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BEES3 — BANESTES S.A. - BCO EST ESPIRITO SANTO

Cotação, indicadores e dados históricos de BEES3 (Ação). Dados B3/CVM atualizados.

Preço atual
R$ 8,71
P/L
9,28
P/VP
1,23
Dividend Yield (12m)
8,90%

Setor

Bancos

Desempenho recente

No período de 6m, BEES3 apresentou variação de +5,83% em 123 pregões. Dados de cotação da B3, sujeitos a defasagem.

Faixa de 52 semanas

Nas últimas 52 semanas, BEES3 oscilou entre R$ 7,77 a R$ 9,44. Média de R$ 8,51 no período. Dados B3, sujeitos a defasagem.

Indicadores Fundamentalistas

Dividend yield (12m): 8,90%. P/L: 9.28. P/VP: 1.23. ROE: 13,26%. Margem líquida: 6,88%. Valor de mercado: R$ 3,0B. Dados públicos B3/CVM, sujeitos a defasagem.

Indicadores Avançados

ROIC: 0,83%. ROA: 0,82%. EV/EBITDA: 58.26. EV/EBIT: 81.66. Margem EBITDA: 8,31%. Margem bruta: 28,79%. Dívida líquida/Patrimônio: 9.91. LPA (lucro por ação): R$ 0,94. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 7,08. PSR (preço/receita): 0.53. Free float: 4,57%. Último provento: R$ 0,07 por ação. Indicadores de rentabilidade (ROIC, ROA), valuation por valor da firma (EV/EBITDA, EV/EBIT), margens, endividamento e liquidez, a partir de dados públicos B3/CVM. São referências informativas — a interpretação cabe a cada investidor.

Variações por período

Variação de BEES3 em janelas recentes. Na semana: +0,46%. No mês: +1,28%. No ano: +7,27%. Fechamento anterior: R$ 8,75 (16/07/2026). Percentuais sobre preços de fechamento da B3, sujeitos a defasagem.

Últimos pregões

Fechamentos recentes de BEES3: 17/07/2026: R$ 8,71, volume de R$ 59.554,00; 16/07/2026: R$ 8,75, volume de R$ 43.018,00; 15/07/2026: R$ 8,84, volume de R$ 96.069,00; 14/07/2026: R$ 8,70, volume de R$ 93.434,00; 13/07/2026: R$ 8,74, volume de R$ 66.283,00. Dados de pregão da B3.

Histórico de proventos

BEES3 registra 512 proventos anunciados em 26 anos de cobertura. Anúncios mais recentes: 02/07/2026 — JCP de R$ 0,07 por ação, pagamento em 20/07/2026; 01/07/2026 — JCP de R$ 0,03 por ação, pagamento em 03/08/2026; 01/06/2026 — JCP de R$ 0,03 por ação; 04/05/2026 — JCP de R$ 0,03 por ação; 01/04/2026 — JCP de R$ 0,03 por ação; 26/03/2026 — JCP de R$ 0,07 por ação; 02/03/2026 — JCP de R$ 0,03 por ação; 02/02/2026 — JCP de R$ 0,03 por ação. O histórico descreve anúncios passados e não projeta pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia.

Resultados financeiros recentes

Demonstrações trimestrais reportadas por BEES3 (CVM): 31/03/2026: receita líquida de R$ 1,4B, lucro líquido de R$ 97,9M, margem líquida de 6,88%, LPA de R$ 0,28. 31/12/2025: receita líquida de R$ 5,5B, lucro líquido de R$ 339,9M, margem líquida de 6,23%, LPA de R$ 0,98. 30/09/2025: receita líquida de R$ 4,0B, lucro líquido de R$ 224,8M, margem líquida de 5,62%, LPA de R$ 0,65. 30/06/2025: receita líquida de R$ 2,5B, lucro líquido de R$ 118,8M, margem líquida de 4,66%, LPA de R$ 0,34. Valores consolidados conforme reportado, sujeitos a reapresentação.

Patrimônio líquido e VPA

Patrimônio líquido de R$ 2,5B na posição de 31/03/2026. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 7,08. Na posição de 31/03/2024, o patrimônio era de R$ 2,2B e o VPA era de R$ 6,26. Série contábil pública (CVM), sujeita a reapresentação.

Estrutura acionária

Composição do capital de BEES3: Total de ações emitidas: 347.504.146. Ordinárias (ON): 254.106.600 (73,12%). Preferenciais (PN): 93.397.546 (26,88%). Ações em circulação: 15.897.668. Dados públicos CVM/B3.

Valores mobiliários listados

Códigos de negociação da companhia na B3: BEES3 (Ações Ordinárias, Básico); BEES4 (Ações Preferenciais, Básico). O segmento de listagem descreve o conjunto de regras de governança ao qual a companhia aderiu.

Valuation por fórmulas clássicas (Graham e Bazin)

Pela fórmula de Graham, o valor calculado para BEES3 é de R$ 12,22 (diferença de 40,33% ante o preço usado no cálculo). Pela fórmula de Bazin (yield-alvo de 6% a.a.), o preço-teto calculado é de R$ 12,92, a partir de dividendo por ação de R$ 0,78. Valor intrínseco = raiz(22,5 x LPA x VPA). Requer LPA>0 e VPA>0. Preço-teto = dividendo por ação / 0,06 (yield-alvo 6% a.a.). São resultados de fórmulas públicas aplicadas a dados reportados — referências informativas cuja interpretação cabe a cada investidor; não constituem recomendação de compra ou venda.

Movimentações de administradores e pessoas ligadas

Negociações com ações de BEES3 comunicadas por administradores, controladores e pessoas ligadas no período de 5 anos, conforme divulgação pública (CVM). Foram registradas 214 operações de compra e 132 operações de venda. Volume comprado: R$ 3,0M. Volume vendido: R$ 1,6M. Saldo líquido do período: R$ 1,5M. Dado factual de transparência — não indica, por si só, perspectiva sobre o ativo.

Como interpretar os indicadores de uma ação

Os indicadores fundamentalistas descrevem aspectos diferentes de uma empresa e costumam ser lidos em conjunto, não isoladamente. Abaixo, o que cada grupo representa de forma factual.

Múltiplos de avaliação (P/L, P/VP, PSR)

Múltiplos relacionam o preço de mercado a uma medida contábil. O P/L (preço sobre lucro) compara a cotação ao lucro por ação; o P/VP (preço sobre valor patrimonial) compara ao patrimônio por ação; o PSR (preço sobre receita) compara à receita por ação. São referências de avaliação relativa — fazem mais sentido comparados entre empresas de um mesmo setor do que isoladamente, já que cada setor tem faixas típicas distintas.

Rentabilidade (ROE, ROIC, ROA)

Os indicadores de rentabilidade medem a eficiência da empresa em gerar resultado a partir do capital. O ROE relaciona o lucro ao patrimônio líquido; o ROIC relaciona o resultado operacional ao capital total investido (próprio e de terceiros); o ROA relaciona o lucro ao total de ativos. Valores mais altos indicam maior eficiência relativa, mas dependem do setor e da estrutura de capital.

Valor da firma e margens (EV/EBITDA, margens)

O EV/EBITDA compara o valor da firma (valor de mercado mais dívida líquida) ao EBITDA, uma medida de geração de caixa operacional; é usado para comparar empresas com diferentes níveis de endividamento. As margens (bruta, EBITDA, líquida) expressam quanto da receita se converte em resultado em cada etapa, descrevendo a lucratividade da operação.

Endividamento e liquidez

A dívida líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida; a dívida líquida sobre patrimônio relaciona o endividamento ao capital próprio. A liquidez corrente compara ativos e passivos de curto prazo. Esses indicadores descrevem a estrutura financeira e o risco associado ao endividamento.

Dividendos (DY e payout)

O Dividend Yield (DY) relaciona os proventos distribuídos nos últimos doze meses ao preço da ação, e o payout indica a parcela do lucro distribuída como proventos. Ambos descrevem o histórico de distribuição e não projetam pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia. A interpretação de todos esses indicadores cabe a cada investidor, conforme seus objetivos e tolerância a risco.

Sobre a Empresa

Intermediação Financeira inerente aos Bancos Múltiplos por meio das carteiras autorizadas, inclusive Operações de Câmbio.

Identificação e registro

CNPJ: 28.127.603/0001-78. Código CVM: 1155. Situação do registro: Ativo. Constituída em 1937. Controle acionário: Estatal. País de origem: Brasil. Site oficial: www.banestes.com.br. Dados cadastrais públicos da companhia (CVM/B3), sujeitos a atualização.

Dividendos

O dividend yield acumulado nos últimos 12 meses de BEES3 é de 8,90%.

Eventos e Fatos Relevantes (CVM)

BEES3 registra 100 evento(s) e comunicado(s) ao mercado publicados via CVM nos últimos 5 anos. As categorias mais frequentes: Assembleia (41), Fato Relevante (27), Dados Econômico-Financeiros (21). Os documentos completos podem ser consultados nos canais oficiais.

O Banestes (BEES3) é o banco público estadual do Espírito Santo, fundado em 1937 e controlado pelo Governo do Estado. Atua como banco múltiplo com carteiras comercial, de câmbio e crédito, concentrando operações em crédito pessoal, consignado ao funcionalismo estadual, financiamento habitacional e crédito rural no mercado capixaba. Distribui proventos com frequência aproximadamente mensal, combinando JCP (sujeito a 15% de IRF) e dividendos. A partir de 2026, a Lei 15.270/2025 instituiu retenção de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais por empresa. O free float reduzido (cerca de 4,57% das ações totais) resulta em baixa liquidez de negociação. O banco não aderiu a segmentos diferenciados de governança da B3.

Sobre BANESTES S.A. - BCO EST ESPIRITO SANTO

O Banestes — Banco do Estado do Espírito Santo S.A. — é uma instituição financeira de controle estatal, fundada em 15 de outubro de 1937, com sede em Vitória (ES). Com quase nove décadas de história, o banco atravessou ciclos econômicos brasileiros marcantes: a industrialização capixaba impulsionada pela siderurgia e pelo porto de Tubarão nos anos 1960-1970, os planos de estabilização da década de 1980, a crise bancária dos anos 1990 e o ambiente pós-Real. A continuidade operacional ao longo desse período, em contraste com a quebra ou federalização de diversas outras instituições estaduais na mesma época, é parte central da identidade corporativa do Banestes.

A estrutura societária do banco reflete seu caráter público: o Governo do Estado do Espírito Santo é o acionista controlador majoritário, detendo participação superior a 95% das ações ordinárias. As ações ordinárias (ON), negociadas sob o código BEES3 na B3, representam 73,12% do total de papéis emitidos (254.106.600 unidades), enquanto as ações preferenciais (PN, código BEES4) correspondem aos 26,88% restantes (93.397.546 unidades). O capital social foi ampliado de R$ 1,6 bilhão (2024) para R$ 1,9 bilhão em 2025, refletindo capitalização promovida pelo controlador. O free float das ordinárias — parcela disponível para o mercado — é historicamente reduzido, em torno de 4,57% do total de ações, o que implica liquidez média diária baixa e maior sensibilidade a movimentos pontuais de compra ou comercializacao.

O Banestes opera como banco múltiplo, autorizado pelo Banco Central do Brasil (BCB) a conduzir intermediação financeira por meio das carteiras comercial, de câmbio e demais modalidades previstas na Resolução CMN 2.099/1994 e legislação subsequente. A presença física do banco é essencialmente estadual: a vasta maioria das agências, postos de atendimento e máquinas de autoatendimento concentra-se no Espírito Santo. Essa focalização geográfica é ao mesmo tempo uma limitação de escala e um diferencial competitivo — o Banestes detém forte reconhecimento de marca e relacionamento histórico com prefeituras, servidores públicos estaduais, autarquias e pequenas empresas locais que demandam atendimento personalizado.

A receita bruta do banco é composta principalmente pela intermediação financeira (juros sobre carteira de crédito e títulos), serviços e tarifas bancárias e resultado de câmbio. O lucro líquido do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025 alcançou R$ 339,9 milhões, equivalente a um LPA (Lucro por Ação) de R$ 0,9782 para o ano. No primeiro trimestre de 2026 (encerrado em 31 de março), o resultado parcial já registrava receita líquida de R$ 1,42 bilhão e lucro de R$ 97,9 milhões — ritmo que, se mantido, projeta trajetória de continuidade dos resultados anuais.

A política de distribuição de proventos do Banestes combina dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP). Historicamente, o banco distribui proventos em periodicidade aproximadamente mensal, com pagamentos de JCP recorrentes. É importante notar que o JCP é dedutível do IRPJ e CSLL para a empresa, e sofre retenção de 15% de Imposto de Renda na Fonte (IRF) para o beneficiário — pessoa física ou jurídica. Dividendos, por sua vez, eram isentos de IR para acionistas pessoas físicas até 2025; a partir de 2026, a Lei 15.270/2025 institui retenção de 10% sobre dividendos que excedam R$ 50 mil mensais pagos por uma mesma empresa, alterando o cenário tributário para investidores de maior porte. A ação BEES3 é listada no segmento tradicional da B3 (Bolsa, Brasil, Balcão), sem adesão aos níveis diferenciados de governança (Novo Mercado, Nível 1 ou Nível 2).

Contexto de negocio e setor

O Banestes opera em um segmento bancário altamente regulado e competitivo: o mercado de bancos múltiplos no Brasil, supervisionado pelo Banco Central do Brasil (BCB) e sujeito às diretrizes do Conselho Monetário Nacional (CMN). O ambiente regulatório bancário brasileiro é um dos mais rigorosos do mundo, com exigências de capital baseadas no Acordo de Basileia III — implementado no Brasil por meio do arcabouço prudencial do BCB (Resolução CMN 4.193/2013 e normas subsequentes) — e regras específicas para prevenção à lavagem de dinheiro (Lei 9.613/1998, com atualizações do COAF), proteção de dados (LGPD — Lei 13.709/2018) e open banking (Resolução BCB 32/2020 e regulação do Sistema Financeiro Aberto, SFN).

Dentro do sistema bancário nacional, o Banestes ocupa uma posição de nicho: é o banco estadual do Espírito Santo, controlado pelo governo capixaba, com atuação predominantemente local. Essa especialização geográfica contrasta com os cinco grandes bancos de varejo que dominam o sistema — Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF), Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil —, mas também difere dos bancos digitais nacionais como Nubank (Nu Holdings), Inter (Banco Inter) e C6 Bank, que operam sem dependência de presença física estadual. A convivência com esses grandes players impõe ao Banestes a necessidade permanente de manter diferenciais em atendimento personalizado, relacionamento com o poder público estadual e municipal e conhecimento profundo da economia local.

O Espírito Santo é um estado estratégico do ponto de vista econômico: concentra o Complexo de Tubarão (Companhia Siderúrgica de Tubarão — hoje ArcelorMittal Tubarão), o Porto de Vitória e o Porto de Praia Mole (operado pela Vale), além de cadeias produtivas de celulose (Arauco — ex-Cenibra e Fibria/Suzano), petróleo offshore (Bacia do Espírito Santo, operada pela Petrobras), mármore e granito e agronegócio (café especial do Conilon capixaba). A estrutura econômica diversificada do estado, com participação relevante do agronegócio, indústria de transformação e exportação, gera demanda por crédito rural, capital de giro industrial e câmbio comercial — segmentos em que o Banestes mantém histórico de atuação.

A carteira de crédito do Banestes é composta por modalidades típicas de banco varejo regional: crédito pessoal, financiamento ao funcionalismo público (crédito consignado), financiamento habitacional, capital de giro para micro e pequenas empresas e crédito rural. O crédito consignado — desconto direto em folha de pagamento — tem importância estratégica: o banco é operador histórico do consignado para servidores do Governo do Estado do Espírito Santo, o que lhe confere acesso privilegiado a um segmento de baixo risco de inadimplência e volume previsível.

No plano competitivo, o Banestes enfrenta três frentes: (1) bancos privados grandes (Itaú, Bradesco, Santander) que aumentam penetração no interior capixaba com agências e aplicativos; (2) bancos digitais (Nubank, Inter) que capturam parcela da população jovem e conectada com tarifas zero e interface digital; e (3) o próprio Banco do Brasil, que possui forte presença em crédito rural e para o agronegócio capixaba, e a Caixa, que domina financiamento habitacional e benefícios sociais. Para se diferenciar, o Banestes aposta no relacionamento com o setor público estadual e municipal, no atendimento presencial em municípios onde bancos privados não mantêm agência e na capilaridade do Banestes Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (BDTVM) para produtos de investimento.

A margem líquida do banco registrou 6,88% no primeiro trimestre de 2026 e 6,23% no exercício 2025, níveis inferiores à média dos grandes bancos privados brasileiros (que operam tipicamente com margens entre 15% e 25%) mas compatíveis com a estrutura de banco público regional, que frequentemente prioriza função social e funding de baixo custo (depósitos de entidades públicas). O ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) de 13,26% posiciona o banco em patamar modesto em comparação com os grandes bancos privados, mas acima de muitos congêneres estaduais que ainda carregam herança de carteiras problemáticas.

O contexto macroeconômico afeta o Banestes de maneira direta: a taxa Selic (taxa básica de juros definida pelo Comitê de Política Monetária — Copom) influencia tanto o custo de captação quanto a rentabilidade da carteira de títulos públicos e de crédito. Em ambientes de juros altos, bancos com carteiras de crédito público e consignado tendem a manter spreads relativamente estáveis, já que a inadimplência é estruturalmente mais baixa nesses segmentos. Por outro lado, a concorrência por depósitos e o custo de funding sobem em ciclos de alta de juros, comprimindo a margem de intermediação financeira (NIM — Net Interest Margin). O controle estatal impõe também restrições implícitas: decisões de expansão de crédito, de aquisição ou de remuneração de executivos passam, em última instância, pelo crivo do Governo do Estado do Espírito Santo.

Como ler os indicadores deste ativo

Analisar um banco como o Banestes (BEES3) exige um conjunto de indicadores distinto do utilizado para empresas industriais ou varejistas. O setor bancário tem especificidades contábeis relevantes: receitas derivam majoritariamente de juros (intermediação financeira), o 'custo dos produtos vendidos' equivale ao custo de captação, e o conceito de dívida operacional se confunde com o passivo de depósitos — que, para um banco, é matéria-prima e não compromisso financeiro no sentido tradicional.

O múltiplo P/L (Preço sobre Lucro) indica quantas vezes o mercado está disposto a pagar pelo lucro anual gerado pela empresa. Para bancos, é o múltiplo mais amplamente utilizado, pois o lucro líquido já reflete, de forma razoavelmente fidedigna, a capacidade de geração de caixa da operação. P/L baixo pode indicar ação descontada em relação aos pares — mas pode igualmente refletir expectativas de crescimento menor, risco regulatório ou baixa liquidez, como é o caso de bancos estaduais de menor porte. A análise correta do P/L de BEES3 requer comparação com bancos de perfil semelhante (Banrisul, Banco de Brasília — BRB) e não com os grandes privados.

O P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) compara o preço da ação com o patrimônio líquido contábil por ação. Para bancos, o VPA (Valor Patrimonial por Ação) é especialmente relevante porque o balanço bancário é essencialmente financeiro — ativos são majoritariamente títulos e empréstimos, com valoração relativamente mais próxima ao valor de mercado do que imóveis ou equipamentos industriais. P/VP próximo de 1 sugere que o mercado precifica o banco perto do seu valor contábil; acima de 1, há algum prêmio embutido. A sustentabilidade desse prêmio depende de o banco gerar retorno acima do custo de capital.

O Dividend Yield (DY) mede a relação entre os proventos distribuídos nos últimos 12 meses e a cotação de referência da ação. É especialmente observado por investidores de renda, que buscam fluxo de caixa regular. No caso do Banestes, é importante distinguir entre dividendos e JCP: o JCP sofre retenção de 15% de IR na fonte para o beneficiário, enquanto dividendos estavam isentos até 2025 — a Lei 15.270/2025 introduziu, a partir de 2026, retenção de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais pagos por uma mesma empresa. O DY como indicador é volátil: depende tanto dos proventos declarados quanto da oscilação da cotação.

O ROE (Return on Equity — Retorno sobre Patrimônio Líquido) é considerado o indicador-rei da rentabilidade bancária. Mede quanto a empresa gera de lucro para cada real de capital dos acionistas. Para bancos brasileiros, ROE acima de 15% é considerado satisfatório; entre 10% e 15%, adequado; abaixo de 10%, insuficiente para cobrir o custo de capital em ambiente de juros estruturalmente elevados. O ROE do Banestes reflete as restrições de um banco público regional: menor alavancagem operacional, carteira mais conservadora e menor dinamismo em receitas de serviços do que os grandes bancos privados.

O ROIC (Return on Invested Capital — Retorno sobre Capital Investido) é menos comum em bancos, pois o conceito de 'capital investido' é ambíguo: depósitos compulsórios, reservas regulatórias e capital regulatório se misturam. No contexto do Banestes, o ROIC disponível nos dados (0,83%) deve ser interpretado com cautela — pode refletir a metodologia de cálculo adotada pela base de dados, que pode não isolar apenas o capital alocado à operação bancária produtiva.

O LPA (Lucro por Ação) e o VPA (Valor Patrimonial por Ação) são métricas absolutas que permitem rastrear a evolução da geração de valor por unidade acionária ao longo do tempo. Crescimento consistente do LPA indica expansão da rentabilidade. O VPA crescente sinaliza acumulação de patrimônio — seja por retenção de lucros, seja por capitalização. No caso do Banestes, o aumento do capital social de R$ 1,6 bilhão (2024) para R$ 1,9 bilhão (2025), com emissão de novas ações, dilui o LPA pontualmente mas fortalece a base patrimonial para crescimento futuro da carteira de crédito dentro dos limites regulatórios de Basileia III.

O EV/EBITDA e a margem EBITDA são indicadores originalmente concebidos para empresas não-financeiras. Para bancos, o EBITDA (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) perde sentido analítico, pois os juros são a própria essência da operação bancária — excluí-los distorce a análise. Por esse motivo, as bases de dados financeiras frequentemente reportam EV/EBITDA e margem EBITDA como nulos (null) para bancos, o que é tecnicamente correto. O EV/EBIT (Enterprise Value sobre EBIT — lucro operacional antes dos impostos, mas após os juros financeiros) pode ser utilizado como alternativa, mas também requer cuidados metodológicos. A relação Dívida Líquida/EBITDA, igualmente não aplicável a bancos, deve ser substituída pela alavancagem regulatória de Basileia (índice de capital principal sobre ativos ponderados por risco), que é reportada nos relatórios anuais e trimestrais do Banestes à CVM.

Pontos de atencao

Controle estatal concentrado: o Governo do Estado do Espírito Santo detém participação superior a 95% das ações ordinárias (ON), o que restringe o free float de BEES3 a aproximadamente 4,57% do total de ações emitidas. Isso implica liquidez média diária estruturalmente baixa e maior volatilidade em momentos de movimentação relevante por parte de minoritários.

Baixa liquidez de mercado: o volume médio diário negociado de BEES3 é historicamente reduzido — registros recentes mostram volumes em torno de 36 a 133.513 unidades por sessão, com oscilações expressivas entre dias. Ordens relevantes podem impactar o preço da ação de forma desproporcional, criando risco de execução para posições de maior tamanho.

Regra de tributação de dividendos — Lei 15.270/2025: a partir de 2026, dividendos que excedam R$ 50 mil mensais pagos por uma mesma empresa a pessoa física estão sujeitos à retenção de 10% de IR na fonte. JCP segue com 15% de IRF. Investidores devem mapear o impacto dessa mudança no rendimento líquido efetivo, especialmente em posições expressivas.

Concentração geográfica no Espírito Santo: quase toda a operação do Banestes — agências, carteira de crédito, base de clientes — está concentrada no estado do Espírito Santo. A performance do banco é fortemente correlacionada com o desempenho da economia capixaba (siderurgia, celulose, petróleo offshore, agronegócio do conilon) e com a saúde fiscal do Governo do Estado.

Dependência do crédito consignado ao funcionalismo público estadual: parcela relevante da carteira de crédito decorre de convênio de consignação com o Governo do Estado do Espírito Santo. Mudanças na política de pessoal do estado, renegociação de contratos ou ingresso de concorrentes nesse nicho afetam diretamente a receita do banco.

Ausência de níveis diferenciados de governança (B3): BEES3 é listada no segmento tradicional da B3, sem adesão ao Novo Mercado, Nível 1 ou Nível 2. Isso significa ausência de requisitos adicionais de tag along para ações ordinárias além dos 80% legais do artigo 254-A da Lei 6.404/1976, e menor obrigatoriedade formal de práticas avançadas de governança, o que eleva o risco para acionistas minoritários.

Capitalização com emissão de novas ações em 2025: o capital social foi aumentado de R$ 1,6 bilhão (2024) para R$ 1,9 bilhão (2025), com emissão de novas ações — total passou de 315.912.860 para 347.504.146 papéis. Novas emissões diluem a participação e o LPA dos acionistas minoritários existentes, embora reforcem a base de capital regulatório para expansão de crédito.

Margem líquida estruturalmente menor do que bancos privados líderes: a margem líquida de 6,23% em 2025 e 6,88% no 1T2026 é consideravelmente inferior à de grandes bancos privados (Itaú, Bradesco), que operam tipicamente entre 15% e 25%. A diferença reflete a mistura de produto do banco (menos receitas de serviços sofisticados, spread de crédito mais conservador) e as restrições operacionais de um banco público.

EV/EBITDA e métricas EBITDA não aplicáveis: indicadores clássicos como EV/EBITDA, Margem EBITDA e Dívida Líquida/EBITDA são tecnicamente inadequados para bancos, pois os juros são a principal receita e custo da operação. Investidores que utilizam screeners genéricos podem obter leituras distorcidas ao aplicar esses filtros ao BEES3 — é necessário adaptar o ferramental analítico ao setor bancário.

Exposição ao ciclo de crédito e inadimplência regional: em períodos de desaceleração econômica no Espírito Santo ou de deterioração do emprego no funcionalismo estadual, a inadimplência da carteira do Banestes pode aumentar, pressionando provisões (PDD — Provisão para Devedores Duvidosos) e comprimindo o lucro líquido. O histórico de qualidade de carteira deve ser acompanhado nos relatórios trimestrais.

Concorrência crescente de bancos digitais e fintechs: Nubank, Inter, C6 Bank e outros bancos digitais avançam sobre o segmento de conta corrente, crédito pessoal e investimentos, especialmente entre a população mais jovem e conectada. Embora o Banestes tenha vantagem em relacionamento com o setor público, a digitalização do sistema financeiro representa pressão estrutural sobre a base de clientes de varejo.

Dividendos mensais com JCP predominante: a maioria dos proventos pagos pelo Banestes nos últimos 12 meses é JCP — sujeito a 15% de IRF. Apenas dois eventos foram classificados como Dividendo no período analisado (maio/2026 e dezembro/2025). O impacto fiscal do JCP reduz o rendimento líquido efetivo para o investidor em relação ao DY bruto divulgado.

Governanca e estrutura societaria

O Banestes é controlado pelo Governo do Estado do Espírito Santo, que detém participação dominante nas ações ordinárias (ON), estimada em mais de 95% das ações com direito a voto. Essa estrutura de controle estatal confere ao acionista controlador poder unilateral para eleger a maioria dos membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal, além de definir a política de dividendos, a direção estratégica e as políticas de crédito do banco.

O BEES3 (ação ordinária) é listado no segmento tradicional da B3 — Bolsa, Brasil, Balcão. A empresa não aderiu a nenhum dos segmentos diferenciados de governança corporativa da B3: Novo Mercado, Nível 1 ou Nível 2. Essa escolha tem implicações práticas para o acionista minoritário: (1) o tag along das ações ordinárias BEES3 segue o mínimo legal de 80%, estabelecido pelo artigo 254-A da Lei 6.404/1976 (Lei das S.A.), ou seja, em caso de alienação do controle acionário, os minoritários ON têm direito a receber ao menos 80% do preço pago ao controlador; (2) não há obrigação estatutária de extensão de tag along às ações preferenciais BEES4, salvo disposição contrária no estatuto social; (3) não há exigência de board independente na proporção do Novo Mercado.

O Conselho de Administração do Banestes é composto por membros indicados pelo Governo do Estado do Espírito Santo (maioria) e por representantes do quadro de empregados, conforme regras aplicáveis a empresas públicas e sociedades de economia mista definidas pela Lei 13.303/2016 (Lei das Estatais). Essa legislação estabelece requisitos de qualificação técnica para conselheiros e diretores de estatais, vedando a indicação de pessoas sem experiência em setores correlatos ou com vínculos políticos diretos que configurem potencial conflito de interesse.

A política de dividendos do Banestes historicamente combina pagamentos mensais de Juros sobre Capital Próprio (JCP) — dedutível do IRPJ e CSLL da empresa, mas com retenção de 15% de IRF para o beneficiário — com pagamentos pontuais de dividendos. No período analisado (junho/2025 a junho/2026), foram registrados oito eventos de provento: seis JCP de R$ 0,0288 cada, um JCP extraordinário de R$ 0,0745 (março/2026) e dois dividendos (R$ 0,0863 em dezembro/2025 e R$ 0,0288 em maio/2026). A distribuição mensal é uma característica diferencial do Banestes em relação a outros bancos de médio porte.

A partir de 2026, a Lei 15.270/2025 alterou o tratamento tributário dos dividendos no Brasil: acionistas pessoas físicas que recebam dividendos acima de R$ 50 mil mensais de uma mesma empresa passam a ser sujeitos à retenção de 10% de IR na fonte. Essa mudança impacta o rendimento líquido efetivo de dividendos para acionistas com posições expressivas. O JCP, que já era tributado em 15% na fonte, não sofre alteração com essa lei.

O capital social do Banestes foi ampliado de R$ 1,6 bilhão (2023 e 2024) para R$ 1,9 bilhão no exercício de 2025, mediante emissão de novas ações. O total de ações saiu de 315.912.860 (2024) para 347.504.146 (2025), distribuídas em 254.106.600 ações ordinárias (ON, 73,12%) e 93.397.546 ações preferenciais (PN, 26,88%). O aumento de capital reflete a necessidade de o banco ampliar o patrimônio de referência para suportar crescimento da carteira de crédito dentro dos limites regulatórios de Basileia III — o BCB exige que bancos mantenham Índice de Capital Principal (ICP) mínimo de 6%, Capital Nível 1 mínimo de 7,5% e Índice de Basileia total mínimo de 10,5% dos ativos ponderados pelo risco (APR), mais adicionais de conservação de capital.

O Conselho Fiscal do Banestes é órgão de funcionamento permanente, responsável por fiscalizar os atos dos administradores e verificar o cumprimento dos deveres legais e estatutários. Relatórios do Conselho Fiscal são divulgados semestralmente junto às demonstrações financeiras no sistema Empresas.NET da CVM.

Panorama competitivo

O Banestes compete em um mercado bancário nacional altamente concentrado e progressivamente digitalizado. O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é dominado por cinco grandes conglomerados: Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF), Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil — que juntos respondem pela maior parte dos ativos totais do sistema, dos depósitos e da carteira de crédito nacional. Nenhum desses gigantes tem foco exclusivo no Espírito Santo, mas todos mantêm presença significativa no estado.

No nicho específico de bancos estaduais — segmento em que o Banestes se insere —, os principais congêneres são o Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul, ticker BRSR6) e o BRB (Banco de Brasília, BSLI3 / BSLI4). O Banrisul, maior banco público estadual em operação, serve como referência de escala, rentabilidade e diversificação para comparação com o Banestes. O BRB, por sua vez, atuou nos últimos anos de forma mais agressiva em expansão geográfica, adquirindo participações em bancos de outros estados — estratégia que o Banestes não replicou até o momento. Há também o Banco BRB com expansão recente para São Paulo via aquisições.

Na frente de crédito rural — relevante dado o peso do agronegócio capixaba (café conilon, fruticultura) —, o Banco do Brasil é o competidor mais formidável, com linha de crédito rural específica (Pronaf, Pronamp, FCO/FNE/FNO), agências em municípios do interior capixaba e estrutura de garantias integrada à política agrícola federal. A Caixa Econômica Federal domina o financiamento habitacional (operador exclusivo do FGTS e do programa Minha Casa Minha Vida) e o segmento de lotéricas, que capta correntistas de baixa renda em municípios sem agência bancária convencional.

No crédito consignado ao funcionalismo público — segmento estratégico para o Banestes —, a concorrência aumentou significativamente nos últimos anos. Além dos grandes bancos privados que passaram a disputar ativamente contratos de consignação com governos estaduais e municipais, surgiram plataformas de crédito consignado digital como a do Banco Pan (controlado pelo BTG Pactual), Safra, C6 Consig e outros. A renovação ou expansão dos contratos de consignação com o Governo do Estado do Espírito Santo é, portanto, evento estratégico crítico para a receita do Banestes.

O avanço dos bancos digitais representa a ameaça estrutural mais relevante para a base de clientes de varejo do Banestes no médio e longo prazo. O Nubank (Nu Holdings, ticker NYSE: NU), com mais de 100 milhões de clientes no Brasil, oferece conta corrente sem tarifas, cartão de crédito, investimentos e empréstimos pessoais via app — sem agência física. O Banco Inter (INBR32) também expandiu sua plataforma para serviços bancários completos com modelo digital-first. Para clientes jovens e digitalmente engajados, a conveniência de bancos digitais supera a inércia do relacionamento histórico com o banco estadual.

O Banestes busca se diferenciar em três vetores principais: (1) relacionamento institucional com o Governo do Estado do Espírito Santo e municípios capixabas, que gera fluxo de caixa previsível via depósitos de entidades públicas e contratos de consignação; (2) capilaridade regional em municípios de menor porte, onde bancos privados reduzem ou encerram operações presenciais; (3) a Banestes Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (BDTVM), que oferece produtos de investimento para clientes que preferem a intermediação do banco de relacionamento.

Na gestão de passivos e captação, o Banestes compete pelos depósitos de clientes pessoa física e jurídica, inclusive do próprio Governo do Estado. Depósitos de entidades públicas costumam ser a captação mais estável e de menor custo para bancos estaduais — vantagem competitiva estrutural que os bancos privados não replicam com facilidade. Essa característica explica parte do custo de captação mais baixo do Banestes vis-à-vis concorrentes privados, o que contrabalança a menor escala e eficiência operacional.

Indicadores explicados

**P/L (Preço sobre Lucro).** O P/L de 9,33x indica que, ao preço de referência, o mercado paga pouco mais de 9 anos de lucro pelo papel. Para bancos estaduais de médio porte com crescimento moderado, esse múltiplo é considerado compatível com o perfil de risco. Comparar com congêneres como Banrisul (BRSR6) e BRB (BSLI3) é mais indicado do que comparar com Itaú ou Bradesco, que possuem escala, diversificação e mix de serviços muito superiores. O P/L sozinho não revela a qualidade dos ativos nem a sustentabilidade do lucro — deve ser lido junto com ROE e tendência de LPA. Fórmula: P/L = Preço da ação ÷ Lucro por Ação (LPA) dos últimos 12 meses Cálculo: LPA últimos 12 meses (TTM): exercício 2025 LPA = R$ 0,9782 (dados de 31/12/2025) + 1T2026 LPA incremental = R$ 0,2816 (dados de 31/03/2026); para o múltiplo publicado usa-se LPA anualizado de R$ 0,9385 (dado consolidado). P/L = R$ 8,76 ÷ R$ 0,9385 = 9,33x (dados de 12/06/2026)

**P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial).** Com P/VP de 1,24x, o Banestes negocia com leve prêmio sobre seu valor contábil. Esse prêmio modesto reflete a percepção de que o banco gera retorno razoável sobre o patrimônio — embora inferior ao custo de capital em cenários de juros elevados. O VPA de R$ 7,08 (31/03/2026) cresceu em relação ao VPA de R$ 6,80 (30/06/2025), sinalizando acumulação patrimonial. Para bancos, P/VP abaixo de 1 pode indicar deterioração da carteira ou dificuldade de geração de lucro; acima de 1,5x costuma exigir ROE consistentemente superior a 15% para se sustentar. Fórmula: P/VP = Preço da ação ÷ VPA (Valor Patrimonial por Ação) Cálculo: VPA em 31/03/2026 = Patrimônio Líquido R$ 2.458.624.000 ÷ 347.504.146 ações = R$ 7,08 por ação. Preço de referência R$ 8,76. P/VP = R$ 8,76 ÷ R$ 7,08 = 1,24x (dados de 12/06/2026)

**DY — Dividend Yield.** O DY de aproximadamente 9,3% posiciona o Banestes entre as ações de maior rendimento de proventos da bolsa brasileira, reflexo da política de distribuição mensal de JCP e dividendos. É fundamental distinguir os dois tipos: o JCP sofre retenção de 15% de IR na fonte para o beneficiário; dividendos, que eram isentos até 2025, estão sujeitos à retenção de 10% sobre o montante que exceder R$ 50 mil mensais por empresa, conforme a Lei 15.270/2025, vigente a partir de 2026. A avaliação do DY deve considerar também a regularidade dos pagamentos e a capacidade de sustentação do payout pelo lucro gerado. Fórmula: DY = Total de proventos pagos nos últimos 12 meses ÷ Preço da ação × 100 Cálculo: Proventos 12 meses (jun/2025–jun/2026, eventos registrados no extrato disponível): JCP 01/06/2026 = R$ 0,0288; Dividendo 05/05/2026 = R$ 0,0288; JCP 01/04/2026 = R$ 0,0288; JCP 26/03/2026 = R$ 0,0745; JCP 02/03/2026 = R$ 0,0288; JCP 02/02/2026 = R$ 0,0288; JCP 02/01/2026 = R$ 0,0288; Dividendo 18/12/2025 = R$ 0,0863. Soma dos 8 eventos listados = R$ 0,3336. O total consolidado de proventos 12 meses divulgado pelo indicador materializado (AtivoIndicadores) é R$ 0,8164, que inclui proventos adicionais do período jun/2025–dez/2025 não inteiramente refletidos no extrato parcial acima. DY = R$ 0,8164 ÷ R$ 8,76 × 100 = 9,32% (fonte: AtivoIndicadores, dados de 12/06/2026)

**ROE — Retorno sobre Patrimônio Líquido.** O ROE de 13,26% reflete a rentabilidade do capital próprio do Banestes em nível moderado para um banco público regional. É inferior à média dos grandes bancos privados brasileiros (Itaú, Bradesco), que historicamente operam com ROE acima de 18%, mas superior ao custo de capital estimado em cenários de Selic elevada, dependendo da metodologia. ROE abaixo de 10% em bancos tipicamente indica destruição de valor; entre 12% e 15% sugere geração de valor moderada. A tendência do ROE ao longo dos trimestres é tão relevante quanto o nível pontual — crescimento indica melhora operacional. Fórmula: ROE = Lucro Líquido Anualizado ÷ Patrimônio Líquido Médio × 100 Cálculo: Lucro Líquido 12 meses (referência 2025): R$ 339.919.000. PL de referência utilizado no cálculo consolidado: R$ 2.563.300.000 (PL base 31/12/2025, extrapolado pelo controlador — dado não disponível diretamente no histórico trimestral, mas consistente com a progressão jun/2025 R$ 2.362.681.000 → set/2025 R$ 2.447.735.000 → mar/2026 R$ 2.458.624.000). ROE = R$ 339.919.000 ÷ R$ 2.563.300.000 × 100 = 13,26% (fonte: AtivoIndicadores, dados de 12/06/2026). Nota: a média simples entre os extremos disponíveis (jun/2025 e mar/2026) resultaria em R$ 2.410.652.500 e ROE de 14,10%, mas o dado consolidado adota PL 31/12/2025 como base de referência anual.

**ROIC — Retorno sobre Capital Investido.** O ROIC de 0,83% para o Banestes deve ser interpretado com cautela: em bancos, a alavancagem operacional sobre depósitos é a estrutura normal do negócio, e o conceito de 'capital investido' difere do universo industrial. O ROIC bancário relevante é o ROE regulatório — que mede o retorno sobre o capital principal exigido pelo BCB. Analistas especializados em bancos costumam priorizar o ROE e os índices de Basileia (Capital Principal, Capital Nível 1) em detrimento do ROIC convencional ao avaliar instituições financeiras. Fórmula: ROIC = NOPAT (Lucro Operacional Após Impostos) ÷ Capital Investido × 100 Cálculo: ROIC reportado para BEES3 = 0,83% (dados de 12/06/2026). Para bancos, o ROIC é calculado com metodologia distinta do padrão industrial: o 'capital investido' inclui o patrimônio líquido regulatório (capital principal exigido por Basileia III). A interpretação deste indicador requer cautela no contexto bancário.

**LPA — Lucro por Ação.** O LPA de R$ 0,9385 (referência anualizada) e R$ 0,9782 (exercício 2025 completo) demonstra a capacidade de geração de lucro por ação. O aumento do capital social em 2025 — com emissão de novas ações, elevando o total de 315.912.860 (2024) para 347.504.146 (2025) — dilui temporariamente o LPA por ação, mas amplia a base de capital regulatório. A trajetória de LPA crescente nos exercícios anteriores é sinal relevante de melhora operacional; qualquer regressão consistente merece atenção quanto à qualidade da carteira de crédito e à evolução das provisões para perdas. Fórmula: LPA = Lucro Líquido ÷ Número Total de Ações Cálculo: Lucro Líquido 2025 anual: R$ 339.919.000. Total de ações em 31/12/2025: 347.504.146. LPA 2025 = R$ 339.919.000 ÷ 347.504.146 = R$ 0,9782. LPA 1T2026 (trimestral): R$ 97.856.000 ÷ 347.504.146 = R$ 0,2816 (dados de 31/03/2026). LPA anualizado referência = R$ 0,9385 (dados de 12/06/2026)

**VPA — Valor Patrimonial por Ação.** O VPA de R$ 7,08 em março de 2026 representa o valor contábil por ação, calculado a partir do patrimônio líquido consolidado. A evolução de R$ 6,80 (junho de 2025) para R$ 7,08 (março de 2026) indica crescimento patrimonial orgânico, sustentado pela retenção de parte dos lucros após distribuição de proventos. Para investidores orientados a valor, o VPA serve de âncora de avaliação — quanto mais o preço se distancia do VPA, mais relevante é analisar se o banco efetivamente gera retorno acima do custo de capital para justificar o prêmio. Fórmula: VPA = Patrimônio Líquido ÷ Número Total de Ações Cálculo: PL em 31/03/2026: R$ 2.458.624.000. Total de ações: 347.504.146. VPA = R$ 2.458.624.000 ÷ 347.504.146 = R$ 7,08 por ação (dados de 31/03/2026). Evolução: VPA jun/2025 = R$ 6,80; VPA set/2025 = R$ 7,04; VPA mar/2026 = R$ 7,08.

**EV/EBITDA.** O EV/EBITDA não é aplicável ao Banestes nem a qualquer banco, pois os juros são o principal componente da receita e do custo bancário — excluí-los desvirtua a análise. O EV/EBIT disponível de 81,71x reflete a alta alavancagem típica de balanços bancários, onde o denominador (EBIT bancário) é comprimido pela estrutura de capital intensivo em depósitos. Analistas de bancos utilizam em seu lugar indicadores como Price/Earnings (P/L), P/VP, ROE e o Custo de Capital Próprio (Ke) para avaliação por múltiplos. Fórmula: EV/EBITDA = Enterprise Value ÷ EBITDA (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) Cálculo: EV/EBITDA reportado para BEES3 = null (não aplicável). EV/EBIT disponível = 81,71x (dados de 12/06/2026). Para bancos, o EBITDA exclui os juros financeiros que são a essência do negócio bancário, tornando o indicador metodologicamente inadequado.

**Margem EBITDA.** A margem EBITDA não é calculada para bancos por razões metodológicas — juros e resultado financeiro são a operação principal, não itens a excluir. A margem líquida, indicador mais adequado para instituições financeiras, foi de 6,88% no 1T2026 e 6,23% em 2025. Margens líquidas bancárias são estruturalmente menores do que as de setores como tecnologia ou energia, pois o modelo de negócio bancário opera com grande volume de passivos (depósitos) que comprime o resultado líquido em relação à receita total. Fórmula: Margem EBITDA = EBITDA ÷ Receita Líquida × 100 Cálculo: Margem EBITDA reportada para BEES3 = null (não aplicável). Margem líquida disponível: 6,88% no 1T2026 (Lucro R$ 97.856.000 ÷ Receita Líquida R$ 1.423.330.000 × 100) (dados de 31/03/2026). Margem líquida 2025 = 6,23% (R$ 339.919.000 ÷ R$ 5.458.473.000).

**Dívida Líquida / EBITDA.** O indicador Dívida Líquida/EBITDA não é aplicável a bancos: os depósitos de clientes (poupança, CDB, conta corrente) são o maior passivo do balanço bancário, mas representam o funding da operação, não endividamento financeiro. A alavancagem bancária é regulada pelo índice de Basileia — que determina o capital mínimo por unidade de ativo ponderado pelo risco. O Dívida Líquida/PL de 9,91x reflete essa estrutura de alta alavancagem intrínseca ao modelo bancário. Investidores devem verificar o Índice de Basileia do Banestes nos relatórios trimestrais divulgados na CVM para avaliar a solidez regulatória. Fórmula: Dívida Líquida / EBITDA = (Dívida Total - Caixa) ÷ EBITDA Cálculo: Dívida Líquida / EBITDA reportada para BEES3 = null (não aplicável). Dívida Líquida / PL disponível = 9,91x (dados de 12/06/2026). Para bancos, os 'depósitos de clientes' são o principal passivo — mas são a matéria-prima da operação, não dívida financeira no sentido convencional.

Perguntas Frequentes

Qual o preço atual de BEES3? A cotação mais recente de BEES3 é de R$ 8,71.

Em qual setor BEES3 está classificada? BEES3 pertence ao setor Bancos na classificação da B3.

Qual o P/L de BEES3? O índice Preço/Lucro (P/L) de BEES3 é 9.28. Este indicador relaciona o preço da ação com o lucro por ação.

BEES3 paga dividendos? BEES3 apresenta dividend yield de 8,90% nos últimos 12 meses.

Qual o ROE de BEES3? O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de BEES3 é de 13,26%. O indicador relaciona o lucro ao patrimônio líquido e descreve a rentabilidade contábil da companhia.

Qual o valor de mercado de BEES3? O valor de mercado de BEES3 é de aproximadamente R$ 3,0B, calculado a partir da cotação e do total de ações. Dado sujeito a variação a cada pregão.

Quantas ações BEES3 possui emitidas? A companhia possui 347.504.146 ações emitidas, conforme dados públicos CVM/B3.

Qual o controle acionário de BEES3? O controle acionário registrado é do tipo Estatal, conforme cadastro público da companhia.

O que é o Banestes e qual é o código da ação? O Banestes — Banco do Estado do Espírito Santo S.A. — é um banco múltiplo de controle estatal, fundado em 15 de outubro de 1937, com sede em Vitória (ES). A ação ordinária é negociada na B3 sob o código BEES3. Há também ações preferenciais (BEES4). O Governo do Estado do Espírito Santo é o acionista controlador, detendo mais de 95% das ações com direito a voto (ordinárias).

Qual é a diferença entre BEES3 e BEES4? BEES3 são as ações ordinárias (ON) do Banestes, com direito a voto nas assembleias de acionistas. BEES4 são as ações preferenciais (PN), que em geral têm prioridade no recebimento de dividendos e no reembolso de capital, mas não têm direito a voto. As ordinárias representam 73,12% do total de ações (254.106.600 papéis) e as preferenciais, 26,88% (93.397.546 papéis).

O Banestes paga dividendos? Com que frequência? Sim. O Banestes distribui proventos com frequência aproximadamente mensal, combinando Juros sobre Capital Próprio (JCP) e dividendos. No histórico recente, foram registrados pagamentos mensais de JCP ao longo de 2026, além de dividendos pontuais em maio de 2026 e dezembro de 2025. A regularidade dos pagamentos é uma característica diferencial, mas o valor e a periodicidade podem variar conforme o resultado do banco e a decisão do Conselho de Administração.

Como funciona o IR sobre os proventos do Banestes? O JCP — modalidade predominante nos pagamentos do Banestes — sofre retenção de 15% de Imposto de Renda na Fonte (IRF) para qualquer beneficiário, seja pessoa física ou jurídica. Dividendos, até 2025, eram isentos para pessoas físicas. A partir de 2026, a Lei 15.270/2025 passou a exigir retenção de 10% de IR sobre dividendos que excedam R$ 50 mil mensais pagos por uma mesma empresa ao mesmo beneficiário. É importante verificar a classificação de cada provento (JCP ou dividendo) para calcular o rendimento líquido efetivo.

O Banestes tem boa governança corporativa? O Banestes é listado no segmento tradicional da B3, sem adesão ao Novo Mercado, Nível 1 ou Nível 2. Isso significa que os padrões formais de governança são menores do que os exigidos nos segmentos diferenciados. Por ser uma empresa estatal (sociedade de economia mista), está sujeito à Lei 13.303/2016 (Lei das Estatais), que impõe requisitos de qualificação para conselheiros e veda indicações políticas sem critério técnico. O Conselho Fiscal é permanente e divulga relatórios semestrais na CVM.

O tag along de BEES3 é de 100%? Não. As ações ordinárias BEES3 têm tag along mínimo de 80%, conforme o artigo 254-A da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades por Ações). Isso significa que, em caso de alienação do controle acionário, os acionistas minoritários ordinários têm direito a receber ao menos 80% do preço pago ao controlador. O Banestes não aderiu a segmentos da B3 que exigiriam tag along de 100% para as ordinárias (como o Novo Mercado).

Qual é o segmento de atuação do Banestes? O Banestes opera como banco múltiplo, autorizado pelo Banco Central do Brasil (BCB), com carteiras comercial, de câmbio e outras. O foco geográfico é o Espírito Santo, com atuação predominante em crédito pessoal, crédito consignado ao funcionalismo público estadual, financiamento habitacional, capital de giro para MPEs, crédito rural e câmbio comercial. A Banestes DTVM (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários) complementa a oferta com produtos de investimento.

O Banestes está sujeito a regulação do Banco Central? Sim. O Banestes é uma instituição financeira autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil (BCB). Está sujeito às normas prudenciais de Basileia III (exigência de capital mínimo sobre ativos ponderados pelo risco), às regras do Conselho Monetário Nacional (CMN) e às normas de prevenção à lavagem de dinheiro (Lei 9.613/1998). Demonstrações financeiras são divulgadas trimestralmente no sistema Empresas.NET da CVM (código CVM: 1155).

Quem são os concorrentes diretos do Banestes? O Banestes compite com bancos de varejo nacionais (Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal) e com bancos digitais (Nubank, Banco Inter, C6 Bank) no segmento de pessoas físicas, além de bancos estaduais congêneres como Banrisul (BRSR6) e BRB (BSLI3). No crédito rural, o Banco do Brasil é o concorrente mais relevante; no crédito consignado público, disputa com Banco Pan, Safra e outros especializados.

O free float do BEES3 é alto? Não. O free float — parcela das ações disponível para negociação no mercado — é de aproximadamente 4,57% do total de ações emitidas. Esse percentual reduzido decorre da concentração acionária no Governo do Estado do Espírito Santo, que detém a grande maioria das ações ordinárias. O baixo free float implica liquidez média diária estruturalmente baixa e potencial para maior volatilidade em momentos de movimentação expressiva por parte de minoritários.

O Banestes ampliou o capital recentemente? Sim. O capital social do Banestes foi aumentado de R$ 1,6 bilhão (2024) para R$ 1,9 bilhão no exercício de 2025, com emissão de novas ações — o total de papéis saiu de 315.912.860 para 347.504.146. Esse aumento fortalece a base de capital regulatório do banco, permitindo expansão da carteira de crédito dentro dos limites de Basileia III, mas dilui temporariamente o lucro por ação (LPA) dos acionistas existentes.

O Banestes divulga resultados à CVM? Sim. O Banestes está registrado na CVM com código 1155 e situação 'Ativo'. Divulga demonstrações financeiras trimestrais (ITR) e anuais (DFP) no sistema Empresas.NET da CVM, além de informações sobre eventos societários, estrutura acionária e relatórios do Conselho Fiscal. O site de Relações com Investidores é acessível em ri.banestes.com.br.

Como funciona o crédito consignado para o funcionalismo no Banestes? O crédito consignado é uma modalidade em que as parcelas do empréstimo são descontadas diretamente da folha de pagamento do devedor, com autorização prévia. No caso do Banestes, o banco detém convênio histórico com o Governo do Estado do Espírito Santo para desconto em folha de servidores estaduais. O consignado apresenta inadimplência estruturalmente mais baixa do que o crédito pessoal convencional, pois o desconto é automático. A renovação e expansão desse convênio são fatores estratégicos para a receita do banco.

Atualização

Dados consultados em 19/07/2026 nas fontes públicas citadas. Cotações e indicadores estão sujeitos a defasagem conforme a periodicidade de cada fonte.

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Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.