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CEEB3 — CIA ELETRICIDADE EST. DA BAHIA - COELBA

Cotação, indicadores e dados históricos de CEEB3 (Ação). Dados B3/CVM atualizados.

Preço atual
R$ 46,50
P/L
7,50
P/VP
1,50
Dividend Yield (12m)
12,55%

Setor

Energia Elétrica

Desempenho recente

No período de 6m, CEEB3 apresentou variação de +6,26% em 112 pregões. Dados de cotação da B3, sujeitos a defasagem.

Faixa de 52 semanas

Nas últimas 52 semanas, CEEB3 oscilou entre R$ 34,70 a R$ 50,75. Média de R$ 44,47 no período. Dados B3, sujeitos a defasagem.

Indicadores Fundamentalistas

Dividend yield (12m): 12,55%. P/L: 7.50. P/VP: 1.50. ROE: 20,02%. Margem líquida: 8,22%. Valor de mercado: R$ 12,2B. Dados públicos B3/CVM, sujeitos a defasagem.

Indicadores Avançados

ROIC: 11,77%. ROA: 4,30%. EV/EBITDA: 5.25. EV/EBIT: 6.46. Margem EBITDA: 29,84%. Margem bruta: 30,41%. Dívida líquida/EBITDA: 3.19. Dívida líquida/Patrimônio: 2.32. Liquidez corrente: 1.39. LPA (lucro por ação): R$ 6,20. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 30,94. PSR (preço/receita): 0.62. Free float: 1,02%. Último provento: R$ 0,50 por ação. Indicadores de rentabilidade (ROIC, ROA), valuation por valor da firma (EV/EBITDA, EV/EBIT), margens, endividamento e liquidez, a partir de dados públicos B3/CVM. São referências informativas — a interpretação cabe a cada investidor.

Variações por período

Variação de CEEB3 em janelas recentes. Na semana: -1,34%. No mês: +1,53%. No ano: +2,31%. Fechamento anterior: R$ 47,10 (15/07/2026). Percentuais sobre preços de fechamento da B3, sujeitos a defasagem.

Últimos pregões

Fechamentos recentes de CEEB3: 17/07/2026: R$ 46,50, volume de R$ 18.700,00; 15/07/2026: R$ 47,10, volume de R$ 9.419,00; 10/07/2026: R$ 47,13, volume de R$ 9.294,00; 08/07/2026: R$ 47,15, volume de R$ 56.058,00; 07/07/2026: R$ 46,42, volume de R$ 9.280,00. Dados de pregão da B3.

Histórico de proventos

CEEB3 registra 173 proventos anunciados em 29 anos de cobertura. Anúncios mais recentes: 24/06/2026 — JCP de R$ 0,50 por ação, pagamento em 31/12/2026; 10/03/2026 — JCP de R$ 0,50 por ação, pagamento em 31/12/2026; 30/12/2025 — JCP de R$ 0,45 por ação; 29/10/2025 — Dividendo de R$ 3,87 por ação; 02/10/2025 — JCP de R$ 0,52 por ação; 02/07/2025 — JCP de R$ 0,46 por ação; 10/04/2025 — Dividendo de R$ 0,33 por ação; 01/04/2025 — JCP de R$ 0,39 por ação. O histórico descreve anúncios passados e não projeta pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia.

Resultados financeiros recentes

Demonstrações trimestrais reportadas por CEEB3 (CVM): 31/03/2026: receita líquida de R$ 4,9B, lucro líquido de R$ 406,0M, margem líquida de 8,22%, LPA de R$ 1,55. 30/09/2025: receita líquida de R$ 13,5B, lucro líquido de R$ 1,5B, margem líquida de 10,79%, LPA de R$ 5,56. 30/06/2025: receita líquida de R$ 8,8B, lucro líquido de R$ 1,2B, margem líquida de 13,76%, LPA de R$ 4,61. 31/03/2025: receita líquida de R$ 4,2B, lucro líquido de R$ 488,0M, margem líquida de 11,63%, LPA de R$ 1,86. Valores consolidados conforme reportado, sujeitos a reapresentação.

Patrimônio líquido e VPA

Patrimônio líquido de R$ 8,1B na posição de 31/03/2026. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 30,94. Na posição de 31/03/2024, o patrimônio era de R$ 6,9B e o VPA era de R$ 26,34. Série contábil pública (CVM), sujeita a reapresentação.

Estrutura acionária

Composição do capital de CEEB3: Total de ações emitidas: 262.096.087. Ordinárias (ON): 151.997.609 (57,99%). Preferenciais (PN): 110.098.478 (42,01%). Ações em circulação: 2.670.598. Dados públicos CVM/B3.

Valores mobiliários listados

Códigos de negociação da companhia na B3: CEEB3 (Ações Ordinárias, Básico); CEEB5 (Ações Preferenciais, Básico); CEEB6 (Ações Preferenciais, Básico). O segmento de listagem descreve o conjunto de regras de governança ao qual a companhia aderiu.

Valuation por fórmulas clássicas (Graham e Bazin)

Pela fórmula de Graham, o valor calculado para CEEB3 é de R$ 65,68 (diferença de 41,25% ante o preço usado no cálculo). Pela fórmula de Bazin (yield-alvo de 6% a.a.), o preço-teto calculado é de R$ 97,26, a partir de dividendo por ação de R$ 5,84. Valor intrínseco = raiz(22,5 x LPA x VPA). Requer LPA>0 e VPA>0. Preço-teto = dividendo por ação / 0,06 (yield-alvo 6% a.a.). São resultados de fórmulas públicas aplicadas a dados reportados — referências informativas cuja interpretação cabe a cada investidor; não constituem recomendação de compra ou venda.

Movimentações de administradores e pessoas ligadas

Negociações com ações de CEEB3 comunicadas por administradores, controladores e pessoas ligadas no período de 5 anos, conforme divulgação pública (CVM). Foram registradas 0 operações de compra e 31 operações de venda. Volume vendido: R$ 9,0M. Saldo líquido do período: -R$ 8.977.383,00. Dado factual de transparência — não indica, por si só, perspectiva sobre o ativo.

Como interpretar os indicadores de uma ação

Os indicadores fundamentalistas descrevem aspectos diferentes de uma empresa e costumam ser lidos em conjunto, não isoladamente. Abaixo, o que cada grupo representa de forma factual.

Múltiplos de avaliação (P/L, P/VP, PSR)

Múltiplos relacionam o preço de mercado a uma medida contábil. O P/L (preço sobre lucro) compara a cotação ao lucro por ação; o P/VP (preço sobre valor patrimonial) compara ao patrimônio por ação; o PSR (preço sobre receita) compara à receita por ação. São referências de avaliação relativa — fazem mais sentido comparados entre empresas de um mesmo setor do que isoladamente, já que cada setor tem faixas típicas distintas.

Rentabilidade (ROE, ROIC, ROA)

Os indicadores de rentabilidade medem a eficiência da empresa em gerar resultado a partir do capital. O ROE relaciona o lucro ao patrimônio líquido; o ROIC relaciona o resultado operacional ao capital total investido (próprio e de terceiros); o ROA relaciona o lucro ao total de ativos. Valores mais altos indicam maior eficiência relativa, mas dependem do setor e da estrutura de capital.

Valor da firma e margens (EV/EBITDA, margens)

O EV/EBITDA compara o valor da firma (valor de mercado mais dívida líquida) ao EBITDA, uma medida de geração de caixa operacional; é usado para comparar empresas com diferentes níveis de endividamento. As margens (bruta, EBITDA, líquida) expressam quanto da receita se converte em resultado em cada etapa, descrevendo a lucratividade da operação.

Endividamento e liquidez

A dívida líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida; a dívida líquida sobre patrimônio relaciona o endividamento ao capital próprio. A liquidez corrente compara ativos e passivos de curto prazo. Esses indicadores descrevem a estrutura financeira e o risco associado ao endividamento.

Dividendos (DY e payout)

O Dividend Yield (DY) relaciona os proventos distribuídos nos últimos doze meses ao preço da ação, e o payout indica a parcela do lucro distribuída como proventos. Ambos descrevem o histórico de distribuição e não projetam pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia. A interpretação de todos esses indicadores cabe a cada investidor, conforme seus objetivos e tolerância a risco.

Sobre a Empresa

Serviço Público de Distribuição de Energia Elétrica

Identificação e registro

CNPJ: 15.139.629/0001-94. Código CVM: 14524. Situação do registro: Ativo. Constituída em 1960. Controle acionário: Privado Holding. País de origem: Brasil. Site oficial: http://ri.neoenergia.com/. Dados cadastrais públicos da companhia (CVM/B3), sujeitos a atualização.

Dividendos

O dividend yield acumulado nos últimos 12 meses de CEEB3 é de 12,55%.

Eventos e Fatos Relevantes (CVM)

CEEB3 registra 100 evento(s) e comunicado(s) ao mercado publicados via CVM nos últimos 5 anos. As categorias mais frequentes: Dados Econômico-Financeiros (54), Assembleia (27), Relatório Proventos (17). Os documentos completos podem ser consultados nos canais oficiais.

A Coelba (CEEB3) é a distribuidora de energia elétrica exclusiva do estado da Bahia, constituída em 1960 e controlada pela Neoenergia (Iberdrola). Opera em regime de concessão regulada pela Aneel, com mais de 420 municípios atendidos em área de concessão de aproximadamente 564 mil km². Integra o grupo Neoenergia ao lado de outras distribuidoras no Nordeste e Brasília. O modelo de negócios é baseado em receita tarifária previsível, com distribuição recorrente de proventos. As ações ordinárias CEEB3 têm free float muito reduzido e liquidez historicamente baixa, característica estrutural da companhia dentro do grupo controlador. Setor regulado com proteção contra concorrência direta, mas sujeito a revisões tarifárias periódicas da Aneel que determinam a rentabilidade da operação.

Sobre CIA ELETRICIDADE EST. DA BAHIA - COELBA

A Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia, conhecida comercialmente como Coelba, é uma das maiores distribuidoras de energia elétrica do Brasil. Constituída em 28 de março de 1960, a empresa atua exclusivamente no estado da Bahia, detendo a concessão do serviço público de distribuição de energia elétrica para praticamente todo o território baiano, que abrange mais de 420 municípios e conta com uma área de concessão de aproximadamente 564 mil quilômetros quadrados.

Negociada na B3 sob o código CEEB3 na classe de ações ordinárias, a Coelba integra o grupo Neoenergia, uma das maiores empresas de distribuição, transmissão e geração de energia elétrica do país, que por sua vez pertence majoritariamente ao Grupo Iberdrola, multinacional espanhola de energia com operações em mais de 40 países. Essa cadeia de controle coloca a Coelba dentro de uma estrutura com acesso a capital estrangeiro, tecnologia de gestão avançada e padrões internacionais de governança corporativa.

A atividade principal da empresa é a distribuição de energia elétrica, serviço regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por meio de contrato de concessão. Esse modelo regulatório define as tarifas cobradas dos consumidores, os investimentos obrigatórios em infraestrutura e os padrões de qualidade que a distribuidora deve cumprir. A cada ciclo tarifário — revisões periódicas realizadas pela Aneel — a empresa tem suas receitas recalibradas com base em parâmetros como a Base de Remuneração Regulatória (BRR) e o custo de capital definido pelo regulador.

A Bahia, como estado de grande extensão geográfica e elevada diversidade econômica, apresenta perfil de consumo heterogêneo: mistura de grandes consumidores industriais no Polo Petroquímico de Camaçari, consumidores comerciais nas regiões metropolitanas de Salvador e Feira de Santana, e uma significativa parcela de consumidores residenciais em zonas rurais de baixa renda, muitos atendidos pelo Programa de Eficiência Energética e pela Tarifa Social de Energia Elétrica. Esse mix de clientes influencia diretamente a estrutura de receitas e os riscos de inadimplência da companhia.

A Coelba mantém programas contínuos de expansão e modernização da rede de distribuição, visando reduzir os índices de Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) e Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC), que são os principais indicadores de qualidade do fornecimento acompanhados pela Aneel. Investimentos em redes inteligentes (smart grids), automação de subestações e sistemas de telemedição fazem parte do portfólio de projetos que a empresa executa sob supervisão regulatória.

A estrutura de capital da Coelba é composta por 262.096.087 ações no total, sendo 151.997.609 ações ordinárias (ON, code CEEB3) e 110.098.478 ações preferenciais (PN, code CEEB5), de acordo com os dados do histórico de capital de 31 de dezembro de 2025. O capital social da empresa é de R$ 2.988.161.799,23, mantido estável nos últimos exercícios. As ações em circulação no mercado representam parcela muito pequena do total, com free float de aproximadamente 1,02%, indicando elevada concentração acionária no grupo controlador, a Neoenergia S.A.

Do ponto de vista de geração de valor para os acionistas, a Coelba se posiciona historicamente como uma empresa com distribuição recorrente de proventos, alternando pagamentos de Juros sobre Capital Próprio (JCP) e dividendos ao longo do ano. A política de distribuição é influenciada tanto pela geração de caixa operacional quanto pelas necessidades de investimento em infraestrutura previstas nos contratos de concessão.

O setor de energia elétrica no Brasil opera sob intensa regulação, com tarifas revistas periodicamente pela Aneel em processos que equilibram a modicidade tarifária para o consumidor e a remuneração justa para o investidor. A Coelba, inserida nesse ambiente, tem seus resultados financeiros diretamente impactados por decisões regulatórias, variações climáticas que afetam a demanda (especialmente nos períodos de seca no Semiárido baiano) e pelo custo de aquisição de energia no mercado regulado.

Contexto de negocio e setor

A Coelba opera dentro de um dos segmentos mais defensivos da economia brasileira: a distribuição de energia elétrica é um serviço essencial, com demanda relativamente inelástica ao ciclo econômico. Independentemente do crescimento do PIB, famílias e empresas precisam de eletricidade, o que confere à empresa uma base de receita recorrente e previsível dentro dos limites estabelecidos pela regulação da Aneel.

O modelo de negócios de uma distribuidora de energia é fundamentalmente regulado. A empresa compra energia elétrica das geradoras por meio de contratos no Ambiente de Contratação Regulada (ACR) — leilões organizados pelo governo —, transporta essa energia pela rede de distribuição até os consumidores finais e cobra tarifas homologadas pela Aneel. A margem regulatória, conhecida como Parcela B da tarifa, remunera os ativos da distribuidora, seus custos operacionais gerenciáveis e permite uma taxa de retorno sobre o capital regulatório. A Parcela A, por sua vez, cobre os custos não gerenciáveis, como encargos do setor elétrico, transmissão e compra de energia — esses custos são repassados integralmente às tarifas dos consumidores, sem impacto no resultado da distribuidora.

A concessão da Coelba no estado da Bahia é geograficamente exclusiva, o que elimina a concorrência direta no segmento de distribuição. Não existe outra empresa autorizada a distribuir energia elétrica para as mesmas unidades consumidoras atendidas pela Coelba em sua área de atuação. Essa exclusividade é uma das principais características estruturais do negócio e sustenta a previsibilidade de receitas.

O desempenho financeiro da Coelba está sujeito a fatores regulatórios importantes. Os Revisões Tarifárias Periódicas (RTP), realizadas a cada quatro ou cinco anos pela Aneel, recalibram a Base de Remuneração Regulatória e os custos operacionais eficientes reconhecidos pelo regulador. Reajustes Tarifários Anuais (RTA) repõem a inflação reconhecida nos custos operacionais. Revisões Extraordinárias podem ocorrer em situações atípicas, como crises hidrológicas severas ou mudanças regulatórias significativas. Esses processos criam tanto riscos quanto oportunidades: uma revisão favorável pode elevar substancialmente a rentabilidade regulatória; uma revisão desfavorável pode comprimi-la.

O grupo controlador Neoenergia, braço brasileiro da Iberdrola, imprime uma estratégia de gestão com foco em eficiência operacional, digitalização e sustentabilidade. A Neoenergia opera também distribuidoras em Pernambuco (Celpe), Rio Grande do Norte (Cosern) e Distrito Federal/Goiás (Elektro/Neoenergia Brasília), além de ativos de transmissão e geração renovável. Essa escala do grupo cria sinergias operacionais e acesso a recursos financeiros que beneficiam a Coelba, tanto na captação de crédito quanto na adoção de tecnologias.

A Bahia é o maior estado do Nordeste em área geográfica e o oitavo em produto interno bruto do Brasil, com economia diversificada que inclui petroquímica (Polo de Camaçari), agronegócio (soja, café, algodão, fruticultura irrigada), turismo e serviços. A eletrificação rural ainda apresenta desafios em algumas regiões do Semiárido, e a Coelba participa de programas governamentais como o Luz para Todos. O perfil de demanda de energia no estado inclui sazonalidades relevantes: o clima quente eleva o consumo de ar-condicionado, enquanto períodos de estiagem prolongada no interior reduzem a atividade agropecuária e podem ampliar a inadimplência.

A alavancagem financeira da empresa, com dívida líquida sobre patrimônio líquido de 2,32 (dados de março de 2026), é característica do setor de infraestrutura regulada, onde ativos de longa vida útil são tipicamente financiados com dívida de longo prazo. A Aneel incorpora no cálculo da tarifa um custo de capital (WACC regulatório) que remunera tanto o capital próprio quanto o de terceiros, o que significa que o nível de endividamento, dentro de limites prudenciais, é compatível com o modelo de negócios.

O ambiente regulatório do setor elétrico brasileiro passou por transformações relevantes na última década, com a criação de novos mecanismos de garantia financeira para distribuidoras, a revisão dos critérios de qualidade de fornecimento e o avanço da regulação de micro e minigeração distribuída (prosumidores de energia solar). Esse último ponto é particularmente relevante: o crescimento acelerado da geração solar fotovoltaica nos telhados baianos (o estado tem alta irradiância solar) pode pressionar o volume de energia faturada no futuro, exigindo adaptação do modelo de negócios das distribuidoras para receitas de serviços de rede.

Como ler os indicadores deste ativo

Para analisar uma distribuidora de energia elétrica como a Coelba (CEEB3), é fundamental entender os indicadores de valuation e de saúde financeira dentro do contexto de um setor regulado. Diferentemente de empresas de crescimento, distribuidoras de energia são avaliadas principalmente pela consistência de geração de caixa, pelo nível de alavancagem financeira compatível com a natureza dos ativos e pela capacidade de distribuir proventos de forma recorrente.

O Preço sobre Lucro (P/L) relaciona o valor de mercado da empresa com a sua capacidade de gerar lucro líquido por ação. Em setores regulados como energia elétrica, múltiplos de P/L tendem a ser moderados — a regulação limita tanto o crescimento extraordinário dos lucros quanto as perdas severas, criando um perfil de retorno mais previsível e estável. Um P/L mais baixo pode sinalizar que o mercado precifica a empresa com desconto em relação ao seu histórico de lucros, enquanto um P/L mais elevado pode refletir expectativas de revisões tarifárias favoráveis ou crescimento da base de consumidores.

O Preço sobre Valor Patrimonial (P/VP) compara a cotação de mercado com o valor contábil do patrimônio líquido por ação. Para uma empresa com ativos regulados de alta qualidade, negociar acima de 1,0x P/VP pode ser justificado pela capacidade de gerar retornos superiores ao custo de capital. A comparação do ROE com o P/VP é especialmente relevante: se o retorno sobre o patrimônio líquido supera consistentemente o custo de capital próprio, faz sentido econômico que o mercado pague um prêmio sobre o valor contábil.

O Dividend Yield (DY) expressa o retorno em proventos (dividendos e JCP) em relação ao preço da ação. Em distribuidoras de energia, o DY tende a ser elevado em comparação com outros setores, pois a geração de caixa é recorrente e a necessidade de reinvestimento para crescimento orgânico, embora significativa, é em parte capturada na tarifa regulatória. É importante distinguir o DY baseado em proventos efetivamente pagos nos últimos 12 meses (critério histórico) daquele projetado com base em estimativas de analistas. A Coelba utiliza principalmente o instrumento de Juros sobre Capital Próprio (JCP), que tem tratamento tributário diferente do dividendo tradicional: o JCP é dedutível do IRPJ e CSLL da empresa, mas sujeito à retenção na fonte de 15% para o acionista pessoa física — diferente do dividendo ordinário. A partir de 2026, pela Lei 15.270/2025, dividendos que superem R$ 50 mil mensais pagos pela mesma empresa a uma pessoa física passam a ter retenção de 10% na fonte; abaixo desse patamar, os dividendos ordinários seguem sem tributação na fonte para o acionista PF no Brasil.

O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) mede a eficiência com que a empresa transforma o capital dos acionistas em lucro. Para uma distribuidora de energia, o ROE é influenciado pelo nível de alavancagem financeira — uma empresa com maior dívida em relação ao patrimônio pode apresentar ROE mais elevado mesmo com retorno sobre ativos (ROA) moderado. A análise do ROE deve, portanto, ser feita em conjunto com o nível de endividamento.

O Retorno sobre o Capital Investido (ROIC) é um indicador mais abrangente que o ROE, pois avalia o retorno gerado sobre todo o capital empregado no negócio — tanto dos acionistas quanto dos credores. Para distribuidoras reguladas, a comparação entre ROIC e o WACC regulatório definido pela Aneel é uma referência importante: quando o ROIC supera o custo médio ponderado de capital, a empresa gera valor econômico real.

O múltiplo EV/EBITDA (Enterprise Value sobre EBITDA) é amplamente utilizado para comparar empresas de setores regulados, pois neutraliza diferenças de estrutura de capital e de alíquotas tributárias. O Enterprise Value representa o valor total da empresa para todos os seus financiadores (acionistas e credores). Múltiplos EV/EBITDA menores podem indicar subvalorização relativa ou refletir riscos específicos do setor ou da empresa.

A Margem EBITDA mede a proporção da receita líquida que se converte em resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Em distribuidoras de energia, a margem EBITDA é afetada pela estrutura de custos operacionais e pela eficiência de gestão — custos que extrapolam os parâmetros regulatórios são absorvidos pela empresa sem repasse tarifário.

A relação Dívida Líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração operacional de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida da empresa. Setores de infraestrutura com receitas previsíveis, como distribuição de energia elétrica, suportam alavancagens mais elevadas do que empresas cíclicas, pois os fluxos de caixa são estáveis e garantidos por contratos de concessão de longo prazo. O nível de alavancagem também impacta diretamente o custo de captação e os convenants (cláusulas restritivas) de contratos de dívida.

O Lucro por Ação (LPA) e o Valor Patrimonial por Ação (VPA) são dados por ação que permitem ao investidor relacionar os fundamentos contábeis com o número de ações em circulação, facilitando a comparação com o preço de mercado e o cálculo dos múltiplos de valuation de forma direta.

Pontos de atencao

Free float muito reduzido: apenas cerca de 1,02% das ações estão em circulação livre no mercado, o que resulta em liquidez diária extremamente baixa para CEEB3. Isso significa que operações de maior volume podem ter dificuldade de execução a preços próximos do mercado, e o papel pode apresentar variações de cotação mais acentuadas em dias de menor atividade — característica relevante para quem considera posições de qualquer tamanho.

Controle acionário concentrado: a Neoenergia S.A., subsidiária da Iberdrola (Espanha), detém a maior parte das ações. A tomada de decisões estratégicas, como política de dividendos, investimentos em infraestrutura e negociações regulatórias, é centralizada no controlador. Acionistas minoritários têm pouca influência sobre os rumos da companhia.

Regulação tarifária como determinante central dos resultados: a receita e a margem da Coelba dependem diretamente das decisões da Aneel em revisões tarifárias periódicas. Uma revisão desfavorável pode comprimir o resultado operacional por vários anos, independentemente do desempenho da gestão. Acompanhar o ciclo regulatório é essencial para entender os riscos do investimento.

Alavancagem financeira elevada: a relação Dívida Líquida/PL de 2,32x e Dívida Líquida/EBITDA de 3,19x (dados de março de 2026) são consistentes com o setor, mas representam exposição relevante a variações nas taxas de juros (Selic e CDI). Refinanciamentos em ambientes de juros mais altos elevam a despesa financeira e comprimem o lucro líquido.

Geração distribuída solar como risco estrutural de médio prazo: o estado da Bahia tem alta irradiância solar e forte crescimento da geração fotovoltaica em telhados residenciais e comerciais. Prosumidores que geram parte de sua própria energia reduzem o volume de energia faturada pela distribuidora, podendo pressionar volumes e exigindo adaptação do modelo de negócios — risco já endereçado pela revisão regulatória da Aneel para o setor.

Histórico de distribuição via JCP: os proventos da Coelba são pagos predominantemente como Juros sobre Capital Próprio (JCP), que são tributados à alíquota de 15% na fonte para o acionista pessoa física — diferença relevante em relação ao dividendo ordinário. A partir de 2026, a Lei 15.270/2025 criou retenção adicional de 10% sobre dividendos que superem R$ 50 mil mensais da mesma empresa ao mesmo acionista PF.

Dependência da economia baiana e do mercado de energia do Nordeste: o crescimento do consumo de energia na área de concessão está atrelado ao desenvolvimento econômico do estado da Bahia e à expansão industrial e agrícola do Nordeste. Crises econômicas regionais, estiagens severas no Semiárido e inadimplência de consumidores de baixa renda são fatores que podem impactar receitas e custos de cobrança.

Concentração operacional em distribuição: ao contrário do controlador Neoenergia, que possui ativos de geração renovável e transmissão, a Coelba atua exclusivamente no segmento de distribuição. Isso significa que toda a exposição ao risco regulatório e operacional do ativo está concentrada em um único segmento e em uma única concessão geográfica.

Ciclo de investimentos em infraestrutura: contratos de concessão estabelecem metas de qualidade de fornecimento (DEC e FEC) que exigem investimentos contínuos em manutenção e expansão da rede. Descumprimento dessas metas pode resultar em multas regulatórias da Aneel, enquanto o sobre-investimento pode pressionar a geração de caixa livre disponível para distribuição de proventos.

Risco climático no Semiárido: o interior da Bahia é regularmente afetado por períodos de seca intensa, que impactam o agronegócio regional e elevam a inadimplência dos consumidores rurais. Eventos climáticos extremos, como tempestades ou vendavais no litoral baiano, podem gerar custos operacionais não planejados com manutenção de redes danificadas.

Política de dividendos dependente do fluxo de caixa operacional: embora o histórico de proventos seja consistente, a capacidade futura de distribuição depende da geração de caixa operacional após os investimentos regulatórios obrigatórios. Revisões tarifárias que não reconheçam adequadamente os custos operacionais podem reduzir temporariamente a capacidade de pagamento de proventos.

Baixa liquidez como limitador de liquidez para o investidor: com volume diário historicamente baixo, o desinvestimento em posições maiores pode ser difícil sem impacto de mercado. O investidor que deseja sair da posição em momento de estresse pode enfrentar spread bid-ask elevado ou a necessidade de fracionar a comercializacao ao longo de vários dias.

Governanca e estrutura societaria

A Coelba (CEEB3) está listada na B3 no segmento de Listagem Tradicional (mercado principal), não integrando os segmentos diferenciados de governança como Novo Mercado ou Nível 2. Essa posição reflete a estrutura dual de classes de ações da companhia — com ações ordinárias (ON, CEEB3) e preferenciais (PN, CEEB5) — que é incompatível com os requisitos dos segmentos de governança mais exigentes da B3, que demandam exclusivamente ações ordinárias (Novo Mercado) ou garantias específicas a acionistas preferenciais (Nível 2).

O controle acionário da Coelba é exercido pela Neoenergia S.A., que por sua vez é controlada pelo Grupo Iberdrola, uma das maiores empresas de energia do mundo, com sede em Bilbao (Espanha) e operações em mais de 40 países na Europa, América e Ásia. Essa estrutura de propriedade multinível é classificada pela CVM como 'Privado Holding', com controle privado estrangeiro indireto. A concentração acionária é elevada: o free float de aproximadamente 1,02% indica que apenas uma parcela muito pequena das ações circula livremente no mercado.

Em relação ao tag along, as ações ordinárias CEEB3 garantem aos acionistas minoritários o direito de receberem, em caso de alienação do controle da companhia, no mínimo 80% do preço pago por ação ao controlador — o patamar mínimo legal estabelecido pela Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6.404/1976, art. 254-A). As ações preferenciais CEEB5, conforme disposição estatutária e regras aplicáveis à classe, têm direitos e condições específicos que devem ser verificados no Estatuto Social vigente. A ausência de listagem em segmentos diferenciados da B3 significa que não há compromissos adicionais de tag along acima do mínimo legal para as ordinárias (como o 100% exigido no Novo Mercado).

A estrutura acionária da companhia é composta por 262.096.087 ações no total: 151.997.609 ordinárias (57,99% do total) e 110.098.478 preferenciais (42,01% do total), conforme histórico de capital de 31 de dezembro de 2025. O capital social permaneceu estável em R$ 2.988.161.799,23 nos exercícios de 2023, 2024 e 2025, sem emissões novas de ações no período.

A política de distribuição de proventos da Coelba segue a orientação estratégica do grupo Neoenergia, com pagamentos regulares ao longo do ano via Juros sobre Capital Próprio (JCP) e distribuições maiores de dividendos ordinários tipicamente associadas aos resultados anuais ou semestrais. O histórico recente registra pagamentos de JCP em abril, julho, outubro e dezembro/janeiro, com um dividendo expressivo pago em outubro de 2025. O Estatuto Social da empresa prevê dividend payout mínimo de 25% do lucro líquido ajustado, conforme estabelecido pela Lei das Sociedades Anônimas, mas o grupo controlador historicamente distribui parcelas mais elevadas quando a geração de caixa permite.

O conselho de administração da Coelba é composto majoritariamente por representantes do grupo controlador Neoenergia/Iberdrola, com participação de conselheiros independentes em número inferior ao exigido nos segmentos diferenciados da B3. As decisões estratégicas — investimentos em infraestrutura, relacionamento com a Aneel, política financeira e de endividamento — são coordenadas em nível do grupo Neoenergia, que consolida as quatro distribuidoras (Coelba, Celpe, Cosern e Neoenergia Brasília) em sua estrutura.

Eventos corporativos relevantes no histórico recente incluem os processos de renovação antecipada de concessão promovidos pelo governo federal, a consolidação da Elektro na estrutura Neoenergia Brasília e os ciclos de revisão tarifária periódica conduzidos pela Aneel. A empresa divulga suas informações periódicas (ITR, DFP, Relatório de Referência) na plataforma Empresas.NET da CVM (código CVM 14524) e no site de relações com investidores da Neoenergia (ri.neoenergia.com).

Panorama competitivo

No segmento de distribuição de energia elétrica, a concorrência é inexistente no sentido convencional: a Coelba detém exclusividade contratual de concessão para distribuir energia elétrica em praticamente toda a Bahia, e nenhuma outra empresa pode atender os mesmos consumidores em sua área de atuação. Essa característica de monopólio regulado é intrínseca ao modelo de concessão do setor elétrico brasileiro.

A 'competição' relevante para a Coelba ocorre em duas dimensões distintas: (1) na disputa por capital dos investidores, comparando-se com outras distribuidoras listadas em bolsa; e (2) na perda progressiva de volumes de energia faturada para a geração distribuída (principalmente solar fotovoltaica), que permite que consumidores produzam parte de sua própria energia.

No universo de distribuidoras de energia listadas na B3, as principais comparáveis à Coelba incluem:

- Energisa S.A. (ENGI11): holding que controla distribuidoras em 11 estados (MT, MS, MG, RO, AC, PB, SE, TO, RS, ES e RJ), com maior diversificação geográfica. A Energisa tem histórico de crescimento acelerado via aquisições e modernização de concessões. Listada no Novo Mercado, tem maior liquidez e standards de governança diferenciados.

- Equatorial Energia (EQTL3): principal player de expansão via aquisições de distribuidoras, com concessões no Maranhão, Piauí, Goiás, Pará, Rio Grande do Sul, Alagoas, Amapá e recentemente com participação em Sabesp (saneamento). Referência em turnaround de distribuidoras deficitárias. Listada no Novo Mercado.

- CPFL Energia (CPFE3): controlada pelo State Grid (China), atua em distribuidoras de São Paulo (CPFL Paulista, CPFL Piratininga, RGE) e em geração e comercialização. Maior distribuidora privada do Brasil em base de consumidores. Sólida geração de caixa em mercado de alta renda per capita.

- Light S.A. (LIGT3): distribuidora do estado do Rio de Janeiro, que enfrentou grave crise financeira resultando em recuperação extrajudicial em 2023. Exemplo de risco regulatório e operacional em ambiente de alta inadimplência e furto de energia (perdas não técnicas).

- Neoenergia S.A. (NEOE3): holding controladora da própria Coelba, que consolida as distribuidoras CEEB3, Celpe (PE), Cosern (RN) e Neoenergia Brasília (DF/GO), além de transmissão e geração renovável. Quem investe em NEOE3 tem exposição diversificada ao grupo inteiro; quem investe em CEEB3 tem exposição concentrada exclusivamente na distribuidora baiana.

No âmbito da geração distribuída solar, empresas como Solarflux, BYD, Canadian Solar, Jinko Solar e dezenas de integradores locais no mercado baiano competem indiretamente com a Coelba ao reduzir a demanda de energia faturada na rede de distribuição. O crescimento expressivo das instalações fotovoltaicas no Brasil — o país atingiu mais de 40 GW instalados de geração distribuída até 2025 — representa uma tendência estrutural de longo prazo que afeta todas as distribuidoras.

A posição geográfica da Coelba, entretanto, apresenta nuances: o semiárido baiano ainda tem penetração limitada de energia solar por dificuldades econômicas e de infraestrutura de instalação, concentrando a geração distribuída principalmente nas regiões metropolitanas e no litoral do estado. O Polo Petroquímico de Camaçari e o setor industrial baiano são consumidores cativos de alta tensão, com menor propensão à autogeração do que consumidores residenciais de médio e alto poder aquisitivo.

Indicadores explicados

**P/L (Preço sobre Lucro).** O P/L de 7,75x indica que, ao preço de referência, o mercado atribui à Coelba um múltiplo abaixo da mediana histórica de distribuidoras de energia elétrica brasileiras. Esse nível moderado é consistente com o perfil de empresa regulada, cujo crescimento de lucros é limitado pelos ciclos tarifários da Aneel. Múltiplos mais baixos podem refletir o free float reduzido do papel e a liquidez limitada da ação no mercado secundário, fatores que costumam deprimir o prêmio de valuation mesmo em empresas com fundamentos sólidos. Fórmula: P/L = Preço por ação / Lucro por ação (LPA) Cálculo: P/L = R$ 48,00 / R$ 6,1962 = 7,75x (dados de 12/06/2026)

**P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial).** Negociar a 1,55x o valor patrimonial significa que o mercado atribui à Coelba um prêmio de 55% sobre o patrimônio contábil por ação. Esse prêmio é justificável quando o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) supera o custo de capital próprio de forma consistente — o que ocorre neste caso, com ROE de 20,02%. Empresas reguladas que entregam retornos recorrentes acima do custo de capital tendem a negociar permanentemente acima de 1,0x P/VP. Fórmula: P/VP = Preço por ação / Valor Patrimonial por Ação (VPA) Cálculo: P/VP = R$ 48,00 / R$ 30,94 = 1,55x (dados de 12/06/2026, VPA referência 31/03/2026)

**DY (Dividend Yield).** O Dividend Yield elevado da Coelba reflete a política de distribuição recorrente de proventos do grupo Neoenergia, com pagamentos predominantemente via JCP ao longo do ano e dividendos concentrados em determinados períodos. O JCP é tributado à alíquota de 15% na fonte para o acionista pessoa física — diferente do dividendo ordinário. A partir de 2026, dividendos que superem R$ 50 mil mensais pagos por uma empresa ao mesmo acionista PF passam a ter retenção adicional de 10% na fonte, conforme Lei 15.270/2025. O histórico de pagamentos mostra regularidade, mas o valor absoluto de cada provento pode variar conforme o resultado do exercício e as necessidades de investimento em infraestrutura. Fórmula: DY = (Proventos pagos nos últimos 12 meses / Preço por ação) × 100 Cálculo: Proventos 12m: JCP R$ 0,4997 (mar/2026) + JCP R$ 0,4491 (dez/2025) + Dividendo R$ 3,8686 (out/2025) + JCP R$ 0,5215 (out/2025) + JCP R$ 0,4556 (jul/2025) + Dividendo R$ 0,3332 (abr/2025) + JCP R$ 0,3917 (abr/2025) = R$ 6,5194 acumulado. DY ≈ R$ 5,7945 / R$ 48,00 = 12,07% (dados de 12/06/2026, proventos base registrada B3)

**ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido).** ROE de 20,02% é expressivo para uma distribuidora de energia elétrica, setor em que retornos acima de 15% já são considerados satisfatórios. Parte desse retorno é potencializado pela alavancagem financeira da empresa — o efeito positivo do endividamento sobre o ROE quando o retorno sobre os ativos supera o custo da dívida. Para uma leitura mais neutra à estrutura de capital, o ROIC é o indicador mais adequado de avaliação da eficiência operacional. Fórmula: ROE = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido médio × 100 Cálculo: Lucro Líquido 12m (acumulado até mar/2026, base 4 trimestres): aprox. R$ 1.624M. Patrimônio Líquido (mar/2026): R$ 8.110M. ROE = R$ 1.624M / R$ 8.110M × 100 = 20,02% (dados de 31/03/2026)

**ROIC (Retorno sobre o Capital Investido).** O ROIC de 11,77% representa o retorno gerado sobre todo o capital empregado na Coelba, independentemente de ser próprio ou de terceiros. Para distribuidoras reguladas, a comparação entre ROIC e o WACC regulatório definido pela Aneel é fundamental: quando o ROIC supera o custo de capital regulatório, a empresa demonstra capacidade de gerar valor econômico real. O nível do ROIC é influenciado pelos ciclos de revisão tarifária, sendo potencialmente elevado em anos seguintes a revisões favoráveis. Fórmula: ROIC = NOPAT / Capital Investido × 100, onde NOPAT = EBIT × (1 - alíquota IR) e Capital Investido = Patrimônio Líquido + Dívida Líquida Cálculo: ROIC indicado nos dados: 11,77%. Capital Investido implícito: PL R$ 8.110M + Dívida Líquida (PL × 2,32) ≈ R$ 8.110M + R$ 18.815M = R$ 26.925M (dados de 31/03/2026)

**EV/EBITDA.** O múltiplo EV/EBITDA de 5,32x posiciona a Coelba entre os patamares moderados para distribuidoras de energia elétrica no Brasil, setor em que múltiplos entre 5x e 8x são frequentemente observados. Múltiplos menores tendem a refletir menor prêmio de crescimento e maior foco no retorno via dividendos — perfil adequado para a Coelba dado seu free float reduzido e estágio maduro de concessão. Esse indicador neutraliza diferenças de estrutura de capital, facilitando comparações entre distribuidoras com diferentes níveis de endividamento. Fórmula: EV/EBITDA = Enterprise Value / EBITDA, onde EV = Market Cap + Dívida Líquida Cálculo: Market Cap (ref. 12/06/2026): R$ 12.580,6M. Dívida Líquida (PL × 2,32): R$ 8.110M × 2,32 ≈ R$ 18.815M. EV ≈ R$ 31.396M. EV/EBITDA = 5,32x (dados de 12/06/2026)

**Margem EBITDA.** A margem EBITDA de 29,84% é uma medida da eficiência operacional da distribuidora antes dos efeitos financeiros e tributários. Em distribuidoras de energia, a margem EBITDA é estruturalmente limitada pela Parcela A da tarifa — que representa custos não gerenciáveis repassados integralmente ao consumidor sem margem para a empresa. A eficiência de gestão, então, se mede principalmente pelos custos operacionais da Parcela B, e melhorias contínuas nessa componente são o principal vetor de expansão de margem dentro do modelo regulatório. Fórmula: Margem EBITDA = EBITDA / Receita Líquida × 100 Cálculo: Margem EBITDA = 29,84% (dados de 31/03/2026, base últimos 12 meses). Receita Líquida 12m acumulada: R$ 4.939M (1T26) + parcelas anteriores — margem consolidada de 29,84% sobre a base anualizada.

**Dívida Líquida/EBITDA.** A alavancagem de 3,19x Dívida Líquida/EBITDA é compatível com o perfil de empresa de infraestrutura regulada, cujos fluxos de caixa são previsíveis e garantidos por contratos de concessão de longo prazo. Distribuidoras de energia tipicamente operam com alavancagens entre 2,5x e 4,5x sem impactar significativamente a qualidade de crédito, pois a receita regulada fornece previsibilidade para serviço da dívida. Alavancagem acima desse intervalo pode pressionar o rating de crédito e elevar o custo de captação. A Aneel incorpora no cálculo tarifário um custo de capital que contempla uma estrutura de capital com dívida, validando a adequação do modelo. Fórmula: Dívida Líquida / EBITDA = (Dívida Bruta - Caixa e equivalentes) / EBITDA Cálculo: Dívida Líquida/EBITDA = 3,19x (dados de 31/03/2026). Representa que a dívida líquida da empresa equivale a aproximadamente 3,19 anos de geração de caixa operacional (EBITDA).

**LPA (Lucro por Ação).** O LPA de R$ 6,1962 representa o lucro atribuível a cada ação do total emitido pela Coelba. É o numerador da fórmula do P/L e o principal parâmetro de comparação com o preço de mercado. Para distribuidoras reguladas, a variação do LPA entre exercícios reflete principalmente: resultados de revisões tarifárias, eficiência operacional na Parcela B e o custo do endividamento. O 1T26 registrou LPA de R$ 1,5491, refletindo a sazonalidade típica de resultados ao longo do ano. Fórmula: LPA = Lucro Líquido / Número de ações totais Cálculo: LPA = Lucro Líquido 12m / 262.096.087 ações = R$ 6,1962 por ação (dados de 12/06/2026, base acumulada últimos 12 meses encerrados em mar/2026)

**VPA (Valor Patrimonial por Ação).** O VPA de R$ 30,94 representa o valor contábil do patrimônio dos acionistas distribuído por cada ação. É a base de cálculo do P/VP e serve como âncora patrimonial para avaliar o prêmio ou desconto que o mercado atribui à empresa. A comparação temporal do VPA permite acompanhar a evolução do patrimônio contábil da empresa: o VPA de R$ 32,69 em setembro de 2025 versus R$ 30,94 em março de 2026 reflete a distribuição de proventos no período, que reduz o patrimônio líquido contabilmente. Fórmula: VPA = Patrimônio Líquido / Número total de ações Cálculo: VPA = R$ 8.110.000.000 / 262.096.087 ações = R$ 30,94 por ação (dados de 31/03/2026)

Perguntas Frequentes

Qual o preço atual de CEEB3? A cotação mais recente de CEEB3 é de R$ 46,50.

Em qual setor CEEB3 está classificada? CEEB3 pertence ao setor Energia Elétrica na classificação da B3.

Qual o P/L de CEEB3? O índice Preço/Lucro (P/L) de CEEB3 é 7.50. Este indicador relaciona o preço da ação com o lucro por ação.

CEEB3 paga dividendos? CEEB3 apresenta dividend yield de 12,55% nos últimos 12 meses.

Qual o ROE de CEEB3? O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de CEEB3 é de 20,02%. O indicador relaciona o lucro ao patrimônio líquido e descreve a rentabilidade contábil da companhia.

Qual o valor de mercado de CEEB3? O valor de mercado de CEEB3 é de aproximadamente R$ 12,2B, calculado a partir da cotação e do total de ações. Dado sujeito a variação a cada pregão.

Quantas ações CEEB3 possui emitidas? A companhia possui 262.096.087 ações emitidas, conforme dados públicos CVM/B3.

Qual o controle acionário de CEEB3? O controle acionário registrado é do tipo Privado Holding, conforme cadastro público da companhia.

O que é a Coelba e qual é o seu negócio principal? A Coelba (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia) é uma distribuidora de energia elétrica que detém a concessão exclusiva para distribuição em praticamente todo o estado da Bahia, abrangendo mais de 420 municípios. O negócio é regulado pela Aneel, que define as tarifas cobradas dos consumidores e os parâmetros de qualidade do serviço. A empresa foi constituída em 1960 e integra o grupo Neoenergia, controlado pela multinacional espanhola Iberdrola.

Qual é a diferença entre CEEB3 e CEEB5? CEEB3 são ações ordinárias (ON) da Coelba, que conferem direito a voto nas assembleias de acionistas. CEEB5 são ações preferenciais (PN), que em geral têm prioridade no recebimento de dividendos mínimos, mas sem direito a voto. A composição do capital da empresa é de 57,99% de ordinárias e 42,01% de preferenciais. Ambas as classes têm liquidez muito baixa no mercado secundário da B3.

Qual é a estrutura de controle acionário da Coelba? A Coelba é controlada pela Neoenergia S.A., que por sua vez é controlada pela Iberdrola, multinacional espanhola de energia com atuação global. O free float é de aproximadamente 1,02%, indicando que a esmagadora maioria das ações está nas mãos do grupo controlador. Essa concentração significa que decisões estratégicas são tomadas no nível da Neoenergia e da Iberdrola, com pouca influência dos acionistas minoritários.

Como funciona a regulação das tarifas da Coelba pela Aneel? A Aneel realiza três tipos de processos tarifários: Revisão Tarifária Periódica (RTP, a cada 4-5 anos), que recalibra a Base de Remuneração Regulatória e os custos reconhecidos; Reajuste Tarifário Anual (RTA), que repõe a inflação reconhecida; e Revisões Extraordinárias, para situações atípicas. A tarifa tem duas parcelas: a Parcela A (custos não gerenciáveis, como energia comprada, transmissão e encargos setoriais) e a Parcela B (custos gerenciáveis e remuneração dos ativos da distribuidora).

Os proventos da Coelba são tributados para o acionista pessoa física? Depende do tipo de provento. Os Juros sobre Capital Próprio (JCP), que representam grande parte dos pagamentos da Coelba, têm retenção de 15% na fonte independentemente do valor. Os dividendos ordinários, para acionistas pessoa física brasileiros, não sofrem retenção na fonte na maioria dos casos; porém, a partir de 2026, a Lei 15.270/2025 instituiu retenção de 10% sobre dividendos que superem R$ 50 mil mensais pagos pela mesma empresa a um mesmo acionista PF.

Qual é o tag along das ações CEEB3? As ações ordinárias CEEB3 têm tag along de 80% — o mínimo legal estabelecido pela Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6.404/1976, art. 254-A). Em caso de comercializacao do controle da companhia, os acionistas minoritários detentores de ordinárias têm direito de receber pelo menos 80% do preço pago por ação ao controlador. A Coelba não está listada no Novo Mercado, que exigiria tag along de 100%.

A Coelba tem concorrentes no mercado de distribuição de energia na Bahia? Não, no segmento de distribuição de energia elétrica a Coelba opera como monopólio regulado em sua área de concessão. Nenhuma outra empresa pode distribuir energia para os mesmos consumidores. A 'competição' relevante vem da geração distribuída solar fotovoltaica, que permite que alguns consumidores produzam parte de sua própria energia, potencialmente reduzindo o volume de energia faturada pela distribuidora.

Como o crescimento da energia solar afeta a Coelba? O crescimento das instalações de geração distribuída solar fotovoltaica pode reduzir o volume de energia faturada pela Coelba no médio e longo prazo, especialmente nos mercados residenciais e comerciais de regiões de maior poder aquisitivo. Esse é um risco estrutural que a Aneel já endereçou em revisões regulatórias, estabelecendo mecanismos de cobrança pelo uso da rede (mesmo para prosumidores). O semiárido baiano tem características econômicas que ainda limitam a penetração rápida da solar nesses mercados.

Qual é o nível de endividamento da Coelba e como avaliar se é sustentável? A Coelba tem Dívida Líquida/EBITDA de 3,19x e Dívida Líquida/PL de 2,32x (dados de março de 2026). Para distribuidoras de energia elétrica com receita regulada e previsível, esse patamar é considerado compatível com o modelo de negócios — o setor tipicamente suporta alavancagens entre 2,5x e 4,5x. A sustentabilidade do endividamento depende da geração de caixa operacional, do custo médio da dívida em relação à taxa Selic e da capacidade de refinanciamento a custos adequados.

O que é a Neoenergia e qual é sua relação com a Coelba? A Neoenergia S.A. (NEOE3) é a holding brasileira da Iberdrola que controla quatro distribuidoras de energia elétrica no Brasil: Coelba (Bahia), Celpe (Pernambuco), Cosern (Rio Grande do Norte) e Neoenergia Brasília (Distrito Federal e Goiás). Além das distribuidoras, a Neoenergia opera ativos de transmissão e geração de energia renovável. Investir em CEEB3 é, portanto, ter exposição específica à concessão baiana, sem a diversificação que um investimento em NEOE3 proporciona.

Em que segmento da B3 a Coelba está listada? A Coelba está listada no segmento Tradicional (mercado principal) da B3, o que significa que não aderiu voluntariamente aos padrões adicionais de governança dos segmentos Nível 1, Nível 2 ou Novo Mercado. A razão estrutural é a existência de duas classes de ações (ON e PN), incompatível com a exigência de ações exclusivamente ordinárias do Novo Mercado.

Quais são os principais riscos regulatórios para a Coelba? Os principais riscos regulatórios incluem: (1) revisões tarifárias com reconhecimento insuficiente dos custos operacionais ou da Base de Remuneração Regulatória; (2) mudanças nas regras de compensação de energia solar distribuída que reduzam a receita pela rede; (3) multas da Aneel por descumprimento de metas de qualidade de fornecimento (indicadores DEC e FEC); e (4) alterações no WACC regulatório que impactem a remuneração do capital investido no ciclo seguinte de revisão.

Como são divulgadas as informações financeiras da Coelba? A Coelba (código CVM 14524) divulga suas demonstrações financeiras trimestrais (ITR) e anuais (DFP), Formulário de Referência e outros documentos obrigatórios na plataforma Empresas.NET da CVM (www.cvm.gov.br) e no site de relações com investidores da Neoenergia (ri.neoenergia.com). A empresa é auditada por firma de auditoria independente registrada na CVM. Por ser controlada por empresa de capital aberto (Neoenergia) e indiretamente por empresa estrangeira (Iberdrola), adota padrões de divulgação alinhados às normas IFRS.

Atualização

Dados consultados em 19/07/2026 nas fontes públicas citadas. Cotações e indicadores estão sujeitos a defasagem conforme a periodicidade de cada fonte.

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Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.