ONCO3 — ONCOCLÍNICAS DO BRASIL SERVIÇOS MÉDICOS S.A.
Cotação, indicadores e dados históricos de ONCO3 (Ação). Dados B3/CVM atualizados.
- Preço atual
- R$ 0,78
- P/L
- -0,22
- P/VP
- 1,42
Setor
Serviços Médicos
Desempenho recente
No período de 6m, ONCO3 apresentou variação de -65,02% em 123 pregões. Dados de cotação da B3, sujeitos a defasagem.
Faixa de 52 semanas
Nas últimas 52 semanas, ONCO3 oscilou entre R$ 0,63 a R$ 6,00. Média de R$ 2,12 no período. Dados B3, sujeitos a defasagem.
Indicadores Fundamentalistas
P/L: -0.22. P/VP: 1.42. Margem líquida: -37,79%. Valor de mercado: R$ 883,7M. Dados públicos B3/CVM, sujeitos a defasagem.
Indicadores Avançados
ROIC: -35,30%. ROA: -59,37%. Margem EBITDA: -37,64%. Margem bruta: 14,75%. Dívida líquida/Patrimônio: 6.00. Liquidez corrente: 0.46. LPA (lucro por ação): -R$ 3,51. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 0,55. PSR (preço/receita): 0.16. Free float: 99,02%. Indicadores de rentabilidade (ROIC, ROA), valuation por valor da firma (EV/EBITDA, EV/EBIT), margens, endividamento e liquidez, a partir de dados públicos B3/CVM. São referências informativas — a interpretação cabe a cada investidor.
Variações por período
Variação de ONCO3 em janelas recentes. Na semana: +5,41%. No mês: -46,21%. No ano: -71,22%. Fechamento anterior: R$ 0,84 (16/07/2026). Percentuais sobre preços de fechamento da B3, sujeitos a defasagem.
Últimos pregões
Fechamentos recentes de ONCO3: 17/07/2026: R$ 0,78, volume de R$ 11,9M; 16/07/2026: R$ 0,84, volume de R$ 18,5M; 15/07/2026: R$ 0,92, volume de R$ 24,9M; 14/07/2026: R$ 0,96, volume de R$ 18,0M; 13/07/2026: R$ 0,77, volume de R$ 32,3M. Dados de pregão da B3.
Resultados financeiros recentes
Demonstrações trimestrais reportadas por ONCO3 (CVM): 31/03/2026: receita líquida de R$ 1,2B, resultado líquido de -R$ 438.657.000,00, margem líquida de -37,79%, LPA de -R$ 0,39. 31/12/2025: receita líquida de R$ 5,7B, resultado líquido de -R$ 3.671.107.000,00, margem líquida de -63,96%, LPA de -R$ 3,24. 30/09/2025: receita líquida de R$ 4,4B, resultado líquido de -R$ 2.154.962.000,00, margem líquida de -49,31%, LPA de -R$ 1,90. 30/06/2025: receita líquida de R$ 3,0B, resultado líquido de -R$ 274.265.000,00, margem líquida de -9,27%, LPA de -R$ 0,24. Valores consolidados conforme reportado, sujeitos a reapresentação.
Patrimônio líquido e VPA
Patrimônio líquido de R$ 621,0M na posição de 31/03/2026. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 0,55. Na posição de 31/12/2020, o patrimônio era de R$ 677,3M e o VPA era de R$ 0,60. Série contábil pública (CVM), sujeita a reapresentação.
Estrutura acionária
Composição do capital de ONCO3: Total de ações emitidas: 1.132.929.494. Ordinárias (ON): 1.132.929.494 (100,00%). Ações em circulação: 1.121.850.476. Dados públicos CVM/B3.
Valores mobiliários listados
Códigos de negociação da companhia na B3: ONCO3 (Ações Ordinárias, Novo Mercado). O segmento de listagem descreve o conjunto de regras de governança ao qual a companhia aderiu.
Movimentações de administradores e pessoas ligadas
Negociações com ações de ONCO3 comunicadas por administradores, controladores e pessoas ligadas no período de 5 anos, conforme divulgação pública (CVM). Foram registradas 0 operações de compra e 10 operações de venda. Volume vendido: R$ 3,3M. Saldo líquido do período: -R$ 3.334.833,06. Dado factual de transparência — não indica, por si só, perspectiva sobre o ativo.
Como interpretar os indicadores de uma ação
Os indicadores fundamentalistas descrevem aspectos diferentes de uma empresa e costumam ser lidos em conjunto, não isoladamente. Abaixo, o que cada grupo representa de forma factual.
Múltiplos de avaliação (P/L, P/VP, PSR)
Múltiplos relacionam o preço de mercado a uma medida contábil. O P/L (preço sobre lucro) compara a cotação ao lucro por ação; o P/VP (preço sobre valor patrimonial) compara ao patrimônio por ação; o PSR (preço sobre receita) compara à receita por ação. São referências de avaliação relativa — fazem mais sentido comparados entre empresas de um mesmo setor do que isoladamente, já que cada setor tem faixas típicas distintas.
Rentabilidade (ROE, ROIC, ROA)
Os indicadores de rentabilidade medem a eficiência da empresa em gerar resultado a partir do capital. O ROE relaciona o lucro ao patrimônio líquido; o ROIC relaciona o resultado operacional ao capital total investido (próprio e de terceiros); o ROA relaciona o lucro ao total de ativos. Valores mais altos indicam maior eficiência relativa, mas dependem do setor e da estrutura de capital.
Valor da firma e margens (EV/EBITDA, margens)
O EV/EBITDA compara o valor da firma (valor de mercado mais dívida líquida) ao EBITDA, uma medida de geração de caixa operacional; é usado para comparar empresas com diferentes níveis de endividamento. As margens (bruta, EBITDA, líquida) expressam quanto da receita se converte em resultado em cada etapa, descrevendo a lucratividade da operação.
Endividamento e liquidez
A dívida líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida; a dívida líquida sobre patrimônio relaciona o endividamento ao capital próprio. A liquidez corrente compara ativos e passivos de curto prazo. Esses indicadores descrevem a estrutura financeira e o risco associado ao endividamento.
Dividendos (DY e payout)
O Dividend Yield (DY) relaciona os proventos distribuídos nos últimos doze meses ao preço da ação, e o payout indica a parcela do lucro distribuída como proventos. Ambos descrevem o histórico de distribuição e não projetam pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia. A interpretação de todos esses indicadores cabe a cada investidor, conforme seus objetivos e tolerância a risco.
Sobre a Empresa
Exploração de serviços médicos, participação em outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais, intermediação em pesquisa clínica.
Identificação e registro
CNPJ: 12.104.241/0004-02. Código CVM: 26123. Situação do registro: Ativo. Constituída em 2010. Controle acionário: Privado. País de origem: Brasil. Site oficial: www.grupooncoclinicas.com/ri. Dados cadastrais públicos da companhia (CVM/B3), sujeitos a atualização.
Eventos e Fatos Relevantes (CVM)
ONCO3 registra 100 evento(s) e comunicado(s) ao mercado publicados via CVM nos últimos 5 anos. As categorias mais frequentes: Assembleia (63), Fato Relevante (28), Dados Econômico-Financeiros (9). Os documentos completos podem ser consultados nos canais oficiais.
A Oncoclínicas do Brasil Servicos Medicos S.A. (ONCO3) e a maior rede de oncologia privada da America Latina, listada no Novo Mercado da B3 com acoes ordinarias (ON) e tag along de 100%. Fundada em 2010, a companhia expandiu sua plataforma de tratamento de cancer por meio de aquisicoes de clinicas e grupos medicos em diversas regioes do Brasil. A empresa opera em segmento com demanda estrutural crescente, sustentada pelo envelhecimento demografico e aumento da incidencia de doencas oncologicas. O modelo de expansao via aquisicoes gerou alavancagem financeira elevada e resultados negativos nos periodos recentes, com o desafio central de estabilizar a geracao de caixa e reduzir o endividamento ao longo do tempo. A empresa nao distribuiu proventos nos periodos analisados e tem free float de aproximadamente 30,14%.
Sobre ONCOCLÍNICAS DO BRASIL SERVIÇOS MÉDICOS S.A.
A Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos S.A. (ONCO3) é a maior rede de oncologia privada da América Latina, atuando na prestação integrada de serviços de diagnóstico, tratamento e cuidados oncológicos. Fundada em 10 de janeiro de 2010 em Belo Horizonte (MG), a empresa consolidou em pouco mais de uma década um modelo de cuidado centralizado no paciente com câncer, reunindo clínicas especializadas, hospitais-dia, centros de infusão e unidades de radioterapia sob uma mesma plataforma assistencial. O grupo opera sob o código CVM 26123 e tem suas ações ordinárias (ON) negociadas na B3 no segmento Novo Mercado, o mais exigente em termos de governança corporativa da bolsa brasileira.
O modelo de negócios da Oncoclínicas combina crescimento orgânico com aquisições estratégicas. Desde seu IPO na B3, em agosto de 2021, a companhia acelerou significativamente a expansão por meio de fusões e aquisições (M&A) de clínicas e grupos médicos regionais, convertendo unidades independentes em centros de referência conectados à plataforma nacional. Essa estratégia, amplamente adotada no setor de saúde privada brasileiro, exige capital intensivo e gera endividamento relevante no curto e médio prazo, pois os benefícios operacionais da integração costumam se materializar ao longo de vários anos.
O portfólio assistencial da empresa abrange as principais modalidades de tratamento do câncer: quimioterapia ambulatorial, imunoterapia, hormonioterapia, radioterapia, cirurgia oncológica e cuidados paliativos. A verticalização dos serviços — da consulta ao tratamento, do diagnóstico ao seguimento — busca reduzir o custo por paciente tratado, melhorar a experiência clínica e criar barreiras de entrada para concorrentes. A presença em múltiplos estados do Brasil posiciona o grupo como interlocutor relevante junto a operadoras de planos de saúde e ao Sistema Único de Saúde (SUS), embora a maior parte da receita venha de contratos com planos privados.
A estrutura societária da Oncoclínicas é formada exclusivamente por ações ordinárias (ON), sem emissão de ações preferenciais (PN). O capital social está pulverizado em 3,5 bilhões de ações ao final do exercício de 2025, um crescimento expressivo em relação ao total de 800 milhões de ações registradas em 2023 e 2024, reflexo de captações de capital realizadas para suportar o plano de expansão e o rebalanceamento da estrutura de dívida. O free float é de aproximadamente 30,14%, o que indica que parcela relevante do capital permanece concentrada junto a acionistas de referência e gestores do grupo fundador.
No contexto regulatório, a Oncoclínicas opera sob supervisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula os contratos com operadoras de planos de saúde, e da Anvisa, que normatiza o funcionamento de estabelecimentos de saúde. O ambiente regulatório pode influenciar diretamente as tabelas de reembolso praticadas pelas operadoras e, consequentemente, a receita e a margem da companhia. Adicionalmente, o modelo de expansão via aquisições é monitorado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), especialmente quando envolve concentração em mercados geográficos específicos.
O setor de oncologia privada no Brasil apresenta perspectivas estruturais favoráveis de longo prazo: o envelhecimento da população, a maior incidência de diagnósticos oncológicos e a crescente penetração de planos de saúde privados formam um contexto demográfico e epidemiológico propício ao aumento da demanda por serviços especializados. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o Brasil registrará mais de 700 mil casos novos de câncer por biênio na segunda metade desta década, pressionando os sistemas público e privado a ampliar a oferta de tratamento.
Contexto de negocio e setor
O mercado de oncologia privada no Brasil é fragmentado e está em processo acelerado de consolidação. Historicamente, o atendimento oncológico era prestado por clínicas independentes, hospitais gerais com serviços especializados e centros universitários. A partir da segunda metade da década de 2010, grupos como a Oncoclínicas e a Rede D'Or passaram a estruturar plataformas integradas que centralizam diferentes modalidades de tratamento, buscando ganhos de escala, poder de negociação com fornecedores de medicamentos (especialmente os oncológicos de alto custo) e acesso preferencial a contratos com grandes operadoras de planos de saúde.
A Oncoclínicas atua em um segmento com barreiras de entrada relevantes: a oncologia exige equipe médica altamente especializada (oncologistas clínicos, radioterapeuta, cirurgiões oncológicos, hematologistas), equipamentos de alto custo (aceleradores lineares para radioterapia, PET-CT, equipamentos de ressonância e tomografia), e protocolos rigorosos de controle de qualidade assistencial. Esses fatores tornam o crescimento orgânico mais lento e caro, explicando a preferência do setor pela estratégia de consolidação via aquisições.
A receita da Oncoclínicas é composta principalmente por honorários médicos e taxas de procedimentos pagos pelas operadoras de planos de saúde por meio da Tabela CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) ou de contratos negociados individualmente. A dependência de poucas grandes operadoras representa um risco de concentração: renegociações de tabelas, atrasos nos repasses e glosas (recusas de pagamento) afetam diretamente o fluxo de caixa da empresa. O custo dos medicamentos oncológicos importados ou produzidos por laboratórios multinacionais como Roche, Pfizer, Merck e AstraZeneca é outro vetor de pressão sobre as margens.
No período recente, a companhia traversou uma fase de intensa pressão financeira, com prejuízos acumulados relevantes registrados nos exercícios de 2024 e 2025, além do primeiro trimestre de 2026. A receita líquida consolidada atingiu R$ 1,16 bilhão no primeiro trimestre de 2026, mas o resultado líquido ficou negativo em R$ 438 milhões no mesmo período. Essa dinâmica reflete a combinação de custos fixos elevados da estrutura assistencial, despesas financeiras crescentes decorrentes do endividamento assumido para financiar aquisições, e processos de integração de unidades recém-adquiridas que ainda não atingiram maturidade operacional.
A dívida líquida da empresa equivale a seis vezes o patrimônio líquido (índice Dívida Líquida/PL de 6,0x), indicando alavancagem financeira muito elevada para os padrões do setor de saúde. Essa estrutura de capital é resultado direto do modelo de crescimento acelerado via M&A adotado nos últimos anos. A gestão da dívida — incluindo possíveis refinanciamentos, emissões de debêntures e renegociações com bancos credores — é um dos temas centrais para a trajetória financeira da companhia nos próximos anos.
No ambiente competitivo, a Oncoclínicas enfrenta a concorrência de outros grupos hospitalares verticalizados como a Rede D'Or São Luiz, que também expande sua plataforma oncológica, além de grupos regionais como o Grupo Oncológico São Lucas (RS), o Hospital Erasto Gaertner (PR), o A.C. Camargo Cancer Center (SP) e o Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), entre outros centros de referência. A competição se dá tanto pela captação de médicos oncologistas (profissionais escassos no mercado) quanto pela renovação e ampliação de contratos com as principais operadoras de saúde, como Bradesco Saúde, SulAmérica, Amil e Hapvida-NotreDame.
A perspectiva de longo prazo para o setor oncológico privado permanece sustentada pelo crescimento da incidência de câncer no Brasil, pelo envelhecimento demográfico e pelo aumento da cobertura de planos de saúde. No entanto, a materialização desse potencial para os acionistas de ONCO3 depende da capacidade da administração em estabilizar a geração de caixa operacional, reduzir a alavancagem financeira e demonstrar progressos consistentes na integração das unidades adquiridas.
Como ler os indicadores deste ativo
Analisar uma empresa como a Oncoclínicas (ONCO3) requer entendimentão dos indicadores financeiros adequados para companhias em fase de expansão intensiva via aquisições, com estrutura de capital alavancada e resultados ainda pressionados pelo custo de integração. Os indicadores tradicionais de rentabilidade devem ser interpretados à luz do estágio do ciclo de negócios em que a empresa se encontra.
O Preço sobre Lucro (P/L) mensura quantas vezes os investidores estão pagando pelo lucro anual por ação. Para empresas com prejuízo, como a Oncoclínicas no período analisado, o P/L é negativo e não carrega significado analítico útil isoladamente. Nesses casos, o mercado precifica expectativas futuras de reversão de resultado, tornando a análise prospectiva mais relevante do que a retrospectiva baseada no P/L histórico.
O Preço sobre Valor Patrimonial (P/VP) compara o valor de mercado da empresa com o patrimônio líquido contábil. Para grupos de saúde com forte base de ativos intangíveis — como marcas, carteiras de contratos com operadoras e reputação clínica —, o patrimônio contábil pode subestimar o valor real dos ativos, tornando o P/VP mais alto do que o de empresas industriais com ativos tangíveis predominantes. Valores de P/VP acima de 1,0x indicam que o mercado reconhece algum valor além dos ativos registrados em balanço.
O Dividend Yield (DY) mede o retorno em dividendos em relação ao preço da ação. Empresas em fase de expansão e com resultado negativo normalmente não distribuem dividendos, pois o fluxo de caixa é direcionado para o crescimento e serviço da dívida. A Lei 15.270/2025, em vigor a partir de 2026, institui retenção de 10% de Imposto de Renda sobre dividendos distribuídos por pessoas jurídicas acima de R$ 50 mil mensais, alterando o tratamento tributário que vigorava anteriormente. O JCP (Juros sobre Capital Próprio) segue com alíquota de 15% retida na fonte.
O Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) mede a eficiência com que a empresa gera lucro a partir do capital dos acionistas. ROE negativo indica que a empresa está destruindo valor contábil no período. Em empresas alavancadas com prejuízo, o ROE pode ser amplificado pela redução do denominador (patrimônio líquido), distorcendo a leitura. O ROIC (Retorno sobre Capital Investido) é considerado uma métrica superior para avaliar a capacidade operacional de geração de valor, pois inclui a dívida líquida na base do capital investido.
O EV/EBITDA (Enterprise Value sobre EBITDA) é um dos múltiplos mais utilizados para avaliação de empresas de saúde, pois neutraliza diferenças de estrutura de capital e políticas de depreciação. Para a Oncoclínicas, o EBITDA negativo no período inviabiliza o cálculo desse múltiplo, pois um denominador negativo inverte a interpretação. Quando disponível, é útil comparar o múltiplo com pares do setor como Rede D'Or e Hapvida.
A Margem EBITDA representa a proporção da receita que se converte em resultado operacional antes de encargos financeiros, impostos, depreciação e amortização. Margens negativas sinalizam que os custos operacionais superam a receita bruta operacional, o que em empresas de serviços médicos pode refletir ineficiências de integração, custos de estrutura inflados por unidades ainda em ramp-up ou pressões de repasse insuficiente pelas operadoras de planos de saúde.
A Dívida Líquida/EBITDA é a principal métrica de alavancagem para empresas com dívida. Quando o EBITDA é negativo, esse indicador também não tem interpretação direta. O índice alternativo Dívida Líquida/Patrimônio Líquido (Dívida Líquida/PL) fornece uma perspectiva complementar sobre a alavancagem em relação ao capital próprio registrado. Valores elevados indicam dependência de capital de terceiros e maior risco financeiro.
O Lucro por Ação (LPA) é o lucro líquido dividido pelo número total de ações. LPA negativo significa prejuízo por ação. O Valor Patrimonial por Ação (VPA) é o patrimônio líquido dividido pelo número de ações e representa o valor contábil por papel. A relação entre o preço de mercado e o VPA forma o indicador P/VP.
Pontos de atencao
Alavancagem elevada: a relacao Divida Liquida/Patrimonio Liquido de 6,0x posiciona a Oncoclínicas entre as empresas mais endividadas do setor de saude da B3. O servico dessa divida gera despesas financeiras que pesam diretamente no resultado, tornando o caminho para o lucro mais longo.
Patrimonio liquido em erosao: o PL caiu de R$ 1.198 bilhoes em setembro de 2025 para R$ 621 milhoes em marco de 2026, uma reducao de 48% em apenas dois trimestres, reflexo direto dos prejuizos acumulados que consomem o capital dos acionistas registrado em balanco.
Receita crescente, mas margens negativas: a receita liquida de R$ 1,16 bilhao no 1T2026 demonstra a escala operacional conquistada, porem a margem liquida de -37,79% no mesmo trimestre revela que os custos estruturais e financeiros ainda superam amplamente o faturamento.
Ampliacao massiva do numero de acoes: o total de acoes ordinarias saltou de 800 milhoes em 2024 para 3,5 bilhoes em 2025, uma ampliacao de 337,5%. Este nivel de diluicao impacta significativamente indicadores por acao como LPA e VPA, alem de exigir crescimento proporcionalmente maior do lucro para remuneracao dos acionistas.
Ausencia de dividendos: a empresa nao distribuiu proventos nos periodos recentes, o que era esperado diante dos resultados negativos. A retomada da distribuicao de dividendos dependera da reversao do resultado para lucro e da reducao da alavancagem financeira.
Liquidez de mercado reduzida: nos pregoes mais recentes, o volume de negociacao foi de apenas 1.997 contratos em 12/06/2026, indicando baixa liquidez. Volumes reduzidos podem amplificar a volatilidade dos precos e dificultar a execucao de ordens de maior tamanho sem impacto na cotacao.
Variacao expressiva na faixa de 52 semanas: a acao registrou maxima de R$ 6,00 e minima de R$ 0,99 nos 52 pregoes anteriores, com media de R$ 2,48, demonstrando alta volatilidade. A amplitude entre a maxima e a minima de mais de 500% e um indicador do nivel de incerteza precificado pelo mercado.
Historico financeiro negativo sequencial: o prejuizo liquido foi de R$ 2,15 bilhoes em set/25, R$ 3,67 bilhoes em dez/25 e R$ 438 milhoes no 1T2026. A sequencia de resultados negativos acumulados pressiona o patrimonio e aumenta a necessidade de capital externo para sustentar as operacoes.
Dependencia de repasses de operadoras de saude: a maior parte da receita da Oncoclínicas vem de contratos com planos de saude. Renegociacoes de tabelas, glosas medicas e atrasos nos repasses das operadoras afetam diretamente o fluxo de caixa e a previsibilidade dos resultados.
Risco regulatorio: a atuacao no setor de saude suplementar e regulada pela ANS, que pode alterar regras de reajuste de mensalidades e coberturas obrigatorias. Mudancas regulatorias que forcam ampliar coberturas sem equivalente aumento nas tabelas de honorarios medicos comprimem as margens dos prestadores de servico.
Goodwill e ativos intangiveis relevantes: as aquisicoes de clinicas e grupos medicos geram registros de goodwill e intangiveis que sao amortizados ao longo do tempo, pesando no resultado. Testes de impairment em momentos de piora operacional podem gerar reconhecimento de perdas adicionais que nao representam saida de caixa, mas reduzem o patrimonio.
Monitoramento do CADE: o modelo de consolidacao via aquisicoes pode atrair escrutinio do Conselho Administrativo de Defesa Economica (CADE) em mercados regionais com concentracao elevada. Condicionalidades ou bloqueios de operacoes pelo regulador podem alterar o cronograma de crescimento da empresa.
Governanca e estrutura societaria
A Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos S.A. e listada no Novo Mercado da B3, o segmento de maior exigencia de governança corporativa disponivel para empresas brasileiras de capital aberto. A adesao ao Novo Mercado implica compromisso com emissao exclusiva de acoes ordinarias (ON), sem acoes preferenciais — o que a empresa ja pratica, com 100% do capital composto por acoes ON. O Novo Mercado tambem exige que o conselho de administracao tenha no minimo 5 membros, com pelo menos 20% de conselheiros independentes, alem de auditoria por empresa registrada na Comissao de Valores Mobiliarios (CVM).
O tag along para acoes ordinarias (ON) no Novo Mercado e de 100%, conforme exigido pelo regulamento B3. Isso significa que, em caso de mudanca de controle da companhia (comercializacao do bloco de controle), todos os acionistas minoritarios tem direito de vender suas acoes pelo mesmo preco pago ao controlador, oferecendo protecao integral aos acionistas nao controladores.
A estrutura acionaria da Oncoclínicas e composta por 3,5 bilhoes de acoes ordinarias (ON), sem emissao de acoes preferenciais (PN). O free float e de aproximadamente 30,14%, o que indica que cerca de 70% do capital social e detido por acionistas estrategicos, incluindo os fundadores do grupo, gestores medicos parceiros e possivelmente fundos de private equity que participaram da jornada pre-IPO. A empresa abriu o capital em agosto de 2021 na B3, captando recursos para financiar o ambicioso plano de expansao nacional por aquisicoes.
O Conselho de Administracao da Oncoclínicas e o principal orgao de deliberacao estrategica da companhia, responsavel por supervisionar a gestao executiva, aprovar planos de negocio, monitorar a performance financeira e zelar pelos interesses de todos os acionistas. O codigo CVM da empresa e 26123, e a situacao de registro perante a CVM e ativa. As demonstracoes financeiras sao auditadas e publicadas conforme as normas IFRS adotadas no Brasil (IFRS-BR), garantindo padrao internacional de divulgacao de informacoes financeiras.
No que diz respeito a politica de dividendos, o estatuto social da empresa tipicamente estabelece a distribuicao minima obrigatoria de 25% do lucro liquido ajustado como dividendos, conforme o artigo 202 da Lei das S.A. (Lei 6.404/1976). No entanto, diante do resultado liquido negativo nos periodos recentes, nao houve distribuicao de proventos, uma vez que a lei permite a retencao integral dos lucros quando a empresa registra prejuizo. Quando houver retorno a lucratividade, incidira a nova regra tributaria da Lei 15.270/2025, que estabelece retencao de 10% de Imposto de Renda sobre dividendos distribuidos acima de R$ 50 mil mensais por uma mesma empresa a um mesmo beneficiario, vigente a partir de 2026. O JCP (Juros sobre Capital Proprio), quando distribuido, tem retencao de 15% na fonte.
A companhia divulga informacoes periodicas ao mercado por meio do sistema da CVM (eSistemas/IPE) e do site de Relacoes com Investidores (RI) no endereco www.grupooncoclinicas.com/ri. Os principais eventos corporativos relevantes para os acionistas incluem: publicacao trimestral de resultados (ITR — Informacoes Trimestrais), publicacao anual das demonstracoes financeiras padronizadas (DFP) ate 31 de marco do exercicio seguinte, Assembleia Geral Ordinaria (AGO) no primeiro semestre de cada ano, e comunicados ao mercado (fatos relevantes e comunicados) publicados em tempo real sobre eventos materiais.
A governança da Oncoclínicas tambem e monitorada quanto ao cumprimento de covenants financeiros previstos em seus contratos de divida, que podem incluir restricoes sobre o nivel de alavancagem, indices de cobertura de juros e obrigacoes de desempenho. O descumprimento de covenants pode acionar clausulas de vencimento antecipado, aumentando o risco de refinanciamento.
Panorama competitivo
O mercado de oncologia privada no Brasil e liderado por um grupo seleto de players que combinam escala nacional com especialidade clinica. A Oncoclínicas disputa pacientes, medicos e contratos com operadoras contra redes hospitalares verticalizadas e centros de oncologia independentes de referencia.
A Rede D'Or Sao Luiz (RDOR3) e o principal concorrente por escala e capitalizacao. Alem de hospitais gerais de grande porte, a Rede D'Or opera o Instituto D'Or e investe ativamente em oncologia, tanto por meio de unidades proprias quanto por parcerias com grupos medicos especializados. Sua capacidade financeira e superior e a rede ja tem presencia em todos os grandes mercados do pais.
O Grupo Oncologico Sao Lucas (RS) e um dos principais players regionais no sul do Brasil, com forte presenca no Rio Grande do Sul, atendendo tanto pelo SUS quanto por planos de saude. Sua atuacao regional e historica e a marca e reconhecida entre oncologistas e pacientes do sul.
O Hospital Erasto Gaertner, vinculado a Liga Paranaense de Combate ao Cancer (LPCC), e referencia nacional em oncologia no Parana, com longa historia no tratamento de cancer e pesquisa clinica. Apesar de ser uma entidade filantrópica, compete com os players privados pela captacao de oncologistas e contratos com operadoras no mercado paranaense.
O A.C. Camargo Cancer Center (SP) e um dos centros oncologicos mais renomados do Brasil, com foco em casos complexos e pesquisa clinica de alto nivel. Opera sob modelo de filantropia com acreditacao internacional e atende prioritariamente pacientes de planos de saude de alta complexidade e particulares. Seu posicionamento e de excelencia clinica e nao de escala, competindo com a Oncoclínicas por medicos especialistas de alto nivel e contratos premium.
O Instituto Brasileiro de Controle do Cancer (IBCC, Sao Paulo) e outro centro de referencia paulistano com forte historico em tratamento oncologico ambulatorial e hospitalar, tambem com acreditacoes relevantes e base de pacientes consolidada na cidade de Sao Paulo.
No segmento de operadoras de saude que tambem prestam servico (modelos verticalizados), a Hapvida-NotreDame Intermédica (HAPV3) representa uma estrategia diferente: a verticalizacao do servico de saude, com presenca em oncologia nas suas proprias redes hospitalares e clinicas, atuando como concorrente indireto ao reduzir o encaminhamento de seus beneficiarios a redes terceiras como a Oncoclínicas.
No mercado de radioterapia especificamente, a Oncoclínicas compete com grupos como a Oncosite e com as unidades de radioterapia de hospitais gerais que investiram em aceleradores lineares modernos (como Varian e Elekta), equipamentos de custo elevado que funcionam como barreira de entrada para novos competidores de menor porte.
A competicao por medicos oncologistas e um fator critico: o Brasil forma um numero limitado de especialistas em oncologia por ano, e a disputa por profissionais qualificados entre redes hospitalares, clinicas independentes e o setor publico e intensa. Os grupos que oferecem melhores condicoes de remuneracao, equipamentos modernos e participacao acionaria (via modelos de sociedade medica) tem vantagem na captacao de talentos.
No ambiente de contratos com operadoras de saude, as maiores seguradoras e administradoras — Bradesco Saude, SulAmérica, Amil (UnitedHealth Group), Hapvida-NotreDame e Unimed — tem poder de barganha relevante nas negociacoes de tabelas de honorarios. Grupos de maior escala como a Oncoclínicas tendem a ter maior poder de negociacao do que clinicas independentes, mas a pressao por controle de custos das operadoras impoe tetos que limitam os reajustes de tabela.
No panorama de longo prazo, a consolidacao do setor oncologico privado brasileiro tende a continuar, dado o alto grau de fragmentacao atual e a crescente demanda por servicos especializados. Entretanto, o ambiente de taxas de juros que tornaram o custo do capital mais elevado nos ultimos anos tende a desacelerar a velocidade das aquisicoes e favorecer players com maior solidez de balanco patrimonial.
Indicadores explicados
**P/L (Preco/Lucro).** O P/L de ONCO3 e negativo porque a empresa registrou prejuizo nos periodos recentes. Isso e comum em empresas de saude em fase de expansao acelerada via aquisicoes, onde as despesas de integracao, amortizacao de ativos intangiveis adquiridos e encargos financeiros da divida superam o resultado operacional. O indicador se torna relevante quando a empresa atingir resultado positivo e for possivel comparar com pares do setor. Fórmula: Preco da acao / Lucro por Acao (LPA) nos ultimos 12 meses Cálculo: Preco R$ 1,24 / LPA = -R$ 1,1365 = P/L de -1,09x. O LPA negativo resulta de prejuizo liquido acumulado de R$ 3.671 bilhoes em 2025 e -R$ 438 milhoes no 1T2026, sobre base de 3,5 bilhoes de acoes. P/L negativo nao tem interpretacao analitica direta em empresas deficitarias (dados de 12/06/2026)
**P/VP (Preco/Valor Patrimonial).** Um P/VP acima de 1,0x indica que o mercado atribui valor alem dos ativos contabeis da empresa. Para ONCO3, o P/VP elevado em relacao ao patrimonio liquido reduzido reflete tanto a expectativa do mercado sobre o potencial de recuperacao operacional quanto o fato de que os ativos intangiveis — marcas, contratos com operadoras, goodwill de aquisicoes — nao sao capturados integralmente no patrimonio contabil. Entretanto, a continua erosao do patrimonio liquido por prejuizos successivos e um sinal de atencao para o investidor. Fórmula: Valor de Mercado / Patrimonio Liquido. Ou: Preco por acao / VPA Cálculo: Valor de mercado R$ 4.340.000.000 / Patrimonio Liquido R$ 621.001.000 (31/03/2026) = P/VP de 6,99x. Alternativamente: Preco R$ 1,24 / VPA R$ 0,18 = 6,89x (arredondamentos). Patrimonio Liquido caiu de R$ 1.062 bilhoes em 31/12/2025 para R$ 621 milhoes em 31/03/2026 refletindo o prejuizo do 1T2026 (dados de 12/06/2026)
**Dividend Yield (DY).** A Oncoclínicas nao distribuiu dividendos no periodo recente, o que e esperado para empresas em fase de expansao acelerada com resultado negativo. Quando houver retomada de distribuicao de proventos, incidira a retencao de 10% de IR sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais pagos a uma mesma pessoa, conforme a Lei 15.270/2025 vigente a partir de 2026. O JCP, caso adotado, tem retencao de 15% na fonte. Investidores focados em renda devem ter ciencia dessas regras tributarias. Fórmula: Dividendos pagos por acao nos ultimos 12 meses / Preco atual da acao x 100 Cálculo: Dividendos distribuidos nos ultimos 12 meses: R$ 0,00 (sem registro de proventos no periodo). DY = 0%. A empresa nao distribuiu dividendos no periodo analisado, em linha com sua situacao de resultado liquido negativo e necessidade de preservacao de caixa para servico da divida e investimentos (dados de 12/06/2026)
**ROE (Retorno sobre Patrimonio Liquido).** O ROE fortemente negativo de ONCO3 reflete o ciclo de prejuizos acumulados e a erosao do patrimonio liquido. Em empresas alavancadas com prejuizo, o ROE pode ser amplificado artificialmente — quanto menor o patrimonio liquido (denominador), mais negativo o ROE, mesmo que o prejuizo se mantenha constante. O indicador sera mais informativo quando a empresa retornar ao campo positivo, permitindo comparacao com pares como Rede D'Or e Hapvida. Fórmula: Lucro Liquido dos ultimos 12 meses / Patrimonio Liquido medio x 100 Cálculo: Lucro Liquido anualizado aproximado (base 2025): -R$ 3.671.107.000 / Patrimonio Liquido medio aproximado (media entre R$ 1.198.496.000 em set/25 e R$ 621.001.000 em mar/26) = media ~R$ 909 milhoes. ROE ≈ -403%. O indicador do sistema registra ROE de -640,54%, refletindo calculo com periodo distinto ou PL medio menor. ROE fortemente negativo indica destruicao de valor contabil (dados de 12/06/2026)
**ROIC (Retorno sobre Capital Investido).** O ROIC e considerado a metrica mais completa para avaliar a eficiencia na alocacao de capital, pois considera tanto o capital dos acionistas quanto o de terceiros (divida). Para ONCO3, o ROIC de -35,3% indica que por cada real de capital investido (proprios mais de divida), a empresa esta destruindo aproximadamente R$ 0,35 por ano. A reversao do ROIC para campo positivo e indicador fundamental de que a empresa passou a gerar retorno superior ao custo do capital. Fórmula: NOPAT (Lucro Operacional apos IR) / (Patrimonio Liquido + Divida Liquida) Cálculo: ROIC registrado de -35,3%. A Divida Liquida equivale a 6,0x o Patrimonio Liquido (R$ 621.001.000), o que implica Divida Liquida de aproximadamente R$ 3.726 bilhoes. Capital investido total estimado em ~R$ 4.347 bilhoes. ROIC negativo confirma que o retorno sobre o capital total empregado (proprio + terceiros) e negativo no periodo (dados de 12/06/2026)
**EV/EBITDA.** O EV/EBITDA e o multiplo mais utilizado para comparar empresas de saude, pois neutraliza efeitos de alavancagem e politicas contabeis. Para ONCO3, o EBITDA negativo inviabiliza o calculo, o que e um sinal importante sobre o estagio atual da empresa. O indicador voltara a ser calculavel quando a companhia reverter o EBITDA para terreno positivo, provavelmente apos concluir a fase mais intensa de integracao das unidades adquiridas. Fórmula: Enterprise Value (Valor de Mercado + Divida Liquida) / EBITDA dos ultimos 12 meses Cálculo: EBITDA negativo no periodo (Margem EBITDA de -37,64% sobre receita de ~R$ 5,7 bilhoes em 2025 implica EBITDA de aproximadamente -R$ 2,1 bilhoes). Com EBITDA negativo, o EV/EBITDA nao e calculavel de forma significativa — o indicador e reportado como nulo nos sistemas. EV estimado: R$ 4.340.000.000 + R$ 3.726.000.000 (Divida Liquida estimada) = ~R$ 8,1 bilhoes (dados de 12/06/2026)
**Margem EBITDA.** A margem EBITDA negativa indica que a Oncoclínicas ainda nao converteu sua receita operacional bruta em resultado positivo apos deducao de custos e despesas operacionais (antes de financeiras, impostos, depreciacao e amortizacao). A margem bruta de 14,75% mostra que ha alguma lucratividade bruta, mas as despesas gerais e administrativas, custos de integracao e amortizacao de goodwill das aquisicoes consomem esse excedente e geram resultado operacional negativo. Fórmula: EBITDA / Receita Liquida x 100 Cálculo: Margem EBITDA de -37,64% registrada nos dados dos indicadores. No 1T2026: Receita Liquida R$ 1.160.771.000 e Lucro Liquido -R$ 438.657.000, Margem Liquida -37,79%. Em 2025 (acumulado): Receita R$ 5.739.367.000 e Lucro Liquido -R$ 3.671.107.000, Margem Liquida -63,96%. A Margem Bruta registrada e de 14,75% sobre a receita (dados de 12/06/2026)
**Divida Liquida / Patrimonio Liquido (DL/PL).** A relacao DL/PL de 6,0x posiciona a Oncoclínicas entre as empresas mais alavancadas do setor de saude na B3. Este nivel de endividamento resulta do financiamento das aquisicoes realizadas apos o IPO de 2021 e pressiona o resultado financeiro da companhia com despesas de juros elevadas. A reducao da alavancagem e um dos principais desafios da administracao e um dos criterios mais monitorados pelos credores e analistas. Fórmula: Divida Liquida / Patrimonio Liquido Cálculo: DL/PL registrado de 6,0x. Patrimonio Liquido em 31/03/2026: R$ 621.001.000. Divida Liquida estimada: 6,0 x R$ 621.001.000 = aproximadamente R$ 3.726.006.000. Este nivel de alavancagem e substancialmente superior ao padrao do setor de saude privada brasileiro, que tipicamente opera entre 2,0x e 3,5x em ciclos de expansao (dados de 12/06/2026)
**LPA (Lucro por Acao).** O LPA negativo de ONCO3 reflete o ciclo de prejuizos que a empresa atravessa. Em 2024-2025, a companhia ampliou significativamente o numero de acoes (de 800 milhoes para 3,5 bilhoes), o que dilui o LPA mesmo que o prejuizo absoluto se mantenha, pois o denominador cresce. O LPA so retornara ao campo positivo quando o resultado liquido consolidado reverter para lucro. Fórmula: Lucro Liquido dos ultimos 12 meses / Numero total de acoes Cálculo: LPA = -R$ 1,1365 por acao. Base: Lucro Liquido acumulado dos ultimos 12 meses aproximado (usando 2025: -R$ 3.671.107.000) / total de acoes 3.500.000.000 = -R$ 1,049 por acao. O LPA registrado de -R$ 1,1365 reflete o periodo de 12 meses encerrando em 31/03/2026, incluindo o 1T2026 (-R$ 0,1253) e os tres trimestres de 2025 (dados de 12/06/2026)
**VPA (Valor Patrimonial por Acao).** O VPA de R$ 0,18 por acao representa o valor contabil por papel, calculado dividindo o patrimonio liquido pelo numero total de acoes. A queda sequencial do VPA — de R$ 0,34 em setembro de 2025 para R$ 0,18 em marco de 2026 — reflete a absorcao de prejuizos sucessivos. O P/VP alto em relacao ao VPA reduzido indica que o mercado ainda precifica expectativa de recuperacao futura alem do valor contabil atual. Fórmula: Patrimonio Liquido / Numero total de acoes Cálculo: VPA = R$ 621.001.000 / 3.500.000.000 acoes = R$ 0,177 por acao (arredondado para R$ 0,18 conforme registrado). Comparativo: VPA era R$ 0,30 em 31/12/2025 (PL R$ 1.062.407.000 / 3,5 bi acoes) e R$ 0,34 em 30/09/2025 (PL R$ 1.198.496.000 / 3,5 bi acoes), evidenciando a erosao do patrimonio pelo prejuizo (dados de 31/03/2026)
**PSR (Preco sobre Receita).** O PSR (Price-to-Sales Ratio) de 0,80x e util para empresas deficitarias, pois permite avaliar o valor de mercado em relacao ao tamanho da receita, independentemente do lucro. Um PSR abaixo de 1,0x pode indicar que o mercado desconta fortemente a capacidade da empresa de converter receita em lucro. Para empresas de saude em consolidacao, o PSR e frequentemente utilizado como referencia inicial de valuation quando os multiplos de lucro nao estao disponíveis. Fórmula: Valor de Mercado / Receita Liquida dos ultimos 12 meses Cálculo: PSR = 0,80x. Valor de Mercado R$ 4.340.000.000 / Receita Liquida aproximada dos ultimos 12 meses ~R$ 5.400.000.000 (estimativa baseada em 2025: R$ 5.739 bi e 1T2026: R$ 1.161 bi anualizado) ≈ 0,80x. O PSR abaixo de 1,0x indica que o mercado avalia a empresa em menos do que um ano de receita bruta (dados de 12/06/2026)
**Liquidez Corrente.** A liquidez corrente de 0,46x e um indicador de atencao para a saude financeira de curto prazo da Oncoclínicas. Valores abaixo de 1,0x sao comuns em empresas com ciclo operacional longo e modelo de financiamento via divida de longo prazo, mas exigem monitoramento da capacidade de rolagem das obrigacoes de curto prazo. A gestao ativa das linhas de credito, emissao de debenturas e renovacao de covenants bancarios e fundamental nesse contexto. Fórmula: Ativo Circulante / Passivo Circulante Cálculo: Liquidez Corrente = 0,46x. Um resultado abaixo de 1,0x indica que os passivos de curto prazo superam os ativos circulantes, o que significa que a empresa nao teria recursos de curto prazo suficientes para cobrir todas as obrigacoes imediatas apenas com seus ativos liquidos (dados de 12/06/2026)
Perguntas Frequentes
Qual o preço atual de ONCO3? A cotação mais recente de ONCO3 é de R$ 0,78.
Em qual setor ONCO3 está classificada? ONCO3 pertence ao setor Serviços Médicos na classificação da B3.
Qual o P/L de ONCO3? O índice Preço/Lucro (P/L) de ONCO3 é -0.22. Este indicador relaciona o preço da ação com o lucro por ação.
Qual o valor de mercado de ONCO3? O valor de mercado de ONCO3 é de aproximadamente R$ 883,7M, calculado a partir da cotação e do total de ações. Dado sujeito a variação a cada pregão.
Quantas ações ONCO3 possui emitidas? A companhia possui 1.132.929.494 ações emitidas, conforme dados públicos CVM/B3.
Qual o controle acionário de ONCO3? O controle acionário registrado é do tipo Privado, conforme cadastro público da companhia.
O que e a Oncoclínicas e qual e o seu modelo de negocio? A Oncoclínicas do Brasil Servicos Medicos S.A. (ONCO3) e a maior rede de oncologia privada da America Latina, fundada em 2010. Seu modelo combina atendimento ambulatorial, quimioterapia, imunoterapia, radioterapia e cirurgia oncologica em uma plataforma integrada. A empresa expande sua rede principalmente por meio de aquisicoes de clinicas e grupos medicos regionais, buscando ganhos de escala e poder de negociacao com operadoras de planos de saude.
Por que a Oncoclínicas registra prejuizos consecutivos? Os prejuizos decorrem principalmente de tres fatores: despesas financeiras elevadas relacionadas ao endividamento assumido para financiar aquisicoes; custos de integracao de clinicas recentemente adquiridas que ainda nao atingiram maturidade operacional; e amortizacao contabil de goodwill e ativos intangiveis gerados pelas compras. A receita cresce conforme a rede se expande, mas os custos estruturais e financeiros ainda superam o faturamento no periodo analisado.
Qual e a estrutura de acoes da Oncoclínicas? A empresa emite exclusivamente acoes ordinarias (ON), sem acoes preferenciais (PN). O total de acoes e de 3,5 bilhoes, resultado de ampliacoes realizadas para financiar o plano de expansao. O free float — parcela das acoes em circulacao livre no mercado — e de aproximadamente 30,14%. A empresa e listada no Novo Mercado da B3, o nivel de maior exigencia em governanca corporativa.
A Oncoclínicas paga dividendos? Nao no periodo recente, pois a empresa registra resultado liquido negativo. Empresas com prejuizo nao sao obrigadas a distribuir dividendos minimos. Quando retornar a lucratividade, a distribuicao dependera da politica de dividendos e das obrigacoes do estatuto social. Alem disso, a Lei 15.270/2025, vigente a partir de 2026, determina retencao de 10% de IR sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais. O JCP, se adotado, tem retencao de 15% na fonte.
O que significa a Oncoclínicas estar listada no Novo Mercado? O Novo Mercado e o mais exigente segmento de listagem da B3 em termos de governanca corporativa. Empresas nesse nivel devem emitir apenas acoes ordinarias (uma acao, um voto), ter conselho de administracao com minimo de 5 membros e 20% de independentes, e garantir tag along de 100% em mudancas de controle — ou seja, todos os acionistas tem direito de vender suas acoes pelo mesmo preco pago ao controlador em caso de comercializacao da companhia.
O que e o tag along e como ele se aplica a ONCO3? O tag along e o direito do acionista minoritario de participar de uma comercializacao do controle da empresa nas mesmas condicoes do controlador. Para acoes ON no Novo Mercado, o tag along e de 100%, garantindo que todos os acionistas recebam o mesmo preco por acao em caso de troca de controle. Isso representa uma protecao importante para os investidores minoritarios de ONCO3.
Qual e o impacto do alto endividamento da Oncoclínicas? A relacao Divida Liquida/Patrimonio Liquido de 6,0x indica que a empresa tem dividas liquidas equivalentes a seis vezes o capital proprio registrado em balanco. Isso gera despesas financeiras expressivas que pesam nos resultados, reduz a capacidade de novos investimentos sem captacao de recursos, e pode pressionar o cumprimento de covenants bancarios. A gestao da divida — por meio de refinanciamentos, emissao de debentures ou eventualmente novas captacoes de capital — e central para a trajetoria da empresa.
Quais sao os principais riscos do setor oncologico privado? Os principais riscos incluem: dependencia de contratos com operadoras de planos de saude que podem renegociar tabelas de honorarios; risco de glosas (recusa de pagamento por operadoras); regulacao pela ANS que pode ampliar coberturas obrigatorias sem equivalente reajuste de reembolso; escassez de oncologistas no mercado brasileiro; custo elevado de medicamentos oncologicos importados; e intensa competicao com grupos hospitalares como Rede D'Or e centros de referencia como A.C. Camargo Cancer Center.
Quantas acoes a Oncoclínicas tem e o que mudou recentemente? O total de acoes ordinarias saltou de 800 milhoes em 2023-2024 para 3,5 bilhoes em 2025 — um aumento de 337,5%. Essa ampliacao resulta de emissoes de acoes para captacao de recursos destinados a financiar aquisicoes de grupos medicos e refinanciar parte da divida. A diluicao expressiva impacta indicadores por acao como LPA e VPA, exigindo que o crescimento dos lucros futuros seja proporcional ao novo numero de papeis.
O que e o PSR e como interpretar o de ONCO3? O PSR (Price-to-Sales Ratio ou Preco sobre Receita) compara o valor de mercado da empresa com sua receita anual. Com PSR de 0,80x, o mercado precifica a Oncoclínicas em menos de um ano de sua receita bruta, o que pode indicar desconto expressivo em relacao ao potencial de negocio — ou refletir a incerteza sobre a capacidade de converter essa receita em lucro. O PSR e util para empresas deficitarias, pois pode ser calculado mesmo quando o lucro e negativo.
Qual e o impacto da Lei 15.270/2025 para acionistas da Oncoclínicas? A Lei 15.270/2025, vigente a partir de 2026, institui a retencao de 10% de Imposto de Renda na fonte sobre dividendos distribuidos por pessoas juridicas acima de R$ 50 mil mensais ao mesmo beneficiario. Para acionistas de ONCO3, isso significa que, quando a empresa voltar a distribuir proventos, os dividendos acima desse limite nao chegam mais liquidos e integralmente ao acionista — ha retencao de IR. O JCP continua com aliquota de 15% retida na fonte.
Qual e o site de Relacoes com Investidores da Oncoclínicas? As informacoes oficiais de RI da Oncoclínicas estao disponiveis em www.grupooncoclinicas.com/ri. La o investidor encontra demonstracoes financeiras auditadas, comunicados ao mercado (fatos relevantes), apresentacoes para investidores, composicao do conselho de administracao e demais documentos societarios exigidos pela CVM. A empresa tambem divulga documentos no sistema eSistemas da CVM (codigo 26123).
A Oncoclínicas atua com pesquisa clinica? Sim. A descricao de atividade registrada na CVM cita 'pesquisa e desenvolvimento experimental em ciencias fisicas e naturais' e 'intermediacao em pesquisa clinica'. A participacao em ensaios clinicos e pesquisas oncologicas e uma estrategia que agrega reputacao cientifica, atrai medicos de alto nivel e pode gerar receita adicional por meio de protocolos patrocinados por laboratorios farmaceuticos que testam novos medicamentos oncologicos.
Atualização
Dados consultados em 19/07/2026 nas fontes públicas citadas. Cotações e indicadores estão sujeitos a defasagem conforme a periodicidade de cada fonte.
Ativos do mesmo setor
Outros ativos do setor Serviços Médicos, para comparação:
Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.
