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NEOE3 — NEOENERGIA S.A.

Cotação, indicadores e dados históricos de NEOE3 (Ação). Dados B3/CVM atualizados.

Preço atual
R$ 33,80
P/L
7,68
P/VP
1,08
Dividend Yield (12m)
2,64%

Setor

Energia Elétrica

Desempenho recente

No período de 6m, NEOE3 apresentou variação de +5,33% em 84 pregões. Dados de cotação da B3, sujeitos a defasagem.

Faixa de 52 semanas

Nas últimas 52 semanas, NEOE3 oscilou entre R$ 23,15 a R$ 33,87. Média de R$ 31,17 no período. Dados B3, sujeitos a defasagem.

Indicadores Fundamentalistas

Dividend yield (12m): 2,64%. P/L: 7.68. P/VP: 1.08. ROE: 14,01%. Margem líquida: 9,69%. Valor de mercado: R$ 41,1B. Dados públicos B3/CVM, sujeitos a defasagem.

Indicadores Avançados

ROIC: 8,49%. ROA: 4,32%. EV/EBITDA: 6.34. EV/EBIT: 8.02. Margem EBITDA: 27,38%. Margem bruta: 28,47%. Dívida líquida/EBITDA: 3.55. Dívida líquida/Patrimônio: 1.37. Liquidez corrente: 1.50. LPA (lucro por ação): R$ 4,40. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 31,40. PSR (preço/receita): 0.76. Último provento: R$ 0,08 por ação. Indicadores de rentabilidade (ROIC, ROA), valuation por valor da firma (EV/EBITDA, EV/EBIT), margens, endividamento e liquidez, a partir de dados públicos B3/CVM. São referências informativas — a interpretação cabe a cada investidor.

Variações por período

Variação de NEOE3 em janelas recentes. Na semana: +0,00%. No mês: +0,00%. No ano: +4,39%. Fechamento anterior: R$ 33,80 (21/05/2026). Percentuais sobre preços de fechamento da B3, sujeitos a defasagem.

Últimos pregões

Fechamentos recentes de NEOE3: 22/05/2026: R$ 33,80; 21/05/2026: R$ 33,80; 20/05/2026: R$ 33,80; 19/05/2026: R$ 33,80; 18/05/2026: R$ 33,80. Dados de pregão da B3.

Histórico de proventos

NEOE3 registra 42 proventos anunciados em 10 anos de cobertura. Anúncios mais recentes: 30/12/2025 — JCP de R$ 0,08 por ação; 30/12/2025 — Dividendo de R$ 0,81 por ação; 17/06/2025 — JCP de R$ 0,22 por ação; 17/04/2025 — Dividendo de R$ 0,35 por ação; 17/12/2024 — JCP de R$ 0,26 por ação; 01/07/2024 — JCP de R$ 0,16 por ação; 19/04/2024 — Dividendo de R$ 0,25 por ação; 04/01/2024 — JCP de R$ 0,42 por ação. O histórico descreve anúncios passados e não projeta pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia.

Resultados financeiros recentes

Demonstrações trimestrais reportadas por NEOE3 (CVM): 31/03/2026: receita líquida de R$ 13,3B, lucro líquido de R$ 1,3B, margem líquida de 9,69%, LPA de R$ 1,06. 31/12/2025: receita líquida de R$ 52,6B, lucro líquido de R$ 5,1B, margem líquida de 9,61%, LPA de R$ 4,17. 30/09/2025: receita líquida de R$ 38,6B, lucro líquido de R$ 3,6B, margem líquida de 9,26%, LPA de R$ 2,95. 30/06/2025: receita líquida de R$ 25,1B, lucro líquido de R$ 2,6B, margem líquida de 10,52%, LPA de R$ 2,18. Valores consolidados conforme reportado, sujeitos a reapresentação.

Patrimônio líquido e VPA

Patrimônio líquido de R$ 38,1B na posição de 31/03/2026. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 31,40. Na posição de 30/06/2016, o patrimônio era de R$ 9,5B e o VPA era de R$ 7,81. Série contábil pública (CVM), sujeita a reapresentação.

Estrutura acionária

Composição do capital de NEOE3: Total de ações emitidas: 1.213.797.248. Ordinárias (ON): 1.213.797.248 (100,00%). Dados públicos CVM/B3.

Valores mobiliários listados

Códigos de negociação da companhia na B3: NEOE (Ações Ordinárias, Básico); NEOE3 (Ações Ordinárias, Novo Mercado). O segmento de listagem descreve o conjunto de regras de governança ao qual a companhia aderiu.

Valuation por fórmulas clássicas (Graham e Bazin)

Pela fórmula de Graham, o valor calculado para NEOE3 é de R$ 55,76 (diferença de 64,96% ante o preço usado no cálculo). Pela fórmula de Bazin (yield-alvo de 6% a.a.), o preço-teto calculado é de R$ 14,87, a partir de dividendo por ação de R$ 0,89. Valor intrínseco = raiz(22,5 x LPA x VPA). Requer LPA>0 e VPA>0. Preço-teto = dividendo por ação / 0,06 (yield-alvo 6% a.a.). São resultados de fórmulas públicas aplicadas a dados reportados — referências informativas cuja interpretação cabe a cada investidor; não constituem recomendação de compra ou venda.

Movimentações de administradores e pessoas ligadas

Negociações com ações de NEOE3 comunicadas por administradores, controladores e pessoas ligadas no período de 5 anos, conforme divulgação pública (CVM). Foram registradas 7 operações de compra e 24 operações de venda. Volume comprado: R$ 12,4B. Volume vendido: R$ 12,4B. Saldo líquido do período: -R$ 5.271.448,00. Dado factual de transparência — não indica, por si só, perspectiva sobre o ativo.

Como interpretar os indicadores de uma ação

Os indicadores fundamentalistas descrevem aspectos diferentes de uma empresa e costumam ser lidos em conjunto, não isoladamente. Abaixo, o que cada grupo representa de forma factual.

Múltiplos de avaliação (P/L, P/VP, PSR)

Múltiplos relacionam o preço de mercado a uma medida contábil. O P/L (preço sobre lucro) compara a cotação ao lucro por ação; o P/VP (preço sobre valor patrimonial) compara ao patrimônio por ação; o PSR (preço sobre receita) compara à receita por ação. São referências de avaliação relativa — fazem mais sentido comparados entre empresas de um mesmo setor do que isoladamente, já que cada setor tem faixas típicas distintas.

Rentabilidade (ROE, ROIC, ROA)

Os indicadores de rentabilidade medem a eficiência da empresa em gerar resultado a partir do capital. O ROE relaciona o lucro ao patrimônio líquido; o ROIC relaciona o resultado operacional ao capital total investido (próprio e de terceiros); o ROA relaciona o lucro ao total de ativos. Valores mais altos indicam maior eficiência relativa, mas dependem do setor e da estrutura de capital.

Valor da firma e margens (EV/EBITDA, margens)

O EV/EBITDA compara o valor da firma (valor de mercado mais dívida líquida) ao EBITDA, uma medida de geração de caixa operacional; é usado para comparar empresas com diferentes níveis de endividamento. As margens (bruta, EBITDA, líquida) expressam quanto da receita se converte em resultado em cada etapa, descrevendo a lucratividade da operação.

Endividamento e liquidez

A dívida líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida; a dívida líquida sobre patrimônio relaciona o endividamento ao capital próprio. A liquidez corrente compara ativos e passivos de curto prazo. Esses indicadores descrevem a estrutura financeira e o risco associado ao endividamento.

Dividendos (DY e payout)

O Dividend Yield (DY) relaciona os proventos distribuídos nos últimos doze meses ao preço da ação, e o payout indica a parcela do lucro distribuída como proventos. Ambos descrevem o histórico de distribuição e não projetam pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia. A interpretação de todos esses indicadores cabe a cada investidor, conforme seus objetivos e tolerância a risco.

Sobre a Empresa

Participação em outras sociedades

Identificação e registro

CNPJ: 01.083.200/0001-18. Código CVM: 15539. Situação do registro: Ativo. Constituída em 1996. Controle acionário: Privado. País de origem: Brasil. Site oficial: http://ri.neoenergia.com/. Dados cadastrais públicos da companhia (CVM/B3), sujeitos a atualização.

Dividendos

O dividend yield acumulado nos últimos 12 meses de NEOE3 é de 2,64%.

Eventos e Fatos Relevantes (CVM)

NEOE3 registra 100 evento(s) e comunicado(s) ao mercado publicados via CVM nos últimos 5 anos. As categorias mais frequentes: Assembleia (37), Fato Relevante (31), Dados Econômico-Financeiros (23). Os documentos completos podem ser consultados nos canais oficiais.

A Neoenergia S.A. (NEOE3) e uma das maiores companhias integradas de energia eletrica do Brasil, controlada pela multinacional espanhola Iberdrola. Opera em toda a cadeia eletrica: cinco distribuidoras regionais no Nordeste e Sudeste, um dos maiores portfolios privados de transmissao do pais, usinas hidreletricas e parques eolicos e solares em expansao, alem de comercializacao no mercado livre. Listada no Novo Mercado da B3 desde o IPO de 2019, com 1,213 bilhao de acoes ordinarias e patrimonio liquido consolidado superior a R$ 38 bilhoes. Setor regulado de alta previsibilidade de fluxo de caixa, com CAPEX intensivo em transmissao e renovaveis. Indicadores-chave e cotacao atualizados nos widgets desta pagina.

Sobre NEOENERGIA S.A.

A Neoenergia S.A. (NEOE3) e uma das maiores companhias integradas de energia eletrica do Brasil, controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, referencia global no setor de utilities e lider mundial em capacidade instalada de energia eolica. Fundada formalmente em 1996 e com presenca no pais desde o final da decada de 1990, a Neoenergia consolidou ao longo de quase tres decadas um portfolio que hoje abrange distribuicao, transmissao, geracao e comercializacao de energia — os quatro elos essenciais da cadeia eletrica nacional.

A trajetoria de formacao da companhia e marcada por etapas sucessivas de aquisicao e consolidacao. A entrada da Iberdrola no Brasil se deu pelos leiloes de privatizacao das distribuidoras nordestinas, quando o grupo adquiriu o controle da Coelba (Bahia), Celpe (Pernambuco) e Cosern (Rio Grande do Norte), concentrando uma base expressiva de consumidores no Nordeste, regiao com perfil de demanda crescente e recursos renovaveis abundantes. A expansao geografica ganhou novo impulso em 2012 com a aquisicao da Elektro, distribuidora com forte presenca no interior do estado de Sao Paulo e em Mato Grosso do Sul, completando a presenca no Sudeste. Em 2017, a fusao entre a Neoenergia original e a Elektro Holding criou a plataforma integrada atual, reunindo cinco distribuidoras sob uma unica estrutura corporativa e operacional. Em julho de 2019, a companhia realizou seu IPO na B3, listando acoes ordinarias no segmento Novo Mercado sob o ticker NEOE3, o que ampliou significativamente sua visibilidade junto a investidores institucionais e ao publico em geral.

O modelo de negocios da Neoenergia e verticalmente integrado e cobre quatro elos da cadeia eletrica. No segmento de distribuicao — historicamente o maior gerador de caixa da empresa —, a Neoenergia opera cinco distribuidoras regionais: Coelba (Bahia), Celpe (Pernambuco), Cosern (Rio Grande do Norte), Elektro (Sao Paulo e Mato Grosso do Sul) e Neoenergia Brasilia (Distrito Federal). Juntas, essas concessoes atendem um universo de dezenas de milhoes de unidades consumidoras, em regioes com perfis socioeconomicos distintos que moldam os desafios de perdas e inadimplencia. Esse segmento opera sob contratos de concessao com a ANEEL, sujeito a revisoes tarifarias periodicas que determinam a remuneracao da base de ativos regulatoria.

No segmento de transmissao, a Neoenergia construiu nos ultimos anos um dos maiores portfolios privados em operacao e em desenvolvimento do pais, fruto de participacoes consistentes e vitoriosas nos leiloes da ANEEL. As linhas de transmissao operam sob o regime de Receita Anual Permitida (RAP), um mecanismo regulatorio que garante fluxo de caixa previsivel, indexado a indices de inflacao, com exposicao minima a volumes de energia. Esse modelo e altamente complementar ao perfil mais operacionalmente intensivo da distribuicao.

Na geracao, a empresa combina ativos hidreletricos consolidados — como as usinas de Teles Pires (no Mato Grosso) e Baixo Iguacu (no Parana) — com uma carteira crescente de parques eolicos e solares, especialmente no Nordeste e no Sul do pais. A estrategia de forte expansao em renovaveis e coerente com a agenda global da Iberdrola, que investe bilhoes de euros anualmente na descarbonizacao da matriz eletrica em todos os paises em que atua. Na comercializacao, a Neoenergia captura margens adicionais atendendo clientes no Ambiente de Contratacao Livre (ACL), mercado onde grandes consumidores negociam diretamente contratos de energia.

A companhia tem capital social de aproximadamente R$ 20,9 bilhoes, representado por 1,213 bilhao de acoes ordinarias, totalmente negociaveis — estrutura que reflete o compromisso com o Novo Mercado, em que apenas acoes ordinarias sao emitidas, garantindo igualdade de direito de voto entre todos os acionistas. O patrimonio liquido consolidado supera R$ 38 bilhoes, conferindo uma base solida de valor contabil que sustenta a alavancagem necessaria ao ciclo de investimentos do setor.

No universo de utilities brasileiras, o posicionamento da NEOE3 e singular. Ao contrario de pares como a Taesa (TAEE11), de perfil puro em transmissao com alta distribuicao de dividendos e menor necessidade de reinvestimento, ou de empresas como a Equatorial (EQTL3), que expandiu da distribuicao para saneamento, a Neoenergia mantem foco na integracao plena ao longo do setor eletrico, maximizando sinergias entre os segmentos. A presenca da Iberdrola como controladora agrega acesso a capital global, tecnologia de ponta em redes inteligentes (smart grids), expertise em gestao de distribuidoras de grande porte e cultura de governanca inspirada nos melhores padroes europeus. Esses elementos combinados tornam a Neoenergia um caso peculiar no mercado brasileiro — uma empresa que concilia o rigor de uma multinacional global com a complexidade e as oportunidades do setor eletrico nacional.

Contexto de negocio e setor

O setor de energia eletrica brasileiro e um dos mais estrategicos, regulados e intensivos em capital da economia nacional. A cadeia produtiva e classicamente dividida em quatro elos: geracao (producao da energia a partir de hidreletricas, termoeletricas, eolicas, solares, nucleares e de biomassa), transmissao (transporte em alta tensao pelo Sistema Interligado Nacional, o SIN, que conecta as cinco regioes do pais), distribuicao (entrega em media e baixa tensao ao consumidor final, residencial, comercial e industrial) e comercializacao (intermediacao de contratos no Ambiente de Contratacao Livre, o ACL, onde grandes consumidores negociam diretamente). A Neoenergia opera em todos esses elos, o que lhe confere diversificacao de riscos e capacidade de capturar valor em toda a cadeia.

A matriz eletrica brasileira e uma das mais renovaveis do mundo. Historicamente ancorada na geracao hidraulica, que em anos hidrologicos favoraveis responde por mais de 60% da producao total, o Brasil expandiu rapidamente a participacao de eolica e solar na ultima decada, impulsionado por leiloes de energia de longo prazo que atraem investimentos privados. Em 2023, o pais ultrapassou 30 GW de capacidade eolica instalada e atingiu expressivo crescimento solar fotovoltaico, tanto centralizado quanto distribuido. Esse contexto favorece a estrategia da Neoenergia, cuja controladora Iberdrola investe globalmente em renovaveis e possui expertise consolidada em parques eolicos e solares em escala.

O marco regulatorio e densamente estruturado e tem a ANEEL (Agencia Nacional de Energia Eletrica) como principal regulador, responsavel por fiscalizar as concessoes de distribuicao e transmissao, conduzir leiloes, definir tarifas e aplicar penalidades. O ONS (Operador Nacional do Sistema Eletrico) gerencia a operacao em tempo real do SIN, enquanto a CCEE (Camara de Comercializacao de Energia Eletrica) administra a liquidacao financeira das transacoes. O CNPE (Conselho Nacional de Politica Energetica) define as diretrizes macropoliticas e o MME (Ministerio de Minas e Energia) coordena o planejamento setorial por meio da EPE (Empresa de Pesquisa Energetica).

As distribuidoras operam sob regime de concessao com prazo definido, sujeitas a revisoes tarifarias periodicas conduzidas pela ANEEL a cada quatro ou cinco anos, com reajustes anuais de repasse de custos entre os ciclos. O modelo tarifario divide as receitas em parcela A (custos nao gerenciaveis, como compra de energia, encargos setoriais e transmissao) e parcela B (custos gerenciaveis, sujeitos a eficiencia e sobre os quais a distribuidora e remunerada por uma taxa de retorno regulatoria sobre a base de ativos). A qualidade do servico e medida pelos indicadores DEC (Duracao Equivalente de Interrupcao por Unidade Consumidora) e FEC (Frequencia Equivalente), com metas definidas pela ANEEL e penalidades financeiras em caso de descumprimento. As transmissoras, por sua vez, recebem RAP (Receita Anual Permitida), fixada no leilao de outorga e corrigida anualmente por indices de inflacao, com deducoes por indisponibilidade de linhas — modelo de altissima previsibilidade e baixo risco de volume.

As barreiras de entrada no setor sao elevadissimas. As concessoes de distribuicao e transmissao sao outorgadas pelo poder publico via leilao e exigem capital intensivo, capacitacao tecnica e relacionamento regulatorio de longo prazo. O ciclo de capital e estendido: projetos de transmissao e geracao demandam CAPEX bilionario, prazos de construcao de dois a quatro anos e payback que se projeta por decadas. Essa intensidade torna o setor estruturalmente alavancado, com forte dependencia de financiamento de longo prazo via BNDES, debentures de infraestrutura incentivadas com beneficio fiscal pela Lei 12.431/2011, e mercado de capitais.

As exposicoes macroeconomicas sao multiplas. A taxa de juros (SELIC) afeta diretamente o custo de carregamento da divida e o valor presente dos fluxos de longo prazo, alem de tornar a renda fixa mais competitiva frente a acoes de utilities em ciclos de aperto monetario. A inflacao tem efeito ambivalente: corrige positivamente as receitas reguladas indexadas (RAP em transmissao, parte das tarifas de distribuicao) e o IPCA embute repasse em revisoes tarifarias, mas tambem eleva custos operacionais, especialmente de pessoal e materiais, com defasagem na recuperacao. O cambio impacta o CAPEX de equipamentos importados como aerogeradores, transformadores e turbinas. O PIB e o nivel de atividade economica determinam o volume de energia distribuida: industria e comercio respondem por parcela substancial da demanda e sao mais sensiveis ao ciclo economico que o consumo residencial.

No cenario competitivo, a Neoenergia disputa espaco com players de grande porte e perfis distintos. A Equatorial Energia (EQTL3) e o par mais proximo em perfil integrado, com expansao agressiva da distribuicao para transmissao e saneamento, atuando em regioes complementares. A CPFL Energia (CPFE3), controlada pela estatal chinesa State Grid, e lider em distribuicao no interior paulista. A Enel Brasil, braco da multinacional italiana, domina a distribuicao no Rio de Janeiro, Ceara e Sao Paulo. As estatais Cemig (CMIG4), Copel (CPLE6) e Eletrobras (ELET3) completam o mapa. Em transmissao pura, a Taesa (TAEE11) e o benchmark setorial. Cada player tem mix distinto de risco-retorno, e a Neoenergia destaca-se pela combinacao de integracao vertical com governanca privada de padrao internacional — diferencial raro no setor brasileiro.

Como ler os indicadores deste ativo

Analisar uma utility integrada como a Neoenergia requer uma abordagem especifica, distinta da usada em setores ciclicos ou de tecnologia. O setor eletrico brasileiro combina contratos regulados de longo prazo, fluxos de caixa estruturalmente previsíveis e necessidade constante de capital intensivo — o que torna os indicadores tradicionais de valuation e rentabilidade mais ricos quando lidos em conjunto e com o contexto do ciclo de investimentos da empresa.

O multiplo Preco sobre Lucro (P/L) mede quantas vezes o investidor paga pelo lucro anual da empresa. Em utilities reguladas, o P/L tende a ser moderado por conta da previsibilidade dos lucros, diferentemente de setores de crescimento de alto multiplo. Um P/L baixo em relacao ao setor pode indicar subavaliacao ou refleter expectativas de queda no lucro; um P/L elevado pode sinalizar premio por crescimento futuro, como o associado ao pipeline de transmissao e renovaveis da Neoenergia. A qualidade do lucro — quanto do lucro liquido efetivamente se converte em caixa — e essencial para contextualizar esse multiplo.

O Preco sobre Valor Patrimonial (P/VP) compara o valor de mercado com o patrimonio liquido contabil. Em setores de ativo intensivo como o eletrico, em que ha grandes volumes de ativos regulados no balanco, esse multiplo e util para identificar premios ou descontos em relacao ao valor reconhecido pela regulacao. Empresas com P/VP abaixo de 1 podem indicar que o mercado avalia os ativos abaixo de seu valor de reposicao ou que ha preocupacoes sobre retornos futuros; P/VP acima de 1 geralmente reflete expectativa de retornos superiores ao custo de capital, especialmente em projetos nao maturados.

O Dividend Yield (DY) e o indicador favorito de quem busca renda. Em utilities, onde o fluxo de caixa regulado e robusto, o DY costuma ser relevante. Contudo, no caso de companhias em forte expansao como a Neoenergia — com pipeline de CAPEX em transmissao e renovaveis — o payout pode ser deliberadamente calibrado abaixo de transmissoras puras como a Taesa, que distribuem mais por ter menos oportunidades de reinvestimento rentavel. Interpretar o DY isoladamente, sem considerar o pipeline de crescimento, pode levar a comparacoes equivocadas.

O Retorno sobre Patrimonio Liquido (ROE) mede a eficiencia na geracao de lucro a partir do capital dos acionistas. Em setores regulados, o ROE e comparado com o custo de capital proprio para aferir se a empresa cria ou destroi valor para o acionista. Um ROE sistematicamente acima do custo de capital e sinal de vantagem competitiva sustentavel; abaixo, indica necessidade de ajuste estrategico. E importante desagregar o ROE pela formula de Dupont — margem liquida, giro do ativo e alavancagem — para entender as alavancas do retorno.

O Retorno sobre Capital Investido (ROIC) e mais abrangente que o ROE porque inclui o capital de terceiros (divida). Em utilities alavancadas, o ROIC e o indicador mais relevante para comparar com o WACC (custo medio ponderado de capital). Um ROIC crescente indica que os novos projetos agregam valor; em fases de CAPEX intenso, o ROIC pode ser temporariamente pressionado pela presenca de ativos em construcao que ainda nao geram receita.

O EV/EBITDA (Valor da Empresa sobre EBITDA) e amplamente utilizado para comparar empresas com diferentes estruturas de capital. Em utilities, o EBITDA reflete bem a capacidade de geracao operacional de caixa, eliminando distorcoes de alavancagem e amortizacao de ativos. Valores abaixo do historico setorial podem indicar subavaliacao; valores elevados, premium por crescimento ou qualidade dos ativos regulados.

A Margem EBITDA captura a eficiencia operacional e a qualidade da geracao de caixa. Em utilities integradas, e util monitorar a margem por segmento: a transmissao tende a ter margens mais altas e estaveis; a distribuicao, margens mais comprimidas e sensiveis a perdas e inadimplencia; a geracao, margens variaveis de acordo com o regime hidrologico e os termos dos contratos de comercializacao de longo prazo.

A relacao Divida Liquida sobre EBITDA e o principal indicador de alavancagem e de capacidade de servico da divida. No setor eletrico, niveis entre 3 e 4 vezes sao comuns e nao indicam necessariamente estresse — mas exigem que a maior parte das receitas seja regulada e previsivel. O monitoramento da composicao da divida (prazo, moeda, indexador) e do cronograma de amortizacao e tao importante quanto o multiplo em si.

O Lucro por Acao (LPA) e o Valor Patrimonial por Acao (VPA) traduzem os resultados da empresa por unidade de acao, facilitando a comparacao entre diferentes tamanhos de empresa e servindo de base para os calculos do P/L e P/VP. A evolucao do LPA ao longo dos trimestres sinaliza a trajetoria de rentabilidade; a do VPA indica o crescimento do patrimonio.

Leitura conjunta e mais poderosa que a analise isolada de qualquer indicador. Um ciclo de CAPEX intenso, por exemplo, tende a elevar a divida e comprimir temporariamente o ROIC e o ROE — o que pode parecer deterioracao mas pode refletir investimentos em projetos de transmissao e geracao que entregarao retorno nos anos seguintes. Comparar a NEOE3 com peers exige normalizar o mix de negocios: confronta-la com a Taesa (TAEE11) em dividend yield seria injusto, dado o diferente perfil de maturidade dos ativos e da politica de reinvestimento de cada empresa.

Pontos de atencao

O risco regulatorio e o fator estrutural mais relevante para a Neoenergia. As tarifas de distribuicao sao revisadas pela ANEEL em ciclos de quatro a cinco anos, e decisoes que reduzam a base de remuneracao regulatoria ou elevem a eficiencia exigida comprimem diretamente as margens das cinco distribuidoras da companhia. Mudancas na interpretacao regulatoria sobre custos reconhecidos ou no modelo de repasse da parcela A afetam o caixa gerado pela distribuicao, que representa parcela relevante do EBITDA consolidado.

As perdas comerciais — furto de energia e inadimplencia — nas concessoes nordestinas (Coelba, Celpe e Cosern) representam desafio cronico e estrutural. Essas tres distribuidoras atendem regioes com condicoes socioeconomicas mais vulneraveis, o que eleva o nivel de perdas nao tecnicas acima da media nacional. Qualquer deterioracao do emprego ou da renda nas regioes Nordeste pode ampliar esse desafio, com impacto na parcela B da receita que nao e integralmente compensada pela tarifa regulada.

A alta alavancagem financeira — divida liquida de aproximadamente 3,55 vezes o EBITDA — torna a Neoenergia sensivel ao ciclo de juros. Com a SELIC em patamar elevado, o custo de rolagem da divida sobe, encarece novos projetos de CAPEX e pressiona o fluxo de caixa disponivel para dividendos. O perfil de vencimento da divida e a parcela indexada a taxas flutuantes sao variaveis criticas a monitorar, especialmente em ciclos de aperto monetario prolongado.

A dependencia de vitorias em leiloes da ANEEL para o crescimento no segmento de transmissao introduz risco de execucao e de disciplina de capital. Competicao acirrada de grupos brasileiros, europeus e fundos de infraestrutura nos leiloes pode comprimir as taxas internas de retorno dos projetos. Por outro lado, perder leiloes limita o pipeline de receita futura. O equilibrio entre agressividade nos lances e rentabilidade minima e um dos diferenciais de gestao que separa as utilities bem-sucedidas das que destroem valor.

A exposicao cambial no CAPEX de equipamentos e relevante. Aerogeradores, transformadores de alta tensao e componentes de sistemas solares tem parcela significativa de conteudo importado. Em cenarios de desvalorizacao acentuada do real frente ao dolar e ao euro, o custo de projetos contratados a precos anteriores pode superar o orcamento, comprimindo o retorno efetivo. Projetos de longa construcao sao particularmente vulneraveis a esse risco cambial acumulado.

O risco hidrologico afeta o segmento de geracao hidraulica da Neoenergia. Em anos de baixa afluencia nos rios — como os episodios de seca que afetaram o SIN em 2012, 2015 e 2021 —, a garantia fisica das hidreletricas pode ser insuficiente para cobrir os contratos de comercializacao de energia, exigindo compra no mercado de curto prazo a precos potencialmente elevados. A diversificacao crescente para eolica e solar, cujas geracoes tem baixa correlacao com a afluencia hidrica, mitiga mas nao elimina essa exposicao.

A geracao distribuida — paineis solares instalados diretamente nos telhados de residencias e empresas — representa um risco estrutural de longo prazo para o modelo tradicional das distribuidoras. A expansao acelerada da micro e minigeracao, estimulada pelo marco legal da Lei 14.300/2022, reduz o volume de energia faturada pelas distribuidoras no mercado cativo. Mudancas futuras no marco tarifario da GD, especialmente nas regras de compensacao de energia injetada na rede, podem afetar o equilibrio economico-financeiro das concessoes.

A concentracao do controle na Iberdrola, multinacional espanhola, significa que as prioridades estrategicas do grupo global determinam as decisoes de alocacao de capital e politica de dividendos da Neoenergia. Em momentos de expansao acelerada da Iberdrola em outros mercados (Europa, EUA, Mexico), pode haver competicao interna por capital ou por prioridade de gestao que nao necessariamente beneficia o minoritario brasileiro. A agenda global da controladora e um contexto que deve ser acompanhado pelos investidores de NEOE3.

O custo e o prazo do licenciamento ambiental de projetos de transmissao e geracao no Brasil representam riscos operacionais relevantes. Linhas de transmissao que cruzam areas de preservacao, terras indigenas ou regioes de conflito fundiario enfrentam processos de licenciamento junto ao IBAMA que podem atrasar a entrada em operacao por meses ou anos. Esse atraso posterga a geracao de RAP e impacta negativamente o retorno do projeto, alem de elevar os custos financeiros durante a fase de construcao.

A ciclicidade do consumo de energia industrial vincula parte da receita das distribuidoras da Neoenergia ao desempenho da economia. Em cenarios de fraco crescimento do PIB, desaceleracao da producao industrial e queda do comercio, o volume de energia distribuida tende a estagnar ou recuar, especialmente nas concessoes com maior concentracao de grandes industrias consumidoras. Esse risco de volume afeta a parcela B da receita das distribuidoras e nao e totalmente compensado pelo mecanismo tarifario.

A complexidade da estrutura corporativa — cinco distribuidoras, multiplos projetos de transmissao em diferentes estagios de construcao, ativos hidreletricos, parques eolicos e solares, e uma operacao de comercializacao — dificulta a analise desagregada e exige que o investidor vá alem dos numeros consolidados. Resultados fortes em transmissao podem mascarar desempenho fraco em determinadas distribuidoras, e vice-versa. A leitura dos relatorios de resultados segmentados e dos relatorios de qualidade por distribuidora e indispensavel para uma avaliacao completa.

A legislacao tributaria sobre dividendos passou por mudanca relevante com a Lei 15.270/2025, que estabeleceu retencao de Imposto de Renda de 10% sobre valores de dividendos recebidos por pessoas fisicas que excedam R$ 50 mil mensais, com vigencia a partir de 2026. Embora afete apenas os maiores recebedores, essa mudanca altera o planejamento de investidores de maior patrimonio que utilizavam NEOE3 como veiculo de renda via dividendos, podendo influenciar o comportamento de negociacao do papel em datas proximas aos pagamentos.

Governanca e estrutura societaria

A Neoenergia S.A. opera sob controle definido e privado da Iberdrola S.A., multinacional espanhola fundada em 1901 e hoje uma das maiores utilities do mundo em capacidade instalada, com forte protagonismo em energia renovavel na Europa, Americas e Asia. A Iberdrola e acionista majoritaria da Neoenergia, detendo participacao de controle que lhe garante a definicao das diretrizes estrategicas, a indicacao dos principais executivos e o controle sobre a politica de alocacao de capital. Esse vinculo com um grupo global de referencia em governanca, ESG e transicao energetica e um dos diferenciais estruturais da Neoenergia em relacao a competidores de controle estatal ou de capital mais pulverizado.

A Previ — Caixa de Previdencia dos Funcionarios do Banco do Brasil —, um dos maiores fundos de pensao da America Latina, figura historicamente como acionista relevante de longo prazo da companhia. A presenca da Previ no grupo de acionistas de referencia adiciona a perspectiva de um investidor institucional focado em dividendos estaveis e preservacao de capital, cujos interesses tendem a ser mais alinhados aos do minoritario de longo prazo do que os de investidores de curto prazo.

A empresa esta listada no Novo Mercado da B3 desde o seu IPO em julho de 2019 — o nivel mais rigoroso de governanca corporativa da bolsa brasileira. As obrigacoes do Novo Mercado incluem: emissao exclusiva de acoes ordinarias (todas com direito a voto, sem classes diferenciadas), tag along de 100% para todos os acionistas ordinarios em caso de transferencia do controle acionario (garantindo que o minoritario receba o mesmo valor por acao que o controlador em qualquer oferta de aquisicao), conselho de administracao com no minimo 20% de membros independentes (a Neoenergia supera esse piso), divulgacao de demonstracoes financeiras em padrao IFRS e em portugues e ingles, adesao ao arbitramento pela Camara de Arbitragem do Mercado (CAM-B3) em vez de via judicial para resolucao de conflitos societarios, e publicacao de Relatorio Anual integrado com informacoes financeiras e de sustentabilidade.

O conselho de administracao da Neoenergia e composto por membros indicados pela Iberdrola (que detem a maioria), representantes dos demais acionistas relevantes e conselheiros independentes. A composicao busca equilibrar a visao estrategica do controlador com supervisao independente, incluindo competencias em energia, regulacao, financas, tecnologia e sustentabilidade — areas criticas para uma utility integrada em transicao energetica acelerada. A remuneracao da alta administracao e dos conselheiros e estruturada para alinhar incentivos ao desempenho de longo prazo, com metricas de retorno sobre capital, operacionais e de sustentabilidade.

A politica de dividendos da Neoenergia reflete o estagio de crescimento da companhia. Diferentemente de transmissoras puras como a Taesa (TAEE11), que distribuem a maior parte do lucro por nao terem pipeline relevante de reinvestimento, a Neoenergia calibra o payout para equilibrar remuneracao ao acionista com financiamento do robusto CAPEX em transmissao e renovaveis. Os dividendos sao declarados em assembleia geral e podem ser pagos em multiplas parcelas ao longo do ano, historicamente com distribuicoes semestrais e anuais. E relevante notar que, desde 2026, a Lei 15.270/2025 estabelece retencao de 10% de Imposto de Renda sobre valores de dividendos de acoes recebidos por pessoas fisicas que excedam R$ 50 mil mensais — alteracao relevante para investidores de maior patrimonio.

Em termos de eventos corporativos relevantes, a historia da Neoenergia inclui a fusao transformadora com a Elektro Holding em 2017 e o IPO em 2019 como marcos estruturantes. A companhia participa ativamente de leiloes de transmissao e geracao da ANEEL, evento periodico que define o pipeline de crescimento e pode incluir aquisicoes societarias de ativos vencedores. O capital social esta fixado em aproximadamente R$ 20,9 bilhoes desde 2024, com estrutura de acoes exclusivamente ordinarias que confere uniformidade de direitos a todos os acionistas. A Neoenergia mantem canais de Relacoes com Investidores ativos, com publicacao de resultados trimestrais, apresentacoes de guidance e comunicacoes ao mercado conforme a ICVM 44/2021 e as normas da CVM.

Panorama competitivo

O setor eletrico brasileiro e um oligopolio regulado em que um numero limitado de grandes grupos disputa concessoes de distribuicao, vence leiloes de transmissao e geracao, e compete por consumidores no mercado livre. A Neoenergia nao enfrenta ameaca de entrada de novos competidores pequenos — as barreiras regulatorias, de capital e de escala sao altissimas —, mas compete intensamente com outros grupos de grande porte por leiloes, por talentos, por CAPEX racional e por percepcao do mercado de capitais.

O concorrente mais proximo em perfil integrado e a Equatorial Energia (EQTL3), conglomerado brasileiro fundado em 2004 e hoje um dos mais dinamicos do setor. A Equatorial construiu sua trajetoria na recuperacao de distribuidoras com desempenho deteriorado — como a Celmar no Maranhao — e expandiu seu modelo para novas distribuidoras, para transmissao (com portfolio crescente) e para saneamento (via Equatorial Par, controladora de concessionarias de agua e esgoto). A Equatorial compete diretamente com a Neoenergia nos leiloes de transmissao da ANEEL e e frequentemente comparada como par em valuation por investidores institucionais. A principal diferenca e que a Neoenergia tem respaldo de uma multinacional global como controladora, enquanto a Equatorial e de controle nacional, o que implica dinamicas distintas de acesso a capital internacional e tecnologia.

A CPFL Energia (CPFE3), controlada pela State Grid Corporation of China desde 2017, e lider em distribuicao no interior do estado de Sao Paulo, atuando por meio de distribuidoras como CPFL Paulista, CPFL Piratininga, RGE e CPFL Santa Cruz. A CPFL tambem tem presenca em geracao renovavel, especialmente eolica, e em transmissao. O controle estatal chines confere acesso a capital abundante, mas tambem gera questionamentos regulatorios e geopoliticos em um setor considerado infraestrutura critica pelo governo brasileiro.

A Enel Brasil e o braco operacional da italiana Enel, gigante global de utilities com presenca em mais de 30 paises. No Brasil, a Enel controla as distribuidoras Enel Distribuicao Rio (ex-Ampla), Enel Distribuicao Ceara (ex-Coelce) e Enel Distribuicao Sao Paulo (ex-Eletropaulo), sendo esta ultima a maior distribuidora do pais em volume de energia e numero de consumidores. A Enel ainda atua em geracao renovavel com parques eolicos e solares. Em 2023, a Enel vendeu sua operacao de distribuicao no Rio de Janeiro para a Equatorial, em movimento que ilustra a dinamica de consolidacao do setor. A Enel compete com a Neoenergia especialmente nos leiloes de geracao e nas decisoes de politica regulatoria junto a ANEEL.

No segmento de transmissao pura, a Taesa (TAEE11) e o benchmark setorial — um vetor de comparacao para rendimento via dividendos e qualidade de fluxo de caixa regulado. A Taesa nao compete diretamente com a Neoenergia por distribuidoras, mas disputa nos mesmos leiloes de linhas de transmissao da ANEEL. O seu modelo de alta distribuicao de proventos reflete a maturidade do portfolio e a ausencia de necessidade de reinvestimento intenso, contrastando com o ciclo de crescimento da Neoenergia.

As estatais federais e estaduais completam o cenario competitivo. A Eletrobras (ELET3), privatizada em 2022 em um dos maiores processos do mercado de capitais brasileiro, e hoje uma empresa de capital aberto com participacao em geracao e transmissao, embora ainda guarde tracos da cultura estatal em processo de transformacao. A Cemig (CMIG4), de controle do governo de Minas Gerais, e a Copel (CPLE6), do Parana — esta parcialmente privatizada —, atuam como concorrentes em leiloes, mas com diferentes dinamicas de governanca e capacidade de alocacao de capital.

As vantagens competitivas sustentaveis da Neoenergia derivam de tres pilares estruturais. Primeiro, a integracao vertical ao longo de toda a cadeia eletrica — geracao, transmissao, distribuicao e comercializacao —, que permite capturar sinergias operacionais, diversificar fontes de receita e alocar capital nos segmentos com melhores retornos em cada ciclo. Segundo, o respaldo da Iberdrola como controladora, que oferece acesso a capital internacional, tecnologia de ponta em redes inteligentes, gestao de portfolio renovavel global e cultura de compliance de nivel europeu. Terceiro, a escala das cinco distribuidoras, que gera poder de barganha em compras, eficiencia administrativa e capacidade de absorver custos regulatorios de forma mais eficiente que players menores.

As tendencias de longo prazo do setor favorecem empresas com portfolio diversificado e capacidade de investimento em renovaveis. A transicao energetica — substituicao de fontes fosseis por eolica, solar e armazenamento — e o processo de eletrificacao do transporte e do calor industrial criarao demanda crescente por energia limpa e por modernizacao das redes de distribuicao. A Neoenergia, alinhada ao roadmap global da Iberdrola e com portfolio de geracoes renovaveis em expansao, esta posicionada para capturar parte relevante desse crescimento estrutural no mercado brasileiro.

Indicadores explicados

**P/L (Preco sobre Lucro).** O P/L de 7,68 indica que o mercado paga aproximadamente 7,7 vezes o lucro anual por acao da Neoenergia. Para uma utility integrada de ativo regulado, esse multiplo e relativamente moderado e deve ser lido no contexto do ciclo de CAPEX intenso em transmissao e renovaveis. Multiplos mais baixos podem refletir tanto desconto por risco regulatorio quanto oportunidade de entrada em empresa com lucros estaveis. A comparacao com pares do setor eletrico e o historico proprio da empresa sao referencias essenciais. Fórmula: P/L = Preco da Acao / LPA (Lucro por Acao dos ultimos 12 meses) Cálculo: P/L = R$ 33,80 / R$ 4,40 = 7,68 (dados de 22/05/2026)

**P/VP (Preco sobre Valor Patrimonial).** O P/VP de 1,08 mostra que o mercado avalia a Neoenergia com leve premio sobre seu valor contabil. Em utilities reguladas com base de ativos robusta — como as cinco distribuidoras e o portfolio de transmissao —, um P/VP proximo de 1 indica que o mercado nao precifica crescimento expressivo acima do custo de capital ou que as expectativas ja estao ancoradas na qualidade dos ativos existentes. Um P/VP muito abaixo de 1 poderia sinalizar preocupacao com retornos; acima de 1,5, um premium significativo de crescimento. Fórmula: P/VP = Preco da Acao / VPA (Valor Patrimonial por Acao) Cálculo: P/VP = R$ 33,80 / R$ 31,40 = 1,08 (dados de 22/05/2026 e balanco de 31/03/2026)

**DY (Dividend Yield).** O DY estimado de 3,25% e compativel com o perfil de uma utility em expansao que calibra o payout para financiar o pipeline de CAPEX em transmissao e renovaveis. Desde 2023, a Neoenergia distribuiu dividendos em multiplas tranches anuais e semestrais, com valores por acao variando conforme o lucro de cada periodo. Investidores devem ter em conta que dividendos de acoes no Brasil passaram a ter retencao de 10% sobre valores acima de R$ 50 mil mensais para pessoas fisicas, conforme a Lei 15.270/2025, vigente a partir de 2026. Fórmula: DY = Dividendos por Acao (ultimos 12 meses) / Preco da Acao x 100 Cálculo: DY estimado = 3,25% — com base em payout estimado sobre LPA de R$ 4,40 e preco de R$ 33,80 (dados de 22/05/2026; fonte: payout_estimado)

**ROE (Retorno sobre Patrimonio Liquido).** O ROE de 14,01% indica que a Neoenergia gerou aproximadamente R$ 14 de lucro para cada R$ 100 de patrimonio dos acionistas, nivel robusto para uma utility regulada em ciclo intenso de investimentos. A Iberdrola, como controladora, exige disciplina de retorno sobre capital, e o ROE sistematicamente acima do custo de capital proprio seria sinal de criacao de valor. Em fases de CAPEX elevado, o ROE pode ser temporariamente pressionado pelo crescimento do denominador antes de os novos ativos maturarem receita. Fórmula: ROE = Lucro Liquido (ultimos 12 meses) / Patrimonio Liquido Medio x 100 Cálculo: ROE = R$ 5.057.000.000 / R$ 36.584.000.000* = 13,82% ~ 14,01% reportado (dados de 31/12/2025 e 22/05/2026). *Patrimonio liquido de 31/12/2025 usado como aproximacao do medio.

**ROIC (Retorno sobre Capital Investido).** O ROIC de 8,49% representa o retorno gerado sobre todo o capital alocado na operacao — proprio e de terceiros. Comparado ao custo medio ponderado de capital (WACC), esse indicador mostra se a empresa cria ou destroi valor economico. Em fases de crescimento, parte relevante do capital investido ainda esta em construcao (projetos de transmissao e parques renovaveis), o que pode subestimar o ROIC prospectivo. A comparacao inter-temporal e com pares sao mais indicativas do que o valor absoluto num momento isolado. Fórmula: ROIC = NOPAT (Lucro Operacional Apos Impostos) / Capital Investido Total x 100 Cálculo: ROIC = 8,49% reportado. Capital investido = Patrimonio Liquido + Divida Liquida = R$ 38.112.000.000 + R$ 51.158.000.000* = R$ 89.270.000.000. *Divida liquida = 3,55 x EBITDA de R$ 14.411.000.000 = R$ 51.159.000.000 (dados de 22/05/2026 e balanco 31/03/2026).

**EV/EBITDA (Valor da Empresa sobre EBITDA).** O EV/EBITDA de 6,34 e um dos multiplos preferidos para valuation de utilities por eliminar distorcoes de alavancagem e depreciacoes significativas. Um multiplo nesse nivel e considerado moderado para o setor eletrico brasileiro e pode indicar que o mercado nao precifica integralmente o pipeline de transmissao em construcao, que gera RAP futura ja contratada mas ainda nao maturada em EBITDA. Comparar esse multiplo com o historico da empresa e com pares como EQTL3 e CPFE3 oferece perspectiva de avaliacao relativa. Fórmula: EV/EBITDA = (Market Cap + Divida Liquida) / EBITDA dos ultimos 12 meses Cálculo: EV = R$ 41.026.000.000 + R$ 51.159.000.000 = R$ 92.185.000.000. EBITDA = 27,38% x R$ 52.633.000.000 = R$ 14.411.000.000. EV/EBITDA = R$ 92.185.000.000 / R$ 14.411.000.000 = 6,40 ~ 6,34 reportado (dados de 22/05/2026 e ano fiscal 2025).

**Margem EBITDA.** A margem EBITDA de 27,38% reflete a capacidade da Neoenergia de converter receita em caixa operacional, descontando apenas os custos operacionais. Para uma empresa com mix de distribuicao (margens mais comprimidas por perdas e custos regulados), transmissao (margens altissimas, proximas de 80% nas linhas maduras) e geracao (margens intermediarias), esse nivel consolida perfis distintos. Acompanhar a evolucao da margem por segmento e mais informativo do que olhar apenas o numero consolidado. Fórmula: Margem EBITDA = EBITDA / Receita Liquida x 100 Cálculo: Margem EBITDA = R$ 14.411.000.000 / R$ 52.633.000.000 = 27,38% (dados de 31/12/2025 — receita e EBITDA do ano fiscal 2025).

**Divida Liquida / EBITDA.** O indice de 3,55 vezes posiciona a Neoenergia dentro da faixa tipica de utilities brasileiras em ciclo de expansao — entre 3 e 4 vezes e considerado administravel quando a maior parte da receita e regulada e previsivel. O nivel de alavancagem reflete o historico de investimentos em leiloes de transmissao e projetos de geracao renovavel, financiados com debentures de infraestrutura e linhas de longo prazo do BNDES. Monitorar a composicao e o prazo medio da divida e tao relevante quanto o multiplo. Fórmula: Divida Liquida / EBITDA = (Divida Bruta - Caixa e Equivalentes) / EBITDA dos ultimos 12 meses Cálculo: Divida Liquida / EBITDA = 3,55 reportado (dados de 22/05/2026). Isso implica Divida Liquida = 3,55 x R$ 14.411.000.000 = R$ 51.159.000.000.

**LPA (Lucro por Acao).** O LPA de R$ 4,40 representa o lucro gerado por cada acao ordinaria da Neoenergia nos ultimos doze meses. Esse indicador e a base do calculo do P/L e permite comparar a rentabilidade por unidade de acao entre diferentes exercicios. A evolucao do LPA ao longo dos trimestres — visivel nos resultados trimestrais publicados no site de RI da companhia — e um dos sinais mais diretos da trajetoria de rentabilidade. O crescimento consistente do LPA, quando acompanhado de ROE saudavel, reforça a tese de geracao de valor. Fórmula: LPA = Lucro Liquido dos ultimos 12 meses / Numero Total de Acoes Cálculo: LPA = R$ 5.340.000.000* / 1.213.797.248 acoes = R$ 4,40 (dados de 22/05/2026). *Lucro estimado TTM com base nos resultados disponiveis.

**VPA (Valor Patrimonial por Acao).** O VPA de R$ 31,40 indica o valor contabil de cada acao da Neoenergia, calculado a partir do patrimonio liquido consolidado. A relacao entre o VPA e o preco de mercado forma o P/VP, indicador de referencia para avaliar se o mercado precia a empresa com desconto ou premio sobre seus ativos liquidos. O crescimento do VPA ao longo dos trimestres — de R$ 29,93 em setembro de 2025 para R$ 31,40 em marco de 2026 — reflete a retencao de lucros e o crescimento organico do patrimonio. Fórmula: VPA = Patrimonio Liquido / Numero Total de Acoes Cálculo: VPA = R$ 38.112.000.000 / 1.213.797.248 acoes = R$ 31,40 (dados do balanco de 31/03/2026).

Perguntas Frequentes

Qual o preço atual de NEOE3? A cotação mais recente de NEOE3 é de R$ 33,80.

Em qual setor NEOE3 está classificada? NEOE3 pertence ao setor Energia Elétrica na classificação da B3.

Qual o P/L de NEOE3? O índice Preço/Lucro (P/L) de NEOE3 é 7.68. Este indicador relaciona o preço da ação com o lucro por ação.

NEOE3 paga dividendos? NEOE3 apresenta dividend yield de 2,64% nos últimos 12 meses.

Qual o ROE de NEOE3? O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de NEOE3 é de 14,01%. O indicador relaciona o lucro ao patrimônio líquido e descreve a rentabilidade contábil da companhia.

Qual o valor de mercado de NEOE3? O valor de mercado de NEOE3 é de aproximadamente R$ 41,1B, calculado a partir da cotação e do total de ações. Dado sujeito a variação a cada pregão.

Quantas ações NEOE3 possui emitidas? A companhia possui 1.213.797.248 ações emitidas, conforme dados públicos CVM/B3.

Qual o controle acionário de NEOE3? O controle acionário registrado é do tipo Privado, conforme cadastro público da companhia.

O que faz a Neoenergia? A Neoenergia (NEOE3) e uma das maiores companhias integradas de energia eletrica do Brasil, controlada pelo grupo espanhol Iberdrola. Sua operacao abrange quatro elos da cadeia eletrica: geracao (hidreletricas, parques eolicos e solares), transmissao (linhas de alta tensao com Receita Anual Permitida), distribuicao (cinco distribuidoras regionais atendendo dezenas de milhoes de consumidores no Nordeste e Sudeste) e comercializacao (atendimento a clientes no mercado livre). Essa integracao vertical diferencia a companhia de pares especializados em apenas um dos segmentos.

Quem controla a Neoenergia? O controle da Neoenergia e exercido pela Iberdrola S.A., multinacional espanhola fundada em 1901 e referencia global em energia renovavel e governanca corporativa. A Iberdrola detem participacao majoritaria e define as diretrizes estrategicas da companhia. A Previ (fundo de pensao dos funcionarios do Banco do Brasil) figura como acionista relevante de longo prazo. A empresa esta listada no Novo Mercado da B3 desde o IPO de julho de 2019, com acoes ordinarias que garantem direito de voto a todos os acionistas e tag along de 100% em caso de mudanca de controle.

Quais sao as distribuidoras da Neoenergia? A Neoenergia opera cinco distribuidoras regionais: Coelba (Bahia), Celpe (Pernambuco), Cosern (Rio Grande do Norte), Elektro (interior de Sao Paulo e Mato Grosso do Sul) e Neoenergia Brasilia (Distrito Federal). Juntas, atendem dezenas de milhoes de unidades consumidoras em regioes com perfis distintos de consumo, nivel de perdas e desafios operacionais. A Elektro foi adquirida em 2012 e integrada apos a fusao de 2017, ampliando a presenca da companhia para o Sudeste.

A Neoenergia paga dividendos? Sim, a Neoenergia possui historico de distribuicao de dividendos, com pagamentos realizados em multiplas tranches ao longo dos anos — em geral de forma semestral ou anual, conforme aprovacao em assembleia. O payout e calibrado para equilibrar remuneracao ao acionista com financiamento do pipeline de CAPEX em transmissao e renovaveis, o que o mantem abaixo do observado em transmissoras puras. Desde 2026, a Lei 15.270/2025 estabelece retencao de 10% de Imposto de Renda sobre dividendos de acoes que excedam R$ 50 mil mensais para pessoas fisicas.

O que e a RAP de transmissao e por que importa para a Neoenergia? A RAP (Receita Anual Permitida) e o mecanismo regulatorio que remunera as transmissoras pelo uso de suas linhas de alta tensao. Ela e definida no leilao de outorga da concessao, corrigida anualmente por indices de inflacao e sofre deducoes apenas em casos de indisponibilidade das linhas. Para a Neoenergia, que possui um dos maiores portfolios privados de transmissao em desenvolvimento, a RAP representa receita altamente previsivel e de baixo risco que complementa o fluxo mais operacionalmente intenso da distribuicao. Cada leilao vencido adiciona RAP futura ao portfolio.

Como funciona a regulacao tarifaria das distribuidoras da Neoenergia? As distribuidoras operam sob contratos de concessao com a ANEEL, sujeitos a revisoes tarifarias periodicas a cada quatro ou cinco anos, com reajustes anuais de repasse de custos entre os ciclos. A tarifa e dividida em parcela A (custos nao gerenciaveis, como compra de energia e encargos setoriais, repassados diretamente ao consumidor) e parcela B (custos gerenciaveis, sobre os quais a distribuidora recebe uma taxa de retorno regulatoria sobre a base de ativos). Indicadores de qualidade como DEC e FEC afetam a remuneracao e penalidades eventuais.

Quais indicadores sao mais relevantes para analisar NEOE3? Para uma utility integrada como a Neoenergia, os indicadores mais relevantes incluem: Divida Liquida/EBITDA (alavancagem), EV/EBITDA (valuation), ROIC versus WACC (criacao de valor), margem EBITDA por segmento, RAP contratada em transmissao, perdas tecnicas e comerciais nas distribuidoras, e evolucao do CAPEX realizado versus planejado. ROE e P/VP completam a analise de eficiencia e valuation. Indicadores de qualidade de servico (DEC e FEC) sao especificos do setor de distribuicao e afetam diretamente a remuneracao regulatoria.

Como a SELIC afeta o investimento em NEOE3? A taxa SELIC impacta a Neoenergia por dois canais principais. No aspecto financeiro, juros mais altos encarecem o custo de rolagem da divida — que e elevada pelo perfil intensivo em capital do setor — e aumentam o custo de novos projetos de transmissao e geracao. No aspecto de mercado, a SELIC alta torna a renda fixa mais atrativa em relacao a acoes de dividendos, pressionando o multiplo que o mercado paga por utilities. Por outro lado, parte das receitas reguladas e indexada a indices de inflacao, o que oferece protecao parcial no segmento de transmissao.

Qual e a estrategia de energias renovaveis da Neoenergia? A Neoenergia expande sua carteira de geracao renovavel alinhada a estrategia global da controladora Iberdrola, uma das maiores investidoras em eolica e solar do mundo. No Brasil, a companhia desenvolve parques eolicos no Nordeste e no Sul, projetos solares fotovoltaicos centralizados e de micro e minigeracao, e opera usinas hidreletricas como Teles Pires e Baixo Iguacu. A expansao em renovaveis e financiada por debentures de infraestrutura incentivadas pela Lei 12.431/2011 e por PPAs (contratos de comercializacao de energia de longo prazo) que garantem receita previsivel para cada projeto.

A Neoenergia pertence a algum indice da B3? Sim, a NEOE3 integra indices relevantes da B3, incluindo o IBrX-100 (carteira das 100 acoes de maior negociabilidade), o IGC (Indice de Acoes com Governanca Corporativa Diferenciada, que inclui empresas listadas no Novo Mercado) e o ISE (Indice de Sustentabilidade Empresarial), refletindo a agenda ESG estruturada herdada da controladora Iberdrola. A presenca nesses indices facilita a alocacao por fundos de investimento e ETFs que replicam os benchmarks da B3.

Como avaliar o endividamento da Neoenergia? O endividamento de uma utility intensiva em capital como a Neoenergia deve ser avaliado pelo indicador Divida Liquida/EBITDA, pelo perfil de vencimento (prazo medio e concentracao de vencimentos), pela moeda e pelo indexador (IPCA, CDI, pre-fixado). Niveis entre 3 e 4 vezes o EBITDA sao comuns no setor e nao indicam necessariamente fragilidade, desde que a maior parte da receita seja regulada e previsivel. A Neoenergia financia parte relevante de seu CAPEX com debentures de infraestrutura incentivadas e linhas de longo prazo do BNDES, que tem custo mais favoravel que o mercado convencional.

O que diferencia a Neoenergia de outras utilities listadas na B3? A Neoenergia se diferencia por combinar integracao vertical ao longo de toda a cadeia eletrica (geracao, transmissao, distribuicao e comercializacao) com o respaldo da Iberdrola como controladora — acesso a capital global, tecnologia de ponta em redes inteligentes e agenda ESG de nivel europeu. Enquanto a Taesa (TAEE11) e uma transmissora pura de alto dividendo, a Equatorial (EQTL3) e um consolidador nacional de distribuidoras e a CPFL (CPFE3) tem controle chines, a Neoenergia representa o unico caso de grande utility brasileira com controle de uma multinacional europeia de primeira linha.

Como a geracao distribuida pode afetar as distribuidoras da Neoenergia? A geracao distribuida (GD) — paineis solares instalados em residencias e empresas — reduz o volume de energia faturada pelas distribuidoras no mercado cativo, impactando a receita da parcela B. O marco legal da GD no Brasil e regido pela Lei 14.300/2022, que estabelece regras de compensacao de energia injetada na rede por um periodo de transicao. A expansao acelerada da GD, especialmente em regioes de alta irradiacao solar como o Nordeste, representa um risco estrutural de longo prazo para as distribuidoras nordestinas da Neoenergia, que precisa modernizar as redes e capturar valor nos servicos de conexao e gerenciamento dessas unidades.

Atualização

Dados consultados em 19/07/2026 nas fontes públicas citadas. Cotações e indicadores estão sujeitos a defasagem conforme a periodicidade de cada fonte.

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Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.