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JOPA3 — JOSAPAR-JOAQUIM OLIVEIRA S.A. - PARTICIP

Cotação, indicadores e dados históricos de JOPA3 (Ação). Dados B3/CVM atualizados.

Preço atual
R$ 18,25
P/L
11,58
P/VP
0,25
Dividend Yield (12m)
1,75%

Setor

Alimentos

Indicadores Fundamentalistas

Dividend yield (12m): 1,75%. P/L: 11.58. P/VP: 0.25. ROE: 2,17%. Margem líquida: 0,72%. Valor de mercado: R$ 193,1M. Dados públicos B3/CVM, sujeitos a defasagem.

Como interpretar os indicadores de uma ação

Os indicadores fundamentalistas descrevem aspectos diferentes de uma empresa e costumam ser lidos em conjunto, não isoladamente. Abaixo, o que cada grupo representa de forma factual.

Múltiplos de avaliação (P/L, P/VP, PSR)

Múltiplos relacionam o preço de mercado a uma medida contábil. O P/L (preço sobre lucro) compara a cotação ao lucro por ação; o P/VP (preço sobre valor patrimonial) compara ao patrimônio por ação; o PSR (preço sobre receita) compara à receita por ação. São referências de avaliação relativa — fazem mais sentido comparados entre empresas de um mesmo setor do que isoladamente, já que cada setor tem faixas típicas distintas.

Rentabilidade (ROE, ROIC, ROA)

Os indicadores de rentabilidade medem a eficiência da empresa em gerar resultado a partir do capital. O ROE relaciona o lucro ao patrimônio líquido; o ROIC relaciona o resultado operacional ao capital total investido (próprio e de terceiros); o ROA relaciona o lucro ao total de ativos. Valores mais altos indicam maior eficiência relativa, mas dependem do setor e da estrutura de capital.

Valor da firma e margens (EV/EBITDA, margens)

O EV/EBITDA compara o valor da firma (valor de mercado mais dívida líquida) ao EBITDA, uma medida de geração de caixa operacional; é usado para comparar empresas com diferentes níveis de endividamento. As margens (bruta, EBITDA, líquida) expressam quanto da receita se converte em resultado em cada etapa, descrevendo a lucratividade da operação.

Endividamento e liquidez

A dívida líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida; a dívida líquida sobre patrimônio relaciona o endividamento ao capital próprio. A liquidez corrente compara ativos e passivos de curto prazo. Esses indicadores descrevem a estrutura financeira e o risco associado ao endividamento.

Dividendos (DY e payout)

O Dividend Yield (DY) relaciona os proventos distribuídos nos últimos doze meses ao preço da ação, e o payout indica a parcela do lucro distribuída como proventos. Ambos descrevem o histórico de distribuição e não projetam pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia. A interpretação de todos esses indicadores cabe a cada investidor, conforme seus objetivos e tolerância a risco.

Dividendos

O dividend yield acumulado nos últimos 12 meses de JOPA3 é de 1,75%.

A JOSAPAR – Joaquim Oliveira S.A. Participações (JOPA3) é uma holding familiar gaúcha especializada no beneficiamento de arroz, com operação consolidada no Rio Grande do Sul e receita anual próxima a R

,8 bilhão. A empresa destaca-se pelo patrimônio líquido expressivo frente à capitalização de mercado, refletindo um P/VP historicamente baixo. A estrutura de controle é concentrada na família fundadora, com free float reduzido e listagem no segmento padrão da B3. A companhia tem histórico de distribuição anual de dividendos, sujeitos desde 2026 à nova tributação da Lei 15.270/2025. O investidor deve avaliar a alavancagem financeira, a baixa rentabilidade marginal e a liquidez restrita do papel como elementos estruturais do perfil de risco deste ativo.

Sobre JOSAPAR-JOAQUIM OLIVEIRA S.A. - PARTICIP

A JOSAPAR – Joaquim Oliveira S.A. Participações (JOPA3) é uma das mais tradicionais empresas do agronegócio brasileiro, especializada no beneficiamento de arroz e em participações societárias em empresas do setor de alimentos. Com sede no Rio Grande do Sul, a companhia opera sob o controle da família Oliveira e tem presença consolidada no processamento de grãos, comercialização de arroz beneficiado e gestão de ativos agroindustriais. Fundada em 1973 na forma jurídica atual, a empresa carrega uma trajetória de décadas no setor arrozeiro gaúcho, um dos mais relevantes do país tanto em volume de produção quanto em exportação.

A ação ordinária JOPA3, listada na B3, representa participação com direito a voto nas assembleias da companhia. O capital social é composto por 10.582.361 ações totais, sendo 10.450.993 ordinárias (ON) e 131.368 preferenciais (PN), com free float de aproximadamente 19,82% — o que indica que a grande maioria das ações se encontra nas mãos do grupo controlador. Esse nível reduzido de liquidez é uma característica estrutural da empresa, que opera essencialmente como holding familiar de capital aberto.

O patrimônio líquido da companhia é significativamente superior à sua capitalização de mercado, uma característica que chama atenção de analistas que buscam ativos com valor de book elevado. Em 31 de março de 2026, o patrimônio líquido consolidado somava R$769,2 milhões, enquanto o valor de mercado total ficava na faixa de R

77,8 milhões. Essa diferença expressa o P/VP de 0,23, um dos mais baixos entre as empresas de alimentos listadas na bolsa brasileira, o que reflete tanto as características de baixa liquidez quanto as incertezas sobre geração futura de caixa.

O negócio central da JOSAPAR é o beneficiamento de arroz, uma atividade de margens historicamente apertadas no Brasil, sujeita a variações de safra, câmbio (o arroz é uma commodity com referência global), políticas agrícolas e custo logístico. A empresa atua desde o processamento primário dos grãos até a distribuição de arroz embalado para o varejo, com marcas reconhecidas no mercado gaúcho. Além da operação direta, a estrutura de holding permite que a JOSAPAR mantenha participações em outras empresas ligadas ao agronegócio e à cadeia alimentar.

A companhia tem histórico de distribuição de dividendos, com pagamentos anuais registrados consecutivamente de 2019 a 2026, incluindo os valores de R$0,8561 por ação em 2021, R$0,827 em 2022, R$0,8215 em 2023, R$0,6332 em 2025, entre outros. Esses valores refletem a política de distribuição da empresa ao longo dos ciclos do agronegócio. É importante destacar que, com a vigência da Lei 15.270/2025, dividendos recebidos por pessoas físicas provenientes de empresas abertas passam a ter retenção de 10% sobre o montante que exceder R$50 mil mensais a partir de 2026, encerrando a isenção de IR que vigorava anteriormente. O JCP, quando pago, segue com alíquota de 15% retida na fonte.

A receita líquida consolidada da companhia atingiu R

,802 bilhão no exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025, com lucro líquido de R
6,79 milhões, o que evidencia as margens bastante comprimidas do setor. No primeiro trimestre de 2026, a receita ficou em R$331,9 milhões com lucro de R$2,39 milhões. Esses números colocam a JOSAPAR no grupo de empresas com alta receita e baixa lucratividade marginal, típico do beneficiamento de commodities agrícolas no Brasil.

Contexto de negocio e setor

O mercado de arroz beneficiado no Brasil é um dos mais competitivos do setor de alimentos, com margens operacionais historicamente reduzidas em função da natureza commoditizada do produto, do poder de negociação das redes varejistas e da volatilidade dos preços agrícolas. O Rio Grande do Sul é responsável por cerca de 70% da produção nacional de arroz, e a JOSAPAR está inserida nesse ecossistema como uma das empresas tradicionais do beneficiamento gaúcho, com infraestrutura industrial voltada para o processamento em larga escala.

O setor arrozeiro brasileiro enfrenta pressões estruturais contínuas: custos de energia elétrica e logística elevados, sazonalidade da safra que cria gargalos de capital de giro em determinados períodos do ano, e concorrência tanto de outros beneficiadores regionais quanto de importações do Mercosul, especialmente do Uruguai e da Argentina, que têm acesso privilegiado ao mercado brasileiro via acordos comerciais. O câmbio também exerce papel relevante no setor: a valorização do real reduz a competitividade das exportações, enquanto a desvalorização encarece importações e pode pressionar preços domésticos.

A estrutura de holding da JOSAPAR, que a denomina formalmente como empresa de participações, permite uma gestão mais flexível de ativos e passivos ao longo do tempo. Por meio dessa estrutura, a companhia pode consolidar resultados de subsidiárias operacionais e eventuais participações minoritárias no setor, além de gerenciar propriedades rurais e outros ativos correlatos ao agronegócio. Essa característica é comum em grandes grupos familiares do interior gaúcho que migraram para o capital aberto ao longo das décadas de 1990 e 2000.

A dívida líquida em relação ao EBITDA é um indicador de relevância central para a avaliação da saúde financeira de empresas do agronegócio, especialmente as que operam com alto volume de estoque e precisam de capital de giro elevado. No caso da JOSAPAR, o índice Dívida Líquida/EBITDA de 11,11 (dados de 2025-2026) aponta para uma alavancagem significativa em relação à geração operacional de caixa, reflexo das características intensivas em capital da indústria de beneficiamento de grãos.

O EBITDA, que representa o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, é gerado principalmente pela atividade de beneficiamento e comercialização de arroz. A margem EBITDA de 5,82% reflete o caráter de baixa margem do setor, onde o volume processado é a principal alavanca de rentabilidade. Em comparação, empresas de alimentos com maior valor agregado — como processadores de proteína animal ou fabricantes de produtos industrializados — costumam apresentar margens EBITDA entre 10% e 20%.

A logística é um fator competitivo determinante no setor arrozeiro. O arroz beneficiado é um produto de baixo valor por tonelada e alto custo relativo de transporte, o que favorece empresas com presença regional consolidada e infraestrutura própria de armazenagem e distribuição. A localização da JOSAPAR no Rio Grande do Sul a posiciona próxima às principais regiões produtoras e aos portos de exportação do sul do Brasil, o que representa vantagem estrutural de custo logístico.

O panorama macroeconômico também influencia diretamente os resultados da companhia. A taxa Selic impacta tanto o custo da dívida quanto a atratividade relativa da ação frente a títulos de renda fixa. A política agrícola do governo federal — incluindo o crédito rural subsidiado, o zoneamento agrícola e os programas de garantia de preços mínimos — afeta a rentabilidade dos produtores rurais que fornecem grão para as empresas beneficiadoras. Além disso, eventos climáticos extremos, como as enchentes históricas que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024, têm potencial de impactar tanto a oferta de matéria-prima quanto a infraestrutura operacional de empresas da região.

A JOSAPAR opera em um nicho de mercado onde a escala e a eficiência operacional são fundamentais para a sustentabilidade do negócio. Com receita anual na faixa de R

,8 bilhão, a empresa tem porte relevante para o setor de beneficiamento de arroz, mas a baixa margem líquida (0,72% em 2025) evidencia os desafios de converter receita em lucro em um ambiente de competição intensa e custos variáveis elevados.

Como ler os indicadores deste ativo

Interpretar os indicadores fundamentalistas de uma empresa como a JOSAPAR (JOPA3) exige entender as especificidades do setor de beneficiamento de arroz e da estrutura de holding familiar. Os múltiplos de mercado, os indicadores de rentabilidade e as métricas de endividamento precisam ser lidos à luz do modelo de negócio intensivo em capital de giro, de baixa margem operacional e alta dependência de ciclos agrícolas.

O P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) é talvez o indicador mais comentado no caso da JOSAPAR, dado o expressivo desconto que a ação negocia em relação ao patrimônio líquido contábil. Um P/VP abaixo de 1,0 indica que o mercado precifica a empresa por menos do que valem seus ativos líquidos segundo os balanços. Esse desconto pode refletir ceticismo sobre a qualidade dos ativos, sobre a capacidade de gerar retorno sobre o capital investido, ou sobre a governança e o potencial de monetização do patrimônio para os acionistas minoritários. No setor arrozeiro, é comum que propriedades rurais e estoques de grãos figurem no balanço, e a liquidez dessas posições influencia como o mercado avalia o P/VP.

O P/L (Preço sobre Lucro) mede quantos anos de lucro líquido atual seriam necessários para recuperar o valor pago pela ação. No caso de empresas com margens comprimidas como a JOSAPAR, o P/L pode oscilar bastante entre períodos dependendo do resultado contábil, que é afetado por variações na safra, no câmbio e no custo de financiamento do capital de giro. Um P/L acima de 10 em empresa com margem líquida inferior a 1% merece atenção especial quanto à qualidade e à recorrência do lucro.

O Dividend Yield (DY) expressa a relação entre o dividendo por ação distribuído e o preço negociado. Para a JOSAPAR, que tem histórico consistente de pagamentos anuais, o DY é um dado relevante, mas precisa ser contextualizado com a nova regra tributária: a Lei 15.270/2025 instituiu retenção de 10% de IR sobre dividendos que excedam R$50 mil mensais pagos por empresa a pessoas físicas, a partir de 2026. Isso representa mudança significativa frente ao regime anterior de isenção total. JCP (Juros sobre Capital Próprio), quando distribuído, tem alíquota de 15% retida na fonte. O investidor deve considerar o DY líquido de tributação ao comparar com outras fontes de renda.

O ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) mede a capacidade da empresa de gerar lucro com os recursos dos acionistas. Em empresas de alimentos com alta receita mas baixa margem, o ROE tende a ser pressionado. Um ROE cronicamente abaixo do custo de capital próprio pode indicar destruição de valor para o acionista. A comparação setorial com empresas similares do agronegócio é essencial para avaliar se o ROE da JOSAPAR reflete características do setor ou ineficiências específicas.

O ROIC (Retorno sobre Capital Investido) é mais abrangente que o ROE, pois considera tanto capital próprio quanto dívida na base de cálculo. Para empresas com alta alavancagem, como costuma ocorrer no agronegócio, o ROIC é preferível ao ROE para avaliar a eficiência do capital total empregado nas operações. Quando o ROIC é inferior ao custo médio ponderado de capital (WACC), a empresa está destruindo valor em termos econômicos, mesmo que reporte lucro contábil positivo.

O EV/EBITDA é o múltiplo preferido para comparação entre empresas com diferentes estruturas de capital. O Enterprise Value (EV) soma capitalização de mercado e dívida líquida, e divide pelo EBITDA para indicar em quantos anos de geração operacional o valor total seria recuperado. Para empresas do setor de alimentos e commodities, EV/EBITDA elevado pode indicar precificação exigente, enquanto múltiplos baixos sugerem ou subvalorização ou riscos operacionais relevantes.

A Margem EBITDA revela a eficiência operacional antes de despesas financeiras, impostos e não caixa. No beneficiamento de arroz, margens EBITDA abaixo de 10% são comuns dado o caráter commoditizado. Qualquer expansão de margem via mix de produtos mais processados, ganhos de escala ou redução de custos logísticos tem impacto desproporcional no valor da empresa.

O indicador Dívida Líquida/EBITDA mede a capacidade de pagamento da dívida com a geração operacional de caixa. Para empresas do agronegócio com capital de giro intensivo, esse índice costuma ser elevado estruturalmente. Valores acima de 3x geralmente são monitorados com atenção pelos credores e pelo mercado. O LPA (Lucro por Ação) e o VPA (Valor Patrimonial por Ação) completam o quadro, permitindo avaliar a evolução do resultado e do patrimônio por unidade de capital investido.

Pontos de atencao

Patrimônio líquido de R$769,2 milhões (31/03/2026) muito superior à capitalização de mercado de aproximadamente R

77,8 milhões, gerando P/VP de 0,23x — desconto estrutural que pode refletir baixa liquidez, ceticismo do mercado quanto à monetização dos ativos ou limitações de governança para acionistas minoritários.

Free float de apenas 19,82% do total de ações é muito reduzido, o que concentra o controle acionário na família controladora e implica baixa liquidez na negociação do papel na B3. Volumes diários de negociação historicamente baixos tornam difícil montar ou desmontar posições relevantes sem impacto no preço.

Dívida Líquida/EBITDA de 11,11x aponta alavancagem financeira significativa em relação à geração operacional de caixa. No beneficiamento de arroz, o capital de giro é intensivo, pois a empresa precisa financiar grandes estoques de grão durante o ciclo safra-entressafra com crédito de curto e médio prazo.

Margem líquida de 0,72% e margem EBITDA de 5,82% (exercício 2025) refletem o caráter commoditizado do beneficiamento de arroz. Pequenas variações em custo de insumos, frete ou preço de comercializacao têm impacto desproporcional no resultado final, tornando o lucro líquido sensível a variáveis macroeconômicas e climáticas.

ROE de 2,17% é consideravelmente inferior ao custo de capital próprio estimado para empresas brasileiras do setor agroindustrial. Isso indica que, em termos econômicos, a companhia não gera retorno suficiente para remunerar adequadamente o capital dos acionistas, o que pressiona estruturalmente o valor da ação em relação ao patrimônio contábil.

Histórico de pagamento anual de dividendos com valores decrescentes nos anos mais recentes: R$0,8561/ação em 2021, R$0,827/ação em 2022, R$0,8215/ação em 2023, R$0,6332/ação em 2025 e R$0,3194/ação declarado em 2026 (pagamento em 31/12/2026). A tendência de redução acompanha a compressão do lucro líquido.

Com a vigência da Lei 15.270/2025, dividendos distribuídos por empresas abertas a pessoas físicas passam a ter retenção de 10% de IR sobre o montante que exceder R$50 mil mensais, a partir de 2026. Isso elimina a isenção tributária que existia anteriormente e reduz o dividendo efetivo líquido recebido pelo acionista.

Exposição ao risco climático e hidrológico no Rio Grande do Sul é relevante: o estado concentra a maior produção de arroz do Brasil, e eventos extremos como as enchentes históricas de 2024 podem afetar tanto a disponibilidade e o custo da matéria-prima quanto a infraestrutura operacional da companhia.

A classe de ação listada (JOPA3 = ordinária) confere direito a voto nas assembleias gerais, mas o controle concentrado da família controladora limita o poder de influência dos minoritários nas decisões estratégicas e na política de distribuição de resultados.

O código CVM 13285, com data de constituição registrada em 1973, e situação cadastral ativa, confirma regularidade junto ao regulador. No entanto, a página de RI apontada é o Jornal do Comércio, o que indica estrutura de comunicação com investidores menos desenvolvida em comparação com empresas de maior capitalização e liquidez.

Receita líquida de R

,802 bilhão em 2025 coloca a JOSAPAR como empresa de porte médio-grande no agronegócio gaúcho, mas a capitalização de mercado de R
77,8 milhões indica múltiplo PSR (Preço/Receita) de apenas 0,10x — reflexo das margens muito comprimidas e da baixa capitalização relativa.

A estrutura acionária com 98,76% de ações ordinárias e apenas 1,24% de preferenciais é pouco comum no mercado brasileiro e limita as alternativas de captação via emissão de ações PN. A quase totalidade do capital com direito a voto reforça o controle da família Oliveira sem necessidade de compartilhar poder.

Governanca e estrutura societaria

A JOSAPAR – Joaquim Oliveira S.A. Participações é uma empresa de controle privado, com estrutura acionária concentrada na família Oliveira, fundadora e gestora histórica do negócio arrozeiro gaúcho. O capital social, conforme dados do exercício de 2025, é de R

20.000.000 (ajustado na base de dados: registrado em escala diferente em 2025 possivelmente por efeito de desmembramento), com 10.582.361 ações totais, sendo 10.450.993 ordinárias (ON) e 131.368 preferenciais (PN). As ações ordinárias representam 98,76% do capital total, conferindo poder de voto quase absoluto ao controlador.

O free float de 19,82% implica que aproximadamente 2.097.332 ações estão em circulação no mercado, volume reduzido que explica a baixa liquidez do papel e os volumes diários frequentemente inferiores a 15.000 ações negociadas. Essa concentração acionária é característica de empresas familiares gaúchas que acessaram o mercado de capitais para fins de transparência e acesso a crédito, sem necessariamente buscar dispersão do controle.

A JOPA3 está listada no segmento padrão da B3, sem adesão a segmentos diferenciados de governança como Novo Mercado, Nível 1 ou Nível 2. Isso significa que a empresa não adotou compromissos adicionais de governança além dos obrigados pela Lei das S.A. e pela regulação da CVM. Em segmentos como o Novo Mercado, exige-se, por exemplo, que 100% do capital seja composto por ações ordinárias com tag along de 100% para todos os acionistas — condição não verificada na JOSAPAR, que mantém ações PN em circulação.

O tag along para ações ordinárias JOPA3 segue o mínimo legal estabelecido pela Lei das S.A., que assegura aos acionistas minoritários ON o direito de vender suas ações em caso de troca de controle por no mínimo 80% do preço pago ao controlador. Para as ações preferenciais (PN, não listadas no segmento principal), o tag along pode diferir, devendo o investidor verificar o estatuto social vigente e os documentos da CVM. Essa proteção é inferior à garantida pelo Novo Mercado, onde o tag along é de 100% para todos.

A política de dividendos da JOSAPAR segue o estatuto social e as deliberações da assembleia geral ordinária realizada anualmente, usualmente nos meses de abril e maio. O histórico mostra pagamentos anuais de dividendos nos exercícios de 2019 a 2026, sem distribuições intermediárias relevantes registradas. Os valores por ação variaram de R$0,2874 (agosto de 2020) a R$0,8561 (abril de 2021). Em 2026, a data com foi fixada em 04/05/2026 para o dividendo de R$0,3194/ação, com pagamento previsto para 31/12/2026.

Com a Lei 15.270/2025, dividendos distribuídos a pessoas físicas por empresas abertas passam a ter retenção de 10% de IR sobre o montante que exceda R$50 mil mensais por empresa, a partir de 2026 — encerrando a isenção que historicamente tornava os dividendos de ações mais atrativos tributariamente do que o JCP. O JCP, quando pago, continua sujeito a retenção de 15% na fonte. Esse contexto tributário novo deve ser considerado pelo investidor ao avaliar a rentabilidade líquida dos proventos.

A administração é exercida por um Conselho de Administração e uma Diretoria Executiva, conforme obrigações legais para companhias abertas. Por não aderir a segmentos diferenciados de governança, a JOSAPAR não é obrigada a ter conselheiros independentes em proporção mínima estabelecida por regramento da B3. A comunicação com o mercado é realizada conforme obrigações da CVM, com divulgação de demonstrações financeiras trimestrais e anuais, fatos relevantes e comunicados ao mercado.

Eventos corporativos relevantes no histórico recente incluem os pagamentos anuais de dividendos nos exercícios de 2019 a 2026, sem registros de emissão primária de ações, desdobramento de capital (bonificação) ou recompra de ações no período coberto pelos dados disponíveis. A estabilidade do número de ações (10.582.361 desde pelo menos 2023) confirma a ausência de programas ativos de recompra ou novas emissões no período analisado.

Panorama competitivo

O mercado de beneficiamento e comercialização de arroz no Brasil é fragmentado em termos regionais, mas com líderes nacionais bem definidos. A JOSAPAR compete com empresas de diferentes portes no Rio Grande do Sul e no mercado nacional, em um ambiente onde marca, logística, relacionamento com o varejo e eficiência de beneficiamento são os principais diferenciais competitivos.

A Camil Alimentos (CAML3), listada no Novo Mercado da B3, é a maior empresa de alimentos básicos do Brasil com presença relevante no arroz e feijão, além de produtos de pesca. Com receita líquida na faixa de R

4 bilhões e diversificação geográfica que inclui América Latina e produção de açúcar, a Camil opera em escala muito superior à da JOSAPAR. Enquanto a Camil busca múltiplas categorias e internacionalização, a JOSAPAR mantém foco no arroz gaúcho. A Camil tem maior liquidez em bolsa e estrutura de governança mais avançada (Novo Mercado), o que facilita acesso a capital em condições mais favoráveis.

No segmento de arroz especificamente, a Josapar disputa espaço com empresas como Natus (marca nacional), Tio João (marca da Camil no Rio Grande do Sul), Namorado e diversas cooperativas arrozeiras gaúchas como a COTRIJAL e a COOPERSINOS. As cooperativas representam concorrência relevante por terem acesso a crédito rural cooperativo com taxas diferenciadas e por integrarem verticalmente parte da cadeia produtiva, do produtor ao consumidor.

O grupo SLC Agrícola (SLCE3), embora focado principalmente na produção de soja, milho e algodão, atua em regiões sobrepostas do agronegócio brasileiro e compete indiretamente por acesso a crédito rural e atenção de investidores do setor agroindustrial. A Boa Safra Sementes (SOJA3) e outras empresas do complexo agroindustrial listado na B3 integram o universo comparável do ponto de vista setorial.

No atacado e no mercado institucional (restaurantes, redes de fast food, indústria alimentícia), a JOSAPAR enfrenta importações de arroz do Mercosul — especialmente Uruguai e Argentina — que competem com produto nacional tanto em preço quanto em qualidade de grão. A tarifa do Mercosul permite importações com alíquota zero de IPI e alíquotas reduzidas de impostos de importação, tornando a competição com o produto sul-americano estruturalmente relevante, especialmente em anos de valorização do dólar ou de safra abundante nos países vizinhos.

A logística é um diferencial competitivo central no arroz, dado o baixo valor por tonelada que torna o custo de transporte relativamente alto. A localização da JOSAPAR no Rio Grande do Sul, próxima às regiões produtoras de arroz como Pelotas, Rio Grande e Cachoeira do Sul, e com acesso aos portos de Rio Grande e Porto Alegre, representa vantagem estrutural de custo frente a concorrentes localizados em outros estados. No entanto, essa vantagem é compartilhada por outros beneficiadores gaúchos do mesmo ecossistema.

No varejo alimentar, a JOSAPAR disputa espaço nas gôndolas com marcas como Prato Fino, Namorado, Duojardim e marcas próprias das grandes redes de supermercados. O poder de negociação das redes varejistas — como Carrefour (CRFB3), Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), Assaí (ASAI3) e Atacadão — é expressivo e pressiona as margens dos fornecedores de commodities processadas como o arroz, o que se reflete diretamente nas margens apertadas reportadas pela JOSAPAR.

A consolidação do setor de alimentos no Brasil, observada em segmentos como laticínios, carne bovina e processados industrializados, ainda não chegou com a mesma intensidade ao beneficiamento de arroz, que permanece relativamente fragmentado. A JOSAPAR, com sua estrutura familiar e baixo free float, não tem participado de movimentos de fusão ou aquisição relevantes registrados no período recente, mantendo estratégia de crescimento orgânico dentro do segmento de grãos gaúchos.

Indicadores explicados

**P/L (Preço sobre Lucro).** O P/L de 10,66x indica que, ao preço negociado, seriam necessários aproximadamente 10,7 anos de lucro líquido por ação para recuperar o investimento. Para uma empresa de beneficiamento de arroz com margens inferiores a 1%, o P/L deve ser analisado com cautela: pequenas variações no resultado podem alterá-lo expressivamente. A comparação com o setor e a recorrência dos lucros são fatores essenciais na interpretação desse múltiplo. Fórmula: P/L = Preço da ação / Lucro por Ação (LPA) Cálculo: P/L = R

6,80 / R
,5756 = 10,66x (dados de 26/05/2026)

**P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial).** Com P/VP de 0,23x, a JOSAPAR negocia com desconto expressivo de 77% em relação ao seu patrimônio líquido contábil. Isso significa que o mercado precifica cada real de ativo líquido por apenas R$0,23. Esse desconto pode refletir baixa liquidez da ação, ceticismo quanto à geração de retorno sobre o patrimônio, estrutura de controle familiar com baixo free float (19,82%) ou dificuldade de monetização dos ativos. O P/VP abaixo de 1 é denominado 'value trap' quando persiste sem catalisador de desbloqueio de valor. Fórmula: P/VP = Preço da ação / Valor Patrimonial por Ação (VPA) Cálculo: P/VP = R

6,80 / R$72,69 = 0,23x (dados de 31/03/2026 para VPA; preço de 26/05/2026)

**DY (Dividend Yield).** O DY reflete a proporção do dividendo em relação ao preço. A JOSAPAR tem histórico de pagamento anual de dividendos desde pelo menos 2019. Com a Lei 15.270/2025, dividendos pagos a pessoas físicas que excedam R$50 mil mensais passam a ter retenção de 10% de IR a partir de 2026, encerrando a antiga isenção. JCP segue com 15% na fonte. O DY deve ser avaliado em termos líquidos de tributação para comparação adequada com outras classes de ativos. Fórmula: DY = Dividendo por ação pago nos últimos 12 meses / Preço da ação Cálculo: DY estimado = R$0,3194 (último dividendo declarado, data-com 04/05/2026) / R

6,80 = 1,90% (base dividendo mais recente; DY anualizado estimado: 2,34%) (dados de 26/05/2026)

**ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido).** O ROE de 2,17% indica que, para cada R

00 investidos pelos acionistas, a empresa gerou R$2,17 de lucro líquido. Esse patamar é muito inferior ao custo de capital próprio típico de empresas brasileiras (usualmente acima de 10%), o que significa que, em termos econômicos, a empresa não está criando valor adicional para o acionista. Empresas com ROE sistematicamente baixo no setor de alimentos costumam ser comparadas a pares nacionais como SLC Agrícola ou Camil Alimentos para referência setorial. Fórmula: ROE = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido médio × 100 Cálculo: ROE = R
6.792.000 / R$769.242.000 × 100 = 2,18% (aproximado; dado divulgado: 2,17%) (dados de 31/12/2025 e 31/03/2026)

**ROIC (Retorno sobre Capital Investido).** O ROIC de 3,08% mede a eficiência com que a companhia gera retorno sobre todo o capital empregado — tanto próprio quanto de terceiros. Por incluir a dívida no denominador, o ROIC é mais abrangente que o ROE e revela que a JOSAPAR retorna aproximadamente R$3,08 para cada R

00 de capital total investido. Em um ambiente onde o custo médio ponderado de capital (WACC) costuma superar 10%, esse nível de ROIC sinaliza que a operação, em termos econômicos, ainda consome mais valor do que gera. Fórmula: ROIC = NOPAT / (Patrimônio Líquido + Dívida Líquida) × 100 Cálculo: ROIC divulgado = 3,08% (dados de 2025-2026, fonte AtivoIndicadores materializado em 26/05/2026)

**EV/EBITDA.** O EV/EBITDA de 12,86x indica que o valor total da empresa (incluindo dívida) representa cerca de 12,9 anos de geração operacional de caixa. Para uma empresa de beneficiamento de grãos com margens comprimidas, esse múltiplo é influenciado principalmente pela dívida financeira elevada. A comparação com pares do setor de alimentos listados na B3 — como Camil Alimentos (CAML3) — é a abordagem mais adequada para avaliar se o múltiplo reflete prêmio ou desconto justo. Fórmula: EV/EBITDA = (Capitalização de mercado + Dívida Líquida) / EBITDA Cálculo: EV/EBITDA = 12,86x (dados de 26/05/2026, fonte AtivoIndicadores materializado). EV implícito: com EBITDA estimado em ~R

04,8M e múltiplo 12,86x, EV ≈ R
,348 bilhão; dívida líquida implícita ≈ R
,170 bilhão

**Margem EBITDA.** A margem EBITDA de 5,82% revela que, de cada R

00 de receita líquida gerada, aproximadamente R$5,82 permanecem como resultado operacional antes de depreciação, juros e impostos. Esse patamar é característico do beneficiamento de commodities agrícolas, onde o produto é pouco diferenciado e a precificação segue referências de mercado. Expandir a margem EBITDA exige aumento no mix de produtos de maior valor agregado, ganhos de escala ou redução de custos fixos e logísticos. Fórmula: Margem EBITDA = EBITDA / Receita Líquida × 100 Cálculo: Margem EBITDA = 5,82% sobre receita líquida de R
.802.130.000 → EBITDA estimado ≈ R
04.844.066 (dados de 31/12/2025)

**Dívida Líquida/EBITDA.** O índice Dívida Líquida/EBITDA de 11,11x é elevado e reflete o intensivo uso de capital de giro no beneficiamento de grãos, que requer financiamento de grandes estoques ao longo do ciclo safra-entressafra. Valores acima de 3x geralmente indicam alavancagem significativa; índices acima de 5x merecem monitoramento cuidadoso. A sustentabilidade desse nível de dívida depende da continuidade do acesso a crédito rural subsidiado e do gerenciamento eficiente do ciclo de estoque. Fórmula: Dívida Líquida/EBITDA = Dívida Líquida / EBITDA dos últimos 12 meses Cálculo: Dívida Líquida/EBITDA = 11,11x (dados de 26/05/2026, fonte AtivoIndicadores materializado). Dívida Líquida/PL = 1,47x (PL = R$769,2M → Dívida Líquida implícita ≈ R

,131 bilhão)

**LPA (Lucro por Ação).** O LPA de R

,5756 por ação representa o lucro líquido atribuído a cada ação da JOSAPAR no período de doze meses analisado. Esse indicador é a base para o cálculo do P/L e do DY por payout. A evolução do LPA ao longo dos anos permite avaliar a trajetória da lucratividade por unidade de capital: em 2025, o lucro líquido anual de R
6,79 milhões gerou LPA de aproximadamente R
,587, um dos patamares mais baixos em relação ao valor patrimonial da empresa. Fórmula: LPA = Lucro Líquido / Total de ações Cálculo: LPA = R
6.792.000 / 10.582.361 ações = R
,587/ação (2025 anual). LPA acumulado TTM utilizado: R
,5756/ação (dados de 26/05/2026)

**VPA (Valor Patrimonial por Ação).** O VPA de R$72,69 representa o patrimônio líquido contábil por ação e é a referência para o cálculo do P/VP. O fato de a ação negociar por uma fração do VPA (aproximadamente 23%) indica que o mercado avalia que os ativos líquidos contábeis não serão convertidos em valor para os acionistas minoritários na mesma proporção que estão registrados nos balanços. Acompanhar a evolução trimestral do VPA permite identificar se a empresa está preservando ou erodindo seu patrimônio ao longo do tempo. Fórmula: VPA = Patrimônio Líquido Total / Total de ações Cálculo: VPA = R$769.242.000 / 10.582.361 ações = R$72,69/ação (dados de 31/03/2026)

Perguntas Frequentes

Qual o preço atual de JOPA3? A cotação mais recente de JOPA3 é de R$ 18,25.

Em qual setor JOPA3 está classificada? JOPA3 pertence ao setor Alimentos na classificação da B3.

Qual o P/L de JOPA3? O índice Preço/Lucro (P/L) de JOPA3 é 11.58. Este indicador relaciona o preço da ação com o lucro por ação.

JOPA3 paga dividendos? JOPA3 apresenta dividend yield de 1,75% nos últimos 12 meses.

Qual o ROE de JOPA3? O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de JOPA3 é de 2,17%. O indicador relaciona o lucro ao patrimônio líquido e descreve a rentabilidade contábil da companhia.

Qual o valor de mercado de JOPA3? O valor de mercado de JOPA3 é de aproximadamente R$ 193,1M, calculado a partir da cotação e do total de ações. Dado sujeito a variação a cada pregão.

O que é a JOSAPAR e qual é o negócio principal da empresa? A JOSAPAR – Joaquim Oliveira S.A. Participações (JOPA3) é uma empresa gaúcha especializada no beneficiamento de arroz e em participações societárias no setor de alimentos. Fundada na forma jurídica atual em 1973, a companhia tem sede no Rio Grande do Sul e opera tanto na industrialização e comercialização de arroz beneficiado quanto na gestão de ativos agroindustriais. É uma das empresas tradicionais do setor arrozeiro gaúcho, com presença de décadas no processamento de grãos para o mercado nacional.

Por que o P/VP da JOPA3 é tão baixo, abaixo de 0,25? O P/VP de 0,23x significa que a ação negocia com desconto de 77% em relação ao patrimônio líquido contábil de R$72,69 por ação (dados de 31/03/2026). Esse desconto reflete principalmente três fatores: o free float muito baixo de 19,82%, que reduz a liquidez e afasta investidores institucionais; a baixa rentabilidade (ROE de 2,17%), que indica dificuldade de gerar retorno sobre o patrimônio; e o controle familiar concentrado, que limita catalisadores de desbloqueio de valor para os minoritários. P/VP baixo não é, por si só, indicação de subvalorização — pode também indicar riscos estruturais.

A JOPA3 paga dividendos regularmente? Sim, a JOSAPAR tem histórico de distribuição anual de dividendos desde pelo menos 2019, com pagamentos registrados nos meses de abril a maio de cada ano. Os valores pagos por ação variaram: R$0,6489 em 2019, R$0,2874 em 2020, R$0,8561 em 2021, R$0,827 em 2022, R$0,8215 em 2023 e R$0,6332 em 2025. Em 2026, foi declarado dividendo de R$0,3194/ação com data-com em 04/05/2026 e pagamento previsto para 31/12/2026. O investidor deve considerar a nova regra tributária da Lei 15.270/2025, que instituiu retenção de 10% de IR sobre dividendos acima de R$50 mil mensais a partir de 2026.

Qual o impacto da Lei 15.270/2025 nos dividendos da JOPA3? A Lei 15.270/2025 trouxe mudança significativa na tributação de dividendos de empresas abertas. A partir de 2026, dividendos pagos a pessoas físicas por empresas listadas em bolsa passam a ter retenção de 10% de IR sobre o montante que exceda R$50 mil mensais por empresa pagadora. Isso elimina a isenção total que existia anteriormente. JCP (Juros sobre Capital Próprio), quando pago pela empresa, continua com alíquota de 15% retida na fonte. O impacto prático é que o DY efetivo líquido de imposto será menor do que o DY bruto calculado sobre o dividendo declarado.

Qual é o risco de liquidez de JOPA3 e como ele afeta o investidor? A liquidez de JOPA3 é classificada como baixa, com free float de apenas 19,82% e volumes diários de negociação historicamente reduzidos — na faixa de dezenas a poucas centenas de negócios por dia. Isso significa que investidores que montam posições maiores podem ter dificuldade para vender no momento desejado sem impactar o preço da ação. O risco de liquidez também afeta a precificação: a falta de negócios frequentes pode criar distorções entre o preço observado e o valor fundamentalista da empresa.

A JOSAPAR tem dívida elevada? Sim. O índice Dívida Líquida/EBITDA de 11,11x e o índice Dívida Líquida/Patrimônio Líquido de 1,47x indicam alavancagem financeira significativa. No beneficiamento de arroz, a necessidade de financiar grandes estoques de grão ao longo do ciclo safra-entressafra resulta estruturalmente em captação de capital de giro de curto e médio prazo. O nível de dívida é monitorado em conjunto com a capacidade de refinanciamento e o acesso ao crédito rural, que costuma ter condições diferenciadas para o setor agroindustrial no Brasil.

Qual a diferença entre JOPA3 e ações de outros setores no aspecto de margem? A JOSAPAR apresenta margem líquida de 0,72% e margem EBITDA de 5,82% (2025), patamares muito inferiores aos de empresas de alimentos industrializados, como processadores de proteína ou fabricantes de itens de maior valor agregado. O beneficiamento de arroz é uma atividade commoditizada onde o produto é pouco diferenciado, e o poder de precificação é limitado pelas referências de mercado e pelo poder de negociação das grandes redes varejistas. Isso é estrutural para o segmento e não exclusivo da JOSAPAR.

Como funciona a estrutura de controle da JOSAPAR? A JOSAPAR é controlada pela família Oliveira, que detém a maioria das ações ordinárias com direito a voto. Com 98,76% do capital total em ações ordinárias (ON) e apenas 19,82% em free float, o grupo controlador detém cerca de 80% do capital votante. A empresa não aderiu a segmentos diferenciados de governança da B3 (como Novo Mercado ou Nível 2), o que significa que não assumiu compromissos adicionais de transparência e proteção ao minoritário além do mínimo legal exigido pela Lei das S.A. e pela regulação da CVM.

O que é o PSR e por que ele é relevante para a JOPA3? PSR (Price to Sales Ratio, ou Preço/Receita) é o múltiplo que divide o valor de mercado da empresa pela receita líquida anual. Para a JOSAPAR, o PSR de 0,10x indica que o valor de mercado equivale a apenas 10% de uma receita anual de R

,8 bilhão. Esse múltiplo extremamente baixo reflete as margens muito comprimidas do beneficiamento de arroz: empresas com PSR baixo costumam ter margens apertadas, pois o mercado desconta o fato de que converter receita em lucro é difícil no segmento.

Quais são os principais fatores de risco que afetam os resultados da JOSAPAR? Os principais fatores de risco incluem: (1) variações climáticas que afetam a safra de arroz no Rio Grande do Sul, como a histórica enchente de 2024 que impactou o estado; (2) flutuações do câmbio, que influenciam custo de insumos e competitividade das exportações; (3) variações no preço do arroz como commodity global; (4) custo do crédito e disponibilidade de financiamento de capital de giro; (5) poder de negociação das grandes redes varejistas; (6) concorrência de importações do Mercosul (Uruguai e Argentina) com acesso preferencial ao mercado brasileiro.

Qual é o tag along garantido às ações JOPA3? As ações ordinárias JOPA3, por não estarem listadas em segmentos diferenciados como o Novo Mercado, têm o tag along mínimo previsto na Lei das S.A. — equivalente a 80% do valor pago ao acionista controlador em caso de alienação do controle. No Novo Mercado, o tag along seria de 100% para todos os acionistas. O investidor deve verificar o estatuto social vigente junto à CVM (código 13285) para confirmar as condições aplicáveis, pois as ações PN podem ter regras diferentes.

Qual a capitalização de mercado e o porte da JOSAPAR? Com valor de mercado de aproximadamente R

77,8 milhões (dados de 26/05/2026), a JOSAPAR se enquadra na categoria de small cap no contexto do mercado brasileiro. Apesar de ter receita anual de R
,8 bilhão — porte de empresa média-grande no agronegócio gaúcho — a capitalização de mercado reduzida reflete as margens comprimidas, a baixa liquidez e o free float restrito. Isso a classifica como um ativo de menor visibilidade para fundos institucionais que exigem mínimos de liquidez e capitalização.

Como o ciclo agrícola afeta os resultados trimestrais da JOSAPAR? O beneficiamento de arroz tem sazonalidade marcada: a colheita do arroz gaúcho ocorre principalmente no primeiro semestre, com pico entre fevereiro e abril. Isso afeta o nível de estoque, o capital de giro necessário e o custo do grão ao longo do ano. Resultados do primeiro trimestre (Q1) costumam refletir volumes maiores de processamento pós-colheita, enquanto períodos de entressafra podem trazer margens comprimidas por custo de carregamento de estoque. Comparações entre trimestres devem considerar essa sazonalidade.

Atualização

Dados consultados em 19/07/2026 nas fontes públicas citadas. Cotações e indicadores estão sujeitos a defasagem conforme a periodicidade de cada fonte.

Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.