil ou consolidacao do setor.

O capital social da Tupy e de R$ 1.433.653.000, mantido desde 2023, com reducao no numero de acoes de 144.177.500 para 132.450.415 entre 2024 e 2025, resultado de programa de recompra de acoes proprias. A reducao de capital em circulacao via recompra e uma forma de retorno ao acionista alternativa ao dividendo, com potencial efeito sobre o LPA futuro ao reduzir o denominador do calculo.

Eventos corporativos relevantes na historia recente da Tupy incluem a aquisicao de plantas em Saltillo e Ramos Arizpe (Mexico) na decada de 2010, que ampliaram a presenca norte-americana, e a expansao de capacidade em Betim (MG) para atendimento do segmento de veiculos comerciais e agricolas. O acompanhamento de fatos relevantes publicados na CVM (Codigo CVM 6343) e no RI da empresa (www.tupy.com.br) e a forma mais confiavel de monitorar eventos societarios, mudancas de estatuto e decisoes do conselho.

Panorama competitivo

A Tupy S.A. ocupa a posicao de maior fundidora de ferro da America Latina em termos de capacidade instalada para producao de blocos e cabecotes de motores para veiculos pesados, posicao construida ao longo de mais de oito decadas e consolidada por aquisicoes estrategicas no Mexico. Essa lideranca nao implica inexistencia de competicao — ao contrario, o setor e disputado por players globais e regionais com diferentes estrategias de especializacao.

No Brasil, os principais concorrentes no universo de bens industriais e componentes automotivos sao: Iochpe-Maxion (MYPK3), lider em rodas de aco e aluminio e chassis para veiculos leves e pesados, com plantas no Brasil, EUA, Europa e India; Randon (RAPT4), referencia em implementos rodoviarios, sistemas automotivos e vagoes ferroviarios, com relevante exposicao ao agronegocio; e WEG (WEGE3), gigante nacional em motores eletricos, geradores e automacao industrial, que tem avancado em segmentos de mobilidade eletrica. Apesar de atuarem no mesmo macrossetor de bens industriais, esses players tem especializacoes distintas — nenhum deles compete diretamente com a Tupy no nicho de fundicao de blocos e cabecotes para motores diesel.

O concorrente mais direto da Tupy no mercado global e a Nemak, subsidiaria do grupo mexicano Alfa, especializada em componentes de aluminio de alta complexidade para motores de combustao interna e veiculos eletricos. A Nemak tem presenca em 14 paises e fornece para as mesmas montadoras atendidas pela Tupy, como Ford, GM, BMW e Volkswagen. Enquanto a Nemak tem migrado para componentes de aluminio — mais leves e demandados em powertrain de veiculos hibridos —, a Tupy mantem foco em ferro fundido e CGI, materiais que oferecem relacao custo-beneficio superior para motores de alta torque em veiculos pesados.

A canadense Linamar Corporation e outro player global relevante, com operacoes em fundicao, usinagem e montagem de componentes de powertrain para veiculos leves e comerciais. Com receita anual superior a CAD 7 bilhoes e presenca em America do Norte, Europa e Asia, a Linamar compete com a Tupy em contratos de OEMs norte-americanos, especialmente no segmento de veiculos leves e comerciais leves onde o aluminio ja substitui parcialmente o ferro.

A Georg Fischer AG (GF), multinacional suica com divisao de fundicao (GF Casting Solutions), atua no fornecimento de componentes fundidos em ferro e aluminio para a industria automotiva e de transportes. Embora com menor presenca nas americas, a GF compete em segmentos de alta precisao e componentes estruturais para caminhoes e onibus europeus, clientes que tambem sao alvo da Tupy.

No segmento especifico de ferro fundido com grafite vermicular (CGI), a Tupy e uma das poucas empresas do mundo com capacidade produtiva em escala industrial. O CGI permite producao de blocos de motor mais leves (reducao de ate 25% em relacao ao ferro fundido cinzento convencional) e com maior resistencia mecanica, tornando possivel a eletrificacao parcial do powertrain em caminhoes pesados sem perder eficiencia termica. Empresas como Scania, Volvo e DAF ja adotam CGI em suas famílias de motores mais avancadas, e a Tupy e fornecedora qualificada para esses projetos.

A competicao com fundidoras asiaticas — especialmente chinesas — e um vetor de pressao crescente em segmentos de menor valor agregado. Empresas como Weichai Power (China), que opera verticalizado desde a fundicao ate a montagem de motores diesel, e Dongfeng Motor Corporation competem em preco mas enfrentam barreiras de certificacao e rastreabilidade exigidas por OEMs europeus e norte-americanos para contratos de alto volume. A Tupy diferencia-se nesse aspecto pelo historico de conformidade com IATF 16949, APQP (Advanced Product Quality Planning) e sistemas de rastreabilidade de fundidos.

A ameaca de entrada de novos competidores no nicho de fundicao de alta precisao para motores pesados e baixa, dada a combinacao de: (i) CAPEX de centenas de milhoes de dolares para instalacao de plantas de fundicao de ferro com fornos de inducao de grande porte; (ii) curva de aprendizado de decadas para atingir a qualidade exigida por OEMs globais; (iii) necessidade de certificacoes internacionais rigorosas; e (iv) contratos de longo prazo que restringem a rotatividade de fornecedores. Esses fatores conferem a Tupy um fosso competitivo (moat) baseado em barreiras estruturais, nao apenas em escala.

Indicadores explicados

**P/L (Preco sobre Lucro).** O P/L negativo de TUPY3 decorre do prejuizo liquido acumulado nos ultimos 12 meses, impactado por despesas financeiras sobre endividamento em moeda estrangeira, variacao cambial e itens nao recorrentes ligados a reestruturacao operacional. Em momentos assim, o P/L perde poder comparativo e analistas preferem observar a evolucao do EBITDA e do fluxo de caixa operacional como indicadores de recuperacao, uma vez que a geracao de caixa pode ser positiva mesmo com resultado liquido negativo. Fórmula: Preco da acao / Lucro por Acao (LPA) — indica em quantos anos o investidor recuperaria o valor investido mantendo o lucro atual constante Cálculo: P/L = R$ 13,24 (preco em 10/06/2026) / R$ -5,5609 (LPA TTM) = -2,38. O P/L negativo reflete prejuizo liquido nos ultimos 12 meses acumulados, tornando o multiplo nao interpretavel como tempo de retorno. Analistas recorrem ao P/L normalizado pelo EBITDA ou por estimativas de lucro futuro em cenarios de recuperacao operacional (dados de 10/06/2026).

**P/VP (Preco sobre Valor Patrimonial).** Com P/VP de 0,75, a TUPY3 negocia com desconto de cerca de 25% sobre seu patrimonio liquido contabil. Para uma fundidora com ativos fisicos expressivos — plantas industriais em tres paises, maquinario de precisao, estoques de materia-prima —, esse desconto pode refletir tanto o ciclo atual de resultado negativo quanto incertezas sobre rentabilidade futura. Historicamente, P/VP abaixo de 1 em empresas industriais solidas tende a comprimir no ciclo de recuperacao de margens. Fórmula: Preco da acao / Valor Patrimonial por Acao (VPA) — compara o valor de mercado ao patrimonio liquido contabil por acao Cálculo: P/VP = R$ 13,24 (preco em 10/06/2026) / R$ 17,58 (VPA em 31/03/2026) = 0,75. Um P/VP abaixo de 1 indica que o mercado precifica a empresa abaixo do valor contabil de seus ativos liquidos — situacao comum em empresas industriais com retorno sobre patrimonio negativo ou pressionado (dados de 10/06/2026).

**DY (Dividend Yield).** O historico de dividendos da Tupy mostra distribuicoes em varios anos anteriores, com o ultimo pagamento registrado em janeiro de 2025 de R$ 1,3923 por acao. A ausencia de DY disponivel no periodo mais recente e consistente com o ciclo de resultado liquido negativo da companhia, que prioriza preservacao de caixa e gestao da alavancagem. Sobre tributacao, a Lei 15.270/2025 estabeleceu retencao de 10% de IR sobre dividendos acima de R$ 50.000 mensais pagos por uma mesma empresa a partir de 2026; valores inferiores a esse limiar nao sofrem retencao. JCP mantem aliquota de 15% na fonte. Fórmula: Dividendos pagos por acao nos ultimos 12 meses / Preco atual da acao x 100 Cálculo: Ultimo dividendo registrado: R$ 1,3923 por acao, com data-com em 02/01/2025 (fonte: registros B3). DY estimado = R$ 1,3923 / R$ 13,24 = 10,5% em relacao ao preco de 10/06/2026. O DY do periodo 12 meses mais recente consta como indisponivel no sistema, pois nao houve distribuicao registrada nos 12 meses encerrados em junho de 2026 (dados de 10/06/2026).

**ROE (Retorno sobre Patrimonio Liquido).** O ROE de -31,63% indica que, nos ultimos 12 meses, a Tupy gerou prejuizo equivalente a cerca de 31,6% do patrimonio medio de seus acionistas. Em empresas industriais cíclicas, ROE negativo em periodos de pressao de custos e cambio desfavoravel pode ser transitorio, desde que o EBITDA operacional e o fluxo de caixa sigam positivos. A analise do ROE deve ser complementada pelo ROIC, que captura melhor a eficiencia das operacoes ao incluir o capital de terceiros investido no negocio. Fórmula: Lucro Liquido / Patrimonio Liquido Medio x 100 — mede a eficiencia de geracao de lucro sobre os recursos dos acionistas Cálculo: ROE = Lucro Liquido TTM (aprox. R$ -737 milhoes) / Patrimonio Liquido medio (aprox. R$ 2.329 bilhoes) = -31,63% (dado materializado pelo sistema em 10/06/2026). O ROE negativo reflete o acumulo de prejuizos nos exercicios de 2025 e no 1T2026, com receita liquida de R$ 9,69 bilhoes em 2025 e lucro liquido de -R$ 654,5 milhoes (dados de 10/06/2026).

**ROIC (Retorno sobre Capital Investido).** O ROIC de -4,64% esta abaixo do custo medico ponderado de capital (WACC) tipico para empresas industriais brasileiras alavancadas, o que indica destruicao de valor economico no ciclo atual. Para a Tupy, que opera em negocio intensivo em capital com contratos de longo prazo, o retorno ao territorio positivo do ROIC depende de recuperacao de margens operacionais via: reducao de custos de materia-prima, aumento de utilizacao de capacidade instalada e diluicao de despesas fixas sobre maior volume produzido. Fórmula: NOPAT (Lucro Operacional apos Impostos) / Capital Investido (Divida Liquida + Patrimonio Liquido) x 100 Cálculo: ROIC = -4,64% (dado materializado pelo sistema em 10/06/2026). Com capital investido total incluindo divida liquida e patrimonio liquido de R$ 2,329 bilhoes, o ROIC negativo sinaliza que o retorno operacional liquido nao cobre o custo de capital total empregado no negocio no ciclo atual (dados de 10/06/2026).

**EV/EBITDA (Enterprise Value sobre EBITDA).** O EV/EBITDA de 54,05 esta acima das medias historicas para o setor de fundição (tipicamente entre 6x e 12x em ciclos normalizados), o que reflete o EBITDA pressionado do ciclo atual. Multiplos altos em cenario de EBITDA deprimido costumam se comprimir rapidamente com a recuperacao das margens, pois o numerador (EV) tende a cair com a reducao do endividamento e o denominador (EBITDA) sobe com a melhora operacional. A leitura desse indicador precisa ser contextualizada no ciclo de negocio da empresa. Fórmula: EV (Valor de Mercado + Divida Liquida) / EBITDA — indica em quantos anos o lucro operacional cobre o custo de aquisicao da empresa Cálculo: EV/EBITDA = 54,05 (dado materializado pelo sistema em 10/06/2026). O multiplo elevado decorre da combinacao de EBITDA comprimido pelo ciclo atual de margens baixas e endividamento que eleva o EV acima do valor de mercado das acoes isoladamente. Com valor de mercado de R$ 1,754 bilhoes, o EV total supera esse patamar ao adicionar a divida liquida (dados de 10/06/2026).

**Margem EBITDA.** A margem EBITDA de 0,74% esta muito abaixo do patamar historico da Tupy e das medias do setor de fundicao global (8% a 15%). Essa compressao reflete o efeito combinado de pressao de custos de energia e materia-prima metalica, cambio desfavoravel na conversao de receitas em dolar para reais, e potencialmente volume abaixo da capacidade instalada. A recuperacao da margem EBITDA para dois digitos e o principal gatilho monitorado por analistas para reavaliacao do valuation da acao. Fórmula: EBITDA / Receita Liquida x 100 — percentual da receita que se converte em geracao operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciacao e amortizacao Cálculo: Margem EBITDA = 0,74% (dado materializado pelo sistema em 10/06/2026), calculada sobre receita liquida de R$ 9,693 bilhoes (2025) e receita de R$ 2,306 bilhoes no 1T2026. A margem de 0,74% e excepcionalmente baixa para a industria de fundicao, sinalizando que custos de producao, despesas administrativas e financeiras absorvem praticamente toda a receita operacional no ciclo atual (dados de 10/06/2026).

**Divida Liquida / Patrimonio Liquido.** A relacao Divida Liquida/PL de 0,89 indica que a divida liquida da Tupy equivale a cerca de 89% do patrimonio dos acionistas, o que e considerado alavancagem moderada a elevada para o setor industrial em cenario de EBITDA pressionado. Em momentos de expansao e margem robusta, esse nivel de alavancagem seria absorvido com tranquilidade; com EBITDA proximo de zero, o peso dos juros sobre o resultado liquido se torna determinante para o tamanho do prejuizo. Monitorar o perfil de vencimento da divida e as coberturas de juros e essencial. Fórmula: Divida Liquida (Divida Bruta - Caixa e Equivalentes) / Patrimonio Liquido — mede a alavancagem financeira em relacao ao capital proprio dos acionistas Cálculo: Divida Liquida / PL = 0,89 (dado materializado pelo sistema em 10/06/2026). Com patrimonio liquido de R$ 2,329 bilhoes (em 31/03/2026), a divida liquida implicitamente apurada e de aproximadamente R$ 2,073 bilhoes, indicando alavancagem financeira relevante para o momento de margem comprimida (dados de 10/06/2026).

**LPA (Lucro por Acao).** O LPA negativo de R$ -5,56 nos ultimos 12 meses reflete o ciclo de prejuizo atravessado pela Tupy, com o 1T2026 apresentando LPA trimestral de -R$ 0,71 — uma melhora em relacao ao 4T2025, quando o prejuizo foi mais intenso. A trajetoria do LPA trimestral e monitorada como proxy de recuperacao operacional: a reversao para LPA positivo dependera da expansao da margem EBITDA e da reducao do impacto das despesas financeiras liquidas. Fórmula: Lucro Liquido dos ultimos 12 meses / Numero total de acoes em circulacao Cálculo: LPA = R$ -5,5609 por acao (TTM, dado materializado em 10/06/2026). Calculado com base em lucro liquido acumulado nos ultimos 12 meses (aproximadamente R$ -737 milhoes) dividido por 132.450.415 acoes ordinarias. No 1T2026 isolado, o LPA trimestral foi de R$ -0,7111, e no FY2025 foi de R$ -4,9419 (dados de 10/06/2026).

**VPA (Valor Patrimonial por Acao).** O VPA de R$ 17,58 mostra que cada acao da Tupy corresponde a R$ 17,58 de patrimonio liquido contabil. A queda sequencial — de R$ 23,34 em setembro/2025 para R$ 17,58 em marco/2026 — reflete o impacto do acumulo de prejuizos sobre o patrimonio. O VPA e referencia importante para o calculo do P/VP e para avaliar o desconto ou premio que o mercado atribui ao valor contabil dos ativos da companhia. Fórmula: Patrimonio Liquido / Numero total de acoes em circulacao — representa o valor contabil por acao Cálculo: VPA = R$ 2.328.983.000 / 132.450.415 acoes = R$ 17,58 por acao (data-base 31/03/2026). O VPA recuou de R$ 23,34 (30/09/2025) para R$ 18,98 (31/12/2025) e R$ 17,58 (31/03/2026), refletindo o acumulo de prejuizos que corroi o patrimonio ao longo dos trimestres (dados de 31/03/2026).

**Margem Bruta.** A margem bruta de 9,84% para TUPY3 evidencia que aproximadamente 90% da receita e absorvida pelos custos diretos de producao — materia-prima metalica, energia eletrica para fusao em fornos de inducao, mao de obra industrial e custos de usinagem CNC. Em ciclos de alta do preco de sucata de ferro e do ferro-gusa, ou de alta do custo de energia eletrica, a margem bruta e a primeira metrica a ser comprimida, antes que os ajustes de preco contratuais com OEMs possam ser implementados. Fórmula: Lucro Bruto (Receita Liquida - CPV) / Receita Liquida x 100 — mede a eficiencia industrial antes de despesas operacionais Cálculo: Margem Bruta = 9,84% (dado materializado pelo sistema em 10/06/2026), calculada sobre os resultados acumulados dos ultimos 12 meses. Com receita liquida de referencia de R$ 9,693 bilhoes (2025), o lucro bruto implicitamente apurado gira em torno de R$ 953 milhoes. A margem bruta de 9,84% e pressionada por custos elevados de sucata de ferro, energia eletrica e mao de obra fabril direta (dados de 10/06/2026).

**PSR (Preco sobre Receita — Price to Sales Ratio).** Um PSR de 0,18 indica que o mercado atribui a Tupy um valor de apenas 18 centavos por cada real de receita que a empresa gera — multiplo historicamente baixo para uma empresa com R$ 9,7 bilhoes de receita e operacoes em tres paises. O PSR e util como indicador de valuation em cenarios em que o lucro e transitoriamente negativo, pois a receita tende a ser mais estavel. Uma recuperacao de margens com manutencao do nivel de receita resultaria em expansao significativa do valor de mercado implicitamente sinalizado pelo PSR. Fórmula: Valor de Mercado / Receita Liquida dos ultimos 12 meses — indica quanto o mercado paga por cada real de receita gerada Cálculo: PSR = R$ 1.753.643.494,60 (valor de mercado em 10/06/2026) / R$ 9.692.948.000 (receita liquida FY2025) = 0,18. O PSR de 0,18 e um dos mais baixos do setor de bens industriais na B3, refletindo o ciclo de resultado negativo que deprime o valor de mercado em relacao ao tamanho da receita (dados de 10/06/2026).

Perguntas Frequentes

Qual o preço atual de TUPY3? A cotação mais recente de TUPY3 é de R$ 16,19.

Em qual setor TUPY3 está classificada? TUPY3 pertence ao setor Siderurgia e Mineração na classificação da B3.

Qual o P/L de TUPY3? O índice Preço/Lucro (P/L) de TUPY3 é -2.91. Este indicador relaciona o preço da ação com o lucro por ação.

Qual o ROE de TUPY3? O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de TUPY3 é de -31,63%. O indicador relaciona o lucro ao patrimônio líquido e descreve a rentabilidade contábil da companhia.

Qual o valor de mercado de TUPY3? O valor de mercado de TUPY3 é de aproximadamente R$ 2,1B, calculado a partir da cotação e do total de ações. Dado sujeito a variação a cada pregão.

Quantas ações TUPY3 possui emitidas? A companhia possui 132.450.415 ações emitidas, conforme dados públicos CVM/B3.

Qual o controle acionário de TUPY3? O controle acionário registrado é do tipo Privado, conforme cadastro público da companhia.

O que faz a Tupy e qual e o seu modelo de negocio? A Tupy S.A. fabrica componentes estruturais de ferro fundido — principalmente blocos e cabecotes de motor, carcacas e conexoes — para os setores automotivo de veiculos pesados, agricola, de construcao e de geracao de energia. A empresa opera no modelo B2B, fornecendo diretamente a montadoras globais (OEMs) como Cummins, Volkswagen, Mercedes-Benz, John Deere e Paccar. Sua receita e diversificada entre mercados interno e externo, com presenca produtiva no Brasil (Joinville-SC e Betim-MG), Mexico (Saltillo e San Luis Potosi) e EUA.

Quais sao os principais riscos de investir em TUPY3? Os principais riscos incluem: (i) ciclicidade do setor automotivo, correlacionada ao PIB e ao credito para renovacao de frotas; (ii) volatilidade dos custos de sucata de ferro, ferro-gusa e energia eletrica, que comprimem margens antes das revisoes de preco contratuais; (iii) exposicao cambial, pois parte da divida e em dolar e o BRL influencia a conversao de receitas; (iv) concentracao de receita em poucos OEMs globais; e (v) risco de transicao energetica no segmento de motores a combustao interna de veiculos leves, embora veiculos pesados sejam o foco da Tupy e tenham cronograma de eletrificacao mais longo.

Por que o P/L da TUPY3 e negativo? O P/L negativo ocorre quando o Lucro por Acao (LPA) e negativo — ou seja, quando a empresa apura prejuizo liquido. No caso da Tupy, o LPA TTM e de R$ -5,56, reflexo dos resultados negativos em 2025 (lucro liquido de -R$ 654,5 milhoes) e no 1T2026 (lucro liquido de -R$ 94,2 milhoes). O P/L negativo torna o multiplo incomparavel a pares lucrativos; analistas migram para EV/EBITDA e PSR nesses cenarios para avaliar valuation relativo.

A Tupy paga dividendos? A Tupy tem historico de distribuicao de dividendos em varios exercicios: R$ 0,15/acao em 2021, pagamentos em 2022, distribucoes em tres vezes em 2023 (total de R$ 1,23/acao) e R$ 0,15/acao em 2024, alem de R$ 1,39/acao em janeiro de 2025. Em ciclos de prejuizo liquido, a politica estatutaria de dividendo minimo obrigatorio (25% do lucro ajustado) nao obriga distribuicao quando nao ha lucro. Sobre tributacao: a Lei 15.270/2025 introduz retencao de 10% de IR sobre dividendos acima de R$ 50.000 mensais por empresa a partir de 2026; JCP tem 15% na fonte.

Quem sao os controladores da Tupy? A Tupy nao tem acionista controlador definido — e uma das poucas grandes empresas industriais brasileiras nessa configuracao. Com free float de 98,84% e acoes exclusivamente ordinarias, o poder de voto e disperso entre investidores institucionais nacionais e estrangeiros, fundos de pensao e investidores de varejo. O Conselho de Administracao, eleito em Assembleia Geral, e o orgao maximo de deliberacao. Essa estrutura exige maioria de conselheiros independentes e transparencia em linha com o Novo Mercado da B3.

Qual e a posicao competitiva da Tupy no mercado global? A Tupy e a maior fundidora de ferro da America Latina para blocos e cabecotes de motores de veiculos pesados, com capacidade produtiva em Brasil, Mexico e EUA. No cenario global, compete com a mexicana Nemak (aluminio), a canadense Linamar e a suica Georg Fischer (GF Casting Solutions). Seu diferencial e a expertise em ferro fundido com grafite vermicular (CGI) — material que permite blocos de motor mais leves e resistentes, demandado por Scania, Volvo e DAF em seus motores de ultima geracao.

O que e o segmento Novo Mercado da B3 e como ele protege o acionista da Tupy? O Novo Mercado e o nivel mais exigente de listagem da B3, com regras que incluem emissao exclusiva de acoes ordinarias (um voto por acao, sem classes diferenciadas), conselho com maioria de independentes, tag along de 100% em caso de mudanca de controle, e divulgacao de informacoes em portugues e ingles. Esses padroes protegem minoritarios ao garantir participacao igualitaria em decisoes e ao tornar obrigatorio o mesmo preco em alienacoes de controle. A Tupy integra o Novo Mercado desde sua adesao ao segmento.

Como o cambio impacta os resultados da Tupy? A Tupy tem exposicao cambial bidirecional: parte relevante da receita e em dolar e euro (exportacoes e comercializacao das plantas mexicanas e americanas), o que beneficia a empresa em cenarios de dolar forte. Por outro lado, parcela da divida e indexada em moeda estrangeira e custos de insumos importados tambem sofrem impacto. A gestao utiliza instrumentos de hedge para mitigar exposicao liquida, mas variacao cambial brusca pode gerar resultados financeiros relevantes — positivos ou negativos — no resultado liquido do trimestre.

O que e CGI (ferro fundido com grafite vermicular) e por que e estrategico para a Tupy? O CGI e um material metalico com microestrutura de grafite na forma vermicular (intermediaria entre nodular e cinzenta), que combina maior resistencia a tracao e rigidez do que o ferro cinzento com melhor usinabilidade em relacao ao nodular. Permite producao de blocos de motor ate 25% mais leves, ideais para motores diesel mais eficientes e com menor emissao de particulas. A Tupy e uma das poucas fundidoras do mundo com producao de CGI em escala industrial, o que lhe confere vantagem competitiva no fornecimento para montadoras que desenvolvem motores de nova geracao a diesel, biocombustivel e GNV.

Como a transicao energetica afeta a Tupy? A eletrificacao de veiculos leves avanca e pode reduzir demanda por blocos de motor a combustao nesse segmento no longo prazo. Para veiculos pesados — caminhoes de longa distancia, onibus, maquinas agricolas e de construcao —, a eletrificacao avanca em ritmo mais lento dado o custo e a limitacao de densidade energetica das baterias atuais. Biocombustíveis (HVO, etanol, GNL) e hibridos serie tendem a manter a demanda por componentes de fundicao de ferro por pelo menos 15 a 20 anos. A Tupy desenvolve componentes compatíveis com essas plataformas, buscando capturar valor nessa transicao.

Como interpretar o EV/EBITDA elevado da Tupy? O EV/EBITDA de 54,05 esta bem acima das medias historicas do setor de fundicao (6x a 12x em ciclos normalizados). Multiplos altos em ciclos de EBITDA deprimido sao comuns em empresas industriais ciclicas — o denominador (EBITDA) cai mais rapidamente que o numerador (EV) em periodos de margem comprimida. Quando o ciclo se recupera e o EBITDA sobe de volta para niveis normalizados, o multiplo tende a comprimir rapidamente. A leitura correta exige normalizacao do EBITDA para um ciclo completo, nao apenas o dado pontual deprimido.

O que foi o programa de recompra de acoes da Tupy? A Tupy reduziu o numero de acoes ordinarias de 144.177.500 (em 2023 e 2024) para 132.450.415 (em 2025), o que corresponde a recompra de aproximadamente 11.727.085 acoes (cerca de 8,1% do total anterior). Recompras sao uma forma de retorno ao acionista alternativa ao dividendo — ao reduzir o numero de acoes em circulacao, o lucro ou o patrimonio se concentra em menos papeis, elevando potencialmente o LPA e o VPA futuros. O capital social permaneceu em R$ 1.433.653.000 ao longo do periodo.

A Tupy esta em quais indices da B3? A Tupy integra o IBrX-100, que reune as 100 acoes mais negociadas e representativas da B3, e o IGCX (Indice de Governanca Corporativa Diferenciada), que seleciona empresas listadas no Novo Mercado, Nivel 2 ou com adesao ao Codigo ABRASCA. Em alguns periodos, a companhia tambem figura no Indice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). A inclusao em indices passivos aumenta a demanda estrutural pela acao via fundos indexados e ETFs, contribuindo para liquidez e visibilidade junto a investidores institucionais.

Como o cenario macroeconomico afeta as operacoes e resultados da Tupy? Os principais vetores macroeconomicos para a Tupy incluem: (i) taxa SELIC, que influencia o custo da divida e a demanda por credito para aquisicao de veiculos e maquinas; (ii) cambio (USDBRL e EURBRL), que afeta receitas em moeda estrangeira e o custo da divida dolarizada; (iii) preco de commodities metalicas (sucata, ferro-gusa), correlacionados ao ciclo siderurgico global; (iv) preco de energia eletrica no Brasil, influenciado pela hidrologia e pela politica energetica; e (v) ritmo de crescimento do PIB industrial e do agronegocio, que determina a demanda por caminhoes, tratores e maquinas pesadas.

Como a Tupy lida com as exigencias de ESG e sustentabilidade? A Tupy opera em industria com impactos ambientais inerentes — emissao de particulas e gases nos processos de fusao, consumo intenso de energia eletrica e geracao de residuos metalicos e areia de fundicao. Para mitigar esses impactos, a empresa adota: sistemas de filtragem de mangas e lavadores de gas nas plantas, reciclagem de sucata como materia-prima (reducao de minerio primario), eficiencia energetica nos fornos de inducao, e publicacao de relatorios de sustentabilidade com metas de reducao de intensidade de carbono. O atendimento a normas ISO 14001 e exigido por OEMs europeus e norte-americanos como condicao de contrato.

Atualização

Dados consultados em 19/07/2026 nas fontes públicas citadas. Cotações e indicadores estão sujeitos a defasagem conforme a periodicidade de cada fonte.

Ativos do mesmo setor

Outros ativos do setor Siderurgia e Mineração, para comparação:

Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.