Pix como símbolo de soberania na tensão Brasil-EUA em 2026
Entenda como o Pix se tornou símbolo de soberania do Brasil em 2026, influenciando a política internacional e o cenário econômico. Saiba mais.
Segundo InfoMoney, ataques americanos ao Pix são interpretados como parte da defesa da soberania brasileira pelo presidente Lula, segundo o cientista político Guilherme Casarões. Disputa interna no governo Trump influencia a política americana em relação ao Brasil, com Marco Rubio atuando como operador de uma política específica para América Latina.
O que está em jogo
Segundo InfoMoney, professor da Florida International University e coordenador do Observatório da Extrema Direita, o cientista político Guilherme Casarões afirma que os ataques americanos ao Pix ajudam o presidente Lula a transformar a defesa da soberania em algo palpável. Avalia ainda que o vaivém de Donald Trump na relação com o Brasil se dá na esteira de disputas internas de poder no governo americano. O que explica as ações dos EUA depois de um encontro que pareceu bem-sucedido entre Lula e Trump? Essas agendas já tinham começado no ano passado. O governo Trump se move de maneira meio descoordenada. Há muitos núcleos de interesse dentro do governo, cada um tocando suas agendas setoriais. O (secretário de Estado) Marco Rubio, em particular, é o operador de uma política muito específica para a América Latina, em que o Brasil é considerado rival. Tanto que foi quem menos se engajou com Lula. Tendemos sempre a olhar para tudo que Trump faz como parte de uma estratégia. Claro que parte disso é calculado, mas existe também um timing que vai ao sabor de disputas internas do governo. Mas chama atenção Trump postar foto com Flávio no dia do anúncio das tarifas. Esse é o ponto mais estranho. Pode ser que Trump tenha feito o cálculo de achar que poderia impulsionar Flávio. Na reunião com Flávio, no entanto, ele elogiou Lula. Então não sei o quanto Trump está entendendo o tamanho do impacto dos atos dele para a dinâmica eleitoral do Brasil. O novo tarifaço e os ataques ao Pix têm potencial para ajudar Lula de novo, como aconteceu no ano passado? Acredito que sim. No momento da designação do PCC e do CV como terroristas, avaliei que Flávio tinha conseguido tomar a rédea da narrativa: deu coletiva em Washington, falou que tinha pedido abertamente a Trump, e a denominação saiu pouco depois. Ficaria muito difícil o governo Lula criticar a decisão de Trump sem parecer que estava "defendendo bandido".
