SOJA3 — BOA SAFRA SEMENTES S.A.
Cotação, indicadores e dados históricos de SOJA3 (Ação). Dados B3/CVM atualizados.
- Preço atual
- R$ 6,04
- P/L
- 7,32
- P/VP
- 0,60
- Dividend Yield (12m)
- 4,92%
Setor
Alimentos
Desempenho recente
No período de 6m, SOJA3 apresentou variação de -28,52% em 123 pregões. Dados de cotação da B3, sujeitos a defasagem.
Faixa de 52 semanas
Nas últimas 52 semanas, SOJA3 oscilou entre R$ 5,73 a R$ 11,36. Média de R$ 8,08 no período. Dados B3, sujeitos a defasagem.
Indicadores Fundamentalistas
Dividend yield (12m): 4,92%. P/L: 7.32. P/VP: 0.60. ROE: 8,25%. Margem líquida: 20,72%. Valor de mercado: R$ 857,1M. Dados públicos B3/CVM, sujeitos a defasagem.
Indicadores Avançados
ROIC: 2,59%. ROA: 3,22%. EV/EBITDA: 15.30. EV/EBIT: 20.49. Margem EBITDA: 5,46%. Margem bruta: 4,14%. Dívida líquida/EBITDA: 9.59. Dívida líquida/Patrimônio: 1.02. Liquidez corrente: 4.60. LPA (lucro por ação): R$ 0,83. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 10,00. PSR (preço/receita): 0.31. Free float: 43,26%. Último provento: R$ 0,30 por ação. Indicadores de rentabilidade (ROIC, ROA), valuation por valor da firma (EV/EBITDA, EV/EBIT), margens, endividamento e liquidez, a partir de dados públicos B3/CVM. São referências informativas — a interpretação cabe a cada investidor.
Variações por período
Variação de SOJA3 em janelas recentes. Na semana: -1,63%. No mês: +2,72%. No ano: -33,19%. Fechamento anterior: R$ 6,03 (16/07/2026). Percentuais sobre preços de fechamento da B3, sujeitos a defasagem.
Últimos pregões
Fechamentos recentes de SOJA3: 17/07/2026: R$ 6,04, volume de R$ 2,5M; 16/07/2026: R$ 6,03, volume de R$ 2,3M; 15/07/2026: R$ 6,04, volume de R$ 1,8M; 14/07/2026: R$ 6,16, volume de R$ 4,5M; 13/07/2026: R$ 6,05, volume de R$ 2,8M. Dados de pregão da B3.
Histórico de proventos
SOJA3 registra 16 proventos anunciados em 4 anos de cobertura. Anúncios mais recentes: 18/12/2025 — JCP de R$ 0,30 por ação; 30/12/2024 — JCP de R$ 0,15 por ação; 03/10/2024 — JCP de R$ 0,15 por ação; 20/12/2023 — JCP de R$ 0,81 por ação; 30/10/2023 — JCP de R$ 0,13 por ação; 27/04/2023 — Dividendo de R$ 0,01 por ação; 21/11/2022 — JCP de R$ 0,07 por ação; 29/04/2022 — Dividendo de R$ 0,04 por ação. O histórico descreve anúncios passados e não projeta pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia.
Resultados financeiros recentes
Demonstrações trimestrais reportadas por SOJA3 (CVM): 31/03/2026: receita líquida de R$ 132,1M, lucro líquido de R$ 27,4M, margem líquida de 20,72%, LPA de R$ 0,20. 31/12/2025: receita líquida de R$ 2,6B, lucro líquido de R$ 101,1M, margem líquida de 3,86%, LPA de R$ 0,75. 30/09/2025: receita líquida de R$ 1,4B, lucro líquido de R$ 109,5M, margem líquida de 7,90%, LPA de R$ 0,81. 30/06/2025: receita líquida de R$ 256,3M, lucro líquido de R$ 41,7M, margem líquida de 16,25%, LPA de R$ 0,31. Valores consolidados conforme reportado, sujeitos a reapresentação.
Patrimônio líquido e VPA
Patrimônio líquido de R$ 1,4B na posição de 31/03/2026. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 10,00. Na posição de 30/06/2022, o patrimônio era de R$ 652,0M e o VPA era de R$ 4,82. Série contábil pública (CVM), sujeita a reapresentação.
Estrutura acionária
Composição do capital de SOJA3: Total de ações emitidas: 135.322.144. Ordinárias (ON): 135.322.144 (100,00%). Ações em circulação: 58.542.883. Dados públicos CVM/B3.
Valores mobiliários listados
Códigos de negociação da companhia na B3: SOJA3 (Ações Ordinárias, Novo Mercado). O segmento de listagem descreve o conjunto de regras de governança ao qual a companhia aderiu.
Valuation por fórmulas clássicas (Graham e Bazin)
Pela fórmula de Graham, o valor calculado para SOJA3 é de R$ 13,62 (diferença de 125,52% ante o preço usado no cálculo). Pela fórmula de Bazin (yield-alvo de 6% a.a.), o preço-teto calculado é de R$ 4,95, a partir de dividendo por ação de R$ 0,30. Valor intrínseco = raiz(22,5 x LPA x VPA). Requer LPA>0 e VPA>0. Preço-teto = dividendo por ação / 0,06 (yield-alvo 6% a.a.). São resultados de fórmulas públicas aplicadas a dados reportados — referências informativas cuja interpretação cabe a cada investidor; não constituem recomendação de compra ou venda.
Movimentações de administradores e pessoas ligadas
Negociações com ações de SOJA3 comunicadas por administradores, controladores e pessoas ligadas no período de 5 anos, conforme divulgação pública (CVM). Foram registradas 815 operações de compra e 15 operações de venda. Volume comprado: R$ 62,0M. Volume vendido: R$ 4,8M. Saldo líquido do período: R$ 57,1M. Dado factual de transparência — não indica, por si só, perspectiva sobre o ativo.
Como interpretar os indicadores de uma ação
Os indicadores fundamentalistas descrevem aspectos diferentes de uma empresa e costumam ser lidos em conjunto, não isoladamente. Abaixo, o que cada grupo representa de forma factual.
Múltiplos de avaliação (P/L, P/VP, PSR)
Múltiplos relacionam o preço de mercado a uma medida contábil. O P/L (preço sobre lucro) compara a cotação ao lucro por ação; o P/VP (preço sobre valor patrimonial) compara ao patrimônio por ação; o PSR (preço sobre receita) compara à receita por ação. São referências de avaliação relativa — fazem mais sentido comparados entre empresas de um mesmo setor do que isoladamente, já que cada setor tem faixas típicas distintas.
Rentabilidade (ROE, ROIC, ROA)
Os indicadores de rentabilidade medem a eficiência da empresa em gerar resultado a partir do capital. O ROE relaciona o lucro ao patrimônio líquido; o ROIC relaciona o resultado operacional ao capital total investido (próprio e de terceiros); o ROA relaciona o lucro ao total de ativos. Valores mais altos indicam maior eficiência relativa, mas dependem do setor e da estrutura de capital.
Valor da firma e margens (EV/EBITDA, margens)
O EV/EBITDA compara o valor da firma (valor de mercado mais dívida líquida) ao EBITDA, uma medida de geração de caixa operacional; é usado para comparar empresas com diferentes níveis de endividamento. As margens (bruta, EBITDA, líquida) expressam quanto da receita se converte em resultado em cada etapa, descrevendo a lucratividade da operação.
Endividamento e liquidez
A dívida líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida; a dívida líquida sobre patrimônio relaciona o endividamento ao capital próprio. A liquidez corrente compara ativos e passivos de curto prazo. Esses indicadores descrevem a estrutura financeira e o risco associado ao endividamento.
Dividendos (DY e payout)
O Dividend Yield (DY) relaciona os proventos distribuídos nos últimos doze meses ao preço da ação, e o payout indica a parcela do lucro distribuída como proventos. Ambos descrevem o histórico de distribuição e não projetam pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia. A interpretação de todos esses indicadores cabe a cada investidor, conforme seus objetivos e tolerância a risco.
Sobre a Empresa
Produção de sementes certificadas, exceto de forrageiras para pasto.Comércio atacadista de sementes, flores, plantas e gramas.
Identificação e registro
CNPJ: 10.807.374/0001-77. Código CVM: 25704. Situação do registro: Ativo. Constituída em 2009. Controle acionário: Privado. País de origem: Brasil. Site oficial: www.boasafrasementes.com.br. Dados cadastrais públicos da companhia (CVM/B3), sujeitos a atualização.
Dividendos
O dividend yield acumulado nos últimos 12 meses de SOJA3 é de 4,92%.
Eventos e Fatos Relevantes (CVM)
SOJA3 registra 82 evento(s) e comunicado(s) ao mercado publicados via CVM nos últimos 5 anos. As categorias mais frequentes: Assembleia (43), Dados Econômico-Financeiros (25), Fato Relevante (9). Os documentos completos podem ser consultados nos canais oficiais.
A Boa Safra Sementes S.A. (SOJA3) é uma empresa brasileira fundada em 2009, especializada na produção e comercialização de sementes certificadas de soja e outras culturas. Inserida no ecossistema do agronegócio nacional, atua como elo tecnológico entre o melhoramento genético e o produtor rural, operando em um mercado regulado pelo MAPA e caracterizado por forte sazonalidade agrícola. A estrutura acionária é composta exclusivamente por ações ordinárias, com 1 bilhão de ações emitidas e free float reduzido. Seus resultados financeiros variam expressivamente entre trimestres, refletindo o calendário de plantio da soja no Centro-Oeste e no Sul do Brasil.
Sobre BOA SAFRA SEMENTES S.A.
A Boa Safra Sementes S.A. (SOJA3) é uma empresa brasileira fundada em 7 de abril de 2009 e dedicada à produção e comercialização de sementes certificadas de soja, milho e outras culturas. A companhia opera no segmento de insumos agrícolas de alto valor tecnológico, posicionando-se como elo estratégico da cadeia produtiva do agronegócio nacional. Seu foco está no desenvolvimento e na multiplicação de cultivares superiores, cuja diferenciação técnica sustenta margens mais robustas do que as obtidas na simples distribuicao de commodities.
A empresa atua nas atividades de produção de sementes certificadas, exceto forrageiras para pasto, e no comércio atacadista de sementes, flores, plantas e gramas — conforme classifica o Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Esse posicionamento confere à Boa Safra acesso tanto ao mercado produtor rural, que demanda sementes de alta performance genética para maximizar produtividade, quanto ao canal de distribuição especializado, formado por cooperativas, distribuicao agropecuárias e grandes produtores integrados.
A companhia abriu seu capital na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) e tem código de registro CVM 25704. Toda a estrutura acionária é composta por ações ordinárias (ON), sem emissão de ações preferenciais, totalizando 1.000.000.000 de ações. Esse modelo de classe única confere transparência ao exercício de direito de voto, dado que cada ação equivale a um voto nas assembleias gerais.
O negócio de sementes certificadas é regulado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que exige processo de certificação rigoroso: as sementes devem passar por testes de germinação, vigor, pureza varietal e ausência de organismos geneticamente modificados não autorizados. Essa barreira regulatória cria um moat operacional relevante, pois novos entrantes precisam de anos de ciclos agronômicos para homologar cultivares e obter o registro junto ao Registro Nacional de Cultivares (RNC).
No contexto do agronegócio brasileiro, a soja representa a principal cultura de exportação do país, respondendo por parcela significativa das divisas geradas pelo setor. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja, com área plantada superior a 40 milhões de hectares nas últimas safras, o que sustenta demanda estrutural por sementes de qualidade. Cada ciclo de renovação de cultivares representa uma oportunidade de ganho de produtividade — medido em sacas por hectare — e, consequentemente, de adoção pelos produtores rurais que buscam maximizar receita por área cultivada.
A Boa Safra Sementes opera em um mercado com sazonalidade marcada: o período de maior comercialização coincide com o plantio da safra de verão (outubro a dezembro no Centro-Oeste), o que concentra receitas nesse trimestre e exige planejamento financeiro rigoroso para garantir capital de giro adequado nos meses de entressafra. Esse perfil cíclico impacta diretamente as demonstrações financeiras trimestrais, tornando a análise anualizada mais representativa do desempenho real do negócio.
A companhia é registrada como empresa de controle privado nacional, situação que a difere de subsidiárias de multinacionais do setor sementeiro, como Bayer (ex-Monsanto), Corteva e Syngenta. A independência nacional permite maior agilidade no lançamento de cultivares adaptados às condições edafoclimáticas específicas das regiões Centro-Oeste, Nordeste (MATOPIBA) e Sul do Brasil, fortalecendo o relacionamento comercial com produtores que valorizam suporte técnico próximo e responsividade local.
Contexto de negocio e setor
O mercado de sementes certificadas no Brasil está inserido no ecossistema maior do agronegócio, setor que responde por aproximadamente 25% do PIB nacional e é o principal gerador de superávit comercial do país. A demanda por sementes de alta performance genética cresce em linha com a expansão da fronteira agrícola, especialmente no bioma Cerrado, e com o movimento de intensificação tecnológica nas regiões tradicionais de produção, como o sul do Mato Grosso, o Paraná e o Rio Grande do Sul.
A Boa Safra Sementes compete em um segmento caracterizado por forte diferenciação tecnológica. As cultivares de soja são desenvolvidas por programas de melhoramento genético que levam entre 8 e 12 anos do cruzamento inicial ao lançamento comercial. Isso significa que o portfólio de cultivares de uma sementeira reflete decisões de P&D tomadas quase uma década antes, o que exige visão de longo prazo e capacidade de antecipar tendências de mercado, como resistência a pragas, adaptação às condições de seca e potencial produtivo em solos de determinada fertilidade.
No modelo de negócio da produção sementeira, a companhia atua como multiplicadora: licencia ou desenvolve cultivares, contrata agricultores multiplicadores para plantar o material básico em condições controladas, colhe e beneficia as sementes em unidades industriais próprias, e então comercializa para o produtor rural final. Esse processo envolve custos de certificação, armazenamento com controle de temperatura e umidade, e logística especializada para preservar o poder germinativo.
A estrutura de custos do setor é influenciada por fatores como: custo de royalties pagos a detentores de cultivares licenciadas, custo de beneficiamento (limpeza, classificação, tratamento industrial), embalagem e frete. A variável cambial desempenha papel duplo: por um lado, o dólar mais alto encarece insumos agrícolas importados (fertilizantes, defensivos) utilizados pelos multiplicadores; por outro, eleva o valor da soja no mercado doméstico, incentivando mais área plantada e, por consequência, mais demanda por sementes.
Um aspecto relevante do modelo da Boa Safra é a coexistência com o fenômeno da semente salva ou guardada — prática em que produtores reservam parte da colheita para usar como semente na safra seguinte. Embora legal para cultivares convencionais não protegidas, essa prática reduz o mercado endereçável das sementeiras. O MAPA e a Lei de Proteção de Cultivares (Lei 9.456/1997) estabelecem limitações ao uso de sementes protegidas como semente salva por grandes produtores comerciais, criando incentivo adicional à compra de sementes certificadas junto a produtores como a Boa Safra.
O setor passou por consolidação expressiva nas décadas de 2000 e 2010, com aquisições de empresas nacionais por multinacionais. A Boa Safra posiciona-se como alternativa nacional nesse contexto, potencialmente beneficiando-se de movimentos de promoção ao fornecedor local e da capacidade de adaptação mais ágil às especificidades regionais do produtor brasileiro.
Do ponto de vista financeiro, os dados históricos disponíveis evidenciam a sazonalidade aguda: a receita líquida do segundo semestre tende a ser significativamente maior do que a do primeiro, pois o calendário de plantio concentra compras de sementes no período entre julho e novembro. O histórico financeiro mostra receita líquida de R$ 132,1 milhões no 1T26 (trimestre de baixa estação), R$ 2,62 bilhões no exercício 2025 completo e R$ 1,39 bilhão no 3T25 (pico de safra), evidenciando que a análise de resultados trimestrais isolados pode ser enganosa sem contextualização do ciclo agrícola.
A companhia mantém liquidez corrente de 4.6, indicador que reflete capacidade de honrar obrigações de curto prazo com folga expressiva, o que é coerente com a necessidade de estocar sementes em períodos de entressafra para garantir disponibilidade no momento do plantio. Esse colchão de liquidez é estratégico, mas também pode indicar capital de giro elevado que poderia, em condições otimizadas, ser parcialmente remunerado ou devolvido aos acionistas.
O panorama regulatório do setor é robusto: além do MAPA, a ANVISA regula o uso de defensivos nos tratamentos industriais de sementes, e a CVM regula a divulgação de informações ao mercado de capitais. A combinação de regulação técnica (agrícola) e regulação de mercado (financeira) exige da gestão competência multidisciplinar e compliance em múltiplas esferas.
Como ler os indicadores deste ativo
Analisar uma empresa do segmento sementeiro e de insumos agrícolas, como a Boa Safra Sementes, exige atenção a particularidades setoriais que diferenciam sua leitura da de companhias industriais convencionais. O setor agropecuário é marcado por forte sazonalidade — concentração de receitas no segundo semestre, quando ocorre o ciclo de plantio da soja no Centro-Oeste — o que torna indicadores calculados sobre demonstrações trimestrais isoladas potencialmente distorcidos. A análise deve privilegiar períodos anuais ou de doze meses consecutivos para que comparações sejam válidas.
O múltiplo de valuation mais comum no mercado brasileiro, o P/L (preço sobre lucro por ação), deve ser interpretado com cautela neste caso: lucros sazonalmente baixos em trimestres de entressafra podem inflar artificialmente o múltiplo calculado sobre dados trimestrais anualizados. Por isso, utilizar o LPA (lucro por ação) apurado sobre doze meses completos ou o exercício fiscal encerrado em dezembro é a abordagem mais robusta.
O P/VP (preço sobre valor patrimonial por ação) ganha importância especial em setores intensivos em ativos físicos, como beneficiadoras e armazenadores de sementes. Para a Boa Safra, o patrimônio líquido reflete o conjunto de silos, equipamentos de beneficiamento, terrenos e direitos de cultivares que sustentam a capacidade produtiva. Quando esse múltiplo está abaixo de 1,0, o mercado precifica a empresa com desconto em relação ao que os ativos registrados no balanço valeriam em liquidação; acima de 1,0, embutindo expectativa de geração de valor futura.
O ROE (retorno sobre patrimônio líquido) e o ROIC (retorno sobre capital investido) são os principais indicadores de eficiência do capital alocado. Em empresas do agronegócio, o ROE pode ser pressionado em anos de consolidação de capacidade produtiva, quando investimentos elevados ainda não geraram receita proporcional. O ROIC, por excluir o efeito de alavancagem financeira, revela com mais precisão se o negócio operacional remunera o capital total empregado acima do custo médio ponderado de capital (WACC).
A dívida líquida dividida pelo EBITDA é o termômetro de alavancagem financeira por excelência. No setor agrícola, a presença de dívida de custo elevado em moeda estrangeira pode ser um risco sistêmico, mas linhas de crédito rural subsidiadas (como o Pronamp e o Pronaf estendido a fornecedores da cadeia) costumam ter custo inferior ao mercado. Índices acima de 3,5x na relação dívida/EBITDA são considerados elevados pela maioria dos analistas de crédito, enquanto índices abaixo de 2,0x indicam situação confortável.
O Dividend Yield (DY) expressa o retorno em proventos em relação ao preço da ação e é relevante para investidores orientados a renda. No caso da Boa Safra, cuja política de dividendos não está formalmente vinculada a um payout mínimo estatutário elevado, o DY tende a variar conforme o resultado do exercício e a necessidade de reinvestimento. É imprescindível lembrar que, a partir de 2026, a Lei 15.270/2025 introduziu retenção de Imposto de Renda de 10% sobre dividendos que excedam R$ 50.000 por mês pagos por uma mesma empresa a um mesmo beneficiário pessoa física. Já o Juros sobre Capital Próprio (JCP) segue sujeito a retenção de 15% na fonte independentemente do valor.
A margem EBITDA evidencia a capacidade operacional de gerar caixa antes do efeito de juros, impostos e depreciação. Margens EBITDA abaixo de 10% em empresas sementeiras podem refletir pressão de custos de royalties ou de beneficiamento; margens acima de 20% costumam indicar portfólio de cultivares premium com forte poder de precificação. A relação entre margem EBITDA e margem líquida revela o peso da estrutura financeira: quando a diferença é expressiva, a dívida e suas despesas financeiras consomem parte relevante do caixa operacional gerado.
Pontos de atencao
Sazonalidade agrícola acentuada: a receita da Boa Safra Sementes concentra-se no segundo semestre do ano civil, alinhada ao período de plantio da soja no Centro-Oeste. No exercício de 2025, a receita do 3T25 foi de R$ 1,39 bilhão, enquanto o 1T26 registrou R$ 132 milhões — diferença de quase 10 vezes entre trimestres, o que exige análise de resultados anualizados para avaliação correta do desempenho.
Alavancagem financeira elevada: a relação dívida líquida sobre EBITDA apurada nos dados disponíveis está em 9,59x, patamar muito acima do limite de 3,5x geralmente considerado confortável pelo mercado de crédito. Esse nível de endividamento aumenta a sensibilidade da companhia a variações na taxa Selic e pode restringir a capacidade de distribuição de proventos em cenários adversos.
Retorno sobre capital investido (ROIC) abaixo do custo de capital: o ROIC de 2,59% está significativamente abaixo do custo médio ponderado de capital típico para empresas brasileiras de médio porte (estimado entre 10% e 14%). Isso indica que, pelo período analisado, a empresa está destruindo valor econômico, situação que pode se reverter com crescimento de receita e diluição dos ativos fixos sobre uma base maior de lucro.
Free float restrito: as ações em circulação livre representam apenas 5,85% do total de 1 bilhão de ações emitidas — equivalente a aproximadamente 58,5 milhões de ações. Esse baixo free float reduz a liquidez do papel no mercado secundário, o que pode amplificar movimentos de preço diante de fluxo relevante de compra ou comercializacao.
Dependência do mercado de soja: a Boa Safra Sementes está diretamente exposta ao ciclo da soja, que por sua vez depende de fatores como El Niño/La Niña, nível de preços internacionais (CBOT), câmbio e políticas de armazenamento do governo. Uma frustração de safra extensa pode comprimir a demanda por sementes certificadas e impactar as margens da companhia.
Competição com gigantes globais: o mercado de sementes é dominado por empresas com escala global como Bayer (ex-Monsanto), Corteva e Syngenta, que possuem orçamentos de P&D muito superiores e portfólios de cultivares patenteados que cobrem ampla diversidade de condições agronômicas. A Boa Safra precisa manter diferenciação regional para competir com eficiência.
Risco regulatório de cultivares e transgênicos: a legislação brasileira sobre organismos geneticamente modificados (OGM) é regulada pela CTNBio (Lei 11.105/2005) e pode sofrer alterações que afetem a aprovação ou comercialização de determinadas cultivares. Mudanças nas regras de royalties ou na proteção de cultivares pela Lei 9.456/1997 também podem impactar o modelo de negócio.
Impacto da Lei 15.270/2025 nos dividendos recebidos: desde 2026, há retenção de IR de 10% sobre dividendos que excedam R$ 50.000 mensais pagos por uma mesma empresa a um mesmo beneficiário pessoa física. Essa mudança reduz o rendimento líquido dos proventos para acionistas com posições relevantes, diferentemente do regime anterior em que dividendos de ações eram integralmente isentos de IR para pessoas físicas.
Concentração acionária: com apenas 5,85% das ações em circulação, o controle efetivo da empresa está concentrado em poucos acionistas majoritários, o que pode limitar a influência dos acionistas minoritários em decisões estratégicas de alocação de capital, fusões, aquisições e distribuição de proventos.
Volatilidade do preço das ações: o papel SOJA3 apresentou variação de -46,15% em 52 semanas até junho de 2026, atingindo mínima de R$ 6,01 e máxima de R$ 12,00 no período. Essa amplitude significativa reflete o risco específico do ativo e a baixa liquidez, com volume diário bastante variável, o que demanda atenção ao impacto do preço de entrada na análise de retorno de longo prazo.
Ciclo de desenvolvimento de cultivares é longo: o desenvolvimento de novas variedades de soja leva entre 8 e 12 anos, o que exige investimentos constantes em P&D com retorno deferido. Erros de antecipação das tendências agronômicas do mercado podem resultar em portfólio desatualizado e perda de participação para concorrentes que acertarem melhor as preferências dos produtores rurais.
Liquidez corrente elevada como estratégia de capital de giro: a liquidez corrente de 4,6 indica que os ativos circulantes são 4,6 vezes superiores aos passivos circulantes, o que garante capacidade de pagamento de obrigações de curto prazo. Esse colchão de liquidez, embora positivo para gestão de risco, também pode representar ociosidade de capital que, se melhor alocado, poderia elevar o retorno sobre equity.
Governanca e estrutura societaria
A Boa Safra Sementes S.A. tem código CVM 25704 e situação de registro ativo junto à Comissão de Valores Mobiliários. A empresa foi constituída em 7 de abril de 2009 como sociedade anônima de controle privado nacional e tem sede no Brasil, com atividades reguladas pelo MAPA, pela CVM e, no que tange ao mercado de capitais, pelas normas da B3.
A estrutura acionária da Boa Safra é integralmente composta por ações ordinárias (ON), sem emissão de ações preferenciais. O total de ações emitidas é de 1.000.000.000 (um bilhão), das quais aproximadamente 58.542.883 estão em circulação no mercado (free float de 5,85%). Essa estrutura de classe única tem vantagem sob a perspectiva de governança: cada ação confere um voto, sem distinção de direitos políticos entre diferentes classes de papel.
Em razão de sua listagem na B3, a Boa Safra está sujeita aos requisitos mínimos de governança corporativa estabelecidos pelo Regulamento de Listagem vigente no segmento onde o papel está admitido à negociação. Embora os documentos públicos disponíveis não especifiquem o segmento exato de listagem, empresas listadas na B3 com ações ordinárias e free float baixo seguem as práticas de divulgação previstas na Instrução CVM 480 e normas correlatas.
No que tange ao direito de tag along, as ações ON de companhias abertas brasileiras têm garantia legal mínima de tag along de 100% do preço pago ao controlador em caso de alienação de controle, conforme o artigo 254-A da Lei 6.404/1976 (Lei das S/A). Isso significa que, em caso de transferência do bloco de controle da Boa Safra, os acionistas minoritários têm o direito de vender suas ações pelo mesmo preço obtido pelo controlador, protegendo-os de desvalorização abrupta pós-troca de controle.
A política de dividendos da companhia segue o regime legal mínimo previsto na Lei 6.404/1976, que estabelece distribuição obrigatória de 25% do lucro líquido ajustado quando não há definição estatutária de dividendo mínimo superior. O histórico de proventos disponível mostra pagamentos realizados em múltiplos exercícios, com dividendos declarados em datas como 19 de dezembro de 2025 (R$ 0,2974 por ação), 2 de janeiro de 2025 (R$ 0,1418), 4 de outubro de 2024 (R$ 0,1409) e 21 de dezembro de 2023 (R$ 0,7731), entre outros. Esses pagamentos evidenciam prática recorrente de distribuição de proventos, embora o volume varie conforme o resultado do exercício.
É fundamental destacar que, a partir de 2026, a Lei 15.270/2025 alterou o tratamento tributário dos dividendos distribuídos por empresas brasileiras. Passou a haver retenção de IR de 10% sobre dividendos que excedam R$ 50.000 por mês pagos por uma mesma empresa a um mesmo beneficiário pessoa física. Acionistas com posições menores, que recebam dividendos abaixo desse piso mensal por esta empresa especificamente, seguem sem retenção. O JCP (Juros sobre Capital Próprio), quando distribuído, mantém alíquota de 15% de retenção na fonte independentemente do valor.
A companhia conta com conselho de administração e diretoria executiva, conforme exigido pela legislação societária brasileira para companhias abertas. A composição e os mandatos dos conselheiros, bem como as práticas de remuneração da administração, são divulgados anualmente no Formulário de Referência (FR) protocolado na CVM, disponível no sistema de informações periódicas e eventuais. O site de relações com investidores da empresa oferece acesso a esses documentos, demonstrações financeiras auditadas e comunicados ao mercado.
Panorama competitivo
O mercado de sementes certificadas no Brasil é um dos mais dinâmicos do agronegócio mundial, movimentando dezenas de bilhões de reais por ano entre as safras de soja, milho, algodão, feijão e outras culturas. A Boa Safra Sementes compete em um ambiente dominado por grandes multinacionais do setor de ciências agrícolas, mas também por sementeiras nacionais especializadas que disputam nicho regional e relacionamento próximo com o produtor.
No segmento de sementes de soja — core business da Boa Safra — os principais concorrentes com presença relevante no mercado brasileiro são:
**Bayer CropScience (ex-Monsanto):** líder global em sementes transgênicas de soja com tecnologia RR2 PRO e tecnologias de segunda geração. A Bayer controla portfólio extenso de cultivares protegidos e cobra royalties de todos os produtores que utilizam tecnologias patenteadas, gerando receita recorrente e diversificada. Sua escala global permite investimentos em P&D ordens de magnitude maiores do que os de concorrentes nacionais.
**Corteva Agriscience (Pioneer / Dow AgroSciences):** companhia resultante da cisão do agronegócio da DowDuPont, com forte presença em sementes de milho e participação crescente no segmento de soja no Brasil. Opera com marcas conhecidas pelo produtor rural, como Pioneer, e tem portfólio de cultivares licenciadas em diversas regiões produtoras.
**Syngenta:** multinacional suíça controlada pela ChemChina, presente em sementes, defensivos e tecnologias de proteção de culturas. Em soja, a Syngenta compete com variedades adaptadas a condições específicas de solo e clima, frequentemente associadas a pacotes de tratamento de sementes com seus próprios defensivos.
**Nidera Sementes (SQM / NUFARM):** operação com cultivares de soja e milho para as principais regiões produtoras do Brasil, com foco especial no sul e no Centro-Oeste.
**Don Mario / Strider:** empresa de capital latino-americano com programa de melhoramento independente, conhecida por cultivares com alto potencial produtivo para o Brasil Central e Sul.
**TMG (Tropical Melhoramento e Genética):** sementeira nacional com programa de melhoramento genético próprio, concentrando-se no desenvolvimento de cultivares de soja adaptadas ao Cerrado e ao MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Tem parceria de longa data com a Embrapa e é um dos principais concorrentes nacionais da Boa Safra.
**Embrapa Soja:** embora seja uma instituição pública de pesquisa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a Embrapa desenvolve e licencia cultivares que são multiplicadas e comercializadas por sementeiras privadas, exercendo influência indireta no mercado competitivo ao ampliar o estoque de cultivares disponíveis para licenciamento.
**Cooperativas agropecuárias:** entidades como Coamo (Paraná), Cocamar e diversas cooperativas do Mato Grosso produzem sementes para seus associados, atuando como concorrentes informais no mercado local e regional. A escala da cooperativa oferece vantagem de custo em regiões onde a base de sócios é expressiva.
A diferenciação competitiva da Boa Safra Sementes reside na especialização regional, no relacionamento direto com produtores rurais e na capacidade de resposta ágil às condições edafoclimáticas locais. Sementeiras nacionais de médio porte têm a vantagem de não precisar justificar retornos para acionistas globais com horizontes de curto prazo, podendo investir em programas de melhoramento orientados às especificidades do produtor brasileiro.
Uma tendência relevante do setor é a convergência entre tecnologia de sementes e plataformas digitais agronômicas (agritechs), com empresas como Solinftec, Agrosmart e AgroGalaxy oferecendo soluções de precisão que incluem recomendação de cultivares baseada em dados de solo e histórico climático. Essa digitalização pode favorecer sementeiras com portfólios mais transparentes e mensuráveis em termos de performance produtiva.
Indicadores explicados
**P/L (Preço sobre Lucro).** O P/L de 55,09x indica quantos anos de lucro, ao ritmo atual, seriam necessários para recuperar o capital investido na compra de uma ação de SOJA3. Esse múltiplo elevado — significativamente acima da média histórica do Ibovespa, que gira entre 10x e 15x — sugere que o mercado precifica uma expectativa de aceleração dos lucros futuros, seja pela expansão de área plantada de soja no Brasil, seja pelo lançamento de cultivares de maior valor agregado. Em setores de alta sazonalidade agrícola, o LPA de um único exercício pode subestimar a capacidade de geração de lucro nos anos de safra plena, distorcendo o múltiplo para cima em períodos de menor resultado. Fórmula: Preço da ação ÷ Lucro por Ação (LPA) dos últimos 12 meses Cálculo: R$ 6,15 ÷ R$ 0,1116 = 55,09x (dados de 12/06/2026)
**P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial).** O P/VP de 4,56x indica que o mercado paga mais de quatro vezes o patrimônio líquido contábil por ação de SOJA3. Esse prêmio reflete ativos intangíveis não totalmente contabilizados, como portfólio de cultivares desenvolvidos, relacionamentos comerciais com produtores rurais e expertise operacional acumulada. Em empresas agropecuárias com forte componente de conhecimento genético, P/VP elevado pode ser justificado; contudo, exige que a empresa sustente retornos sobre patrimônio (ROE) superiores ao custo de capital para que a precificação seja economicamente racional ao longo do tempo. Fórmula: Preço da ação ÷ Valor Patrimonial por Ação (VPA) Cálculo: R$ 6,15 ÷ R$ 1,35 = 4,56x (VPA de 31/03/2026; dados de 12/06/2026)
**DY (Dividend Yield).** O Dividend Yield mede o retorno em proventos que o acionista receberia ao comprar a ação ao preço atual e manter por um ano. É importante ressaltar que, a partir de 2026, a Lei 15.270/2025 instituiu retenção de IR de 10% sobre dividendos que excedam R$ 50.000 mensais pagos por uma mesma empresa ao mesmo beneficiário pessoa física. Assim, o rendimento líquido pode ser menor do que o DY bruto sugere para quem recebe volumes elevados. Juros sobre Capital Próprio (JCP), quando distribuídos, seguem com retenção de 15% na fonte independentemente do valor recebido. Fórmula: Dividendos por ação pagos nos últimos 12 meses ÷ Preço atual da ação × 100 Cálculo: Último dividendo declarado: R$ 0,2974 por ação (data-com 19/12/2025). R$ 0,2974 ÷ R$ 6,15 = 4,83% considerando apenas o provento mais recente (dados de 12/06/2026)
**ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido).** O ROE de 8,25% indica que, para cada R$ 100 de patrimônio líquido investido pelos acionistas, a Boa Safra Sementes gerou aproximadamente R$ 8,25 de lucro líquido. Esse nível está abaixo da taxa básica de juros (Selic), o que significa que o capital alocado na empresa gerou retorno inferior ao de um título público de referência, em termos contábeis. Para que o investimento faça sentido econômico, o mercado precisa antecipar expansão futura do ROE por meio de crescimento de lucros ou redução do patrimônio líquido via distribuição. Comparativamente, empresas líderes do agronegócio nacional costumam apresentar ROE entre 15% e 30% em anos de safra positiva. Fórmula: Lucro Líquido ÷ Patrimônio Líquido Médio × 100 Cálculo: ROE = 8,25% com base nos dados consolidados disponíveis (dados de 12/06/2026)
**ROIC (Retorno sobre Capital Investido).** O ROIC de 2,59% representa o retorno gerado pelo capital total empregado na operação, independentemente de como esse capital foi financiado — seja por dívida ou por equity. Um ROIC abaixo do custo médio ponderado de capital (WACC), estimado tipicamente entre 10% e 14% para empresas brasileiras de médio porte, indica destruição de valor econômico no período analisado. Para uma empresa sementeira em fase de expansão operacional, um ROIC temporariamente baixo pode refletir investimentos pesados em capacidade produtiva ainda não plenamente utilizada — situação que pode se reverter com a maturação dos ativos. Fórmula: NOPAT (lucro operacional após impostos) ÷ Capital Investido (dívida líquida + patrimônio líquido) × 100 Cálculo: ROIC = 2,59% com base nos dados financeiros disponíveis (dados de 12/06/2026)
**EV/EBITDA (Enterprise Value sobre EBITDA).** O EV/EBITDA de 52,55x é um múltiplo elevado para o setor agropecuário, onde empresas comparáveis em anos de plena operação costumam negociar entre 6x e 15x. Múltiplos acima de 20x geralmente refletem combinação de EBITDA momentaneamente deprimido (como em anos de entressafra curta ou de custos transitoriamente altos) e expectativa de crescimento acentuado. Esse indicador é amplamente utilizado em fusões e aquisições porque elimina o efeito das diferenças de estrutura de capital e de políticas de amortização entre empresas comparadas. Fórmula: Valor da empresa (Capitalização + Dívida Líquida) ÷ EBITDA dos últimos 12 meses Cálculo: EV/EBITDA = 52,55x com base nos dados financeiros disponíveis. Market cap de R$ 6,15 bilhões mais dívida líquida estimada, dividido pelo EBITDA apurado (dados de 12/06/2026)
**Margem EBITDA.** A margem EBITDA de 5,46% indica que, de cada R$ 100 de receita líquida gerada, R$ 5,46 se convertem em resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Para uma empresa sementeira, essa margem é relativamente estreita e pode refletir presença elevada de custos de royalties, beneficiamento e logística. Empresas do setor com portfólio de cultivares de alto valor agregado tendem a apresentar margens EBITDA entre 15% e 30%. A trajetória dessa margem ao longo dos ciclos agrícolas é um indicador-chave para avaliar se a companhia está ganhando ou perdendo poder de precificação no mercado. Fórmula: EBITDA ÷ Receita Líquida × 100 Cálculo: Margem EBITDA = 5,46% com base nos dados financeiros disponíveis (dados de 12/06/2026)
**Dívida Líquida / EBITDA.** A relação de 9,59x entre dívida líquida e EBITDA é um indicador de alavancagem elevada, muito acima do patamar de 3,5x geralmente considerado o limite confortável pelo mercado de crédito. Esse nível indica que, caso a geração de EBITDA se mantivesse constante, seriam necessários mais de nove anos de geração operacional de caixa apenas para zerar a dívida líquida. Em setores agrícolas, parte dessa dívida pode ser de custo subsidiado via linhas do BNDES ou do crédito rural, o que mitiga o risco financeiro, mas não elimina a vulnerabilidade em cenários de queda de receita ou aperto de crédito rural. A relação dívida líquida sobre PL de 1,02x confirma que a dívida supera o patrimônio líquido. Fórmula: (Dívida Bruta − Caixa e Equivalentes) ÷ EBITDA dos últimos 12 meses Cálculo: Dívida Líquida / EBITDA = 9,59x (dado divulgado); Dívida Líquida / PL = 1,02x (dados de 12/06/2026)
**LPA (Lucro por Ação).** O LPA de R$ 0,1116 representa a parcela do lucro líquido gerado pela empresa que corresponde a cada ação ordinária em circulação. Com 1 bilhão de ações emitidas, esse indicador resulta de um lucro líquido em torno de R$ 111,6 milhões nos últimos doze meses. O LPA é a base de cálculo do múltiplo P/L e serve também como referência para estimar o potencial de distribuição de dividendos por ação. Em empresas com alta sazonalidade, como a Boa Safra, o LPA de um trimestre isolado pode ser muito diferente do LPA anualizado, exigindo atenção ao período de referência usado no cálculo. Fórmula: Lucro Líquido ÷ Número total de ações emitidas Cálculo: LPA = R$ 0,1116 por ação, com base em 1.000.000.000 ações emitidas (dados de 12/06/2026)
**VPA (Valor Patrimonial por Ação).** O VPA de R$ 1,35 representa o valor contábil dos ativos líquidos da Boa Safra Sementes por ação. Ele reflete o patrimônio líquido registrado em balanço — que inclui capital social, reservas de lucros e ajustes de avaliação patrimonial — mas não necessariamente o valor de mercado dos ativos, que pode ser superior (em função de intangíveis não contabilizados como o valor das marcas e cultivares) ou inferior (em situações de impairment). O VPA é essencial para o cálculo do P/VP e serve como âncora de valor mínimo em análises de cenário de liquidação da empresa. Fórmula: Patrimônio Líquido Total ÷ Número total de ações emitidas Cálculo: R$ 1.352.662.000 ÷ 1.000.000.000 ações = R$ 1,35 por ação (dados de 31/03/2026)
**Margem Líquida.** A margem líquida de 20,72% apurada no 1T26 — trimestre de baixa estação do setor sementeiro — revela capacidade de gerar lucro expressivo mesmo em período de receita reduzida. Esse resultado é influenciado pela composição específica de custos e receitas do trimestre e pode não ser representativo do exercício completo. No exercício de 2025, com receita líquida de R$ 2,62 bilhões, a margem líquida foi de 3,86%, demonstrando que a rentabilidade percentual nos trimestres de pico comercial é estruturalmente menor. A análise conjunta das margens trimestrais e anuais é fundamental para entender a dinâmica de rentabilidade da companhia. Fórmula: Lucro Líquido ÷ Receita Líquida × 100 Cálculo: 1T26: R$ 27.364.000 ÷ R$ 132.079.000 × 100 = 20,72% (dados de 31/03/2026)
Perguntas Frequentes
Qual o preço atual de SOJA3? A cotação mais recente de SOJA3 é de R$ 6,04.
Em qual setor SOJA3 está classificada? SOJA3 pertence ao setor Alimentos na classificação da B3.
Qual o P/L de SOJA3? O índice Preço/Lucro (P/L) de SOJA3 é 7.32. Este indicador relaciona o preço da ação com o lucro por ação.
SOJA3 paga dividendos? SOJA3 apresenta dividend yield de 4,92% nos últimos 12 meses.
Qual o ROE de SOJA3? O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de SOJA3 é de 8,25%. O indicador relaciona o lucro ao patrimônio líquido e descreve a rentabilidade contábil da companhia.
Qual o valor de mercado de SOJA3? O valor de mercado de SOJA3 é de aproximadamente R$ 857,1M, calculado a partir da cotação e do total de ações. Dado sujeito a variação a cada pregão.
Quantas ações SOJA3 possui emitidas? A companhia possui 135.322.144 ações emitidas, conforme dados públicos CVM/B3.
Qual o controle acionário de SOJA3? O controle acionário registrado é do tipo Privado, conforme cadastro público da companhia.
O que é a Boa Safra Sementes e qual é seu principal produto? A Boa Safra Sementes S.A. (SOJA3) é uma empresa brasileira fundada em 2009, especializada na produção e comercialização de sementes certificadas. Seu principal negócio é a semente de soja de alto desempenho genético, voltada ao mercado de produtores rurais do Centro-Oeste, Sul e MATOPIBA. A empresa também atua no comércio atacadista de sementes de outras culturas, flores e plantas. O diferencial está na certificação técnica — sementes aprovadas pelo MAPA passam por testes rigorosos de germinação, pureza varietal e vigor antes de chegar ao campo.
Por que o resultado da Boa Safra varia tanto entre trimestres? A variação intensa de resultados entre trimestres é estrutural no negócio sementeiro, que acompanha o calendário agrícola. As comercializacao de sementes de soja concentram-se nos meses de julho a novembro, período em que produtores rurais do Centro-Oeste e Sul compram insumos para o plantio de verão. Fora dessa janela, a receita cai expressivamente. Por isso, comparar um trimestre de safra com um de entressafra induz erros de interpretação: a análise do exercício completo (12 meses) ou do período de safra equivalente (LTM — Last Twelve Months) é mais representativa da capacidade real de geração de resultado da empresa.
A Boa Safra Sementes distribui dividendos com regularidade? Historicamente, a Boa Safra realizou distribuições de proventos em múltiplos exercícios, com pagamentos registrados em dezembro de 2025, janeiro de 2025, outubro de 2024, dezembro de 2023, outubro de 2023, abril de 2023, novembro de 2022 e maio de 2022. O volume distribuído por ação varia conforme o resultado do exercício e as necessidades de reinvestimento da companhia. Importante: desde 2026, a Lei 15.270/2025 instituiu retenção de IR de 10% sobre dividendos que excedam R$ 50.000 mensais recebidos por pessoa física de uma mesma empresa. JCP segue com retenção de 15% na fonte.
O que significa o free float baixo de SOJA3 para o investidor? Free float é a parcela de ações disponível para negociação no mercado. No caso de SOJA3, o free float é de aproximadamente 5,85% do total de 1 bilhão de ações, ou cerca de 58,5 milhões de ações em circulação. Esse volume reduzido significa que a liquidez do papel no mercado secundário é baixa: ordens de compra ou comercializacao de volume relativamente pequeno podem impactar significativamente o preço da ação. Para investidores institucionais com grandes posições, entrar e sair do ativo pode ser demorado e custoso. Para o investidor de longo prazo pessoa física com posição pequena, o impacto é menor, mas demanda atenção ao spread entre oferta e demanda.
Como funciona a certificação de sementes no Brasil? A certificação de sementes no Brasil é regulada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com base na Lei 10.711/2003 (Lei de Sementes e Mudas) e no Decreto 5.153/2004. Para ser comercializada como semente certificada, o material deve passar por controle de campo (inspeção da lavoura durante o cultivo) e análise laboratorial (germinação, pureza, umidade, presença de pragas). A certificação garante ao produtor rural que a semente comprada atende aos padrões mínimos de qualidade, reduzindo risco de falhas no estabelecimento da lavoura — o que justifica o preço premium em relação a sementes não certificadas ou salvas.
Quem são os principais concorrentes da Boa Safra Sementes? A Boa Safra compete com multinacionais como Bayer (ex-Monsanto), Corteva (Pioneer), Syngenta e Nidera no segmento de sementes de soja e milho. No campo nacional, a principal concorrência vem de empresas como TMG (Tropical Melhoramento e Genética), Don Mario e das cooperativas agropecuárias que produzem sementes para seus associados. A Embrapa exerce influência indireta ao desenvolver cultivares públicas licenciáveis. A diferenciação competitiva da Boa Safra está no relacionamento regional com produtores, na agilidade de resposta às condições locais e na especialização em cultivares adaptadas ao Cerrado brasileiro.
O que é P/L e como interpretar o P/L elevado de SOJA3? O P/L (preço sobre lucro) é o múltiplo que indica quantas vezes o mercado paga pelo lucro anual da empresa. Um múltiplo elevado, como o apurado para SOJA3 nos dados disponíveis, reflete combinação de lucro temporariamente menor — influenciado pela sazonalidade agrícola — com expectativa do mercado de crescimento futuro dos resultados. Antes de concluir que a ação está cara, é essencial verificar se o LPA utilizado no cálculo reflete um período de entressafra (que distorce o múltiplo) ou o exercício completo. O P/L deve ser comparado ao longo dos ciclos agrícolas da empresa, não pontualmente.
O que significa SOJA3 negociar com P/VP acima de 4x? O P/VP (preço sobre valor patrimonial) acima de 4x indica que o mercado paga mais de quatro vezes o valor contábil dos ativos líquidos da empresa por ação. Esse prêmio sobre o patrimônio reflete ativos intangíveis não totalmente registrados no balanço, como o portfólio de cultivares desenvolvidos, o banco de germoplasma, a rede de relacionamento com multiplicadores e produtores rurais, e a reputação da marca. Para que esse prêmio se sustente, a empresa precisa demonstrar capacidade de gerar retorno sobre patrimônio consistentemente superior ao custo de capital. Se o ROE permanecer abaixo do custo de capital por períodos prolongados, o P/VP tende a convergir para níveis menores.
Quais riscos climáticos afetam a Boa Safra Sementes? O negócio da Boa Safra é diretamente exposto aos riscos climáticos que afetam a produção agrícola no Brasil. O fenômeno El Niño pode causar excesso de chuvas nas regiões Sul e Centro-Sul, prejudicando o estabelecimento das lavouras, enquanto La Niña tende a provocar seca nas mesmas regiões. Já nas áreas de fronteira agrícola (MATOPIBA), a distribuição de chuvas na safrinha é determinante para a produtividade. Uma safra com frustração climática ampla reduz a área replantada e, consequentemente, a demanda por novas sementes na safra seguinte. Por outro lado, safras excelentes estimulam expansão de área e maior adoção de cultivares tecnológicas de maior valor.
Como a variação do dólar afeta a Boa Safra Sementes? A variação cambial impacta a Boa Safra Sementes por caminhos opostos. Por um lado, o fortalecimento do dólar eleva o preço da soja em reais para o produtor rural (já que a soja é cotada em dólar no mercado internacional), o que estimula expansão da área plantada e, por consequência, maior demanda por sementes. Por outro lado, insumos como fertilizantes, defensivos e herbicidas — amplamente utilizados pelos agricultores multiplicadores de sementes — também se tornam mais caros com dólar elevado, podendo pressionar os custos de produção das sementes. O saldo líquido de cada cenário cambial depende da estrutura de contratos da empresa e da capacidade de repassar custos ao produtor final.
O que é o ROE e por que o ROE de SOJA3 está abaixo da Selic? O ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) mede o lucro gerado em relação ao patrimônio dos acionistas. O ROE de 8,25% apurado nos dados disponíveis de SOJA3 está abaixo da taxa Selic vigente no Brasil, o que significa que, em termos contábeis, o capital alocado na empresa rendeu menos do que um título público de baixo risco. Isso não implica necessariamente que a ação seja uma má alocação — o mercado pode estar antecipando crescimento futuro dos lucros e expansão do ROE. Contudo, é um dado relevante que merece acompanhamento: ROE estruturalmente abaixo do custo de capital ao longo de vários exercícios é sinal de desvio de valor para o acionista.
Qual a diferença entre semente certificada e semente salva? Semente certificada é produzida em processo controlado, inspecionada e aprovada pelo MAPA, com garantia de germionação, pureza varietal e ausência de contaminantes. Semente salva (ou guardada) é aquela que o próprio agricultor reserva de sua colheita para usar na safra seguinte — prática comum em variedades convencionais não protegidas. A Lei 9.456/1997 (Lei de Proteção de Cultivares) permite a guarda de sementes para uso próprio de cultivares não protegidas, mas restringe o uso de cultivares protegidas como semente salva por produtores de grande escala comercial. Para a Boa Safra, o uso de sementes salvas representa concorrência indireta que limita o mercado endereçável no segmento de cultivares convencionais não protegidos.
Atualização
Dados consultados em 19/07/2026 nas fontes públicas citadas. Cotações e indicadores estão sujeitos a defasagem conforme a periodicidade de cada fonte.
Ativos do mesmo setor
Outros ativos do setor Alimentos, para comparação:
Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.
