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KEPL3 — KEPLER WEBER S.A.

Cotação, indicadores e dados históricos de KEPL3 (Ação). Dados B3/CVM atualizados.

Preço atual
R$ 6,35
P/L
7,72
P/VP
1,44
Dividend Yield (12m)
6,81%

Setor

Siderurgia e Mineração

Desempenho recente

No período de 6m, KEPL3 apresentou variação de -35,01% em 123 pregões. Dados de cotação da B3, sujeitos a defasagem.

Faixa de 52 semanas

Nas últimas 52 semanas, KEPL3 oscilou entre R$ 6,20 a R$ 10,52. Média de R$ 7,99 no período. Dados B3, sujeitos a defasagem.

Indicadores Fundamentalistas

Dividend yield (12m): 6,81%. P/L: 7.72. P/VP: 1.44. ROE: 18,67%. Margem líquida: 5,39%. Valor de mercado: R$ 1,1B. Dados públicos B3/CVM, sujeitos a defasagem.

Indicadores Avançados

ROIC: 15,20%. ROA: 9,75%. EV/EBITDA: 5.07. EV/EBIT: 6.36. Margem EBITDA: 14,99%. Margem bruta: 18,28%. Dívida líquida/EBITDA: -0.18. Dívida líquida/Patrimônio: -0.05. Liquidez corrente: 2.03. LPA (lucro por ação): R$ 0,82. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 4,41. PSR (preço/receita): 0.79. Free float: 96,31%. Último provento: R$ 0,14 por ação. Indicadores de rentabilidade (ROIC, ROA), valuation por valor da firma (EV/EBITDA, EV/EBIT), margens, endividamento e liquidez, a partir de dados públicos B3/CVM. São referências informativas — a interpretação cabe a cada investidor.

Variações por período

Variação de KEPL3 em janelas recentes. Na semana: -4,08%. No mês: -2,31%. No ano: -35,47%. Fechamento anterior: R$ 6,39 (16/07/2026). Percentuais sobre preços de fechamento da B3, sujeitos a defasagem.

Últimos pregões

Fechamentos recentes de KEPL3: 17/07/2026: R$ 6,35, volume de R$ 4,8M; 16/07/2026: R$ 6,39, volume de R$ 4,7M; 15/07/2026: R$ 6,50, volume de R$ 6,4M; 14/07/2026: R$ 6,50, volume de R$ 9,2M; 13/07/2026: R$ 6,55, volume de R$ 4,9M. Dados de pregão da B3.

Histórico de proventos

KEPL3 registra 76 proventos anunciados em 18 anos de cobertura. Anúncios mais recentes: 15/12/2025 — Dividendo de R$ 0,14 por ação; 24/11/2025 — Dividendo de R$ 0,14 por ação; 11/08/2025 — JCP de R$ 0,04 por ação; 11/08/2025 — Dividendo de R$ 0,11 por ação; 31/03/2025 — Dividendo de R$ 0,11 por ação; 31/03/2025 — Dividendo de R$ 0,30 por ação; 11/11/2024 — JCP de R$ 0,08 por ação; 12/08/2024 — JCP de R$ 0,09 por ação. O histórico descreve anúncios passados e não projeta pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia.

Resultados financeiros recentes

Demonstrações trimestrais reportadas por KEPL3 (CVM): 31/03/2026: receita líquida de R$ 318,1M, lucro líquido de R$ 17,1M, margem líquida de 5,39%, LPA de R$ 0,10. 31/12/2025: receita líquida de R$ 1,5B, lucro líquido de R$ 156,3M, margem líquida de 10,49%, LPA de R$ 0,87. 30/09/2025: receita líquida de R$ 1,1B, lucro líquido de R$ 91,5M, margem líquida de 8,38%, LPA de R$ 0,51. 30/06/2025: receita líquida de R$ 668,3M, lucro líquido de R$ 39,9M, margem líquida de 5,98%, LPA de R$ 0,22. Valores consolidados conforme reportado, sujeitos a reapresentação.

Patrimônio líquido e VPA

Patrimônio líquido de R$ 791,9M na posição de 31/03/2026. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 4,41. Na posição de 30/06/2016, o patrimônio era de R$ 477,2M e o VPA era de R$ 2,66. Série contábil pública (CVM), sujeita a reapresentação.

Estrutura acionária

Composição do capital de KEPL3: Total de ações emitidas: 179.720.130. Ordinárias (ON): 179.720.130 (100,00%). Ações em circulação: 173.091.997. Dados públicos CVM/B3.

Valores mobiliários listados

Códigos de negociação da companhia na B3: KEPL11 (Bônus de Subscrição, Básico); KEPL3 (Ações Ordinárias, Básico); KEPL3 (Ações Ordinárias, Novo Mercado). O segmento de listagem descreve o conjunto de regras de governança ao qual a companhia aderiu.

Valuation por fórmulas clássicas (Graham e Bazin)

Pela fórmula de Graham, o valor calculado para KEPL3 é de R$ 9,03 (diferença de 42,22% ante o preço usado no cálculo). Pela fórmula de Bazin (yield-alvo de 6% a.a.), o preço-teto calculado é de R$ 7,21, a partir de dividendo por ação de R$ 0,43. Valor intrínseco = raiz(22,5 x LPA x VPA). Requer LPA>0 e VPA>0. Preço-teto = dividendo por ação / 0,06 (yield-alvo 6% a.a.). São resultados de fórmulas públicas aplicadas a dados reportados — referências informativas cuja interpretação cabe a cada investidor; não constituem recomendação de compra ou venda.

Movimentações de administradores e pessoas ligadas

Negociações com ações de KEPL3 comunicadas por administradores, controladores e pessoas ligadas no período de 5 anos, conforme divulgação pública (CVM). Foram registradas 19 operações de compra e 42 operações de venda. Volume comprado: R$ 463.886,55. Volume vendido: R$ 2,2M. Saldo líquido do período: -R$ 1.727.396,85. Dado factual de transparência — não indica, por si só, perspectiva sobre o ativo.

Como interpretar os indicadores de uma ação

Os indicadores fundamentalistas descrevem aspectos diferentes de uma empresa e costumam ser lidos em conjunto, não isoladamente. Abaixo, o que cada grupo representa de forma factual.

Múltiplos de avaliação (P/L, P/VP, PSR)

Múltiplos relacionam o preço de mercado a uma medida contábil. O P/L (preço sobre lucro) compara a cotação ao lucro por ação; o P/VP (preço sobre valor patrimonial) compara ao patrimônio por ação; o PSR (preço sobre receita) compara à receita por ação. São referências de avaliação relativa — fazem mais sentido comparados entre empresas de um mesmo setor do que isoladamente, já que cada setor tem faixas típicas distintas.

Rentabilidade (ROE, ROIC, ROA)

Os indicadores de rentabilidade medem a eficiência da empresa em gerar resultado a partir do capital. O ROE relaciona o lucro ao patrimônio líquido; o ROIC relaciona o resultado operacional ao capital total investido (próprio e de terceiros); o ROA relaciona o lucro ao total de ativos. Valores mais altos indicam maior eficiência relativa, mas dependem do setor e da estrutura de capital.

Valor da firma e margens (EV/EBITDA, margens)

O EV/EBITDA compara o valor da firma (valor de mercado mais dívida líquida) ao EBITDA, uma medida de geração de caixa operacional; é usado para comparar empresas com diferentes níveis de endividamento. As margens (bruta, EBITDA, líquida) expressam quanto da receita se converte em resultado em cada etapa, descrevendo a lucratividade da operação.

Endividamento e liquidez

A dívida líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida; a dívida líquida sobre patrimônio relaciona o endividamento ao capital próprio. A liquidez corrente compara ativos e passivos de curto prazo. Esses indicadores descrevem a estrutura financeira e o risco associado ao endividamento.

Dividendos (DY e payout)

O Dividend Yield (DY) relaciona os proventos distribuídos nos últimos doze meses ao preço da ação, e o payout indica a parcela do lucro distribuída como proventos. Ambos descrevem o histórico de distribuição e não projetam pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia. A interpretação de todos esses indicadores cabe a cada investidor, conforme seus objetivos e tolerância a risco.

Sobre a Empresa

Indústria e comércio de produtos e matérias primas relacionadas a metalurgia, importação e exportação, prestação de serviços, comércio de produtos destinados a agroindústria.

Identificação e registro

CNPJ: 91.983.056/0001-69. Código CVM: 7870. Situação do registro: Ativo. Constituída em 1936. Controle acionário: Privado. País de origem: Brasil. Site oficial: www.kepler.com.br. Dados cadastrais públicos da companhia (CVM/B3), sujeitos a atualização.

Dividendos

O dividend yield acumulado nos últimos 12 meses de KEPL3 é de 6,81%.

Eventos e Fatos Relevantes (CVM)

KEPL3 registra 100 evento(s) e comunicado(s) ao mercado publicados via CVM nos últimos 5 anos. As categorias mais frequentes: Assembleia (41), Dados Econômico-Financeiros (31), Fato Relevante (20). Os documentos completos podem ser consultados nos canais oficiais.

A Kepler Weber (KEPL3) é uma empresa industrial fundada em 1936 e especializada em equipamentos para pós-colheita de grãos — silos, secadores, transportadores e soluções de automação para armazéns. Com quase nove décadas de operação, atua no coração do agronegócio brasileiro, atendendo cooperativas, produtores rurais e tradings. A companhia tem estrutura de capital conservadora, com caixa líquido positivo, todas as ações ordinárias e free float superior a 96%. Seus resultados são influenciados pelo ciclo agrícola, pelo crédito rural disponibilizado pelo Plano Safra e pelo preço do aço. O histórico de distribuição de proventos é frequente, com múltiplas distribuições anuais vinculadas ao resultado de cada exercício.

Sobre KEPLER WEBER S.A.

A Kepler Weber S.A. (KEPL3) é uma das empresas industriais mais antigas e relevantes do agronegócio brasileiro, com fundação em 30 de abril de 1936. Com sede no Rio Grande do Sul, a companhia atua há quase nove décadas no desenvolvimento, fabricação e comercialização de equipamentos e soluções voltados para a cadeia agroindustrial, com foco especial em armazenagem, secagem e movimentação de grãos.

A trajetória da Kepler Weber está profundamente entrelaçada com a expansão da agricultura brasileira. Desde os primeiros silos fabricados ainda no século XX até os modernos sistemas de gestão de armazéns integrados a plataformas digitais, a empresa acompanhou — e muitas vezes antecipou — as demandas de um setor que posiciona o Brasil como um dos maiores produtores e exportadores de commodities agrícolas do mundo. O país é o maior exportador global de soja, açúcar e café, e o segundo maior de milho, o que cria uma base estrutural de longo prazo para a demanda por infraestrutura de armazenagem.

O portfólio da Kepler Weber abrange silos metálicos de diferentes capacidades, transportadores de grãos, secadores industriais, elevadores de caneca, sistemas de aeração, balanceiros e soluções completas de automação e controle. Esse conjunto de produtos atende desde pequenos produtores rurais até grandes cooperativas, tradings, empresas de processamento de grãos e operadores portuários. A empresa também oferece serviços de montagem, manutenção e assistência técnica, formando uma relação continuada com sua base de clientes.

Registrada na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) sob o código KEPL3, a Kepler Weber pertence ao segmento de Siderurgia e Metalurgia na classificação da CVM e tem situação de registro ativa. A companhia possui 179.720.130 ações ordinárias em circulação, sem emissão de ações preferenciais, o que simplifica a estrutura de capital e confere a todos os acionistas os mesmos direitos políticos e econômicos. O free float da empresa é expressivo, situando-se em aproximadamente 96,31% do total de ações, o que indica elevada dispersão acionária e que a empresa opera praticamente sem controlador concentrado.

A receita líquida consolidada da Kepler Weber no exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025 atingiu aproximadamente R$ 1,49 bilhão, com lucro líquido de R$ 156,3 milhões, refletindo a capacidade operacional da empresa em diferentes ciclos do agronegócio. O patrimônio líquido registrado em março de 2026 alcançou R$ 791,85 milhões, e o capital social inscrito é de R$ 344.694.181,68, mantido estável desde 2024. A história da Kepler Weber demonstra resiliência: fundada antes da Segunda Guerra Mundial, a empresa atravessou décadas de transformações econômicas brasileiras, privatizações, crises cambiais e ciclos agrícolas, consolidando-se como referência técnica no segmento de pós-colheita.

A estratégia de negócios da Kepler Weber é ancorada na dependência estrutural do agronegócio por soluções de armazenagem. O Brasil possui historicamente um déficit relevante de capacidade de armazenagem estática em relação à sua produção de grãos. Segundo estimativas setoriais, a capacidade total de armazenagem nacional ainda é inferior à produção agrícola em safras recordes, o que gera demanda sustentada por novos silos e expansões. A empresa se beneficia diretamente dessa dinâmica ao fornecer produtos e serviços que permitem aos produtores e cooperativas preservar o valor dos grãos, reduzir perdas pós-colheita e aumentar o poder de negociação no mercado.

Do ponto de vista tecnológico, a Kepler Weber tem investido em automação e digitalização de suas soluções, incorporando sistemas de monitoramento remoto, sensoriamento de temperatura e umidade, e plataformas de gestão integrada para armazéns. Essa evolução posiciona a empresa não apenas como fornecedora de equipamentos metálicos, mas como parceira tecnológica da cadeia agroindustrial, com potencial para capturar valor adicional ao longo do ciclo de vida dos ativos que comercializa. A combinação de marca reconhecida, capacidade técnica acumulada, rede de distribuição consolidada e posição em um setor com demanda estrutural configura o perfil de negócios da Kepler Weber.

Contexto de negocio e setor

O segmento de armazenagem e logística de grãos no Brasil é um dos mais estratégicos da cadeia do agronegócio. A produção brasileira de grãos tem atingido recordes sucessivos nas últimas safras, com a safra 2023/2024 superando 320 milhões de toneladas segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Esse volume expressivo impõe pressão constante sobre a infraestrutura de armazenagem do país, que historicamente opera próxima de sua capacidade máxima nos períodos de pico de colheita.

A Kepler Weber está inserida nesse contexto como fabricante de equipamentos de pós-colheita — a etapa que ocorre após o campo e antes da comercialização ou exportação. Silos, secadores e transportadores fabricados pela empresa compõem a infraestrutura que permite ao grão ser preservado em condições adequadas de umidade e temperatura, reduzindo perdas qualitativas e quantitativas. Para um produtor ou cooperativa, o investimento em armazenagem própria representa autonomia logística e capacidade de arbitragem de preço ao longo do tempo, o que torna esse gasto relativamente prioritário mesmo em ciclos de margens mais apertadas.

O setor de equipamentos para armazenagem de grãos no Brasil é relativamente concentrado, com poucos fabricantes de porte nacional. A Kepler Weber compete com fabricantes regionais de equipamentos para armazenagem de grãos, além de players internacionais como a GSI (Grain Systems Inc., subsidiária da AGCO Corporation) e a Sukup Manufacturing. A vantagem competitiva da Kepler Weber reside na combinação de marca centenária, rede de distribuicao e assistência técnica distribuída pelo território nacional e know-how acumulado em projetos de grande porte para tradings e cooperativas de destaque como Coamo, C.Vale, Copercampos e exportadores como Cargill e Bunge.

O ciclo de negócios da Kepler Weber está correlacionado com o desempenho do agronegócio, especialmente com a rentabilidade do produtor rural e o nível de crédito rural disponibilizado pelo governo federal via Plano Safra. O Plano Safra é a principal política pública de financiamento agrícola no Brasil e inclui linhas específicas para investimento em infraestrutura e armazenagem, como o Pronaf Mais Alimentos e o Moderinfra. O volume dessas linhas de crédito influencia diretamente a capacidade de investimento dos produtores e cooperativas, que são os principais compradores dos equipamentos Kepler Weber.

A dinâmica de câmbio também é relevante para a empresa de forma indireta: um real mais desvalorizado tende a aumentar a rentabilidade dos exportadores de commodities em reais, elevando sua capacidade de investimento e, consequentemente, a demanda por equipamentos de armazenagem. Por outro lado, parte dos insumos industriais utilizados na fabricação dos silos metálicos — como o aço — tem cotação influenciada por fatores globais, o que pode gerar pressão de custos em determinados períodos.

Do ponto de vista regulatório, o setor de armazenagem de grãos é regulado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e pela CONAB, que estabelece normas técnicas para a certificação de armazéns e a qualidade dos equipamentos utilizados. A conformidade com essas normas é requisito para que os silos financiados com crédito rural oficial sejam aprovados, o que cria uma barreira técnica à entrada de fornecedores sem histórico e reputação estabelecidos.

A Kepler Weber também atua no mercado externo, exportando equipamentos para países da América do Sul, América Central e África, regiões onde o agronegócio está em expansão e a demanda por infraestrutura de armazenagem é crescente. Essa diversificação geográfica reduz parcialmente a dependência exclusiva do ciclo agrícola brasileiro e abre oportunidades de crescimento em mercados onde a concorrência local é menor.

No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou receita líquida de aproximadamente R$ 318 milhões e lucro líquido de R$ 17,1 milhões, com margem líquida de 5,39%. Esse desempenho reflete um período de transição entre safras e a sazonalidade natural do setor, já que os maiores volumes de pedidos e entregas tendem a se concentrar nos períodos anteriores às colheitas principais. A estrutura de capital da Kepler Weber é conservadora, com dívida líquida negativa (ou seja, caixa líquido positivo), o que confere à empresa flexibilidade financeira para atravessar ciclos adversos e aproveitar oportunidades de investimento sem depender de capital externo em condições desfavoráveis.

Como ler os indicadores deste ativo

Analisar as ações da Kepler Weber exige entender as métricas financeiras dentro do contexto de uma empresa industrial cíclica, ligada ao agronegócio. Os indicadores de valuation e de rentabilidade precisam ser lidos em conjunto, pois cada um ilumina uma dimensão diferente da saúde e do posicionamento da companhia.

O Preço sobre Lucro (P/L) indica quantos anos de lucro atual o mercado está disposto a pagar pela ação. Para empresas industriais com receita dependente de ciclos agrícolas, o P/L tende a variar bastante ao longo do tempo: em anos de safra recorde e alta rentabilidade do produtor rural, a demanda por equipamentos cresce e o lucro da empresa sobe, podendo fazer o P/L parecer baixo. Em períodos de safras menores ou crédito rural restrito, o lucro cai e o P/L se eleva, mesmo com a cotação estável. Esse comportamento cíclico é normal para o setor e deve ser considerado ao comparar o indicador com médias históricas.

O Preço sobre Valor Patrimonial (P/VP) compara o valor de mercado atribuído pelo pregão com o patrimônio líquido contábil da empresa. Para fabricantes de equipamentos como a Kepler Weber, o patrimônio líquido inclui o capital imobilizado em máquinas, instalações e estoques. Um P/VP acima de 1,0 indica que o mercado reconhece valor além do ativo contábil — geralmente relacionado à marca, à carteira de clientes, ao know-how técnico e à posição competitiva. Abaixo de 1,0, sinalizaria que o mercado avalia a empresa por menos do que seus ativos registram.

O Dividend Yield (DY) expressa a relação entre os dividendos distribuídos nos últimos doze meses e a cotação de referência da ação na data de cálculo. Para a Kepler Weber, empresa com histórico de distribuições regulares, o DY é um indicador relevante, mas deve ser interpretado com atenção: por ser uma empresa industrial cíclica, os proventos variam conforme o resultado de cada exercício. A Lei 15.270/2025, vigente a partir de 2026, instituiu retenção de 10% de Imposto de Renda na fonte sobre dividendos que superem R$ 50 mil mensais recebidos de uma mesma empresa por pessoa física — isso impacta investidores com posições relevantes. Juros sobre Capital Próprio (JCP), quando distribuídos, seguem com alíquota de 15% na fonte.

O Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE — Return on Equity) mede a eficiência com que a empresa transforma o capital dos acionistas em lucro. ROE elevado para uma empresa industrial sem alavancagem financeira expressiva indica genuína capacidade de geração de valor por meio de suas operações, e não efeito de alavancagem artificial. Para fabricantes de bens de capital como a Kepler Weber, ROE acima de 15% ao ano costuma ser considerado forte.

O Retorno sobre Capital Investido (ROIC) é ainda mais preciso do que o ROE para avaliar a eficiência operacional, pois considera o retorno gerado sobre todo o capital empregado no negócio — seja de acionistas ou de credores. ROIC superior ao custo médio ponderado de capital (WACC) indica que a empresa cria valor para seus acionistas de forma consistente. Para setores industriais, ROIC acima de 12-15% é considerado sólido.

O múltiplo EV/EBITDA compara o valor total da empresa (Enterprise Value — que soma capitalização de mercado e dívida líquida) com o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA). Esse indicador é amplamente utilizado para comparar empresas com diferentes estruturas de capital e permite avaliar quanto o mercado paga pelo caixa operacional gerado pela companhia. Empresas com caixa líquido (dívida líquida negativa) tendem a ter EV menor do que o market cap, o que pode reduzir o múltiplo e indicar desconto relativo.

A Margem EBITDA revela qual proporção da receita líquida é convertida em resultado operacional antes de depreciação, impostos e juros. Para fabricantes de equipamentos metálicos, a margem EBITDA é influenciada pelo preço do aço, pela eficiência produtiva e pelo mix de produtos (equipamentos de maior valor agregado como secadores e sistemas automatizados tendem a ter margens maiores). A Dívida Líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração operacional seria necessário para quitar a dívida líquida da empresa. Valor negativo significa que a empresa tem mais caixa do que dívidas, configurando situação de solidez financeira.

O Lucro por Ação (LPA) distribui o lucro líquido total pelo número de ações em circulação, permitindo acompanhar a evolução da geração de lucro por unidade de participação ao longo do tempo. O Valor Patrimonial por Ação (VPA) faz o mesmo com o patrimônio líquido, servindo como base para o cálculo do P/VP e para avaliar se o valor contábil por ação está crescendo, o que indica acumulação de valor no longo prazo. A análise conjunta dos dez indicadores a seguir, com os números reais da Kepler Weber, permite construir uma visão estruturada da empresa.

Pontos de atencao

Ciclicidade do agronegócio: a demanda por silos e equipamentos da Kepler Weber está diretamente correlacionada com a rentabilidade do produtor rural e com o volume de crédito rural disponibilizado pelo Plano Safra. Em safras com preços de commodities mais baixos ou crédito restrito, o investimento do produtor em infraestrutura tende a recuar, impactando a receita e o lucro da companhia de forma não linear.

Déficit estrutural de armazenagem no Brasil: estimativas setoriais indicam que o país possui capacidade estática de armazenagem inferior à produção de grãos em safras recordes. Esse gap estrutural sustenta a demanda de longo prazo pelos produtos da Kepler Weber, mas a velocidade de fechamento desse déficit depende de políticas públicas, crédito rural subsidiado e conjuntura do agronegócio.

Exposição ao preço do aço: a produção de silos metálicos depende do aço laminado como insumo principal. Variações no custo do aço — influenciadas por ciclos globais de demanda, capacidade instalada siderúrgica e políticas de importação — afetam diretamente a margem bruta da Kepler Weber. A empresa gerencia essa exposição por meio de contratos e gestão de estoques, mas não é imune a choques de custo.

Balanço com caixa líquido positivo: com Dívida Líquida/EBITDA de -0,18x e Dívida Líquida/PL de -0,05x (dados de março de 2026), a Kepler Weber possui mais caixa e equivalentes do que dívidas totais. Essa posição financeira conservadora oferece resiliência em ciclos adversos e capacidade de reinvestimento ou aquisições sem necessidade de captações externas onerosas.

Free float de 96,31%: a elevada dispersão acionária significa que não há controlador com participação concentrada. Isso implica maior liquidez potencial das ações no mercado secundário, mas também pode significar menor governança por parte de um sócio de referência e maior exposição às dinâmicas de mercado em períodos de volatilidade.

Sazonalidade de resultados: os resultados da Kepler Weber apresentam padrão sazonal, com trimestres iniciais do ano tendendo a ser mais fracos (como demonstrado pelo 1T26 com margem líquida de 5,39% versus 10,49% no acumulado de 2025). Investidores que analisam resultados isolados podem não capturar corretamente o desempenho anualizado da empresa.

Mercado de exportação como vetor de crescimento: a Kepler Weber exporta equipamentos para países da América do Sul, América Central e África, mercados onde o agronegócio está em expansão e a concorrência local é menor. O desempenho exportador depende da competitividade cambial do real e de condições macroeconômicas dos países-destino, adicionando uma variável externa à análise.

Política de dividendos com múltiplas distribuições anuais: a companhia realizou oito eventos de distribuição de dividendos entre 2024 e 2025, com frequência superior à maioria das empresas industriais brasileiras. Esse histórico demonstra compromisso com a remuneração do acionista, mas os valores variam conforme o resultado de cada exercício, sem garantia de manutenção de patamar.

Impacto da Lei 15.270/2025 nos proventos: a legislação em vigor a partir de 2026 instituiu retenção de 10% de Imposto de Renda na fonte sobre dividendos que superem R$ 50 mil mensais pagos por uma empresa a pessoa física. Para investidores com participações menores, dividendos abaixo desse limite não sofrem retenção adicional. JCP, quando distribuído, segue sujeito a retenção de 15% na fonte para todos os beneficiários.

Concentração em um único segmento: ao contrário de conglomerados diversificados, a Kepler Weber opera essencialmente no segmento de equipamentos para pós-colheita. Isso significa que adversidades específicas do agronegócio — como seca severa, queda brusca de preços de commodities ou restrições ao Plano Safra — afetam a empresa de forma mais direta do que players com portfólio diversificado.

Capital social estável desde 2024: o capital social da empresa permaneceu em R$ 344.694.181,68 em 2024 e 2025, sem emissão de novas ações ou diluição do acionista. O aumento anterior ocorreu entre 2023 (R$ 244.694.181,68) e 2024 (R$ 344.694.181,68), totalizando R$ 100 milhões injetados no capital da empresa, com número de ações mantido constante em 179.720.130.

Liquidez de mercado historicamente baixa: o volume médio diário de negociação de KEPL3 é considerado baixo em comparação com large caps da B3, o que pode dificultar a entrada e saída de posições relevantes sem impactar o preço. Investidores com horizonte de longo prazo que não necessitam de liquidez imediata tendem a ser mais adequados para esse perfil de ativo.

Governanca e estrutura societaria

A Kepler Weber S.A. é uma sociedade anônima de capital aberto, com registro ativo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sob o código 7870 e ações negociadas na B3 sob o ticker KEPL3. A empresa foi constituída em 30 de abril de 1936, o que a torna uma das companhias industriais mais antigas a manter listagem em bolsa no Brasil, com quase nove décadas de história societária documentada.

A estrutura de capital da Kepler Weber é simples: a companhia possui exclusivamente ações ordinárias (ON), sem emissão de ações preferenciais (PN). O total de ações é de 179.720.130 unidades, todas do mesmo tipo e com os mesmos direitos. Essa homogeneidade acionária assegura que todos os acionistas — independentemente do tamanho da participação — possuem idênticos direitos de voto e de participação nos resultados distribuídos. Não há classes distintas de ações que conferissem poder diferenciado a determinados grupos.

O free float da empresa é expressivo, situando-se em aproximadamente 96,31% do total de ações. Isso significa que menos de 4% das ações estão em mãos que não participam do fluxo regular de negociação no mercado secundário, configurando uma das maiores taxas de dispersão acionária entre empresas industriais de médio porte listadas na B3. Essa característica posiciona a Kepler Weber como uma companhia sem controlador definido com participação majoritária, o que exige que a gestão responda de forma ampla ao conjunto de acionistas por meio das assembleias gerais e dos mecanismos de governança corporativa.

Como empresa listada na B3, a Kepler Weber está sujeita ao Regulamento de Listagem do segmento em que está enquadrada, às normas da CVM e à Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6.404/1976 e suas alterações). A companhia divulga suas demonstrações financeiras e informes periódicos por meio do sistema Empresas.net da CVM, incluindo Informações Trimestrais (ITR), Demonstrações Financeiras Anuais (DFP) e Formulário de Referência (FRE), que contém informações detalhadas sobre estrutura societária, gestão e riscos.

A política de dividendos da Kepler Weber prevê distribuição de proventos vinculada ao resultado de cada exercício. O estatuto social estabelece o dividendo mínimo obrigatório de 25% do lucro líquido ajustado, conforme determina a Lei 6.404/1976 para companhias abertas que não disponham de previsão estatutária específica superior. O histórico recente demonstra que a empresa tem distribuído proventos com frequência superior à mínima legal: ao longo de 2024 e 2025, foram realizados oito eventos de distribuição, incluindo dividendos pagos nas datas-com de abril de 2025 (R$ 0,404 por ação), agosto de 2025 (R$ 0,1442), novembro de 2025 (R$ 0,1442) e dezembro de 2025 (R$ 0,1442), além de quatro distribuições em 2024.

Em relação ao tag along, as ações ordinárias da Kepler Weber garantem aos acionistas minoritários o direito de serem incluídos em eventuais ofertas de aquisição de controle (tag along) nas condições previstas pela Lei das Sociedades Anônimas e pelo regulamento do segmento de listagem da B3 em que a companhia está enquadrada. Como todas as ações são ordinárias, o tag along mínimo legal é de 80% do preço pago ao controlador, conforme o artigo 254-A da Lei 6.404/1976, sem distinção entre classes de ações.

O conselho de administração da Kepler Weber é o órgão máximo de deliberação entre as assembleias gerais de acionistas, responsável pela orientação estratégica da companhia, eleição e supervisão da diretoria executiva e aprovação de operações relevantes. As assembleias gerais ordinárias (AGO) são realizadas anualmente para aprovação das demonstrações financeiras, eleição de administradores e deliberação sobre a destinação do lucro líquido. A composição do conselho, mandatos e perfil dos membros são divulgados periodicamente no Formulário de Referência arquivado na CVM.

Panorama competitivo

O mercado de equipamentos para armazenagem, secagem e movimentação de grãos no Brasil é relativamente concentrado em termos de fornecedores de porte nacional com capacidade técnica certificada e rede de assistência estabelecida. A Kepler Weber disputa esse espaço com um grupo seleto de concorrentes diretos, além de fabricantes internacionais que atendem o segmento premium do mercado.

No segmento de silos metálicos e equipamentos de movimentação, os principais concorrentes nacionais da Kepler Weber incluem fabricantes regionais especializados em estruturas metálicas para armazenagem agroindustrial. No entanto, a escala e o portfólio completo de soluções da Kepler Weber — abrangendo silos, secadores, transportadores, elevadores de caneca, aeradores e sistemas de automação — dificilmente são replicados por competidores menores, que tendem a se especializar em segmentos específicos.

No mercado de secadores industriais e automação de armazéns, a Kepler Weber compete com a GSI (Grain Systems Inc.), subsidiária do grupo AGCO Corporation (NYSE: AGCO), um dos maiores grupos de máquinas agrícolas do mundo. A GSI possui portfólio amplo e presença internacional, atendendo o mercado brasileiro tanto com produtos importados quanto com fabricação local. A presença de um player de capital global no segmento eleva o patamar técnico da concorrência e exige que a Kepler Weber aplique recursos continuamente em inovação e atualização de portfólio.

A Sukup Manufacturing, empresa americana fundada em 1963 e líder no mercado norte-americano de armazenagem de grãos, também atua no Brasil por meio de distribuidores, especialmente no segmento de silos e secadores de alta capacidade para grandes propriedades e cooperativas. A vantagem dos players internacionais reside na capacidade de P&D e na escala de produção, enquanto a Kepler Weber conta com o conhecimento do mercado local, relacionamento histórico com clientes brasileiros, assistência técnica mais acessível e capacidade de personalização de projetos.

As principais cooperativas agropecuárias brasileiras — como Coamo (Paraná), C.Vale (Paraná), Copercampos (Santa Catarina), Copagril e Cotribá — estão entre os maiores clientes e demandantes de infraestrutura de armazenagem no país. Essas cooperativas representam compradores de grande porte e recorrentes, que buscam fornecedores com capacidade de entregar projetos completos de armazéns, incluindo projeto de engenharia, fornecimento de equipamentos, montagem e assistência técnica pós-comercializacao. A Kepler Weber, com décadas de relacionamento com esse perfil de cliente, possui vantagem de incumbência que é difícil de ser replicada por novos entrantes.

As grandes tradings agrícolas que operam no Brasil — como Cargill, Bunge, Louis Dreyfus e ADM — também demandam equipamentos de armazenagem e movimentação para seus terminais portuários, armazéns interiores e unidades de beneficiamento de grãos. Esses contratos são de maior porte e exigem capacidade técnica e financeira para execução, o que naturalmente reduz o número de fornecedores aptos. A Kepler Weber tem histórico de atendimento a esse segmento corporativo.

Um aspecto diferenciador da posição competitiva da Kepler Weber é sua trajetória de digitalização: a empresa tem incorporado soluções de monitoramento remoto, IoT (Internet das Coisas) aplicado à gestão de armazéns e plataformas de controle integrado que permitem ao operador acompanhar em tempo real as condições de temperatura, umidade e movimentação de grãos. Essa evolução tecnológica posiciona a empresa além do segmento de simples fabricação de equipamentos metálicos, aproximando-a do modelo de fornecedora de soluções integradas de gestão pós-colheita.

O cenário competitivo também é influenciado pela política industrial e pelas condições de financiamento. Quando o governo federal eleva os recursos disponibilizados em linhas como o Moderinfra (Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras) e o Pronaf Mais Alimentos para armazenagem, o volume total de comercializacao do setor cresce e beneficia os fornecedores estabelecidos. Em ambientes de crédito mais restrito, a concorrência por preço tende a se acirrar, favorecendo players com maior eficiência produtiva.

Indicadores explicados

**P/L (Preço sobre Lucro).** O P/L de 8,07x indica que, ao preço registrado em junho de 2026, o mercado precifica a ação em pouco mais de oito anos de lucro anual. Para uma empresa industrial ligada ao agronegócio, esse múltiplo deve ser comparado com o histórico da própria empresa e com pares do setor, pois o lucro pode variar significativamente entre safras. P/L abaixo de 10x em um fabricante com ROE elevado pode indicar desconto relativo, mas a sazonalidade do setor exige análise de médias plurianuais. Fórmula: P/L = Preço da ação / Lucro por Ação (LPA) Cálculo: P/L = R$ 6,64 / R$ 0,8226 = 8,07x (dados de 12/06/2026)

**P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial).** O P/VP de 1,51x mostra que o mercado paga um prêmio de 51% sobre o patrimônio líquido contábil da Kepler Weber. Para uma empresa com ROE próximo a 19%, esse prêmio pode ser justificado pelo retorno elevado gerado sobre o capital dos acionistas, pela posição competitiva consolidada e pelo valor da marca no setor de armazenagem de grãos. P/VP acima de 1x é comum em empresas com alta rentabilidade sobre o patrimônio. Fórmula: P/VP = Preço da ação / Valor Patrimonial por Ação (VPA) Cálculo: P/VP = R$ 6,64 / R$ 4,41 = 1,51x (dados de 12/06/2026, VPA referência 31/03/2026)

**DY (Dividend Yield).** A Kepler Weber distribuiu dividendos em múltiplos eventos ao longo de 2024 e 2025, demonstrando política de proventos recorrente. A partir de 2026, a Lei 15.270/2025 instituiu retenção de 10% de IR na fonte sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais pagos por uma empresa a pessoa física — investidores com posições maiores devem considerar esse impacto no rendimento líquido. JCP, quando distribuído, tem retenção de 15% na fonte para todos os beneficiários. Fórmula: DY = Dividendos por ação distribuídos nos últimos 12 meses / Preço da ação Cálculo: Dividendos pagos em 2025 (datas-com): R$ 0,1442 (dez/2025) + R$ 0,1442 (nov/2025) + R$ 0,1442 (ago/2025) + R$ 0,4040 (abr/2025) = R$ 0,8366/ação. DY estimado = R$ 0,8366 / R$ 6,64 ≈ 12,6% bruto (dados de 12/06/2026; DY do snapshot é estimado por payout e diverge por metodologia)

**ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido).** O ROE de aproximadamente 18-20% é considerado elevado para uma empresa industrial sem alavancagem financeira relevante. Isso indica que a Kepler Weber consegue transformar o capital dos acionistas em retorno de forma eficiente, o que reflete vantagens competitivas reais — posição de mercado, portfólio de produtos diferenciados e gestão operacional — e não apenas efeito de alavancagem. ROE sustentado acima de 15% ao ano é incomum no setor industrial brasileiro. Fórmula: ROE = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido Médio Cálculo: ROE = R$ 156.270.000 (lucro 2025) / média(R$ 774.231.000 em dez/2025 e R$ 755.919.000 em set/2025) ≈ R$ 156.270.000 / R$ 765.075.000 ≈ 20,4% (referência anual 2025; snapshot reporta 18,67% com base em período ajustado — dados de 31/12/2025)

**ROIC (Retorno sobre Capital Investido).** O ROIC de 15,2% indica que a Kepler Weber gera retorno superior ao custo típico de capital de empresas industriais brasileiras, sinalizando criação de valor para os acionistas. Para uma empresa com estrutura de capital conservadora e caixa líquido positivo, esse resultado é ainda mais relevante, pois demonstra que o retorno provém da eficiência operacional e não de alavancagem financeira. ROIC consistentemente acima do custo de capital (WACC) é um dos principais indicadores de qualidade empresarial. Fórmula: ROIC = NOPAT / Capital Investido (Patrimônio Líquido + Dívida Líquida) Cálculo: ROIC = 15,2% (dado de referência do snapshot, com base em resultados até 31/03/2026). Com dívida líquida negativa (empresa com caixa líquido), o capital investido é essencialmente o patrimônio líquido de R$ 791.850.000 (dados de 31/03/2026)

**EV/EBITDA.** O EV/EBITDA de 5,3x é um múltiplo moderado para uma empresa industrial com ROIC elevado e balanço sólido. Empresas com posição de caixa líquido têm EV reduzido em relação ao market cap, o que pode comprimir esse múltiplo. Para fabricantes de bens de capital ligados ao agronegócio, múltiplos abaixo de 8x têm sido historicamente considerados como indicativos de valuation conservador, embora a análise do ciclo setorial seja indispensável. Fórmula: EV/EBITDA = Enterprise Value / EBITDA. EV = Market Cap + Dívida Líquida Cálculo: EV/EBITDA = 5,3x (dado de referencia do snapshot, dados de 12/06/2026). Com market cap de R$ 1.193.341.663 e divida liquida negativa (Div.Liq/EBITDA = -0,18x), o EV e inferior ao market cap. EBITDA implicito: Margem EBITDA de 14,99% x Receita 2025 de R$ 1.490.300.000 = R$ 223.400.000; EV implicito = 5,3x x R$ 223.400.000 = R$ 1.184.000.000 (consistente com market cap menos caixa liquido, dados de 12/06/2026).

**Margem EBITDA.** A margem EBITDA de aproximadamente 15% reflete a capacidade de conversão da receita em resultado operacional caixa. Para fabricantes de equipamentos metálicos que dependem de aço como insumo principal, manter margem nesse nível exige eficiência produtiva e poder de precificação junto aos clientes. Variações no preço do aço, que responde a ciclos globais de demanda e capacidade instalada, podem pressionar ou ampliar essa margem a cada ciclo. Fórmula: Margem EBITDA = EBITDA / Receita Líquida Cálculo: Margem EBITDA = 14,99% (dado de referência do snapshot, base 2025/1T26). Sobre a receita de 2025 de R$ 1.490.300.000: EBITDA estimado = R$ 1.490.300.000 × 14,99% ≈ R$ 223.402.000 (dados de 31/12/2025)

**Dívida Líquida / EBITDA.** A Dívida Líquida sobre EBITDA negativa (-0,18x) é um diferencial importante da Kepler Weber frente a pares industriais mais alavancados. A empresa possui mais caixa do que dívidas, o que representa colchão de segurança em períodos de menor demanda do setor agrícola e capacidade de investimento em expansão ou aquisições sem depender de captações externas. Esse conservadorismo financeiro é historicamente valorizado pelo mercado em empresas de setor cíclico. Fórmula: Dívida Líquida / EBITDA = (Dívida Bruta - Caixa e Equivalentes) / EBITDA Cálculo: Div.Líq/EBITDA = -0,18x (dado de referência do snapshot, dados de 12/06/2026). Valor negativo indica que o caixa supera a dívida bruta, configurando posição de caixa líquido. Div.Líq/PL = -0,05x confirma a solidez do balanço patrimonial (dados de 31/03/2026)

**LPA (Lucro por Ação).** O LPA anualizado de aproximadamente R$ 0,87 para 2025 mostra a capacidade da Kepler Weber de gerar lucro por unidade de participação. A evolução trimestral — com LPA de R$ 0,0953 no primeiro trimestre de 2026 versus R$ 0,8226 no acumulado de doze meses — reflete a sazonalidade do setor, onde os resultados tendem a ser mais concentrados em determinados períodos do ano agrícola. Fórmula: LPA = Lucro Líquido / Número Total de Ações Cálculo: LPA (TTM) = R$ 0,8226/ação (dado de referência do snapshot). Histórico: LPA 2025 (anual) = R$ 156.270.000 / 179.720.130 ações = R$ 0,8695/ação (dados de 31/12/2025); LPA 1T26 = R$ 17.128.000 / 179.720.130 = R$ 0,0953/ação (dados de 31/03/2026)

**VPA (Valor Patrimonial por Ação).** O VPA crescente ao longo dos trimestres — de R$ 4,21 em setembro de 2025 para R$ 4,41 em março de 2026 — demonstra que a Kepler Weber está acumulando patrimônio de forma consistente, o que é resultado da retenção de parcela dos lucros. Esse crescimento do valor patrimonial por ação, combinado com distribuição de proventos, reflete uma empresa que tanto retém valor quanto remunera seus acionistas ao longo do tempo. Fórmula: VPA = Patrimônio Líquido Total / Número Total de Ações Cálculo: VPA = R$ 791.850.000 / 179.720.130 ações = R$ 4,406/ação ≈ R$ 4,41/ação (dados de 31/03/2026). Histórico: VPA dez/2025 = R$ 774.231.000 / 179.720.130 = R$ 4,308/ação; VPA set/2025 = R$ 755.919.000 / 179.720.130 = R$ 4,205/ação

**Margem Líquida.** A margem líquida variou de 10,49% no exercício de 2025 para 5,39% no primeiro trimestre de 2026, o que reflete a natureza sazonal e cíclica da Kepler Weber. Primeiro trimestres tendem a ser mais fracos para o setor agroindustrial, antes da concentração de pedidos e entregas relacionados às safras de inverno e às preparações para a safra de soja. A análise da margem deve contemplar ciclos completos, e não apenas um único trimestre. Fórmula: Margem Líquida = Lucro Líquido / Receita Líquida Cálculo: Margem Líquida 2025: R$ 156.270.000 / R$ 1.490.300.000 = 10,49%. Margem Líquida 1T26: R$ 17.128.000 / R$ 318.059.000 = 5,39% (dados de 31/03/2026). Snapshot reporta 5,39% com base no período mais recente

Perguntas Frequentes

Qual o preço atual de KEPL3? A cotação mais recente de KEPL3 é de R$ 6,35.

Em qual setor KEPL3 está classificada? KEPL3 pertence ao setor Siderurgia e Mineração na classificação da B3.

Qual o P/L de KEPL3? O índice Preço/Lucro (P/L) de KEPL3 é 7.72. Este indicador relaciona o preço da ação com o lucro por ação.

KEPL3 paga dividendos? KEPL3 apresenta dividend yield de 6,81% nos últimos 12 meses.

Qual o ROE de KEPL3? O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de KEPL3 é de 18,67%. O indicador relaciona o lucro ao patrimônio líquido e descreve a rentabilidade contábil da companhia.

Qual o valor de mercado de KEPL3? O valor de mercado de KEPL3 é de aproximadamente R$ 1,1B, calculado a partir da cotação e do total de ações. Dado sujeito a variação a cada pregão.

Quantas ações KEPL3 possui emitidas? A companhia possui 179.720.130 ações emitidas, conforme dados públicos CVM/B3.

Qual o controle acionário de KEPL3? O controle acionário registrado é do tipo Privado, conforme cadastro público da companhia.

O que a Kepler Weber fabrica e comercializa? A Kepler Weber S.A. projeta, fabrica e comercializa equipamentos para pós-colheita de grãos, incluindo silos metálicos de diferentes capacidades, secadores industriais, transportadores de grãos, elevadores de caneca, sistemas de aeração e soluções de automação e monitoramento de armazéns. A empresa também presta serviços de montagem, manutenção e assistência técnica, atendendo produtores rurais, cooperativas agropecuárias, tradings e operadores de terminais portuários.

Em que setor a Kepler Weber está classificada na B3? A Kepler Weber é classificada no setor de Siderurgia e Metalurgia pela B3, e como Emp. Adm. Part. — Metalurgia e Siderurgia pela CVM. Apesar da classificação setorial, a atividade operacional da empresa está orientada ao agronegócio, especialmente à cadeia de pós-colheita, o que a torna mais correlacionada com o ciclo do campo do que com o setor siderúrgico em sentido estrito.

Qual é a estrutura de capital da Kepler Weber? A Kepler Weber possui 179.720.130 ações, todas ordinárias (ON), sem emissão de ações preferenciais. O free float é de aproximadamente 96,31% do total, o que indica alta dispersão acionária e ausência de controlador com participação majoritária. O capital social inscrito é de R$ 344.694.181,68, mantido estável desde 2024.

Quando a Kepler Weber distribui dividendos? A Kepler Weber tem histórico de múltiplas distribuições ao longo do ano, sem datas fixas predeterminadas. Entre 2024 e 2025, a empresa realizou oito eventos de distribuição de dividendos. O valor distribuído varia conforme o resultado do exercício, e o estatuto prevê o mínimo legal de 25% do lucro líquido ajustado. Não há garantia de manutenção de patamar de proventos de um ano para outro.

Os dividendos da Kepler Weber têm incidência de Imposto de Renda? A partir de 2026, a Lei 15.270/2025 instituiu retenção de 10% de Imposto de Renda na fonte sobre dividendos que superem R$ 50 mil mensais recebidos de uma mesma empresa por pessoa física. Dividendos abaixo desse limite mensal não sofrem essa retenção adicional. Juros sobre Capital Próprio (JCP), quando distribuídos, têm retenção de 15% na fonte para todos os beneficiários — pessoas físicas ou jurídicas.

Qual é o tag along das ações KEPL3? Por serem exclusivamente ações ordinárias (ON), todas as ações KEPL3 conferem ao acionista o direito de tag along de 80% do preço pago ao controlador em caso de transferência de controle acionário, conforme o artigo 254-A da Lei 6.404/1976. Esse é o mínimo legal garantido pela legislação brasileira de mercado de capitais para ações ordinárias.

A Kepler Weber tem dívidas relevantes? A Kepler Weber possui posição de caixa líquido positivo, com Dívida Líquida/EBITDA de -0,18x e Dívida Líquida/PL de -0,05x (dados de março de 2026). Isso significa que o caixa e os equivalentes da empresa superam suas dívidas totais, configurando um balanço financeiro conservador. Essa posição oferece resiliência em períodos de menor demanda e flexibilidade para investimentos futuros.

Quem são os principais clientes da Kepler Weber? Os principais clientes da Kepler Weber são cooperativas agropecuárias (como Coamo, C.Vale, Copercampos e Cotribá), produtores rurais de médio e grande porte, tradings agrícolas internacionais (como Cargill, Bunge, Louis Dreyfus e ADM) e empresas de beneficiamento de grãos. A base de clientes reflete a posição da empresa como fornecedora preferencial de infraestrutura de pós-colheita para os grandes operadores do agronegócio brasileiro.

Quais são os principais fatores de risco para a Kepler Weber? Os principais riscos da Kepler Weber incluem: ciclicidade do agronegócio (que afeta o investimento do produtor em equipamentos), variações no preço do aço (principal insumo de produção), nível do crédito rural subsidiado pelo Plano Safra, concorrência de players internacionais como GSI (Grain Systems Inc.)/AGCO e Sukup, sazonalidade trimestral dos resultados e liquidez de mercado historicamente baixa das ações KEPL3 na B3.

A Kepler Weber exporta seus produtos? Sim. A Kepler Weber atua no mercado externo, exportando equipamentos para países da América do Sul, América Central e África — regiões onde o agronegócio está em expansão e a demanda por infraestrutura de armazenagem é crescente. Essa diversificação geográfica reduz a dependência exclusiva do ciclo agrícola brasileiro, embora o mercado doméstico permaneça como o principal destino da produção.

Quando a Kepler Weber foi fundada e qual é sua história? A Kepler Weber S.A. foi fundada em 30 de abril de 1936, no Rio Grande do Sul, tornando-se uma das empresas industriais mais antigas com ações listadas em bolsa no Brasil. Ao longo de quase nove décadas, a empresa acompanhou a transformação do agronegócio brasileiro, do período de industrialização da agricultura nas décadas de 1960-70 até a incorporação de automação digital em seus sistemas de armazenagem.

O que é o Plano Safra e como afeta a Kepler Weber? O Plano Safra é a principal política pública de crédito rural no Brasil, lançada anualmente pelo governo federal com linhas de financiamento para custeio, investimento e comercialização agropecuária. Linhas específicas como o Moderinfra e o Pronaf Mais Alimentos financiam investimentos em armazenagem, incluindo silos e secadores. Maiores volumes de crédito nessas linhas ampliam a capacidade de investimento dos produtores e cooperativas, aumentando indiretamente a demanda pelos produtos da Kepler Weber.

Como interpretar a margem líquida do primeiro trimestre de 2026? A margem líquida de 5,39% no 1T26 é inferior à margem de 10,49% registrada no exercício de 2025. Esse comportamento reflete a sazonalidade natural do setor de equipamentos agroindustriais: o primeiro trimestre tende a apresentar volumes de pedidos e receitas menores antes da concentração de entregas relacionadas aos ciclos de colheita. A análise da margem em períodos isolados pode não capturar adequadamente o desempenho estrutural da companhia.

Atualização

Dados consultados em 19/07/2026 nas fontes públicas citadas. Cotações e indicadores estão sujeitos a defasagem conforme a periodicidade de cada fonte.

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Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.