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CMIG4 — CIA ENERGETICA DE MINAS GERAIS - CEMIG

Cotação, indicadores e dados históricos de CMIG4 (Ação). Dados B3/CVM atualizados.

Preço atual
R$ 11,12
P/L
6,58
P/VP
1,10
Dividend Yield (12m)
6,42%

Setor

Energia Elétrica

Desempenho recente

No período de 6m, CMIG4 apresentou variação de +2,39% em 123 pregões. Dados de cotação da B3, sujeitos a defasagem.

Faixa de 52 semanas

Nas últimas 52 semanas, CMIG4 oscilou entre R$ 10,09 a R$ 13,87. Média de R$ 11,48 no período. Dados B3, sujeitos a defasagem.

Indicadores Fundamentalistas

Dividend yield (12m): 6,42%. P/L: 6.58. P/VP: 1.10. ROE: 16,75%. Margem líquida: 9,36%. Valor de mercado: R$ 31,8B. Dados públicos B3/CVM, sujeitos a defasagem.

Indicadores Avançados

ROIC: 9,35%. ROA: 7,10%. EV/EBITDA: 6.05. EV/EBIT: 7.50. Margem EBITDA: 19,09%. Margem bruta: 15,79%. Dívida líquida/EBITDA: 2.20. Dívida líquida/Patrimônio: 0.63. Liquidez corrente: 0.93. LPA (lucro por ação): R$ 1,69. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 10,10. PSR (preço/receita): 0.73. Free float: 80,11%. Último provento: R$ 0,11 por ação. Indicadores de rentabilidade (ROIC, ROA), valuation por valor da firma (EV/EBITDA, EV/EBIT), margens, endividamento e liquidez, a partir de dados públicos B3/CVM. São referências informativas — a interpretação cabe a cada investidor.

Variações por período

Variação de CMIG4 em janelas recentes. Na semana: -2,11%. No mês: +4,12%. No ano: -0,71%. Fechamento anterior: R$ 11,02 (16/07/2026). Percentuais sobre preços de fechamento da B3, sujeitos a defasagem.

Últimos pregões

Fechamentos recentes de CMIG4: 17/07/2026: R$ 11,12, volume de R$ 202,5M; 16/07/2026: R$ 11,02, volume de R$ 85,3M; 15/07/2026: R$ 11,12, volume de R$ 129,5M; 14/07/2026: R$ 11,20, volume de R$ 81,7M; 13/07/2026: R$ 11,09, volume de R$ 118,2M. Dados de pregão da B3.

Histórico de proventos

CMIG4 registra 160 proventos anunciados em 31 anos de cobertura. Anúncios mais recentes: 23/06/2026 — JCP de R$ 0,11 por ação, pagamento em 30/06/2027; 30/04/2026 — Dividendo de R$ 0,12 por ação; 24/03/2026 — JCP de R$ 0,12 por ação; 23/12/2025 — JCP de R$ 0,12 por ação; 22/12/2025 — Dividendo de R$ 0,15 por ação; 29/09/2025 — JCP de R$ 0,11 por ação; 23/06/2025 — JCP de R$ 0,10 por ação; 30/04/2025 — Dividendo de R$ 0,33 por ação. O histórico descreve anúncios passados e não projeta pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia.

Resultados financeiros recentes

Demonstrações trimestrais reportadas por CMIG4 (CVM): 31/03/2026: receita líquida de R$ 10,5B, lucro líquido de R$ 979,0M, margem líquida de 9,36%, LPA de R$ 0,34. 31/12/2025: receita líquida de R$ 42,8B, lucro líquido de R$ 4,9B, margem líquida de 11,46%, LPA de R$ 1,71. 30/09/2025: receita líquida de R$ 31,3B, lucro líquido de R$ 3,0B, margem líquida de 9,68%, LPA de R$ 1,06. 30/06/2025: receita líquida de R$ 20,6B, lucro líquido de R$ 2,2B, margem líquida de 10,79%, LPA de R$ 0,78. Valores consolidados conforme reportado, sujeitos a reapresentação.

Patrimônio líquido e VPA

Patrimônio líquido de R$ 28,9B na posição de 31/03/2026. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 10,10. Na posição de 30/06/2016, o patrimônio era de R$ 13,8B e o VPA era de R$ 4,82. Série contábil pública (CVM), sujeita a reapresentação.

Estrutura acionária

Composição do capital de CMIG4: Total de ações emitidas: 2.861.781.895. Ordinárias (ON): 956.601.911 (33,43%). Preferenciais (PN): 1.905.179.984 (66,57%). Ações em circulação: 2.292.595.725. Dados públicos CVM/B3.

Valores mobiliários listados

Códigos de negociação da companhia na B3: CMIG3 (Ações Ordinárias, Nível 1 de Governança Corporativa); CMIG4 (Ações Preferenciais, Nível 1 de Governança Corporativa). O segmento de listagem descreve o conjunto de regras de governança ao qual a companhia aderiu.

Valuation por fórmulas clássicas (Graham e Bazin)

Pela fórmula de Graham, o valor calculado para CMIG4 é de R$ 19,60 (diferença de 76,26% ante o preço usado no cálculo). Pela fórmula de Bazin (yield-alvo de 6% a.a.), o preço-teto calculado é de R$ 11,90, a partir de dividendo por ação de R$ 0,71. Valor intrínseco = raiz(22,5 x LPA x VPA). Requer LPA>0 e VPA>0. Preço-teto = dividendo por ação / 0,06 (yield-alvo 6% a.a.). São resultados de fórmulas públicas aplicadas a dados reportados — referências informativas cuja interpretação cabe a cada investidor; não constituem recomendação de compra ou venda.

Movimentações de administradores e pessoas ligadas

Negociações com ações de CMIG4 comunicadas por administradores, controladores e pessoas ligadas no período de 5 anos, conforme divulgação pública (CVM). Foram registradas 136 operações de compra e 47 operações de venda. Volume comprado: R$ 2,7B. Volume vendido: R$ 40,6M. Saldo líquido do período: R$ 2,6B. Dado factual de transparência — não indica, por si só, perspectiva sobre o ativo.

Como interpretar os indicadores de uma ação

Os indicadores fundamentalistas descrevem aspectos diferentes de uma empresa e costumam ser lidos em conjunto, não isoladamente. Abaixo, o que cada grupo representa de forma factual.

Múltiplos de avaliação (P/L, P/VP, PSR)

Múltiplos relacionam o preço de mercado a uma medida contábil. O P/L (preço sobre lucro) compara a cotação ao lucro por ação; o P/VP (preço sobre valor patrimonial) compara ao patrimônio por ação; o PSR (preço sobre receita) compara à receita por ação. São referências de avaliação relativa — fazem mais sentido comparados entre empresas de um mesmo setor do que isoladamente, já que cada setor tem faixas típicas distintas.

Rentabilidade (ROE, ROIC, ROA)

Os indicadores de rentabilidade medem a eficiência da empresa em gerar resultado a partir do capital. O ROE relaciona o lucro ao patrimônio líquido; o ROIC relaciona o resultado operacional ao capital total investido (próprio e de terceiros); o ROA relaciona o lucro ao total de ativos. Valores mais altos indicam maior eficiência relativa, mas dependem do setor e da estrutura de capital.

Valor da firma e margens (EV/EBITDA, margens)

O EV/EBITDA compara o valor da firma (valor de mercado mais dívida líquida) ao EBITDA, uma medida de geração de caixa operacional; é usado para comparar empresas com diferentes níveis de endividamento. As margens (bruta, EBITDA, líquida) expressam quanto da receita se converte em resultado em cada etapa, descrevendo a lucratividade da operação.

Endividamento e liquidez

A dívida líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida; a dívida líquida sobre patrimônio relaciona o endividamento ao capital próprio. A liquidez corrente compara ativos e passivos de curto prazo. Esses indicadores descrevem a estrutura financeira e o risco associado ao endividamento.

Dividendos (DY e payout)

O Dividend Yield (DY) relaciona os proventos distribuídos nos últimos doze meses ao preço da ação, e o payout indica a parcela do lucro distribuída como proventos. Ambos descrevem o histórico de distribuição e não projetam pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia. A interpretação de todos esses indicadores cabe a cada investidor, conforme seus objetivos e tolerância a risco.

Sobre a Empresa

Concessionária de serviço público de energia elétrica.

Identificação e registro

CNPJ: 17.155.730/0001-64. Código CVM: 2453. Situação do registro: Ativo. Constituída em 1952. Controle acionário: Estatal. País de origem: Brasil. Site oficial: www.cemig.com.br. Dados cadastrais públicos da companhia (CVM/B3), sujeitos a atualização.

Dividendos

O dividend yield acumulado nos últimos 12 meses de CMIG4 é de 6,42%.

Eventos e Fatos Relevantes (CVM)

CMIG4 registra 100 evento(s) e comunicado(s) ao mercado publicados via CVM nos últimos 5 anos. As categorias mais frequentes: Assembleia (39), Dados Econômico-Financeiros (23), Fato Relevante (21). Os documentos completos podem ser consultados nos canais oficiais.

A Cemig é uma das maiores companhias integradas de energia elétrica do Brasil, controlada pelo Estado de Minas Gerais e fundada em 1952. CMIG4, sua ação preferencial, combina atuação em geração, transmissão, distribuição e comercialização com tradição de pagamento de proventos. A concessão de distribuição cobre 774 dos 853 municípios mineiros, e o papel figura entre os mais líquidos do setor elétrico na B3.

Sobre CIA ENERGETICA DE MINAS GERAIS - CEMIG

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) é uma das mais antigas e emblemáticas empresas de energia elétrica do Brasil. Fundada em 22 de maio de 1952 pelo então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, nasceu no contexto do projeto desenvolvimentista que mais tarde levaria JK à Presidência da República, com a missão de eletrificar o interior mineiro e dar suporte à industrialização do estado. Ao longo de mais de sete décadas, consolidou-se como uma holding integrada de energia, atuando em todos os elos da cadeia elétrica — geração, transmissão, distribuição e comercialização —, além de deter o controle da Gasmig, distribuidora de gás natural canalizado de Minas Gerais. Esse modelo verticalizado a diferencia de pares que se especializaram em segmentos específicos, como a Taesa, focada em transmissão, ou a Equatorial, historicamente concentrada em distribuição e turnarounds operacionais.

O modelo de negócios sustenta-se sobre subsidiárias operacionais bem delimitadas. A Cemig Distribuição (Cemig D) é o segmento de maior capilaridade: atende a quase totalidade dos municípios mineiros em uma das maiores áreas de concessão de distribuição do país em extensão territorial, com receita regulada definida pela ANEEL em ciclos de revisão tarifária — o que confere previsibilidade de fluxo de caixa, mas embute risco regulatório. A Cemig Geração e Transmissão (Cemig GT) concentra o parque gerador, historicamente ancorado em hidrelétricas como Três Marias, Emborcação, Nova Ponte e Irapé, complementado por ativos eólicos e solares — incluindo a atuação em geração distribuída via Cemig Sim — e por participação relevante na Taesa, uma das maiores transmissoras do país. A comercialização atua nos ambientes regulado e livre, segmento em que a Cemig figura entre os maiores vendedores de energia do mercado livre brasileiro. A transmissão própria gera Receita Anual Permitida (RAP) indexada à inflação, o ativo mais defensivo do portfólio.

A trajetória recente é marcada por uma inflexão estratégica. Entre os anos 2000 e meados da década de 2010, a companhia expandiu-se agressivamente via participações em dezenas de sociedades de propósito específico (SPEs) e consórcios — incluindo posições em Light, Renova Energia, Santo Antônio Energia e na usina de Belo Monte —, estratégia que dispersou capital e elevou o endividamento. Em 2017, perdeu em leilão as usinas de São Simão, Jaguara, Miranda e Volta Grande, cujas concessões não foram renovadas nos termos pretendidos, marco negativo que acelerou a guinada. Desde então, a agenda declarada gira em torno de três eixos: desinvestimento de participações não estratégicas (com saídas de ativos como Light e Renova), disciplina financeira com desalavancagem, e um programa plurianual de investimentos recorde concentrado em Minas Gerais — modernização e digitalização da rede de distribuição, expansão em geração solar distribuída e reforço da transmissão.

A estrutura societária reflete o caráter de sociedade de economia mista: o Governo do Estado de Minas Gerais é o acionista controlador, detentor da maioria das ações ordinárias (CMIG3). O capital divide-se em cerca de 2,86 bilhões de ações, sendo aproximadamente um terço ordinárias e dois terços preferenciais (CMIG4) — classe sem direito a voto pleno, mas com prioridade no recebimento de dividendos e estatuto que prevê distribuição mínima de 50% do lucro líquido ajustado. Como o controle se exerce pelas ordinárias, o free float total é elevado e concentrado nas preferenciais, o que faz de CMIG4 um dos papéis mais líquidos do setor elétrico na B3. A companhia está listada no Nível 1 de Governança Corporativa da B3, mantém ADRs negociados na Bolsa de Nova York (ticker CIG) desde 2001 e integra índices como Ibovespa, IBrX-100, IDIV (Índice de Dividendos) e ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial).

O que diferencia CMIG4 dos pares é a combinação singular de integração vertical completa, domínio de uma das maiores concessões de distribuição do Brasil, diversificação para o gás natural via Gasmig, perfil consolidado de pagadora de proventos — com histórico recorrente de dividendos e juros sobre capital próprio — e a dupla natureza de estatal estadual com ações amplamente pulverizadas em bolsa. Essa última característica é simultaneamente traço definidor e ponto de atenção permanente: sujeita a companhia a ciclos políticos e à situação fiscal do estado controlador, e mantém viva a discussão recorrente sobre eventual privatização, que exigiria aprovação legislativa em Minas Gerais.

Contexto de negocio e setor

O setor de energia elétrica brasileiro é um dos mais maduros, regulados e estratégicos da economia nacional, constituindo infraestrutura crítica para a atividade industrial, comercial e residencial. Sua estrutura é segmentada em quatro elos — geração, transmissão, distribuição e comercialização —, cada um com lógica econômica, perfil de risco e regime regulatório próprios. A distribuição é moderadamente fragmentada, com dezenas de concessionárias regionais; geração de grande porte e transmissão são mais concentradas. A matriz elétrica do país é majoritariamente renovável, com predominância hidrelétrica complementada por eólica, solar, biomassa e térmicas de respaldo — configuração que expõe o sistema ao risco hidrológico: secas acionam térmicas mais caras, elevam o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e geram descasamentos temporários de caixa nas distribuidoras até o repasse tarifário.

A cadeia produtiva parte das usinas, passa pela transmissão em alta tensão pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) — coordenado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) —, chega à distribuição em média e baixa tensão e termina no consumidor cativo ou livre, este último negociando energia diretamente no Ambiente de Contratação Livre, com liquidação financeira pela CCEE. O marco regulatório tem como pilares a Lei 10.848/2004, que estruturou o modelo atual de leilões e contratação, e a Lei 14.300/2022, que disciplinou a geração distribuída; soma-se a abertura gradual do mercado livre — desde 2024, todos os consumidores de alta e média tensão podem migrar, movimento que redesenha a fronteira entre receita regulada e competitiva das integradas. A agência reguladora é a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), responsável por tarifas, revisões periódicas plurianuais, fiscalização das concessões e metas de qualidade (indicadores DEC e FEC), enquanto a formulação de política energética e o planejamento de longo prazo cabem ao Ministério de Minas e Energia, com apoio técnico da EPE.

As tendências estruturais redesenham o setor em horizonte de décadas: transição energética com expansão acelerada de eólica e solar; geração distribuída erodindo gradualmente o volume faturado pelas distribuidoras; digitalização das redes (smart grids); armazenamento por baterias; eletrificação de frotas; e o potencial do hidrogênio verde. As barreiras de entrada são elevadíssimas: concessões outorgadas por leilões públicos com prazos de décadas, capital intensivo e expertise técnica e regulatória profunda. O ciclo de capital caracteriza-se por CAPEX elevado e payback longo — usinas, linhas e redes maturam em horizontes de vinte a trinta anos —, o que torna o custo e o prazo da dívida variáveis críticas do retorno.

As exposições macroeconômicas têm canais de transmissão explícitos. Juros: o setor é tomador estrutural de dívida e seus ativos têm duração longa; ciclos de aperto monetário encarecem o serviço da dívida, comprimem o resultado financeiro e reduzem o valor presente dos fluxos regulados — empresas mais alavancadas sofrem desproporcionalmente, e o efeito se inverte em ciclos de afrouxamento. Inflação: funciona como proteção parcial, pois as tarifas de distribuição e a RAP de transmissão são reajustadas por índices de preços (IPCA e IGP-M), repassando custos com defasagem. Câmbio: afeta equipamentos importados (turbinas, painéis, transformadores) e eventuais dívidas em moeda estrangeira; companhias de foco doméstico, caso da Cemig, têm exposição cambial limitada. Ciclo econômico: o consumo industrial e comercial acompanha o PIB, transmitindo recessões ao volume distribuído e elevando inadimplência e perdas não técnicas, enquanto a transmissão permanece estável por ser remunerada pela disponibilidade da rede, não pelo volume.

O cenário competitivo combina players de perfis distintos: a Eletrobras, privatizada em 2022, líder em geração e transmissão; a Engie Brasil, maior geradora privada; as consolidadoras Equatorial e Energisa, agressivas em aquisições de distribuidoras; a CPFL Energia, controlada pela chinesa State Grid; a Neoenergia, do grupo espanhol Iberdrola; a Copel, estatal paranaense transformada em corporation; a Auren em geração e comercialização; e pure players de transmissão como Taesa e ISA Energia Brasil. Nesse tabuleiro em consolidação, a Cemig posiciona-se como integrada regional de escala nacional, aprofundando o domínio do mercado mineiro enquanto o setor avança em privatizações, fusões e leilões de transmissão.

Como ler os indicadores deste ativo

Avaliar uma ação do setor elétrico como CMIG4 exige um conjunto de indicadores que capture três características estruturais do negócio: a intensidade de capital, a previsibilidade do fluxo de caixa regulado e a vocação de pagadora de proventos. A Cemig, por ser uma holding integrada — geração, transmissão e distribuição —, demanda leitura segmentada: cada elo tem lógica econômica própria, e o indicador que ilumina um pode distorcer o outro. A transmissão gera Receita Anual Permitida (RAP) indexada à inflação; a distribuição (Cemig D) opera sob receita regulada pela ANEEL, sujeita a ciclos de revisão tarifária; a geração, ancorada em hidrelétricas, carrega o risco hidrológico.

O ponto de partida é a margem EBITDA, que revela a capacidade operacional de gerar caixa antes dos efeitos financeiros e fiscais. Em empresas integradas, ela mistura segmentos de margens muito diferentes: transmissão opera com margens altíssimas; distribuição, que repassa ao consumidor a energia comprada, dilui a margem consolidada porque boa parte da receita é custo não gerenciável. Por isso, comparar a margem consolidada da Cemig com a de um pure player de transmissão como a Taesa induz a erro — a comparação justa é com integradas como Copel e CPFL Energia.

O indicador mais crítico para o setor é a relação dívida líquida/EBITDA, que mede quantos anos de geração operacional de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida. Pela previsibilidade da receita regulada, o setor elétrico tolera alavancagem entre duas e três vezes sem desconforto; acima disso, em ambiente de juros elevados, o serviço da dívida passa a corroer o lucro. A leitura conjunta é obrigatória: margem EBITDA robusta perde valor se acompanhada de alavancagem excessiva e resultado financeiro negativo.

Nos retornos, ROE e ROIC respondem a perguntas distintas. O ROE mede o retorno sobre o capital dos acionistas e é inflado pela alavancagem; o ROIC mede o retorno sobre todo o capital investido (próprio e de terceiros) e é a régua honesta de um setor que imobiliza bilhões em usinas e redes. Um ROIC consistentemente acima do custo médio ponderado de capital indica criação de valor; abaixo do custo da dívida, sinaliza destruição de valor a cada novo investimento. Em concessões reguladas, o ROIC tende a gravitar em torno do retorno regulatório definido nas revisões tarifárias.

Nos múltiplos de valuation, P/L e P/VP devem ser lidos com as ressalvas do setor. O lucro de elétricas carrega eventos não recorrentes frequentes — provisões regulatórias, reavaliações de concessão, comercializacao de ativos —, de modo que um P/L isolado pode refletir lucro inflado ou deprimido por item pontual; vale conferir a consistência do LPA ao longo dos trimestres. O P/VP confronta preço e valor patrimonial (VPA), e em estatais costuma embutir desconto de governança: parte do mercado precifica o risco de interferência do controlador. Interpretar esse desconto como mera barganha, ignorando sua causa estrutural, é armadilha clássica de iniciante. O EV/EBITDA é o múltiplo preferido para comparar elétricas entre si, pois incorpora a dívida na conta e neutraliza diferenças de estrutura de capital — essencial num setor em que o endividamento varia muito entre pares.

Para o investidor de renda, o dividend yield deve ser examinado junto do payout e da fonte do provento: yield sustentado por lucro recorrente e caixa livre é qualitativamente distinto de yield turbinado por desinvestimentos ou eventos contábeis, que não se repetem. Por fim, indicadores operacionais setoriais — perdas de energia, DEC e FEC (duração e frequência de interrupções), nível de reservatórios e RAP contratada — antecipam o que os indicadores financeiros só mostrarão depois. A análise madura cruza as duas camadas: o financeiro diz quanto a empresa entrega; o operacional e o regulatório dizem se ela continuará entregando.

Pontos de atencao

O controle pelo Governo de Minas Gerais é o risco mais estrutural de CMIG4. O Estado detém a maioria das ações ordinárias e indica parcela determinante do conselho e da diretoria, sujeitando decisões de investimento e a política de dividendos a ciclos eleitorais. Em fases de aperto fiscal estadual, cresce a pressão por distribuição de caixa ou por usos politicamente motivados da companhia, nem sempre alinhados ao acionista minoritário.

A exposição regulatória é direta: a Cemig Distribuição opera sob receita regulada pela ANEEL, com revisões tarifárias periódicas que recalculam a base de remuneração dos ativos e o custo de capital reconhecido. Uma revisão com WACC regulatório menor, glosa de investimentos ou metas de qualidade não cumpridas comprime o resultado do segmento de maior capilaridade da companhia, sem que a gestão controle essas variáveis.

A renovação de concessões já gerou perdas concretas: em 2017, após o impasse em torno da Lei 12.783/2013 e derrota judicial, a União levou a leilão usinas que a Cemig operava — São Simão, Jaguara, Miranda e Volta Grande —, retirando capacidade relevante de geração do portfólio. Vencimentos futuros de concessões de geração e de distribuição seguem sendo eventos críticos do calendário regulatório da companhia.

O risco hidrológico atinge a Cemig por dois canais: na geração, ancorada em hidrelétricas, anos secos derrubam o GSF (fator de ajuste do Mecanismo de Realocação de Energia) e obrigam compras no mercado de curto prazo a preços pressionados; na distribuição, o acionamento de térmicas encarece a energia comprada, gerando descasamento de caixa até o repasse tarifário via bandeiras e reajustes, como na crise hídrica de 2021.

A estrutura de capital exige vigilância: a Cemig conviveu historicamente com alavancagem pressionada, incluindo captações em moeda estrangeira via eurobonds, e segue intensiva em capital, com ciclo robusto de investimentos em distribuição. Em ambiente de juros elevados, o serviço da dívida indexada a CDI e IPCA consome parcela da geração operacional e disputa o mesmo caixa do capex obrigatório e dos dividendos.

A concentração geográfica em Minas Gerais vincula o desempenho da companhia à economia de um único estado, fortemente baseada em mineração e siderurgia, setores eletrointensivos e cíclicos. Desaceleração da indústria mineira ou eventos climáticos regionais severos afetam simultaneamente volume distribuído, inadimplência e custos de rede, sem a diversificação regional que consolidadoras multiestaduais possuem.

O legado de participações em SPEs e coligadas ainda pode gerar surpresas. A Cemig acumulou dezenas de posições fora do core mineiro: a Renova Energia, de cujo bloco de controle participava, entrou em recuperação judicial; a participação na Light foi desfeita após resultados frustrantes; e usinas do rio Madeira e Belo Monte exigiram provisões e baixas contábeis. A simplificação avançou, mas resíduos desse ciclo seguem no balanço.

A geração distribuída é ameaça estrutural à distribuição: a Lei 14.300/2022 consolidou o direito de consumidores gerarem a própria energia solar, e Minas Gerais figura entre os estados líderes do país em potência instalada nessa modalidade, reduzindo o volume faturado pela Cemig D. O fenômeno transfere custos de rede aos demais consumidores, pressiona o desenho tarifário e desloca receita para fora do mercado cativo.

A abertura do mercado livre de energia corrói gradualmente a base cativa: desde 2024, consumidores de alta tensão podem migrar para o Ambiente de Contratação Livre, e a agenda regulatória discute estender a opção à baixa tensão. Para a Cemig D, a migração preserva a receita de fio, mas elimina a margem sobre a energia vendida e amplia a concorrência de comercializadoras independentes na ponta de comercializacao.

Perdas não técnicas e inadimplência afetam diretamente a rentabilidade da distribuição. Furto de energia e ligações clandestinas exigem investimento contínuo em combate e medição inteligente, e o regulador reconhece nas tarifas apenas um patamar regulatório de perdas: o excedente é absorvido pela companhia. Em ciclos de desemprego elevado, a inadimplência tende a subir e a pressionar o capital de giro.

A sustentabilidade dos dividendos merece leitura crítica. O estatuto prevê distribuição mínima de 50% do lucro líquido e as preferenciais têm prioridade de remuneração, mas distribuições extraordinárias dependeram, em parte, de desinvestimentos e eventos não recorrentes, que não se repetem indefinidamente. O ciclo de capex elevado em rede e geração renovável compete pelo mesmo caixa que sustenta os proventos.

A classe preferencial impõe limites de proteção: CMIG4 não confere voto pleno em assembleias e não conta com o tag along legal de 80%, que a Lei das S.A. garante apenas às ações ordinárias — e o Nível 1 da B3 não obriga a Cemig a estendê-lo às PN. Em eventual mudança de controle, ainda que politicamente improvável pela exigência de referendo na Constituição mineira, o detentor de CMIG4 estaria em posição mais frágil que o de CMIG3.

Governanca e estrutura societaria

A governança da Cemig é definida por sua natureza de sociedade de economia mista: o Governo do Estado de Minas Gerais é o acionista controlador, detentor da maioria das ações ordinárias (CMIG3), e por isso indica parcela determinante do Conselho de Administração e influencia a escolha da diretoria executiva. A companhia, constituída em 1952, está sujeita à Lei das Estatais (Lei 13.303/2016), que impõe requisitos de qualificação para administradores, vedações a indicações puramente políticas, comitê de elegibilidade e estruturas de compliance, atenuando — sem eliminar — o risco de interferência do controlador. O capital social, de R$ 14,3 bilhões, divide-se em cerca de 2,86 bilhões de ações, sendo aproximadamente 956,6 milhões de ordinárias (33,4%) e 1,905 bilhão de preferenciais (66,6%), com free float elevado concentrado nas PN — desenho que permite ao Estado manter o controle com fração minoritária do capital total.

A Cemig está listada no Nível 1 de Governança Corporativa da B3, segmento que exige free float mínimo, transparência ampliada e dispersão acionária, mas não impõe as regras mais protetivas do Nível 2 e do Novo Mercado. Na prática, CMIG4 não tem direito a voto pleno e não conta com tag along: a extensão legal de 80% do valor pago ao controlador, prevista na Lei das S.A., alcança apenas as ordinárias, e o estatuto não estende o benefício às preferenciais. Em contrapartida, as PN têm prioridade na distribuição de proventos, com dividendo preferencial mínimo estatutário. A companhia também mantém ADRs negociados na Bolsa de Nova York e papéis na Latibex, submetendo-se a obrigações adicionais de disclosure perante reguladores estrangeiros.

A política de dividendos é um dos pilares da tese de renda: o estatuto prevê a distribuição de no mínimo 50% do lucro líquido do exercício, patamar superior ao piso usual de mercado, e o histórico recente combina dividendos e juros sobre capital próprio pagos em mais de uma data ao longo do ano. A sustentabilidade dessa remuneração, porém, está condicionada ao ciclo de investimentos pesados em distribuição e à trajetória do endividamento.

No histórico de eventos corporativos destacam-se a perda de usinas relevantes (São Simão, Jaguara, Miranda e Volta Grande) no leilão de 2017, após a não adesão às condições da Lei 12.783/2013; a crise da coligada Renova Energia, que entrou em recuperação judicial; a saída gradual da participação na Light; e a agenda de desinvestimento de SPEs e ativos fora de Minas Gerais, que marcou a inflexão recente de alocação de capital. Discussões sobre privatização ressurgem periodicamente, mas a Constituição mineira condiciona a alienação do controle a referendo popular — e alterar essa exigência demandaria emenda constitucional na Assembleia Legislativa —, o que torna o caminho politicamente complexo e mantém o caráter estatal como traço estrutural, e não transitório, da governança.

Panorama competitivo

O mapa competitivo da Cemig deve ser lido por segmento, dado seu modelo verticalizado. Na geração, a referência de escala é a Eletrobras (ELET3), maior geradora do país após a capitalização de 2022, seguida de players privados como Engie Brasil (EGIE3), Auren (AURE3) e AES Brasil, além da estatal paranaense Copel (CPLE6), transformada em corporation em 2023. Na transmissão, competem ISA Energia (ex-CTEEP), Alupar (ALUP11) e Taesa (TAEE11) — esta última, vale notar, teve a Cemig como acionista relevante por anos, participação recorrentemente citada na agenda de desinvestimentos. Na distribuição, os rivais diretos em eficiência e consolidação são Equatorial (EQTL3) e Energisa (ENGI11), reconhecidas por turnarounds em concessões deficitárias, além de Neoenergia (NEOE3), do grupo espanhol Iberdrola, CPFL Energia (CPFE3), controlada pela chinesa State Grid, e Enel. Na comercialização, o Ambiente de Contratação Livre pulverizou a disputa entre dezenas de comercializadoras independentes.

Os moats da Cemig são típicos de monopólio natural regulado: a concessão de distribuição cobre a quase totalidade do território mineiro, atendendo 774 dos 853 municípios do estado em uma das maiores áreas de concessão do país, o que cria barreira estrutural à concorrência direta na rede. A integração vertical — geração, transmissão, distribuição e comercialização sob a mesma holding — permite capturar sinergias e equilibrar riscos: a transmissão, remunerada por Receita Anual Permitida indexada à inflação, funciona como amortecedor defensivo; a geração captura a dinâmica de preços da energia; a distribuição dá capilaridade e relacionamento com milhões de unidades consumidoras. Somam-se sete décadas de conhecimento regulatório acumulado e uma marca dominante em seu mercado de origem.

As ameaças vêm menos de novos entrantes — as barreiras de capital e o regime de concessão tornam a entrada direta improvável — e mais de substitutos e mudanças de regime: a geração distribuída solar, amparada pela Lei 14.300/2022 e especialmente forte em Minas Gerais, reduz o volume faturado pela distribuidora; a abertura do mercado livre transfere clientes da base cativa para comercializadoras concorrentes; baterias e eficiência energética podem, no longo prazo, redefinir o papel da rede. A tendência setorial é de consolidação: a privatização da Eletrobras, a transformação societária da Copel e as aquisições seriadas de Equatorial e Energisa redesenharam o tabuleiro. A Cemig, limitada pelo controle estatal e pela exigência constitucional de referendo para privatização, posiciona-se como protagonista de desinvestimentos pontuais e de aprofundamento do domínio em seu mercado de origem — não como compradora agressiva —, o que a diferencia estruturalmente das consolidadoras privadas do setor.

Indicadores explicados

**P/L (Preço/Lucro).** O P/L de 6,36 indica que o preço da ação equivale a cerca de seis anos e quatro meses do lucro por ação acumulado nos últimos doze meses, mantido o lucro constante. É um múltiplo de um dígito, padrão comum em elétricas estatais brasileiras, que costumam negociar abaixo dos múltiplos de pares privados como Equatorial e Energisa. No caso da Cemig, esse patamar reflete tanto a previsibilidade do lucro regulado quanto o desconto de governança associado ao controle pelo Estado de Minas Gerais e a eventos não recorrentes que atravessam o resultado de elétricas. Fórmula: Preço da ação / Lucro por ação (12 meses) Cálculo: R$ 10,75 / R$ 1,6912 = 6,36 (dados de 10/06/2026)

**P/VP (Preço/Valor Patrimonial).** O P/VP de 1,06 mostra que a ação negocia praticamente em linha com o valor contábil do patrimônio líquido por ação — o mercado paga cerca de 6% acima do que está registrado no balanço. Em concessionárias de energia, cujo ativo principal são concessões e infraestrutura de longa maturação, um P/VP próximo de 1 sugere que o mercado reconhece o valor patrimonial sem atribuir prêmio relevante de crescimento, situação distinta da de consolidadoras privadas do setor, que historicamente negociam com múltiplos patrimoniais superiores. Fórmula: Preço da ação / Valor patrimonial por ação (VPA) Cálculo: R$ 10,75 / R$ 10,10 = 1,06 (dados de 10/06/2026)

**Dividend Yield (DY).** O DY de 6,58% resulta de R$ 0,7075 por ação distribuídos nos últimos doze meses, somando seis eventos entre dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) pagos entre junho de 2025 e abril de 2026, com base em proventos efetivamente realizados. A alternância entre dividendo e JCP é prática recorrente da Cemig — o JCP gera benefício fiscal à empresa, mas sofre retenção de imposto na fonte para o investidor pessoa física. A regularidade trimestral dos pagamentos no período é coerente com o perfil histórico da companhia e sua presença no IDIV. Fórmula: Proventos pagos por ação nos últimos 12 meses / Preço da ação x 100 Cálculo: R$ 0,7075 / R$ 10,75 = 6,58% (dados de 10/06/2026)

**ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido).** O ROE de 16,75% indica que cada R$ 100 de patrimônio dos acionistas gerou cerca de R$ 16,75 de lucro nos últimos doze meses. Para uma estatal integrada de energia, é um retorno acima do que o setor regulado tipicamente entrega, refletindo o ciclo recente de resultados da companhia. Cabe lembrar que o ROE é amplificado pela alavancagem financeira: parte desse retorno decorre do uso de capital de terceiros, o que torna indispensável a leitura conjunta com a relação dívida líquida/EBITDA e com o ROIC para separar eficiência operacional de efeito de estrutura de capital. Fórmula: Lucro líquido (12 meses) / Patrimônio líquido x 100 Cálculo: Lucro líquido 12 meses ≈ R$ 4,84 bilhões (LPA de R$ 1,6912 x 2.861.781.895 ações) / R$ 28,89 bilhões = 16,75% (dados de 10/06/2026)

**ROIC (Retorno sobre Capital Investido).** O ROIC de 9,35% mede o retorno gerado sobre todo o capital empregado no negócio, somando capital próprio e dívida. A distância em relação ao ROE de 16,75% evidencia o peso da alavancagem na rentabilidade do acionista: o retorno sobre o capital total é bem inferior ao retorno sobre o patrimônio. Em concessões reguladas, o ROIC tende a orbitar a remuneração regulatória definida pela ANEEL nas revisões tarifárias; a comparação relevante é com o custo médio ponderado de capital da companhia, que em ambiente de juros elevados se torna uma régua mais exigente. Fórmula: NOPAT (lucro operacional após impostos) / Capital investido x 100 Cálculo: 9,35% conforme reportado na base de dados; NOPAT e capital investido não são divulgados individualmente no contexto (dados de 10/06/2026)

**EV/EBITDA.** O EV/EBITDA de 5,92 avalia a empresa pelo valor da firma — incluindo a dívida — em relação à geração operacional de caixa, o que o torna o múltiplo mais adequado para comparar elétricas com estruturas de capital distintas. O patamar abaixo de seis vezes situa a Cemig na faixa historicamente associada a integradas estatais, abaixo dos múltiplos típicos de transmissoras puras e de consolidadoras privadas. A diferença entre o P/L baixo e o EV/EBITDA mostra como a dívida relevante da companhia pesa quando incorporada à conta. Fórmula: Valor da firma (valor de mercado + dívida líquida) / EBITDA (12 meses) Cálculo: 5,92 conforme reportado na base de dados; pelos componentes implícitos, valor de mercado de R$ 30,76 bilhões + dívida líquida implícita de aproximadamente R$ 17,95 bilhões = EV de cerca de R$ 48,71 bilhões / EBITDA de cerca de R$ 8,16 bilhões = 5,97, próximo do 5,92 reportado (diferença de arredondamento dos componentes) (dados de 10/06/2026)

**Margem EBITDA.** A margem EBITDA de 19,09% significa que, de cada R$ 100 de receita líquida, cerca de R$ 19 se convertem em geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização. O número consolidado da Cemig é diluído pelo peso da distribuição, segmento em que grande parte da receita corresponde à energia comprada para distribuicao — custo de repasse, não gerenciável. Por isso a margem de uma integrada é estruturalmente inferior à de transmissoras puras, cujas margens superam com folga os 80%, e a comparação adequada é com outras integradas do setor. Fórmula: EBITDA / Receita líquida x 100 Cálculo: 19,09% conforme reportado na base; EBITDA implícito de aproximadamente R$ 8,16 bilhões sobre receita líquida anual de R$ 42,75 bilhões (8,16 / 42,75 = 19,09%) (dados de 10/06/2026)

**Dívida Líquida/EBITDA.** A relação de 2,20 vezes indica que a dívida líquida equivale a pouco mais de dois anos de geração operacional de caixa. Está dentro da faixa de duas a três vezes considerada administrável para o setor elétrico, dada a previsibilidade da receita regulada. Para a Cemig, que historicamente conviveu com alavancagem pressionada e fez da desalavancagem um eixo estratégico, o patamar atual sinaliza estrutura de capital compatível com o ciclo de investimentos do setor, ainda que o custo do serviço da dívida permaneça sensível ao nível dos juros domésticos. Fórmula: Dívida líquida (dívida bruta - caixa e equivalentes) / EBITDA (12 meses) Cálculo: 2,20 conforme reportado na base; dívida líquida implícita de aproximadamente R$ 17,95 bilhões / EBITDA de aproximadamente R$ 8,16 bilhões = 2,20 (dados de 10/06/2026)

**LPA (Lucro por Ação).** O LPA de R$ 1,69 representa a parcela do lucro dos últimos doze meses atribuível a cada uma das 2,86 bilhões de ações da companhia (956,6 milhões de ordinárias e 1,91 bilhão de preferenciais). É a base de cálculo do P/L e referência para a distribuição de proventos. No histórico recente, o LPA anual de 2025 foi de R$ 1,7121, com o primeiro trimestre de 2026 contribuindo com R$ 0,3421 — consistência relevante num setor em que provisões regulatórias e comercializacao de ativos costumam introduzir oscilações pontuais no resultado. Fórmula: Lucro líquido (12 meses) / Número total de ações Cálculo: Lucro líquido 12 meses ≈ R$ 4,84 bilhões / 2.861.781.895 ações = R$ 1,69 por ação (base reporta R$ 1,6912) (dados de 10/06/2026)

**VPA (Valor Patrimonial por Ação).** O VPA de R$ 10,10 expressa quanto do patrimônio líquido contábil corresponde a cada ação. A série recente mostra estabilidade com leve crescimento: R$ 10,04 em setembro de 2025, R$ 9,99 em dezembro de 2025 e R$ 10,10 em março de 2026, acompanhando a evolução do patrimônio de R$ 28,73 bilhões para R$ 28,89 bilhões no período. Em concessionárias intensivas em capital, o VPA reflete décadas de infraestrutura imobilizada e é o denominador do P/VP — a proximidade entre preço e VPA indica negociação em linha com o valor contábil. Fórmula: Patrimônio líquido / Número total de ações Cálculo: R$ 28.893.376.000 / 2.861.781.895 ações = R$ 10,10 por ação (dados de 10/06/2026)

Perguntas Frequentes

Qual o preço atual de CMIG4? A cotação mais recente de CMIG4 é de R$ 11,12.

Em qual setor CMIG4 está classificada? CMIG4 pertence ao setor Energia Elétrica na classificação da B3.

Qual o P/L de CMIG4? O índice Preço/Lucro (P/L) de CMIG4 é 6.58. Este indicador relaciona o preço da ação com o lucro por ação.

CMIG4 paga dividendos? CMIG4 apresenta dividend yield de 6,42% nos últimos 12 meses.

Qual o ROE de CMIG4? O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de CMIG4 é de 16,75%. O indicador relaciona o lucro ao patrimônio líquido e descreve a rentabilidade contábil da companhia.

Qual o valor de mercado de CMIG4? O valor de mercado de CMIG4 é de aproximadamente R$ 31,8B, calculado a partir da cotação e do total de ações. Dado sujeito a variação a cada pregão.

Quantas ações CMIG4 possui emitidas? A companhia possui 2.861.781.895 ações emitidas, conforme dados públicos CVM/B3.

Qual o controle acionário de CMIG4? O controle acionário registrado é do tipo Estatal, conforme cadastro público da companhia.

Qual a diferença entre CMIG3 e CMIG4? CMIG3 é a ação ordinária da Cemig, com direito a voto em assembleias, e é a classe pela qual o Governo de Minas Gerais exerce o controle. CMIG4 é a preferencial: não confere voto pleno, mas tem prioridade na distribuição de proventos e dividendo preferencial mínimo previsto em estatuto. As PN representam cerca de dois terços do capital total e concentram o free float, o que historicamente lhes dá liquidez bem superior na B3. A escolha entre as classes envolve ponderar voto e tag along (CMIG3) contra liquidez e prioridade de proventos (CMIG4).

CMIG4 tem tag along? Não. O tag along legal de 80% previsto na Lei das S.A. alcança apenas as ações ordinárias, e a Cemig, listada no Nível 1 da B3, não estende esse direito às preferenciais por estatuto. Na prática, em eventual alienação de controle, o detentor de CMIG4 não teria garantia legal de receber proporção do valor pago ao controlador. Vale lembrar que a mudança de controle é cenário politicamente complexo: a Constituição de Minas Gerais condiciona a privatização da companhia a referendo popular, o que torna o evento pouco provável no curto prazo.

Como funciona a política de dividendos da Cemig? O estatuto da Cemig prevê a distribuição mínima de 50% do lucro líquido do exercício, patamar acima do piso usual de mercado, e as ações preferenciais CMIG4 têm prioridade no recebimento. Na prática, a companhia combina dividendos e juros sobre capital próprio pagos em mais de uma data ao longo do ano. O investidor deve distinguir a parcela recorrente, sustentada pela geração de caixa regulada de distribuição e transmissão, de distribuições extraordinárias ligadas a desinvestimentos, e acompanhar como o ciclo de investimentos compete pelo mesmo caixa.

A Cemig pode ser privatizada? Juridicamente, a privatização da Cemig depende de aprovação em referendo popular, exigência prevista na Constituição do Estado de Minas Gerais — barreira que distingue seu caso do da Eletrobras, capitalizada em 2022, e do da Copel, convertida em corporation em 2023. Propostas de desestatização ressurgem em diferentes governos estaduais, geralmente associadas à situação fiscal de Minas, mas nenhuma superou até hoje o rito político completo. O investidor deve tratar a privatização como possibilidade de longo prazo, não como premissa da tese.

O que aconteceu com as usinas da Cemig em 2017? Em 2017, a União levou a leilão as usinas hidrelétricas de São Simão, Jaguara, Miranda e Volta Grande, que a Cemig operava e cujas concessões venceram sem renovação automática, depois que a companhia não aderiu às condições da Lei 12.783/2013 e perdeu a disputa judicial sobre o direito de prorrogação. O episódio retirou capacidade relevante de geração do portfólio e virou marco do risco regulatório do setor: concessões têm prazo, e a renovação depende das condições definidas pelo poder concedente, não apenas da vontade da empresa.

Como o risco hidrológico afeta quem investe em CMIG4? A geração da Cemig é majoritariamente hidrelétrica. Em anos secos, o GSF — fator que ajusta a energia alocada às usinas no Mecanismo de Realocação de Energia — cai abaixo de 100%, obrigando as geradoras a comprar energia no mercado de curto prazo a preços elevados. Ao mesmo tempo, a distribuidora paga mais caro pela energia térmica acionada, gerando descasamento de caixa até o repasse tarifário via bandeiras e reajustes. O resultado é volatilidade de margens e de fluxo de caixa em ciclos de estiagem, mesmo com receita regulada.

O que a geração distribuída representa para a Cemig? A geração distribuída — sobretudo painéis solares em residências e empresas — permite que o consumidor produza parte da própria energia, reduzindo o volume faturado pela Cemig Distribuição. Minas Gerais está entre os estados líderes do país em potência instalada nessa modalidade, o que torna o fenômeno especialmente relevante para a companhia. A Lei 14.300/2022 criou regras de transição para a cobrança pelo uso da rede, mitigando parte do impacto, mas a tendência estrutural é de erosão gradual do mercado cativo tradicional.

Qual o peso do controle estatal na tese de CMIG4? É o fator central. O Governo de Minas Gerais controla a companhia pela maioria das ações ordinárias e indica administradores, o que sujeita a estratégia a ciclos políticos e à situação fiscal do estado. A Lei das Estatais impõe filtros de qualificação e estruturas de compliance, e a listagem no Nível 1 da B3, somada aos ADRs em Nova York, adiciona camadas de transparência. Ainda assim, o histórico do setor mostra que estatais alternam fases de disciplina e de interferência — por isso o mercado costuma aplicar desconto frente a pares privados.

Cemig paga dividendos ou JCP? Qual a diferença para o investidor? A Cemig utiliza os dois instrumentos. Dividendos pagos a pessoas físicas estão isentos de IR para a maioria dos investidores, mas desde 2026 há retenção de 10% na fonte sobre o valor que exceder R$ 50 mil mensais recebidos em dividendos — regra que afeta principalmente grandes posicionamentos. Os juros sobre capital próprio (JCP) sofrem retenção de 15% de imposto de renda na fonte para todos os investidores, mas são dedutíveis para a empresa, o que reduz a carga tributária corporativa e tende a beneficiar o caixa total distribuível. No histórico recente da companhia, JCP e dividendos se alternam ao longo do ano. Para o investidor, importa somar os dois fluxos líquidos ao avaliar a remuneração efetiva do papel.

Como declarar CMIG4 no Imposto de Renda? As ações devem ser informadas na ficha de Bens e Direitos pelo custo de aquisição, nunca pelo valor de mercado. Dividendos recebidos entram em Rendimentos Isentos e Não Tributáveis para a maioria dos investidores; contudo, desde 2026, dividendos que excedam R$ 50 mil mensais por pessoa física sofrem retenção de 10% na fonte, devendo ser declarados como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na parcela retida. JCP entra em Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva (15% retido na fonte). comercializacao acima de R$ 20 mil em um mês com lucro exigem apuração e pagamento de imposto via DARF até o último dia útil do mês seguinte; comercializacao mensais abaixo desse limite têm ganho isento para pessoa física no mercado à vista. Guardar as notas de corretagem organiza o custo médio e evita inconsistências.

CMIG4 é adequada para quem busca renda passiva? O papel é tradicionalmente associado a estratégias de renda, pela prioridade das preferenciais nos proventos, pelo piso estatutário de 50% do lucro e pela presença histórica em índices de dividendos da B3. A adequação, porém, depende do perfil de cada investidor: a remuneração futura está condicionada ao ciclo de investimentos pesados, ao endividamento e a decisões do controlador estatal. Quem avalia o ativo deve verificar a recorrência dos proventos, separar eventos extraordinários e ponderar os riscos regulatórios e políticos descritos nesta página.

Quais empresas concorrem com a Cemig? Depende do segmento. Em geração, Eletrobras, Engie Brasil, Auren, AES Brasil e Copel. Em transmissão, ISA Energia, Alupar e Taesa — da qual a própria Cemig foi acionista relevante. Em distribuição, as consolidadoras Equatorial e Energisa, além de Neoenergia (Iberdrola), CPFL (State Grid) e Enel. Na comercialização do mercado livre, dezenas de comercializadoras independentes disputam clientes. Na área de concessão de distribuição em si não há concorrência direta — trata-se de monopólio natural regulado —, mas a competição cresce nas bordas do negócio.

O que é a Receita Anual Permitida (RAP) e por que importa para a Cemig? A RAP é a remuneração anual fixa que as transmissoras recebem pela disponibilidade de suas linhas, definida em contrato de concessão e corrigida pela inflação, independentemente do volume de energia transportada. Para a Cemig GT, esse fluxo funciona como o componente mais defensivo e previsível do portfólio, com perfil que lembra um título indexado de longo prazo. Em cenários de estresse hidrológico ou econômico, a RAP amortece a volatilidade dos demais segmentos — por isso analistas a acompanham como âncora de estabilidade do resultado.

Quais foram os principais problemas de governança no histórico da Cemig? O caso mais emblemático foi a expansão via dezenas de SPEs e participações fora de Minas Gerais, que dispersou capital e produziu perdas: a Renova Energia, de cujo bloco de controle a Cemig participava, entrou em recuperação judicial; a participação na Light foi desfeita após anos de resultados frustrantes; e usinas do rio Madeira e Belo Monte geraram provisões. Some-se a perda das usinas no leilão de 2017. Desde então, a companhia executa simplificação societária sob a Lei das Estatais — inflexão relevante, mas cujo legado ainda exige monitoramento.

Atualização

Dados consultados em 19/07/2026 nas fontes públicas citadas. Cotações e indicadores estão sujeitos a defasagem conforme a periodicidade de cada fonte.

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Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.