PETR4 — PETROLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS
Cotação, indicadores e dados históricos de PETR4 (Ação). Dados B3/CVM atualizados.
- Preço atual
- R$ 40,90
- P/L
- 4,88
- P/VP
- 1,18
- Dividend Yield (12m)
- 5,66%
Setor
Petróleo e Gás
Desempenho recente
No período de 6m, PETR4 apresentou variação de +26,66% em 123 pregões. Dados de cotação da B3, sujeitos a defasagem.
Faixa de 52 semanas
Nas últimas 52 semanas, PETR4 oscilou entre R$ 29,31 a R$ 50,69. Média de R$ 36,67 no período. Dados B3, sujeitos a defasagem.
Indicadores Fundamentalistas
Dividend yield (12m): 5,66%. P/L: 4.88. P/VP: 1.18. ROE: 24,20%. Margem líquida: 26,49%. Valor de mercado: R$ 527,1B. Dados públicos B3/CVM, sujeitos a defasagem.
Indicadores Avançados
ROIC: 12,11%. ROA: 8,67%. EV/EBITDA: 3.75. EV/EBIT: 6.01. Margem EBITDA: 46,24%. Margem bruta: 47,86%. Dívida líquida/EBITDA: 1.46. Dívida líquida/Patrimônio: 0.76. Liquidez corrente: 0.74. LPA (lucro por ação): R$ 8,38. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 34,63. PSR (preço/receita): 1.06. Free float: 61,21%. Último provento: R$ 0,35 por ação. Indicadores de rentabilidade (ROIC, ROA), valuation por valor da firma (EV/EBITDA, EV/EBIT), margens, endividamento e liquidez, a partir de dados públicos B3/CVM. São referências informativas — a interpretação cabe a cada investidor.
Variações por período
Variação de PETR4 em janelas recentes. Na semana: +3,28%. No mês: +5,71%. No ano: +32,71%. Fechamento anterior: R$ 40,07 (16/07/2026). Percentuais sobre preços de fechamento da B3, sujeitos a defasagem.
Últimos pregões
Fechamentos recentes de PETR4: 17/07/2026: R$ 40,90, volume de R$ 1,3B; 16/07/2026: R$ 40,07, volume de R$ 827,0M; 15/07/2026: R$ 40,68, volume de R$ 1,0B; 14/07/2026: R$ 40,73, volume de R$ 1,3B; 13/07/2026: R$ 40,82, volume de R$ 1,7B. Dados de pregão da B3.
Histórico de proventos
PETR4 registra 226 proventos anunciados em 28 anos de cobertura. Anúncios mais recentes: 01/06/2026 — JCP de R$ 0,35 por ação; 22/04/2026 — JCP de R$ 0,31 por ação; 22/04/2026 — Rendimento de R$ 0,02 por ação; 22/04/2026 — Rendimento de R$ 0,02 por ação; 22/12/2025 — JCP de R$ 0,18 por ação; 22/12/2025 — JCP de R$ 0,47 por ação; 22/12/2025 — Dividendo de R$ 0,30 por ação; 21/08/2025 — Dividendo de R$ 0,20 por ação. O histórico descreve anúncios passados e não projeta pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia.
Resultados financeiros recentes
Demonstrações trimestrais reportadas por PETR4 (CVM): 31/03/2026: receita líquida de R$ 123,7B, lucro líquido de R$ 32,8B, margem líquida de 26,49%, LPA de R$ 2,54. 31/12/2025: receita líquida de R$ 497,5B, lucro líquido de R$ 110,6B, margem líquida de 22,23%, LPA de R$ 8,58. 30/09/2025: receita líquida de R$ 370,2B, lucro líquido de R$ 95,0B, margem líquida de 25,65%, LPA de R$ 7,37. 30/06/2025: receita líquida de R$ 242,3B, lucro líquido de R$ 62,1B, margem líquida de 25,63%, LPA de R$ 4,82. Valores consolidados conforme reportado, sujeitos a reapresentação.
Patrimônio líquido e VPA
Patrimônio líquido de R$ 446,4B na posição de 31/03/2026. VPA (valor patrimonial por ação): R$ 34,63. Na posição de 30/06/2016, o patrimônio era de R$ 275,3B e o VPA era de R$ 21,36. Série contábil pública (CVM), sujeita a reapresentação.
Estrutura acionária
Composição do capital de PETR4: Total de ações emitidas: 12.888.732.761. Ordinárias (ON): 7.442.231.382 (57,74%). Preferenciais (PN): 5.446.501.379 (42,26%). Ações em circulação: 7.889.437.525. Dados públicos CVM/B3.
Valores mobiliários listados
Códigos de negociação da companhia na B3: PETR* (Debêntures, Básico); PETR3 (Ações Ordinárias, Básico); PETR3 (Ações Ordinárias, Nível 2 de Governança Corporativa); PETR4 (Ações Preferenciais, Básico); PETR4 (Ações Preferenciais, Nível 2 de Governança Corporativa). O segmento de listagem descreve o conjunto de regras de governança ao qual a companhia aderiu.
Valuation por fórmulas clássicas (Graham e Bazin)
Pela fórmula de Graham, o valor calculado para PETR4 é de R$ 80,82 (diferença de 97,60% ante o preço usado no cálculo). Pela fórmula de Bazin (yield-alvo de 6% a.a.), o preço-teto calculado é de R$ 38,58, a partir de dividendo por ação de R$ 2,31. Valor intrínseco = raiz(22,5 x LPA x VPA). Requer LPA>0 e VPA>0. Preço-teto = dividendo por ação / 0,06 (yield-alvo 6% a.a.). São resultados de fórmulas públicas aplicadas a dados reportados — referências informativas cuja interpretação cabe a cada investidor; não constituem recomendação de compra ou venda.
Movimentações de administradores e pessoas ligadas
Negociações com ações de PETR4 comunicadas por administradores, controladores e pessoas ligadas no período de 5 anos, conforme divulgação pública (CVM). Foram registradas 57 operações de compra e 65 operações de venda. Volume comprado: R$ 3,3B. Volume vendido: R$ 13,2B. Saldo líquido do período: -R$ 9.920.690.543,90. Dado factual de transparência — não indica, por si só, perspectiva sobre o ativo.
Como interpretar os indicadores de uma ação
Os indicadores fundamentalistas descrevem aspectos diferentes de uma empresa e costumam ser lidos em conjunto, não isoladamente. Abaixo, o que cada grupo representa de forma factual.
Múltiplos de avaliação (P/L, P/VP, PSR)
Múltiplos relacionam o preço de mercado a uma medida contábil. O P/L (preço sobre lucro) compara a cotação ao lucro por ação; o P/VP (preço sobre valor patrimonial) compara ao patrimônio por ação; o PSR (preço sobre receita) compara à receita por ação. São referências de avaliação relativa — fazem mais sentido comparados entre empresas de um mesmo setor do que isoladamente, já que cada setor tem faixas típicas distintas.
Rentabilidade (ROE, ROIC, ROA)
Os indicadores de rentabilidade medem a eficiência da empresa em gerar resultado a partir do capital. O ROE relaciona o lucro ao patrimônio líquido; o ROIC relaciona o resultado operacional ao capital total investido (próprio e de terceiros); o ROA relaciona o lucro ao total de ativos. Valores mais altos indicam maior eficiência relativa, mas dependem do setor e da estrutura de capital.
Valor da firma e margens (EV/EBITDA, margens)
O EV/EBITDA compara o valor da firma (valor de mercado mais dívida líquida) ao EBITDA, uma medida de geração de caixa operacional; é usado para comparar empresas com diferentes níveis de endividamento. As margens (bruta, EBITDA, líquida) expressam quanto da receita se converte em resultado em cada etapa, descrevendo a lucratividade da operação.
Endividamento e liquidez
A dívida líquida sobre EBITDA indica quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida; a dívida líquida sobre patrimônio relaciona o endividamento ao capital próprio. A liquidez corrente compara ativos e passivos de curto prazo. Esses indicadores descrevem a estrutura financeira e o risco associado ao endividamento.
Dividendos (DY e payout)
O Dividend Yield (DY) relaciona os proventos distribuídos nos últimos doze meses ao preço da ação, e o payout indica a parcela do lucro distribuída como proventos. Ambos descrevem o histórico de distribuição e não projetam pagamentos futuros, que dependem de resultados e decisões da companhia. A interpretação de todos esses indicadores cabe a cada investidor, conforme seus objetivos e tolerância a risco.
Sobre a Empresa
Pesquisa, lavra, refinação, processamento, comércio e transporte de petróleo, de seus derivados, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos, além das atividades vinculadas à energia.
Identificação e registro
CNPJ: 33.000.167/0001-01. Código CVM: 9512. Situação do registro: Ativo. Constituída em 1953. Controle acionário: Estatal Holding. País de origem: Brasil. Site oficial: http://www.petrobras.com.br. Dados cadastrais públicos da companhia (CVM/B3), sujeitos a atualização.
Dividendos
O dividend yield acumulado nos últimos 12 meses de PETR4 é de 5,66%.
Eventos e Fatos Relevantes (CVM)
PETR4 registra 100 evento(s) e comunicado(s) ao mercado publicados via CVM nos últimos 5 anos. As categorias mais frequentes: Fato Relevante (29), Comunicação sobre Transação entre Partes Relacionadas (27), Assembleia (18). Os documentos completos podem ser consultados nos canais oficiais.
PETR4 é a ação preferencial da Petrobras, maior produtora de petróleo e gás do Brasil e uma das principais empresas de energia do mundo. Estatal de capital misto controlada pela União, opera de forma integrada em exploração e produção — com destaque para o pré-sal —, refino, logística e comercialização de derivados. É um dos papéis mais líquidos da B3, presença frequente em carteiras de dividendos e referência do setor de Petróleo e Gás no Ibovespa.
Sobre PETROLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS
A Petrobras (Petróleo Brasileiro S.A.) é uma das maiores empresas do Brasil e uma referência global no setor de energia, especialmente na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. Fundada em 3 de outubro de 1953, no segundo governo de Getúlio Vargas, nasceu como instrumento do Estado para desenvolver os recursos energéticos nacionais, sob o lema da campanha popular "O petróleo é nosso". A companhia exerceu o monopólio estatal da exploração e do refino — flexibilizado pela Emenda Constitucional 9/1995 e efetivamente aberto em 1997, quando a Lei do Petróleo (Lei 9.478) abriu o setor à concorrência e criou a ANP. Entre os marcos de sua trajetória estão a descoberta da Bacia de Campos nos anos 1970, que transformou o Brasil em produtor relevante; o domínio progressivo da tecnologia offshore, que rendeu à empresa reconhecimento internacional em águas profundas; a descoberta do pré-sal, anunciada ao mercado em 2007 com o campo de Tupi (atual Lula), nas bacias de Santos e Campos; a megacapitalização de 2010, uma das maiores ofertas de ações da história mundial; e o ciclo posterior de desalavancagem e desinvestimentos, que reorientou o portfólio para os ativos de maior produtividade.
O modelo de negócios é integrado e se organiza em três grandes segmentos. Em Exploração e Produção (E&P), o coração da companhia, a Petrobras pesquisa, desenvolve e produz petróleo e gás natural — é o segmento que historicamente concentra a maior parte do resultado operacional. Em Refino, Transporte e Comercialização (downstream), a empresa opera o maior parque de refino do país, convertendo o óleo cru em derivados como diesel, gasolina, querosene de aviação e nafta, além de gerir dutos, terminais e a logística de escoamento. Em Gás e Energia, atua no processamento e transporte de gás natural e na geração termelétrica. Essa integração vertical — da plataforma ao posto, do poço à térmica — permite capturar margem em diferentes elos da cadeia e amortecer parcialmente os ciclos de preço de cada segmento.
O pré-sal é a principal vantagem competitiva da Petrobras. Trata-se de reservatórios situados abaixo de uma espessa camada de sal, a grandes profundidades, com poços de produtividade excepcional pelos padrões mundiais e custo de extração por barril entre os mais baixos da indústria offshore global. A produção é viabilizada por plataformas do tipo FPSO (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência), tecnologia em que a companhia é uma das líderes mundiais. Essa combinação de geologia privilegiada e domínio técnico coloca a empresa como protagonista absoluta do setor de Petróleo e Gás brasileiro, respondendo pela maior parte da produção nacional de óleo e gás.
Na estrutura societária, a Petrobras é uma sociedade de economia mista: a União é a acionista controladora, detendo a maioria das ações ordinárias, enquanto o restante do capital circula em bolsa (free float) entre investidores institucionais e pessoas físicas, no Brasil e no exterior. A companhia possui duas classes de ações listadas na B3: PETR3, ordinária (com direito a voto), e PETR4, preferencial — sem direito a voto em regra, mas tradicionalmente mais líquida e com prioridade no reembolso de capital. Também negocia ADRs na Bolsa de Nova York, e seus papéis figuram entre os de maior peso do Ibovespa e de índices como o IBrX, sendo presença quase obrigatória em carteiras que replicam o mercado brasileiro.
A estratégia corporativa declarada, atualizada em planos de negócios quinquenais, concentra os investimentos em exploração e produção — com ênfase no desenvolvimento do pré-sal e na avaliação de novas fronteiras, como a Margem Equatorial —, na modernização do parque de refino e em iniciativas de transição energética, que incluem biorrefino, fertilizantes e estudos em energias renováveis de baixo carbono. A remuneração ao acionista segue política formal vinculada ao endividamento e à geração de caixa, com possibilidade de dividendos extraordinários e programas de recompra. O que diferencia PETR4 dos pares é a combinação rara de escala de major internacional, ativos de classe mundial no pré-sal, integração completa da cadeia e liquidez elevada em bolsa — com a contrapartida, que o investidor deve entender, da influência do controlador estatal sobre decisões de preços, investimentos e governança.
Contexto de negocio e setor
O setor de petróleo e gás no Brasil opera sob um marco regulatório construído em camadas. O monopólio estatal, flexibilizado pela EC 9/1995, vigorou na prática até 1997; a Lei do Petróleo abriu o mercado, criou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) — responsável por licitar blocos, fiscalizar operações e regular toda a cadeia — e instituiu o regime de concessão, no qual a empresa vencedora do leilão assume riscos e fica dona do óleo produzido, pagando royalties e participações especiais. Após a descoberta do pré-sal, a Lei 12.351/2010 criou um segundo regime, o de partilha de produção, aplicável às áreas do polígono do pré-sal: nele, parte do óleo pertence à União, a estatal PPSA representa os interesses do governo nos consórcios e a Petrobras tem preferência para atuar como operadora. A convivência dos dois regimes, somada à política de conteúdo local e ao licenciamento ambiental, define o ritmo de oferta de novas áreas e o atrativo do país para investimento.
A cadeia produtiva vai da sísmica e perfuração exploratória (upstream), passa pelo desenvolvimento da produção com plataformas e poços, segue para o escoamento, refino e processamento de gás (midstream e downstream) e termina na distribuição e distribuicao de combustíveis — elo do qual a Petrobras se desfez ao vender o controle da antiga BR Distribuidora. Cada etapa é intensiva em capital: um projeto de produção em águas profundas exige bilhões de dólares e leva anos entre a decisão de investimento e o primeiro óleo, o que torna o setor sensível ao custo de capital e exige disciplina de alocação ao longo de ciclos completos de preço.
A receita do setor é essencialmente dolarizada: o petróleo é cotado em dólar pela referência internacional Brent, enquanto parte relevante dos custos é em reais. Esse canal de transmissão faz com que o resultado das produtoras dependa da combinação entre preço do barril e taxa de câmbio — uma depreciação do real pode amortecer quedas do Brent, e vice-versa. Para a Petrobras há uma camada adicional: a política de preços de derivados no mercado interno. Por décadas, o alinhamento (ou desalinhamento) entre preços domésticos e paridade internacional foi objeto de interferência governamental, com episódios de defasagem que comprimiram margens do refino. Essa é uma dinâmica recorrente, que tende a se reabrir a cada ciclo político.
O cenário competitivo mudou de forma profunda na última década. O programa de desinvestimentos da Petrobras em campos maduros terrestres e em águas rasas deu origem a um ecossistema de produtoras independentes: a Prio (PRIO3) consolidou-se como referência em revitalização de campos maduros offshore; a Brava Energia (BRAV3), nascida da fusão entre 3R Petroleum e Enauta, e a PetroReconcavo (RECV3) atuam em ativos onshore e em águas rasas. Nos leilões de blocos do pré-sal e da Margem Equatorial, a companhia disputa e se associa a majors internacionais como Shell, TotalEnergies, Equinor, ExxonMobil e Chevron. A Petrobras preserva vantagens de escala, tecnologia e acesso às melhores reservas, mas o setor deixou de ser um jogo de um ator só.
No horizonte longo, a transição energética é a variável estrutural: a perspectiva de pico da demanda global por petróleo nas próximas décadas, a pressão por descarbonização e o custo crescente de capital para projetos fósseis obrigam as petroleiras a equilibrar a maximização do valor das reservas atuais com a diversificação para baixo carbono — dilema que, no caso da Petrobras, se soma ao debate sobre quanto distribuir em dividendos e quanto reinvestir. Por fim, há a dimensão fiscal e política: como controladora, a União recebe dividendos relevantes para o orçamento e tributos sobre toda a cadeia, o que cria incentivos cruzados — governos podem tanto privilegiar distribuição de lucros quanto direcionar a empresa a investimentos de interesse público ou à contenção de preços de combustíveis. Trocas de gestão a cada ciclo eleitoral, mudanças tributárias (como discussões sobre taxação de exportação de óleo) e revisões do plano estratégico fazem parte do risco específico que diferencia uma estatal de capital aberto de suas concorrentes privadas, e devem ser acompanhadas pelo investidor como parte integrante da tese do setor.
Como ler os indicadores deste ativo
Ler os indicadores de uma petroleira integrada como a Petrobras exige uma lente diferente da usada para bancos, varejistas ou elétricas. O motivo é estrutural: receita, lucro e geração de caixa da companhia oscilam com o preço internacional do petróleo (Brent) e com o câmbio, variáveis que ela não controla. Por isso, os múltiplos de valuation do setor costumam parecer permanentemente baratos — e essa é a primeira armadilha de interpretação.
Comece pelo P/L (preço sobre lucro). Em petroleiras, um P/L baixo nem sempre indica pechincha: pode refletir um lucro inflado pelo topo do ciclo de commodity. Quando o Brent está alto, o L da equação cresce e comprime o múltiplo; se o ciclo virar, o lucro encolhe e o P/L 'barato' se desfaz sozinho. A leitura correta é sempre perguntar em que ponto do ciclo o lucro foi gerado. O LPA (lucro por ação) ajuda a acompanhar essa trajetória trimestre a trimestre, e o VPA (valor patrimonial por ação) ancora o P/VP, múltiplo que compara o preço ao patrimônio contábil — útil em empresas intensivas em ativos, mas sensível a baixas contábeis (impairments) de campos e refinarias.
O dividend yield (DY) merece atenção redobrada. Petroleiras em fase madura de produção tendem a distribuir proventos elevados, e a política de remuneração da Petrobras é atrelada à geração de caixa. Um DY de dois dígitos visto no retrovisor não é garantia de repetição: ele depende do Brent, do câmbio, do plano de investimentos e de decisões societárias. DY alto no topo do ciclo é, em parte, o mercado precificando que aquele fluxo pode não ser recorrente.
Na rentabilidade, o par ROE e ROIC conta histórias complementares. O ROE mede o retorno sobre o capital dos acionistas e é amplificado pela alavancagem; o ROIC mede o retorno sobre todo o capital investido (próprio e de terceiros) e revela se a operação cria valor acima do custo de capital ao longo do ciclo. Em commodities, o ROIC médio de vários anos é mais informativo do que o de um único exercício excepcional.
Para comparar com pares — internacionais (majors) ou locais como PRIO e PetroReconcavo — o múltiplo de referência é o EV/EBITDA, porque neutraliza diferenças de estrutura de capital e de depreciação. Petroleiras integradas historicamente negociam em faixas de EV/EBITDA de um dígito baixo a médio, abaixo da média do mercado; estatais costumam carregar desconto adicional de governança. A margem EBITDA, por sua vez, indica a eficiência operacional: no segmento de exploração e produção (especialmente no pré-sal, de custo de extração baixo) ela tende a ser alta, enquanto refino e distribuição operam com margens bem menores — o mix entre os segmentos explica boa parte das diferenças entre empresas.
Fecha o quadro a dívida líquida sobre EBITDA, o termômetro de solvência. Abaixo de 1x a 1,5x, o setor considera o balanço confortável; acima de 2,5x a 3x, o endividamento passa a limitar dividendos e investimentos, sobretudo se o ciclo virar. Aqui vale a mesma ressalva do P/L: como o EBITDA é cíclico, uma alavancagem aparentemente baixa pode subir rápido apenas pelo encolhimento do denominador.
Em síntese: nenhum indicador isolado resolve a análise. A leitura robusta combina valuation (P/L, P/VP, EV/EBITDA) com rentabilidade (ROE, ROIC, margem EBITDA), distribuição (DY) e solvência (dívida líquida/EBITDA), sempre contextualizada pelo ciclo do petróleo, pelo câmbio e pelo componente estatal da companhia. Os valores atualizados de cada métrica aparecem nos widgets desta página.
Pontos de atencao
A União, como acionista controladora, pode orientar decisões da Petrobras por interesse público, prerrogativa prevista na Lei das Estatais. Trocas frequentes de presidente-executivo e de diretores alteram prioridades estratégicas com pouca previsibilidade. O investidor de PETR4 convive com um risco político que não existe em petroleiras privadas comparáveis, e que historicamente produziu forte volatilidade no papel.
A política de preços de combustíveis é historicamente sensível a pressões políticas. Períodos de represamento de gasolina e diesel abaixo da paridade internacional já comprimiram as margens de refino no passado. Mudanças na fórmula de precificação podem ser anunciadas sem aviso prévio e afetam diretamente a geração de caixa do segmento de abastecimento e, por consequência, os dividendos.
A receita da companhia é fortemente atrelada ao petróleo Brent e ao dólar, enquanto parte relevante dos custos e da dívida também é dolarizada. Quedas acentuadas do Brent reduzem receita, lucro e base de dividendos quase mecanicamente. O câmbio adiciona uma segunda camada de volatilidade, com efeitos contábeis e de caixa que podem divergir no curto prazo.
A transição energética global pode reduzir estruturalmente a demanda por petróleo nas próximas décadas. Reservas e refinarias correm risco de se tornarem ativos encalhados (stranded assets) caso a precificação de carbono e a eletrificação avancem mais rápido que o esperado. A Petrobras investe em diversificação, mas o retorno desses projetos ainda é incerto e o núcleo do negócio segue fóssil.
A política de remuneração ao acionista, baseada em percentual do fluxo de caixa livre, é definida pelo Conselho de Administração e pode ser revisada a qualquer momento. Mudanças de gestão já vieram acompanhadas de debates sobre reter mais caixa para investimentos. Dividendos extraordinários pagos em ciclos favoráveis não são garantia de recorrência futura.
Há risco de o plano de investimentos ser direcionado por prioridades de governo, como retomada de refinarias, fertilizantes e projetos de menor retorno esperado. Capex alocado por critério político tende a reduzir o retorno sobre o capital investido ao longo do ciclo. O investidor deve acompanhar os planos estratégicos quinquenais e a disciplina de capital da gestão em exercício.
A atuação da empresa é regulada pela ANP, que define regras de concessão, partilha, conteúdo local e royalties, podendo alterar condições de exploração. O CADE firmou compromissos com a Petrobras sobre comercializacao de refinarias e abertura do mercado de gás, e revisões desses termos geram incerteza regulatória. Mudanças tributárias setoriais também são recorrentes no debate público.
Operações offshore carregam risco de acidentes e vazamentos com potencial de multas bilionárias e danos reputacionais. A companhia enfrenta escrutínio ESG crescente de fundos internacionais, o que pode encarecer seu custo de capital. Licenciamentos sensíveis, como o da Margem Equatorial, ilustram a tensão permanente entre crescimento da produção e agenda ambiental.
A geração de resultado é concentrada no segmento de exploração e produção, sobretudo no pré-sal das bacias de Santos e Campos. Essa concentração geográfica e de segmento amplia o impacto de problemas operacionais, paradas de plataformas ou mudanças tributárias sobre o conjunto da companhia. Refino, gás e energia têm peso menor na geração de valor consolidada.
Petróleo é uma commodity cíclica, sujeita a choques de oferta e demanda, decisões da Opep+ e eventos geopolíticos imprevisíveis. Lucros recordes em topo de ciclo podem ser seguidos por anos de margens comprimidas. Resultados e proventos passados, obtidos em ambiente de preços elevados, não devem ser extrapolados para qualquer cenário futuro de mercado.
A companhia responde a arbitragens e ações coletivas movidas por minoritários no Brasil e no exterior, com histórico que inclui acordos bilionários ligados à Operação Lava Jato. Discussões sobre direitos das classes ON e PN e sobre decisões tomadas pelo controlador também alimentam disputas societárias. Provisões para contingências podem pesar nos resultados trimestrais.
Propostas de tributação de dividendos, de imposto sobre exportação de petróleo bruto e mudanças em royalties e participações especiais reaparecem periodicamente no debate fiscal brasileiro. Por ser uma estatal lucrativa, a Petrobras é candidata natural a medidas arrecadatórias. Alterações tributárias podem reduzir o retorno líquido do acionista de PETR4 sem aviso prolongado.
Governanca e estrutura societaria
A Petrobras é uma sociedade de economia mista controlada pela União, que detém a maioria das ações ordinárias (ON) diretamente e amplia sua influência por meio de veículos como BNDESPar. Na prática, o governo federal elege a maioria do Conselho de Administração e indica o presidente-executivo, o que torna a governança o tema central para quem avalia PETR4.
A companhia está sujeita à Lei das Estatais (Lei 13.303/2016), que impõe requisitos de elegibilidade para administradores, vedações a indicações político-partidárias recentes, um comitê de elegibilidade para checar candidatos e regras reforçadas de transparência e compliance. A lei foi resposta direta aos esquemas revelados pela Operação Lava Jato, que custaram à empresa acordos bilionários com investidores e autoridades nos Estados Unidos e levaram à reconstrução das áreas de integridade e controles internos.
O capital divide-se entre ações ordinárias (PETR3), com direito a voto, e preferenciais (PETR4), sem voto nas deliberações ordinárias, mas com prioridade no recebimento de dividendos mínimos e na restituição de capital. Um ponto crítico: as PN da Petrobras não possuem tag along. A Lei das S.A. garante aos minoritários de ON ao menos 80% do valor pago ao controlador em caso de alienação do controle, mas essa proteção não se estende automaticamente às preferenciais, e o estatuto da Petrobras não a concede às PN. Como o controle pertence à União e uma privatização exigiria lei específica, o risco prático é remoto, mas o investidor de PETR4 deve conhecer essa assimetria entre as classes.
O Conselho de Administração mescla indicados do controlador, conselheiros independentes e representantes eleitos por minoritários — detentores de ON e de PN têm direito a eleger membros em votação em separado —, além de um representante dos empregados. Ainda assim, a maioria indicada pelo governo prevalece nas decisões estratégicas.
A política de remuneração vigente prevê distribuição equivalente a 45% do fluxo de caixa livre (fluxo de caixa operacional menos investimentos), condicionada a endividamento bruto abaixo do teto definido no plano estratégico, com possibilidade de dividendos extraordinários e recompras. A fórmula é deliberada pelo conselho e pode ser revisada.
O histórico recente reforça o peso da governança: a companhia trocou de presidente-executivo diversas vezes desde 2021, em geral após atritos entre a gestão e o governo sobre preços de combustíveis e dividendos — episódios que produziram volatilidade relevante nas ações.
As ações são negociadas no segmento tradicional da B3 (a empresa não integra o Novo Mercado nem o Nível 2), e a companhia mantém ADRs listados na NYSE — PBR para as ON e PBR.A para as PN —, o que a sujeita à regulação da SEC e à Lei Sarbanes-Oxley. Entre os mecanismos de proteção ao minoritário destacam-se a eleição de conselheiros em separado, o Comitê de Auditoria Estatutário, o comitê dedicado a transações com partes relacionadas, o estatuto com regras de conflito de interesses e a fiscalização de CVM, TCU e CGU — camadas que mitigam, mas não eliminam, o risco de interferência do controlador.
Panorama competitivo
O mapa competitivo da Petrobras pode ser dividido em três grupos. O primeiro é o das junior oils brasileiras — Prio (PRIO3), Brava Energia (BRAV3, resultado da fusão entre 3R Petroleum e Enauta) e PetroReconcavo (RECV3) —, que cresceram comprando campos maduros vendidos pela própria Petrobras em seu programa de desinvestimentos e se especializaram em revitalizar ativos onshore e em águas rasas com estrutura enxuta de custos. O segundo grupo reúne as majors internacionais — Shell, TotalEnergies, Equinor, ExxonMobil e Chevron —, que atuam no pré-sal como sócias da Petrobras em consórcios de partilha e concessão e disputam novos blocos nos leilões da ANP. O terceiro é o do refino e da distribuição, em que a Acelen (refinaria de Mataripe, vendida em 2021) e importadores independentes de derivados concorrem no mercado doméstico de combustíveis, com Vibra, Raízen e Ipiranga atuando na ponta da distribuicao.
Os moats da Petrobras são robustos. O principal é o pré-sal: reservatórios gigantes com custo de extração entre os mais baixos do mundo em produção offshore, o que mantém a companhia competitiva mesmo em cenários de petróleo deprimido. Somam-se a escala — é, com folga, a maior produtora de petróleo e gás do Brasil —, o domínio tecnológico em águas ultraprofundas construído ao longo de décadas e uma infraestrutura logística integrada de plataformas, dutos, terminais e refinarias que nenhum concorrente local consegue replicar. O parque de refino, ainda majoritariamente sob seu controle, garante posição dominante na oferta doméstica de derivados.
As ameaças vêm de várias direções. No longo prazo, a transição energética — eletrificação de frotas, expansão das renováveis e precificação de carbono — pressiona a demanda estrutural por derivados de petróleo. No mercado interno, biocombustíveis como o etanol e o diesel com conteúdo renovável ganham espaço com mandatos regulatórios crescentes, e a importação de derivados disciplina os preços que a companhia consegue praticar no refino. As junior oils, por sua vez, competem pelo capital do investidor local, oferecendo exposição a petróleo com políticas de dividendos próprias e sem o risco de interferência estatal.
O setor passou por consolidação relevante: a fusão que criou a Brava Energia e as aquisições da Prio reduziram o número de players independentes, enquanto a Petrobras, depois de vender dezenas de ativos entre 2019 e 2022, reviu a estratégia, suspendeu desinvestimentos relevantes e voltou a estudar novas fronteiras exploratórias, como a Margem Equatorial. Para o investidor, o resultado é um mercado em que a Petrobras segue dominante na produção e no refino, mas convive com concorrentes ágeis nos campos maduros e com sócias globais de grande porte dentro do próprio pré-sal.
Indicadores explicados
**P/L.** Um P/L de 4,98 significa que o preço da ação equivale a cerca de cinco anos do lucro por ação apurado nos últimos 12 meses, mantidas as condições atuais. É um múltiplo baixo em relação à média histórica da bolsa brasileira, padrão comum em petroleiras: o mercado desconta a ciclicidade do lucro, que depende do preço do Brent e do câmbio, e o componente estatal da companhia. A leitura adequada considera em que fase do ciclo de commodity esse lucro foi gerado. Fórmula: P/L = preço da ação ÷ lucro por ação (LPA) dos últimos 12 meses Cálculo: P/L = R$ 41,73 ÷ R$ 8,38 = 4,98 (dados de 10/06/2026)
**P/VP.** Com P/VP de 1,20, a ação é negociada 20% acima do valor contábil do patrimônio líquido por ação. Em empresas intensivas em ativos, como petroleiras integradas, esse múltiplo próximo de 1x indica que o mercado atribui à companhia um valor levemente superior ao registrado no balanço. O indicador é sensível a reavaliações e baixas contábeis (impairments) de campos, plataformas e refinarias, que alteram o VPA sem passar pelo caixa. Fórmula: P/VP = preço da ação ÷ valor patrimonial por ação (VPA) Cálculo: P/VP = R$ 41,73 ÷ R$ 34,63 = 1,20 (dados de 10/06/2026)
**Dividend Yield (DY).** O DY de 10,93% indica que os proventos distribuídos nos últimos 12 meses equivalem a aproximadamente um décimo do preço atual da ação. É um patamar elevado, coerente com a política de remuneração da Petrobras atrelada à geração de caixa. Trata-se de uma medida retrospectiva: o fluxo futuro de proventos depende do preço do petróleo, do câmbio, do plano de investimentos e de decisões societárias, e não há garantia de recorrência desse percentual. Fórmula: DY = proventos pagos por ação nos últimos 12 meses ÷ preço da ação × 100 Cálculo: DY = R$ 4,56 ÷ R$ 41,73 = 10,93% (dados de 10/06/2026)
**ROE.** Um ROE de 24,20% mostra que, nos últimos 12 meses, a companhia gerou lucro equivalente a cerca de um quarto do capital próprio registrado no balanço. É um nível alto de rentabilidade sobre o patrimônio, típico de petroleiras em fases favoráveis do ciclo de commodity. Como o ROE é amplificado pela alavancagem financeira e pelo preço do Brent, a leitura mais informativa compara a média de vários exercícios, e não um único ano isolado. Fórmula: ROE = lucro líquido dos últimos 12 meses ÷ patrimônio líquido × 100 Cálculo: ROE = R$ 108,0 bilhões ÷ R$ 446,37 bilhões = 24,20% (dados de 10/06/2026)
**ROIC.** O ROIC de 12,11% mede o retorno gerado sobre todo o capital aplicado na operação, somando recursos de acionistas e de credores. A distância em relação ao ROE (mais alto) reflete o efeito da alavancagem: parte do retorno ao acionista vem do uso de dívida. Em empresas de capital intensivo, o ROIC acima do custo médio ponderado de capital ao longo do ciclo é o que indica criação de valor econômico, e não apenas lucro contábil em ano favorável. Fórmula: ROIC = lucro operacional após impostos (NOPAT) ÷ capital investido (próprio + terceiros) × 100 Cálculo: ROIC = 12,11% (dados de 10/06/2026)
**EV/EBITDA.** O EV/EBITDA de 3,80 indica que o valor da firma (mercado mais dívida líquida) corresponde a menos de quatro vezes a geração operacional de caixa anual medida pelo EBITDA. É o múltiplo mais usado para comparar petroleiras entre si, pois neutraliza diferenças de endividamento e de depreciação. Patamares de um dígito baixo são frequentes no setor de óleo e gás e em estatais, refletindo o desconto que o mercado aplica à ciclicidade e à governança. Fórmula: EV/EBITDA = (valor de mercado + dívida líquida) ÷ EBITDA dos últimos 12 meses Cálculo: EV/EBITDA = 3,80 (dados de 10/06/2026)
**Margem EBITDA.** A margem EBITDA de 46,24% significa que, de cada R$ 100 de receita líquida, cerca de R$ 46 se convertem em geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização. É uma margem elevada, associada ao peso do segmento de exploração e produção no resultado — o pré-sal tem custo de extração baixo —, enquanto refino e distribuição operam com margens menores. O indicador oscila com o preço do Brent e com o mix entre os segmentos. Fórmula: Margem EBITDA = EBITDA ÷ receita líquida × 100 Cálculo: Margem EBITDA = 46,24% (dados de 10/06/2026)
**Dívida líquida/EBITDA.** A alavancagem de 1,46x indica que a dívida líquida equivale a menos de um ano e meio da geração operacional de caixa medida pelo EBITDA. No setor de óleo e gás, valores até a faixa de 1,5x são geralmente lidos como balanço confortável, enquanto níveis acima de 2,5x a 3x passam a restringir dividendos e investimentos. Como o EBITDA é cíclico, esse múltiplo pode subir apenas pela queda do denominador se o preço do petróleo recuar. Fórmula: Dívida líquida/EBITDA = (dívida bruta − caixa e equivalentes) ÷ EBITDA dos últimos 12 meses Cálculo: Dívida líquida/EBITDA = 1,46 (dados de 10/06/2026)
**LPA.** O LPA de R$ 8,38 expressa quanto do lucro líquido dos últimos 12 meses corresponde a cada ação emitida. É a base do cálculo do P/L e a métrica mais direta para acompanhar a trajetória de resultados por ação ao longo dos trimestres. Em petroleiras, o LPA varia fortemente com o Brent, o câmbio e eventos não recorrentes (comercializacao de ativos, impairments), por isso a comparação entre períodos deve separar o resultado operacional dos efeitos pontuais. Fórmula: LPA = lucro líquido dos últimos 12 meses ÷ número total de ações Cálculo: LPA = R$ 108,0 bilhões ÷ 12,89 bilhões de ações = R$ 8,38 (dados de 10/06/2026)
**VPA.** O VPA de R$ 34,63 representa a parcela do patrimônio líquido contábil atribuível a cada ação. É o denominador do P/VP e serve como referência do valor registrado em balanço para os ativos da companhia, líquidos de obrigações. Em empresas com grande base de ativos físicos, como plataformas e refinarias, o VPA muda com lucros retidos, distribuição de proventos e ajustes contábeis, e pode divergir do valor econômico dos ativos a preços de mercado. Fórmula: VPA = patrimônio líquido ÷ número total de ações Cálculo: VPA = R$ 446,37 bilhões ÷ 12,89 bilhões de ações = R$ 34,63 (dados de 10/06/2026)
Perguntas Frequentes
Qual o preço atual de PETR4? A cotação mais recente de PETR4 é de R$ 40,90.
Em qual setor PETR4 está classificada? PETR4 pertence ao setor Petróleo e Gás na classificação da B3.
Qual o P/L de PETR4? O índice Preço/Lucro (P/L) de PETR4 é 4.88. Este indicador relaciona o preço da ação com o lucro por ação.
PETR4 paga dividendos? PETR4 apresenta dividend yield de 5,66% nos últimos 12 meses.
Qual o ROE de PETR4? O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de PETR4 é de 24,20%. O indicador relaciona o lucro ao patrimônio líquido e descreve a rentabilidade contábil da companhia.
Qual o valor de mercado de PETR4? O valor de mercado de PETR4 é de aproximadamente R$ 527,1B, calculado a partir da cotação e do total de ações. Dado sujeito a variação a cada pregão.
Quantas ações PETR4 possui emitidas? A companhia possui 12.888.732.761 ações emitidas, conforme dados públicos CVM/B3.
Qual o controle acionário de PETR4? O controle acionário registrado é do tipo Estatal Holding, conforme cadastro público da companhia.
Qual a diferença entre PETR3 e PETR4? PETR3 é a ação ordinária (ON), com direito a voto nas assembleias, e PETR4 é a preferencial (PN), sem voto nas deliberações comuns, mas com prioridade no recebimento de dividendos mínimos. Na prática, ambas recebem o mesmo valor por ação nas distribuições da Petrobras. A PETR4 costuma apresentar liquidez maior na B3, enquanto a PETR3 carrega o tag along de 80% em eventual comercializacao de controle, proteção que a PN não possui.
Como funciona o dividendo da Petrobras? A política vigente prevê distribuição de 45% do fluxo de caixa livre — fluxo de caixa operacional menos investimentos — desde que o endividamento bruto esteja abaixo do teto definido no plano estratégico. Os pagamentos costumam ser aprovados trimestralmente, após a divulgação dos resultados, geralmente em duas parcelas. O conselho pode aprovar dividendos extraordinários em anos de caixa forte, e a fórmula pode ser revisada a qualquer momento.
O que é o pré-sal e por que ele importa para a Petrobras? O pré-sal é um conjunto de reservatórios de petróleo situados sob uma espessa camada de sal, em águas ultraprofundas das bacias de Santos e Campos. Anunciado ao mercado em 2007 com o campo de Tupi, tornou-se a principal fonte de produção da Petrobras, com poços de alta produtividade e custo de extração entre os mais baixos do mundo em operações offshore. É o ativo que sustenta a geração de caixa da companhia e sua competitividade mesmo em ciclos de preços baixos.
Como o preço do petróleo Brent afeta PETR4? O Brent é a referência internacional usada para precificar o petróleo brasileiro. Quando ele sobe, a receita de exportação e o valor da produção da Petrobras aumentam, elevando o lucro e a base de cálculo dos dividendos; quando cai, ocorre o inverso. Como os custos de extração são relativamente estáveis, variações do Brent têm efeito amplificado sobre as margens. Por isso, PETR4 tende a acompanhar de perto o humor do mercado global de petróleo.
Existe risco de estatização ou de privatização da Petrobras? A Petrobras já é uma estatal de capital misto: a União controla a companhia por deter a maioria das ações ordinárias. Uma privatização exigiria aprovação de lei específica pelo Congresso, processo politicamente complexo e sem encaminhamento concreto. O risco mais relevante para o minoritário não é a estatização em si, mas o uso da empresa para fins de política pública — como contenção de preços de combustíveis —, que pode reduzir lucros e dividendos.
Qual a diferença entre JCP e dividendo nos pagamentos da Petrobras? Historicamente o dividendo era isento de imposto de renda para a pessoa física, mas a reforma tributária da renda (Lei 15.270/2025, vigente desde 2026) instituiu retenção de 10% sobre dividendos que excedam R$ 50 mil por mês pagos por uma mesma empresa; o juro sobre capital próprio (JCP) segue com retenção de 15% na fonte. Para a empresa, o JCP é dedutível na apuração de IR/CSLL, o que gera economia fiscal e explica seu uso frequente pela Petrobras. Nos anúncios de remuneração, a companhia costuma combinar as duas modalidades. Ao comparar proventos recebidos, considere sempre o valor líquido do JCP após a retenção do imposto.
Com que frequência a Petrobras paga proventos? Pela política vigente, as remunerações ordinárias são aprovadas trimestralmente, junto com a divulgação dos resultados, e cada aprovação costuma ser paga em duas parcelas nos meses seguintes. Na prática, o acionista pode receber créditos em vários meses do ano. Dividendos extraordinários, quando aprovados, seguem calendário próprio. As datas-com e de pagamento são divulgadas em fatos relevantes e na agenda de proventos da B3.
O que muda entre ações ON e PN para o pequeno investidor? A ON (PETR3) dá direito a voto em assembleia e ao tag along de 80% em caso de comercializacao do controle. A PN (PETR4) não vota nas deliberações comuns, mas tem prioridade no dividendo mínimo e costuma oferecer maior liquidez de negociação. Para quem investe valores pequenos e não pretende exercer voto, a diferença prática se concentra no tag along — relevante apenas num cenário de troca de controle, improvável numa estatal — e na liquidez dos papéis.
Qual o papel da ANP no negócio da Petrobras? A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis regula todo o setor: realiza os leilões de blocos exploratórios, fiscaliza contratos de concessão e partilha, define regras de conteúdo local, royalties e participações especiais, e autoriza atividades de refino e comercialização. Decisões da ANP afetam diretamente o custo e o ritmo dos projetos da Petrobras, e mudanças regulatórias são um risco permanente para todo o setor.
A Petrobras tem exposição cambial? Como o dólar afeta a ação? Sim, e ela é dupla. As receitas de petróleo são precificadas em dólar, então a desvalorização do real tende a aumentar a receita medida em reais. Por outro lado, boa parte da dívida e dos custos de equipamentos também é dolarizada, e variações cambiais geram efeitos contábeis no resultado financeiro. No conjunto, a alta do dólar costuma favorecer a geração de caixa, mas adiciona volatilidade aos lucros trimestrais reportados.
Como a política de preços de combustíveis afeta os resultados? Quando a Petrobras vende gasolina e diesel abaixo da paridade de importação por decisão política, o segmento de refino absorve a diferença, comprimindo margens e reduzindo o caixa disponível para dividendos. Episódios de represamento de preços marcaram a história da companhia e provocaram fortes quedas das ações. A política comercial atual usa referências de mercado com reajustes menos frequentes, mas segue sendo o principal canal de interferência estatal.
A Petrobras é considerada uma empresa ESG? O que observar? A companhia mantém metas de descarbonização das operações e investe em projetos de baixo carbono, mas seu negócio principal segue sendo combustível fóssil, o que limita sua avaliação em rankings ESG e afasta parte dos fundos internacionais. No pilar de governança, pesam o controle estatal e o histórico de interferências. Vale acompanhar a intensidade de emissões por barril, o licenciamento de novas fronteiras exploratórias e a evolução do capex de transição energética.
Atualização
Dados consultados em 19/07/2026 nas fontes públicas citadas. Cotações e indicadores estão sujeitos a defasagem conforme a periodicidade de cada fonte.
Ativos do mesmo setor
Outros ativos do setor Petróleo e Gás, para comparação:
Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.
